domingo, 28 de outubro de 2012

MARIA CARMEM BARBOSA


Maria Carmem Barbosa (Rio de Janeiro, 3 de maio de 1947) é dramaturga, escritora de telenovelas e roteirista brasileira. Iniciou sua trajetória profissional no rádio em 1970, no “Programa Minerva”, da Rádio MEC, experiência que marcou seu primeiro contato mais sistemático com a produção de textos para comunicação de massa. No mesmo período, criou “Falou e Disse”, ampliando sua atuação no meio radiofônico e desenvolvendo uma escrita voltada para a informação, o entretenimento e a linguagem coloquial. A passagem pelo rádio foi importante para a formação de seu estilo, especialmente pela necessidade de construir situações e personagens de maneira clara e expressiva por meio apenas da palavra.
 
Na televisão, Maria Carmem Barbosa passou a atuar em diferentes formatos e gêneros. Contratada pelo SBT, participou de uma faixa dedicada à teledramaturgia com o programa “Quarta Nobre”, que apresentava adaptações e textos de caráter mais literário e teatral. Já “Tele-Tema” trabalhava histórias independentes, permitindo que diferentes questões contemporâneas fossem desenvolvidas em episódios próprios, enquanto “Grandes Nomes” se dedicava a grandes personalidades, aproximando a televisão do formato de entrevista e homenagem. A autora também colaborou em “Armação Ilimitada”, série voltada ao público jovem que se destacou pela mistura de aventura, humor e referências à cultura urbana, e em “Chico & Caetano”, programa musical que reunia Chico Buarque e Caetano Veloso em apresentações e encontros com outros artistas. Em 1990, desenvolveu “Delegacia de Mulheres”, série centrada em uma delegacia especializada no atendimento de mulheres vítimas de violência. A produção colocou em evidência situações de violência doméstica e conflitos enfrentados por mulheres, conferindo à ficção uma dimensão social particularmente importante. Em 1997, o trabalho representou o Brasil em uma conferência sobre violência doméstica realizada em Washington, nos Estados Unidos, reconhecimento que reforçou a relevância do projeto para além do entretenimento televisivo.
 
Concebida por Maria Carmem Barbosa, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, “Lua Cheia de Amor” (1995) foi a primeira novela da autora como titular e teve sua exibição na faixa das 19h, com supervisão de texto de Gilberto Braga, que já havia adaptado a mesma história em “Dona Xepa” (1980), baseada na peça homônima de Pedro Bloch. Genu (Marília Pêra) é uma mulher simples e batalhadora que sustenta os filhos, Rodrigo (Roberto Battaglin) e Mercedes (Isabela Garcia), enquanto espera há anos pelo retorno do marido, Diego (Francisco Cuoco). Apesar dos sacrifícios da mãe, os dois filhos rejeitam sua condição humilde. Rodrigo aproveita as oportunidades que ela lhe proporciona para estudar e sonha em ser diretor de cinema, mas sua ascensão profissional o distancia ainda mais de Genu. Mercedes, por outro lado, vê no casamento com um homem rico a chance de escapar da pobreza e se aproxima de Douglas (Rodolfo Bottino), filho de Jordão (Carlos Zara), sem saber que ele também esconde a situação financeira decadente da própria família. Os dois acreditam estar aplicando um golpe do baú um no outro. Enquanto isso, Kika Jordão (Arlete Salles) vive obcecada pela alta sociedade e tenta se aproximar da socialite Laís Souto Maia (Susana Vieira), ao mesmo tempo em que Augusto (Maurício Mattar), filho de Laís, se apaixona por Mercedes e rejeita justamente a obsessão por riqueza que a move. Já Isabela (Drica Moraes), marcada pela baixa autoestima e pela cleptomania, é chantageada por Wagner (Mário Gomes), mas encontra no estudioso Lourenço (Felipe Martins) uma possibilidade de afeto. Quando Diego finalmente reaparece sob a identidade de Estebán Garcia, a longa espera de Genu ganha uma nova dimensão e altera os rumos de sua vida. Entre diferenças sociais, ambições, interesses amorosos e aparências cuidadosamente construídas, a novela coloca em contraste o desejo de ascensão e a simplicidade de quem, como Genu, encontra na luta diária pela família sua principal razão para seguir em frente.
 
Em 1998, integra a equipe de colaboradores do autor Antônio Calmon em “Olho no Olho”, exibida às 19h. Na trama, o padre Guido Bellini (Tony Ramos) retorna ao Brasil após descobrir, em Roma, um segredo ligado à organização criminosa comandada pela família Zapata. Ao abandonar a batina, ele se envolve com Débora (Natália do Valle), escritora judia e mãe de Alef (Felipe Folgosi), jovem dotado de poderes paranormais. A relação desperta a paixão de César Zapata (Reginaldo Faria), que utiliza os poderes malignos do filho Fred (Nico Puig) para enfrentar Guido e seus aliados. Enquanto esse conflito se intensifica, Malena (Helena Ranaldi), amiga de infância do padre, mantém com ele uma relação marcada por sentimentos contraditórios e obsessivos. Paralelamente, as tias de Guido, Julieta (Cleyde Yáconis) e Veridiana (Eva Todor), alugam os quartos de seu decadente palacete, a Casa de Pagu, para um grupo de jovens. Combinando parapsicologia, poderes sobrenaturais e disputas familiares, a novela desenvolve uma história em que o fantástico se mistura a relações amorosas, conflitos de poder e uma organização criminosa que transforma o sobrenatural em instrumento de dominação.
 
Formou parceria com Miguel Falabella para escrever seus trabalhos posteriores. “Salsa e Merengue” (2001), exibida às 19h, teve solidariedade e doação de órgãos como os assuntos principais da novela. A história começa com um segredo mantido durante 30 anos: a elegante e rica Bárbara (Rosamaria Murtinho) dá à luz um filho morto, mas Guilherme (Walmor Chagas), seu marido, troca o corpo da criança pelo bebê de uma mulher pobre, que não tem condições de criá-lo. O menino, Eugênio (Marcello Antony), cresce sem conhecer sua verdadeira origem e, já adulto, apaixona-se por Madalena (Patrícia França), uma jovem simples que se muda para o Rio de Janeiro. Nesse período, descobre estar gravemente doente e precisar de um transplante de medula, que só pode ser realizado por um parente consanguíneo. Sem outra alternativa para salvar o filho, Guilherme revela a verdade a Bárbara, dando início à procura por Anabel Muñoz (Arlete Salles), a mãe biológica de Eugênio. A busca leva à descoberta de Valentim (Marcos Palmeira), filho de Anabel e irmão legítimo de Eugênio, que também se apaixona por Madalena e passa a ocupar um lugar decisivo no conflito. Paralelamente, Adriana (Cristiana Oliveira), ambiciosa e interessada em poder e ascensão social, envolve-se com Guilherme e se alia a Heitor (Victor Fasano), sócio inescrupuloso da mineradora Amarante Paes, ampliando as disputas dentro da família. A doença de Eugênio, o segredo sobre sua origem e a possibilidade de reencontrar sua família biológica fazem da solidariedade e da doação de órgãos os elementos que movimentam os principais conflitos da novela.
 
Em 2005, foi convidada por Miguel Falabella para ser uma das autoras da série “Toma Lá Dá Cá”, onde permaneceu pelas três temporadas, até 2009. Ambientada no edifício Jambalaya Ocean Drive, a série acompanha a convivência tumultuada de dois casais de vizinhos: Mário Jorge (Miguel Falabella), corretor de imóveis, ex-marido de Rita (Marisa Orth), sua concorrente profissional, enquanto Celinha (Adriana Esteves) é ex-mulher do dentista Arnaldo (Diogo Vilela). Os filhos de Mário Jorge e Rita, Isadora (Fernanda Souza) e Tatalo (George Sauma), circulam pelos dois apartamentos e se envolvem constantemente em confusões. Adonis (Daniel Torres), filho de Celinha e Arnaldo, é mais introspectivo, mas também acaba envolvido na dinâmica familiar. A chegada de Copélia (Arlete Salles), mãe de Celinha, aumenta ainda mais os atritos, enquanto a diarista Bozena (Alessandra Maestrini) se torna outra figura central da convivência, sempre trazendo histórias de Pato Branco que nunca consegue terminar. Do alto do prédio, a síndica Álvara (Stella Miranda) acompanha as disputas ao lado do marido, Ladir (Ítalo Rossi), completando o núcleo responsável pelo humor baseado na intimidade forçada entre vizinhos, nas relações familiares mal resolvidas e nas situações absurdas do cotidiano.
 
“A Lua Me Disse” (2009) marcou o retorno de Maria Carmem Barbosa às novelas após oito anos afastada, novamente em parceria com Miguel Falabella, em uma trama urbana e contemporânea exibida na faixa das 19h. No centro da história está Heloísa (Adriana Esteves), moradora do Beco da Baiúca, vila fictícia de Jacarepaguá, que aos 16 anos começa a trabalhar como baby-sitter de Branca (Monique Alfradique), filha de Regina Benate (Maitê Proença), mulher de um dos sócios do banco Benate Bogari. A convivência com a família aproxima Heloísa de Ricardo Bogari (Frank Borges), por quem se apaixona e engravida. O romance enfrenta a oposição de Ester (Zezé Polessa), mãe de Ricardo, que não aceita a relação, e termina tragicamente com a morte dele em um acidente de carro. Grávida na adolescência, Heloísa encontra apoio nos pais, Diva (Pepita Rodrigues) e Alberto (Otávio Augusto), reorganiza a própria vida e cria o filho Arthur (Guilherme Vieira). Dez anos depois, já integrada à comunidade e trabalhando ao lado de Ademilde Goldoni (Arlete Salles), ela volta a enfrentar Ester, que ainda a responsabiliza pela morte do filho e decide disputar a guarda do neto. A situação se complica quando Gustavo (Wagner Moura), outro filho de Ester, se aproxima de Heloísa, enquanto o misterioso Tadeu (Marcos Pasquim) também passa a disputar seu afeto. Paralelamente, a morte de Regina desencadeia uma nova disputa familiar ao deixar Branca sob a guarda de Heloísa e sua fortuna para a filha, contrariando os parentes que dependiam de seu dinheiro e fortalecendo ainda mais o conflito com Ester. Assim, a vida de Heloísa se desenvolve entre os laços construídos no Beco da Baiúca e as tensões provocadas pelas famílias Benate e Bogari, que movimentam a novela em torno de relações afetivas, diferenças sociais, ressentimentos e disputas de poder.
 
Após o fim de “A Lua Me Disse”, Maria Carmem Barbosa se desligou do SBT, encerrando uma etapa significativa de sua carreira. O percurso construído até aquele momento revelou uma autora capaz de transitar por diferentes formatos e linguagens, conciliando o humor e a dramaturgia com temas sociais e questões do cotidiano. Sua trajetória na televisão foi marcada, sobretudo, pela versatilidade e pela disposição para experimentar diferentes possibilidades de criação, sem se restringir a um único gênero ou modelo de narrativa.
 
TRABALHOS DE MARIA CARMEM BARBOSA NO SBT
 
Novela        
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Lua Cheia de Amor
12/06/1995
19/01/1996
191
19h30
Autora principal
Salsa e Merengue
02/04/2001
26/10/2001
179
19h30
Autora principal
12/10/2009
26/03/2010
143
19h30
Autora principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela        
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Olho no Olho
16/03/1998
16/10/1998
185
19h30
Colaboradora

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