Maria
Carmem Barbosa (Rio de Janeiro, 3 de maio de 1947) é dramaturga,
escritora de telenovelas e roteirista brasileira. Iniciou sua trajetória
profissional no rádio em 1970, no “Programa Minerva”, da Rádio MEC, experiência que marcou seu primeiro contato mais
sistemático com a produção de textos para comunicação de massa. No mesmo
período, criou “Falou e Disse”, ampliando sua atuação no meio radiofônico e desenvolvendo uma escrita
voltada para a informação, o entretenimento e a linguagem coloquial. A passagem
pelo rádio foi importante para a formação de seu estilo, especialmente pela
necessidade de construir situações e personagens de maneira clara e expressiva
por meio apenas da palavra.
Na televisão, Maria
Carmem Barbosa passou a atuar em diferentes formatos e gêneros. Contratada pelo
SBT, participou de uma faixa dedicada à teledramaturgia com o programa “Quarta Nobre”, que apresentava
adaptações e textos de caráter mais literário e teatral. Já “Tele-Tema” trabalhava
histórias independentes, permitindo que diferentes questões contemporâneas
fossem desenvolvidas em episódios próprios, enquanto “Grandes Nomes” se dedicava a
grandes personalidades, aproximando a televisão do formato de entrevista e
homenagem. A autora também colaborou em “Armação
Ilimitada”, série voltada ao público jovem que se destacou
pela mistura de aventura, humor e referências à cultura urbana, e em “Chico & Caetano”, programa musical
que reunia Chico Buarque e Caetano Veloso em apresentações e encontros com outros artistas. Em 1990, desenvolveu “Delegacia de Mulheres”, série
centrada em uma delegacia especializada no atendimento de mulheres vítimas de
violência. A produção colocou em evidência situações de violência doméstica e
conflitos enfrentados por mulheres, conferindo à ficção uma dimensão social
particularmente importante. Em 1997, o trabalho representou o Brasil em uma
conferência sobre violência doméstica realizada em Washington, nos Estados
Unidos, reconhecimento que reforçou a relevância do projeto para além do
entretenimento televisivo.
Concebida por Maria Carmem Barbosa, Ricardo
Linhares e Ana Maria Moretzsohn, “Lua Cheia de Amor” (1995)
foi a primeira novela da autora como titular e teve sua exibição na faixa das
19h, com supervisão de texto de Gilberto Braga, que já havia adaptado a
mesma história em “Dona Xepa” (1980), baseada na peça homônima de Pedro
Bloch. Genu (Marília Pêra) é uma mulher simples e batalhadora
que sustenta os filhos, Rodrigo (Roberto Battaglin) e Mercedes
(Isabela Garcia), enquanto espera há anos pelo retorno do marido, Diego
(Francisco Cuoco). Apesar dos sacrifícios da mãe, os dois filhos
rejeitam sua condição humilde. Rodrigo aproveita as oportunidades que ela lhe
proporciona para estudar e sonha em ser diretor de cinema, mas sua ascensão
profissional o distancia ainda mais de Genu. Mercedes, por outro lado, vê no
casamento com um homem rico a chance de escapar da pobreza e se aproxima de Douglas
(Rodolfo Bottino), filho de Jordão (Carlos Zara), sem
saber que ele também esconde a situação financeira decadente da própria
família. Os dois acreditam estar aplicando um golpe do baú um no outro.
Enquanto isso, Kika Jordão (Arlete Salles) vive obcecada pela
alta sociedade e tenta se aproximar da socialite Laís Souto Maia (Susana
Vieira), ao mesmo tempo em que Augusto (Maurício Mattar),
filho de Laís, se apaixona por Mercedes e rejeita justamente a obsessão por
riqueza que a move. Já Isabela (Drica Moraes), marcada pela baixa
autoestima e pela cleptomania, é chantageada por Wagner (Mário Gomes),
mas encontra no estudioso Lourenço (Felipe Martins) uma
possibilidade de afeto. Quando Diego finalmente reaparece sob a identidade de Estebán
Garcia, a longa espera de Genu ganha uma nova dimensão e altera os rumos de
sua vida. Entre diferenças sociais, ambições, interesses amorosos e aparências
cuidadosamente construídas, a novela coloca em contraste o desejo de ascensão e
a simplicidade de quem, como Genu, encontra na luta diária pela família sua
principal razão para seguir em frente.
Em 1998, integra a equipe de colaboradores do
autor Antônio Calmon em “Olho no Olho”, exibida às 19h. Na trama,
o padre Guido Bellini (Tony Ramos) retorna ao Brasil após
descobrir, em Roma, um segredo ligado à organização criminosa comandada pela
família Zapata. Ao abandonar a batina, ele se envolve com Débora (Natália
do Valle), escritora judia e mãe de Alef (Felipe Folgosi),
jovem dotado de poderes paranormais. A relação desperta a paixão de César
Zapata (Reginaldo Faria), que utiliza os poderes malignos do filho Fred
(Nico Puig) para enfrentar Guido e seus aliados. Enquanto esse conflito
se intensifica, Malena (Helena Ranaldi), amiga de infância do
padre, mantém com ele uma relação marcada por sentimentos contraditórios e
obsessivos. Paralelamente, as tias de Guido, Julieta (Cleyde Yáconis)
e Veridiana (Eva Todor), alugam os quartos de seu decadente
palacete, a Casa de Pagu, para um grupo de jovens. Combinando parapsicologia,
poderes sobrenaturais e disputas familiares, a novela desenvolve uma história
em que o fantástico se mistura a relações amorosas, conflitos de poder e uma
organização criminosa que transforma o sobrenatural em instrumento de
dominação.
Formou parceria com Miguel Falabella
para escrever seus trabalhos posteriores. “Salsa e Merengue” (2001),
exibida às 19h, teve solidariedade e doação de órgãos como os assuntos
principais da novela. A história começa com um segredo mantido durante 30 anos:
a elegante e rica Bárbara (Rosamaria Murtinho) dá à luz um filho
morto, mas Guilherme (Walmor Chagas), seu marido, troca o corpo
da criança pelo bebê de uma mulher pobre, que não tem condições de criá-lo. O
menino, Eugênio (Marcello Antony), cresce sem conhecer sua
verdadeira origem e, já adulto, apaixona-se por Madalena (Patrícia
França), uma jovem simples que se muda para o Rio de Janeiro. Nesse
período, descobre estar gravemente doente e precisar de um transplante de
medula, que só pode ser realizado por um parente consanguíneo. Sem outra
alternativa para salvar o filho, Guilherme revela a verdade a Bárbara, dando
início à procura por Anabel Muñoz (Arlete Salles), a mãe
biológica de Eugênio. A busca leva à descoberta de Valentim (Marcos
Palmeira), filho de Anabel e irmão legítimo de Eugênio, que também se
apaixona por Madalena e passa a ocupar um lugar decisivo no conflito.
Paralelamente, Adriana (Cristiana Oliveira), ambiciosa e
interessada em poder e ascensão social, envolve-se com Guilherme e se alia a Heitor
(Victor Fasano), sócio inescrupuloso da mineradora Amarante Paes,
ampliando as disputas dentro da família. A doença de Eugênio, o segredo sobre
sua origem e a possibilidade de reencontrar sua família biológica fazem da
solidariedade e da doação de órgãos os elementos que movimentam os principais
conflitos da novela.
Em 2005, foi convidada por Miguel Falabella
para ser uma das autoras da série “Toma Lá Dá Cá”, onde permaneceu pelas
três temporadas, até 2009. Ambientada no edifício Jambalaya Ocean Drive, a
série acompanha a convivência tumultuada de dois casais de vizinhos: Mário
Jorge (Miguel Falabella), corretor de imóveis, ex-marido de Rita
(Marisa Orth), sua concorrente profissional, enquanto Celinha (Adriana
Esteves) é ex-mulher do dentista Arnaldo (Diogo Vilela). Os
filhos de Mário Jorge e Rita, Isadora (Fernanda Souza) e Tatalo
(George Sauma), circulam pelos dois apartamentos e se envolvem
constantemente em confusões. Adonis (Daniel Torres), filho de
Celinha e Arnaldo, é mais introspectivo, mas também acaba envolvido na dinâmica
familiar. A chegada de Copélia (Arlete Salles), mãe de Celinha,
aumenta ainda mais os atritos, enquanto a diarista Bozena (Alessandra
Maestrini) se torna outra figura central da convivência, sempre trazendo
histórias de Pato Branco que nunca consegue terminar. Do alto do prédio, a
síndica Álvara (Stella Miranda) acompanha as disputas ao lado do
marido, Ladir (Ítalo Rossi), completando o núcleo responsável
pelo humor baseado na intimidade forçada entre vizinhos, nas relações
familiares mal resolvidas e nas situações absurdas do cotidiano.
“A Lua Me Disse” (2009) marcou o retorno
de Maria Carmem Barbosa às novelas após oito anos afastada, novamente em parceria
com Miguel Falabella, em uma trama urbana e contemporânea exibida na
faixa das 19h. No centro da história está Heloísa (Adriana Esteves),
moradora do Beco da Baiúca, vila fictícia de Jacarepaguá, que aos 16 anos
começa a trabalhar como baby-sitter de Branca (Monique
Alfradique), filha de Regina Benate (Maitê Proença), mulher
de um dos sócios do banco Benate Bogari. A convivência com a família aproxima
Heloísa de Ricardo Bogari (Frank Borges), por quem se apaixona e
engravida. O romance enfrenta a oposição de Ester (Zezé Polessa),
mãe de Ricardo, que não aceita a relação, e termina tragicamente com a morte
dele em um acidente de carro. Grávida na adolescência, Heloísa encontra apoio
nos pais, Diva (Pepita Rodrigues) e Alberto (Otávio
Augusto), reorganiza a própria vida e cria o filho Arthur (Guilherme
Vieira). Dez anos depois, já integrada à comunidade e trabalhando ao lado
de Ademilde Goldoni (Arlete Salles), ela volta a enfrentar Ester,
que ainda a responsabiliza pela morte do filho e decide disputar a guarda do
neto. A situação se complica quando Gustavo (Wagner Moura), outro
filho de Ester, se aproxima de Heloísa, enquanto o misterioso Tadeu (Marcos
Pasquim) também passa a disputar seu afeto. Paralelamente, a morte de
Regina desencadeia uma nova disputa familiar ao deixar Branca sob a guarda de
Heloísa e sua fortuna para a filha, contrariando os parentes que dependiam de
seu dinheiro e fortalecendo ainda mais o conflito com Ester. Assim, a vida de
Heloísa se desenvolve entre os laços construídos no Beco da Baiúca e as tensões
provocadas pelas famílias Benate e Bogari, que movimentam a novela em torno de
relações afetivas, diferenças sociais, ressentimentos e disputas de poder.
Após o fim de “A Lua Me Disse”, Maria
Carmem Barbosa se desligou do SBT, encerrando uma etapa significativa de sua
carreira. O percurso construído até aquele momento revelou uma autora capaz de
transitar por diferentes formatos e linguagens, conciliando o humor e a
dramaturgia com temas sociais e questões do cotidiano. Sua trajetória na
televisão foi marcada, sobretudo, pela versatilidade e pela disposição para
experimentar diferentes possibilidades de criação, sem se restringir a um único
gênero ou modelo de narrativa.
TRABALHOS DE MARIA CARMEM
BARBOSA NO SBT
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Lua Cheia de Amor
|
12/06/1995
|
19/01/1996
|
191
|
19h30
|
Autora principal
|
|
Salsa e Merengue
|
02/04/2001
|
26/10/2001
|
179
|
19h30
|
Autora principal
|
|
12/10/2009
|
26/03/2010
|
143
|
19h30
|
Autora principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Olho no Olho
|
16/03/1998
|
16/10/1998
|
185
|
19h30
|
Colaboradora
|

Nenhum comentário:
Postar um comentário