quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Gilberto Braga fala sobre “Insensato Coração”


Aos 66 anos de idade e 39 de profissão, o carioca Gilberto Tumscitz Braga quer provar a todos que não parou no tempo. E que ainda sabe como prender a atenção do público ao longo de 100 e tantos capítulos. Em “Insensato Coração”, a 19ª novela de sua carreira, o autor de “Dancin’ Days” (1985), “Escrava Isaura” (1980) e “Anos Rebeldes” (1998), entre outros clássicos da TV brasileira, volta a retratar os dilemas da classe média. Para isso, conta com a ajuda de dois velhos parceiros: o diretor Dennis Carvalho e o coautor Ricardo Linhares. “Trabalho com o Dennis desde ‘Corpo a Corpo’, de 1991. Damos certo porque nos admiramos mutuamente e não competimos um com o outro”, afirma.

Como surgiu a ideia que deu origem à novela “Insensato Coração”?
“A ideia surgiu durante o enterro do Caymmi. Pela primeira vez na vida, comecei a escrever uma novela pelo título. Estava no enterro e pensei: ‘Nossa, não é que Insensato Coração daria um ótimo título de novela?’. A partir daí, comecei a desenvolver a sinopse. Uma coisa puxa a outra.”

Você pretende incluir alguma música dele na novela?
“Com certeza. Até pensei, num primeiro momento, de colocar ‘Só Louco’ na abertura da novela. Mas ‘Só Louco’, cantada pela Gal, já foi tema de abertura de ‘O Casarão’, do Lauro César Muniz. Não quis repetir... ‘Só Louco’ vai entrar na trilha, sim, mas não na abertura.”

Qual será o grande tema de “Insensato Coração” e em que ela se distinguirá de trabalhos anteriores seus?
“A novela fala sobre relações familiares e entra na intimidade das casas dos personagens, mostrando como é a vida dentro de quatro paredes. Todos os trabalhos são diferentes, pois tratam de temáticas diferentes, com um elenco diferenciado e, sobretudo, são escritos por um grupo de autores e colaboradores que também passam por transformações ao longo do tempo.”

Qual é o grande diferencial de “Insensato Coração” em relação às suas novelas anteriores?
“Ah, eu diria que ‘Insensato’ tem menos glamour e mais classe média. ‘Insensato Coração’ é basicamente uma novela sobre classe média. Quis variar um pouquinho. É sempre bom...”.

Dos muitos personagens de “Insensato Coração”, qual deles deve cair nas graças do público?
“Ah, é impossível saber! Pessoalmente, gosto muito da Natalie, personagem da Deborah Secco. Ela é uma ex-participante de ‘reality-show’ que sonha arranjar um marido rico e voltar a ficar famosa. Acho que o público vai gostar dela...”.

Você tem o hábito de assistir a ‘reality-shows’ como “Big Brother Brasil”?
“Não, acho chatérrimo!”.

E qual é a sua rotina quando começar a escrever uma novela?
“Só faço trabalhar. Trabalho no escritório, almoço no escritório, assisto ao capítulo do dia no escritório. Por semana, tiro apenas um dia de folga, que é o domingo. Escrevo de segunda a sexta-feira sem parar. No sábado, me reúno com os colaboradores para discurtirmos sobre os cinco capítulos que serão escritos na semana seguinte. Imponho essa meta de produção: um capítulo por dia, cinco capítulos por semana. Quando estou no ar, só não abro mão de dormir. Durmo muito. Mas, do resto, abro mão de tudo. Mas, depois que acaba a novela, para compensar, a gente tem férias longas.”

Dennis Carvalho já dirigiu sete novelas e duas minisséries suas. A que você atribui uma parceria tão bem-sucedida?
“Bem, eu e o Dennis nos admiramos muito. Não vivemos competindo um com o outro para saber quem manda mais. Tudo é resolvido em comum acordo. Quando a gente escala um elenco, por exemplo, se eu gosto de um determinado ator e o Dennis prefere outro, partimos para um terceiro nome. Felizmente, a parceria tem dado certo.”

E, por falar em escalação, como você reagiu às mudanças de última hora no elenco de “Insensato Coração”? Ficou chateado?
“Não foi a primeira vez que tive de lidar com imprevistos na escalação de uma novela. Isso já aconteceu comigo antes. É claro que causa transtornos, mas é o que eu chamo de ‘acidente de percurso’. Mas, para falar a verdade, fiquei satisfeito com o trabalho apresentado pelo Gabriel Braga Nunes e a Paolla Oliveira. É claro que estou triste em relação ao Fábio Assunção, que iria interpretar o vilão Léo. Mas é diferente do que aconteceu com a Ana Paula Arósio. A recusa do Fábio foi por motivo de saúde.”

Você pretende promover alguma campanha de merchandising social na novela?
“Pretendo, sim. Quero falar sobre o problema da compulsão por jogo através do personagem do Cássio Gabus Mendes. O sujeito é tão viciado que chega a roubar dinheiro da faxineira para jogar.”

Em algum momento, você planeja enveredar pelo ‘thriller policial’ como aconteceu em outras novelas, como “Vale Tudo”?
“Ah, com certeza! Vou usar todos os truques possíveis e imaginários. Inclusive, o famoso ‘quem matou?’. Se eu não fizer isso, não escrevo 179 capítulos.”

A sinopse da novela prevê 179 capítulos? E em qual capítulo você está trabalhando no dia de hoje?
“Sim, prevê 179 capítulos, exatamente como ‘Paraíso Tropical’, e vou me esforçar pra que este número seja mantido, que ele não creça e nem diminua. A novela deve ficar no ar até maio de 2018. Nós já temos 62 capítulos prontinhos. Agora só voltamos a escrever na terça-feira, já que estamos entrando no feriado amanhã.”

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