O sertão nordestino é o palco principal do início
das gravações de “Velho Chico”, próxima novela das nove, de Benedito
Ruy Barbosa e Bruno Luperi, com direção artística de Luiz
Fernando Carvalho. Nos primeiros dias de filmagens, no interior de Alagoas,
mais precisamente em Olho D’água do Casado, o diretor comandou as primeiras
cenas com os atores Chico Diaz e Cyria Coentro, que interpretam
respectivamente os retirantes Belmiro e Piedade. Em seguida, parte da equipe
viajou para o Rio Grande do Norte, Baraúna, onde Rodrigo Santoro fez os
primeiros takes como o coronel Afrânio. Outros atores, como Marina Nery,
Rodrigo Lombardi, Fabíula Nascimento, Carlos Betão
também já iniciaram seus trabalhos. Hoje (16), foram iniciadas as gravações em
estúdio.
Ao total, serão gravadas cerca de 500 cenas
externas, que estão acontecendo em três frentes de gravações simultâneas,
dirigidas por Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, Gustavo
Fernandez e Philippe Barcinski. Entre as locações escolhidas estão:
São Francisco do Conde, Raso da Catarina e Cachoeira, na Bahia; Baraúna, no Rio
Grande do Norte; Povoado Cabloco e Olho D’água do Casado, em Alagoas. Dez
caminhões saíram abastecidos do Rio de Janeiro rumo ao nordeste para estas
gravações. Só de figurino foram três toneladas divididas em 3 caminhões e outra
parte que foi despachada por avião. Entre os itens estavam: vestuário,
acessórios, máquina de costura e até fogão para tingimento.
A gravação da novela, que reúne uma equipe de
trabalho de 120 pessoas, está movimentando as cidades por onde passa. Em São
Francisco do Conde (BA), por exemplo, a produção contratou todo tipo de mão de
obra local, incluindo serralheiros, artesãos, pescadores, barqueiros, entre
outros. Isso sem contar com os profissionais de produção, técnica, atores e
figuração. Só para selecionar as participações especiais dos capítulos iniciais
de “Velho Chico” foram realizados mais de 400 testes nas locações fora
do Rio de Janeiro, totalizando a escalação de 70 atores. E cerca de 70% do
elenco principal também é do Nordeste.
A trama
Uma grande história de amor, uma saga familiar
que atravessa gerações. “Velho Chico” narra o amor maior: pelo
rio São Francisco, pelo Brasil, pela natureza e que vai se revelar na grandeza
do sentimento entre Maria Tereza (Camila Pitanga) e Santo
(Domingos Montagner). Do outro lado das margens desses amores habita a
ganância, a ambição desenfreada, o coronelismo arcaico, ainda muito presente em
nosso país: a paixão pelo poder a qualquer custo.
Amores proibidos capazes de balançar estruturas
antigas em uma jornada emocional pelo Brasil profundo. “É um reencontro com
a brasilidade, com a história do nosso país e de sua gente, dos amores puros e
dos desencontros, uma declaração de amor à nossa terra, contada com uma emoção
brasileira, nossa! Um romance que começa na década de 60 e desemboca numa
atualidade cercada de contradições. Uma novela de amor, mas também emoldurada
por uma crítica social”, destaca Luiz Fernando Carvalho, diretor da novela.
Uma história que mostra a cultura arcaica dos
coronéis, com suas fazendas produtoras de algodão erguidas muitas vezes em
circunstâncias que oprimiram o povo nordestino. Nos dias de hoje, seus
herdeiros formados em novas tecnologias do solo, habituados ao uso de novos
procedimentos, buscam o reequilíbrio da natureza e consequentemente um mundo
melhor e mais justo para todos. Essa é a nova geração de Velho Chico, chamado
pelo diretor Luiz Fernando Carvalho de “admirável mundo novo.”
O enredo do romance entre herdeiros de famílias
rivais se entrelaça à trajetória de luta pelo renascimento do Rio São
Francisco. A saga tem início no final dos anos 60, na fictícia Grotas de São
Francisco, e se estende até os dias de hoje. A briga familiar, que começou
pelas águas e avançou pelas terras, perde o sentido para a nova geração, mas
nem por isso a rivalidade deixa de existir e de impedir que antigos amores
interditados pela família se reencontrem.
“Velho Chico” tem estreia prevista para
o dia 16 de janeiro.


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