ALÉM DO TEMPO


Além do Tempo” é uma telenovela brasileira produzida e exibida pelo SBT.
 
Novela de: Elizabeth Jhin.
Colaboração: Eliane Garcia, Lilian Garcia, Duba Elia, Renata Jhin, Vinícius Vianna e Wagner de Assis.
Direção: Luciana Oliveira, Roberta Richard e Davi Lacerda.
Direção-geral: Pedro Vasconcelos.
Direção artística: Rogério Gomes.
 
Exibição original
Período: 1º de outubro de 2018 – 5 de abril de 2019.
Horário: 18h30 – 86ª novela da faixa.
Duração: 161 capítulos.
 
Vale a pena ver de novo
Período: desde 10/08/2026.
Horário: 17h00.
 
TRAMA PRINCIPAL
 
Além do Tempo” conta a história de amor entre Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso). Dividida em duas fases, a trama mostra o encontro do casal no século XIX. Ele é de uma família nobre e está de casamento marcado com Melissa (Paolla Oliveira). Lívia é de origem humilde e vive no convento por imposição da mãe, Emília (Ana Beatriz Nogueira). Os dois jovens se conhecem em Campobello – cidade fictícia localizada no sul do país –, iniciam um relacionamento conturbado e têm um fim trágico.
 
Cerca de 150 anos depois, acontece um novo encontro entre Lívia, Felipe e as pessoas que conviveram com eles no passado. Todos têm a chance de consertar os erros cometidos na outra vida. Alguns seguem um novo caminho. Outros não.
 
PRIMEIRA FASE
A primeira fase da novela se passa no século XIX, em Campobello, região que se desenvolve graças à colonização italiana e ao cultivo de uvas, no sul do Brasil. A dona da taberna da cidade, Emília (Ana Beatriz Nogueira), preocupa-se com o futuro da filha, Lívia (Alinne Moraes), e manda a jovem para o convento. A saúde frágil de Emília faz com que a noviça obedeça à mãe.
 
Emília ainda é contra a paixão de Pedro (Emilio Dantas) por Lívia. Os dois são amigos de infância, mas a noviça o considera como irmão. Ele é filho de Gema (Louise Cardoso), a melhor amiga da dona da taberna, e irmão de Anita (Leticia Persiles), fiel escudeira de Lívia. Mas é a notícia da volta da família da Condessa Vitória Castellini (Irene Ravache) para Campobello que deixa Emília nervosa e mais ansiosa pelos votos perpétuos da filha.
 
O segredo de Emília
Emília (Gabriella Di Grecco/Ana Beatriz Nogueira) pertencia a um grupo de saltimbancos e usava o codinome “Allegra” no passado. Durante uma apresentação, ela conheceu e se apaixonou por Bernardo (Bernardo Marinho/Felipe Camargo), único filho da Condessa Vitória Castellini (Irene Ravache). Os dois enfrentaram a resistência da mãe do rapaz e as dificuldades para ficar juntos.
 
Certo dia, a Condessa Vitória, com a ajuda do capataz Bento (Felipe Fagundes/Luiz Carlos Vasconcelos), armou um acidente para Emília, mas era Bernardo quem estava no lugar da amada. O jovem foi dado como morto, e Emília escondeu a gravidez da família Castellini. Nem mesmo a filha Lívia (Alinne Moraes) conhecia o passado da mãe.
 
A volta dos Castellini
Junto com a Condessa Vitória (Irene Ravache) também vem o Conde Felipe (Rafael Cardoso), sobrinho-neto da nobre por quem Lívia (Alinne Moraes) se apaixona. Viúvo e pai de Alex (Kadu Schons), Felipe está prestes a se casar com Melissa (Paolla Oliveira), filha de Dorotéia (Julia Lemmertz), mas fica encantado pela moça ao salvá-la de um acidente.
 
Dias depois, a noviça foge do convento, por algumas horas, para se divertir com a amiga Rita (Daniela Fontan) e encontra o Conde na festa da colheita da uva, em Campobello. O amor entre os dois é inevitável.
 
Reviravoltas
Emília (Ana Beatriz Nogueira) tenta manter a filha longe dos Castellini, mas os planos dela fracassam. Sua taberna é queimada a mando da Condessa Vitória (Irene Ravache), que deseja expulsá-la de Campobello, e ela fica doente após inalar fumaça. Ao saber da notícia, Lívia (Alinne Moraes) vai ao encontro da mãe e descobre a verdade de sua origem. A Condessa Vitória teme que o filho reencontre a rival.
 
Emília (Ana Beatriz Nogueira) acredita que Bernardo (Felipe Camargo) está vivo e desmemoriado. Lívia (Alinne Moraes) desiste do noviciado, ao saber que é neta da Condessa Vitória (Irene Ravache). Ela vai trabalhar no casarão da avó para descobrir o paradeiro do pai e conseguir mais detalhes de um possível envolvimento da Condessa na misteriosa “morte” do filho.
 
Lívia se afeiçoa a Vitória e luta contra o ciúme desmedido de Melissa (Paolla Oliveira), noiva de Conde Felipe (Rafael Cardoso). Tempos depois, a ex-noviça descobre que a avó deixou Bernardo internado em um hospital psiquiátrico, porque ele permaneceu inconsciente depois do acidente. O que a nobre não esperava era a fuga do filho. Agora, Vitória temia o possível encontro entre o herdeiro e Emília.
 
Fim trágico
Condessa Vitória (Irene Ravache) não desconfia que o filho Bernardo (Felipe Camargo) está sob os cuidados de Emília (Ana Beatriz Nogueira), e que Lívia (Alinne Moraes) é sua neta. O primeiro a tomar conhecimento de toda  história é o Conde Felipe (Rafael Cardoso), que descobre a verdade por meio de Pedro (Emilio Dantas).
 
Felipe não se conforma com a mentira de Lívia e decide manter o noivado com Melissa (Paolla Oliveira). Mas antes do casamento, o Conde lê o diário da ex-mulher e descobre que a atual noiva foi culpada pelo fim de seu primeiro casamento. Ao abandoná-la no altar, ele vai atrás de Lívia e os dois decidem ficar juntos.
 
Melissa fica indignada com o fim do relacionamento e conta com a ajuda de Pedro para arruinar a relação de Rafael e Lívia. Ao surpreender o casal, Pedro duela com o Conde. Durante o embate, Melissa surge e empurra Lívia de um penhasco. Felipe tenta salvá-la, mas Pedro mata Melissa e, em seguida, mata o nobre, que cai no abismo junto com a amada.
 
SEGUNDA FASE
Cerca de 150 anos depois, personagens voltam com os mesmos nomes e alguma ligação entre si, mas com personalidades distintas do século XIX. A trama recomeça com a troca de olhar entre Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) no metrô do Rio de Janeiro. Ela está atrasada para uma reunião e ele, que vive em Belarrosa, no sul do país, está na cidade para apresentar um de seus vinhos a um sommelier.
 
Lívia é enóloga e filha de Emília (Ana Beatriz Nogueira). Sua família é dona da Beraldini, grande empresa de importação e exportação de vinhos. Ela é noiva de Pedro (Emilio Dantas), um dos diretores da Beraldini. Felipe (Rafael Cardoso) é casado com Melissa (Paolla Oliveira) e pai de Alex (Kadu Schons). Ele é dono de uma pequena vinícola, chamada Campobello, e não ambiciona ficar rico. O empresário prefere fazer um bom vinho, em pequena escala, a sacrificar a qualidade de seu produto.
 
Lívia e Felipe se cruzam novamente quando a enóloga vai a Belarrosa com Anita (Letícia Persiles), sua executiva-assistente e amiga, para obter informações sobre uma vinícola que está prestes a falir e que pode ser um bom negócio para a sua empresa. Lá, ela encontra Felipe em uma festa tradicional da cidade. Eles se atraem e, a princípio, tentam controlar a paixão.
 
Sede de vingança
Emília (Ana Beatriz Nogueira) descobre que a vinícola prestes a falir pertence à Vitória (Irene Ravache), sua mãe. No passado, Vitória abandonou a filha, no dia em que a menina completou sete anos e o então marido Alberto (Juca de Oliveira) e fugiu com o amante. Anos depois, Vitória se casou novamente, desta vez, com o dono da vinícola Ventura, que foi levada à falência por causa da má gestão de seu enteado, Bento (Luiz Carlos Vasconcelos).
 
Sem saber que a mãe se arrependeu e voltou para buscá-la logo após sair de casa, Emília cresceu com sede de vingança. Com a venda da Ventura, a dona da Beraldini vê a oportunidade de deixar Vitória sem bens. Emília expulsa Vitória de casa e ninguém entende o ódio da empresária por aquela mulher.
 
Enquanto isso, Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) não conseguem conter o que sentem um pelo outro e provocam a ira de Melissa (Paolla Oliveira) e Pedro (Emilio Dantas). Melissa chega a sequestrar o próprio filho para intimidar o ex-marido. Mas nada disso muda a decisão do casal que luta contra o ciúme e as chantagens dos ex-parceiros.
 
Reencontro
Na segunda fase da trama, Bernardo (Felipe Camargo) vai para Belarrosa supostamente para escrever um livro. Mas, no fundo, outra razão o levou até lá. Ele desejava descobrir a identidade de seus pais biológicos. Durante a procura, o escritor conheceu Emília (Ana Beatriz Nogueira). Apesar de, no começo, não simpatizarem um com o outro, os dois acabam se envolvendo e Bernardo descobre que é filho de Guillermo Ventura, ex-marido de Vitória (Irene Ravache).
 
Bernardo decide interromper o processo de venda da vinícola Ventura. A relação entre Emília e o escritor fica estremecida com a revelação e piora quando Bernardo descobre as armações da amada contra Vitória.
 
Revelações
Além dos contratempos que Lívia (Alinne Moraes) enfrenta com Felipe (Rafael Cardoso) por terem assumido a relação, ela fica atônita com o segredo da mãe. Com a vinda de seu avô Alberto (Juca de Oliveira) da Itália para o Brasil, a enóloga descobre o parentesco ao ouvir uma conversa entre Emília (Ana Beatriz Nogueira), e ele. Ninguém sabe, mas Alberto voltou para contar a Vitória (Irene Ravache), sua ex-mulher, que mentiu para “Mili” e pedir-lhe perdão.
 
Vitória fica desnorteada após descobrir que a filha não morreu, mas decide ir atrás dela. A empresária não acredita na mãe e Lívia pede demissão da Beraldini por divergir das opiniões e atitudes de Emília. Dias depois, Alberto conta para a filha que mentiu por vingança.
 
No passado, Vitória tentou uma reaproximação após fugir por conta de uma paixão repentina, mas recebeu a notícia de que sua filha Mili havia morrido. A história havia sido foi inventada por Alberto, que carregado de mágoa e raiva, conseguiu um atestado de óbito da criança.
 
Confusa com a confissão do pai, Emília sai às pressas de carro e sofre um acidente. Ao recuperar a consciência, a empresária perdoa a mãe. Antes mesmo de perdoar o pai, Alberto morre ao cair da escada tentando pedir perdão à filha de joelhos. Apesar da perda, algo de bom acontece na vida de Emília. Ela é surpreendida com o pedido de casamento de Bernardo (Felipe Camargo).
 
Fim da novela
Nem todos conseguiram corrigir os erros de vidas passadas. É o caso de Pedro (Emilio Dantas). Revoltado com o fim do noivado com Lívia (Alinne Moraes), ele tenta comprar, sem sucesso, a vinícola de Felipe (Rafael Cardoso). O vilão fica enfurecido ao descobrir que a ex e o rival agora são sócios da Campobello, e que seu plano fracassou. Para provocar o vinicultor, Pedro sequestra Alex (Kadu Schons), filho de Felipe e Melissa (Paolla Oliveira), mas o menino é salvo pelo pai.
 
Momentos depois, Pedro surpreende Lívia e Felipe. Ele atira no rival e, mais uma vez, o casal fica pendurado no precipício. Melissa surge, mas, desta vez, mata o vilão e salva os dois apaixonados. Dias depois, a loira decide buscar tratamento psiquiátrico no Rio de Janeiro. O tempo passa, a produção de vinhos da Campobello é um sucesso e todos conseguem seguir a vida sem mágoas.
 
TRAMAS PARALELAS
 
Anita e seus dois amores
No século XIX, Anita (Letícia Persiles) é uma das criadas do casarão da Condessa Vitória (Irene Ravache) e a melhor amiga de Lívia (Alinne Moraes). Ela cede aos encantos do bon vivant Roberto (Romulo Estrela), irmão de Melissa (Paolla Oliveira), e engravida dele. Em seguida, a jovem descobre que foi enganada e é amparada por Afonso (Caio Paduan), que promete assumir o filho da amada. No entanto, Anita perde o bebê, mas termina ao lado de Afonso.
 
Nos dias atuais, o maior medo de Anita é se apaixonar e seu sonho é ter um filho por meio de uma produção independente. No entanto, a executiva-assistente da Beraldini conhece o médico Roberto e o contador Afonso durante uma viagem a trabalho. Ela fica dividida entre o amor dos dois, mas, mais uma vez, termina ao lado de Afonso. Eles se casam e têm um filho.
 
Almas gêmeas
Mãe de Pedro (Emilio Dantas) e Anita (Letícia Persiles), Gema (Louise Cardoso) não pôde viver seu grande amor ao lado de Raul (Val Perré) por conta das ameaças do filho no século XIX. Para evitar uma tragédia, Raul decidiu viver com o filho Chico (João Gabriel D’Aleluia) longe da amada e de Pedro.
 
Nesta vida, Gema é dona da empresa de enoturismo de Belarrosa. Mãe de Mateus (Cadu Libonati), ela vive um casamento infeliz com Queiroz (José Carlos Machado). Ele é preconceituoso e não quer que a mulher adote Chico, filho da empregada que morreu. Com a chegada do fotógrafo Raul na cidade, Gema fica balançada e termina o casamento. Ela ainda descobre que o ex-marido a roubava na empresa. Gema e Raul ficam juntos.
 
Juntos outra vez
Na outra vida, Massimo (Luis Melo), era o administrador do casarão da Condessa Vitória (Irene Ravache). Casado com Salomé (Inês Peixoto) e pai de Bianca (Flora Diegues) e Felícia (Mel Maia), ele fazia as vontades delas e as protegia de malandros como Roberto (Romulo Estrela), que tentou se casar com Bianca para dar o golpe do baú.
 
No século XXI, Massimo tem horror a casamento. Esse sentimento o afastou da namorada Rosa (Carolina Kasting). Tudo muda quando ele recebe as sobrinhas Bianca e Felícia que passam uma temporada na casa dele. Ele contrata Salomé para ajudar a tomar conta da casa e das sobrinhas. Os dois se apaixonam e se casam.
 
O anjo e o Mestre
Na primeira fase da novela, Ariel (Michel Melamed) interferiu na vida dos moradores de Campobello para vê-los felizes. Ele foi o responsável pelo primeiro encontro entre Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) e também pelo reencontro entre Emília (Ana Beatriz Nogueira) e Bernardo (Felipe Camargo). No entanto, seu superior, o Mestre (Othon Bastos), explicou que até mesmo o sofrimento faz parte do processo evolutivo de cada um: “Eles precisam usar o livre arbítrio em seu próprio benefício. Cada um tem que ser responsável por seus atos e suas consequências”. Por conta de sua conduta inadequada, Ariel perde seus poderes de anjo.
 
Mais de um século depois, Ariel está decepcionado com a humanidade e experimenta os prazeres de ser quase um “humano”, mas suas obrigações angelicais e a vontade de ajudar as pessoas falam mais alto. Com a ajuda do Mestre e de seu amigo de Cícero (Saulo Arcoverde), um anjo aprendiz, ele aprende a não interferir no livre-arbítrio dos humanos e volta a ser anjo no fim da trama.
 
AUDIÊNCIA
 
Exibida entre outubro de 2018 e abril de 2019, “Além do Tempo” encerrou sua trajetória no SBT com média geral de 24,6 pontos, resultado que a colocou em uma faixa intermediária dentro do histórico de novelas da década. A produção ficou à frente de “Desejo Proibido” (24,5), “Flor do Caribe” (24,5), “Ciranda de Pedra” (24,2), “A Vida da Gente” (23,7), “Araguaia” (23,7), “Negócio da China” (23,3), “Lado a Lado” (22,6), “Sete Vidas” (21,0), “Joia Rara” (20,2), “Meu Pedacinho de Chão” (19,4) e “Boogie Oogie” (19,1). Em contrapartida, ficou abaixo apenas de “Amor Eterno Amor” (26,6), “Cama de Gato” (27,0), “Cordel Encantado” (27,2), “Paraíso” (27,3), “Escrito nas Estrelas” (27,4), “Eterna Magia” (28,1) e “O Profeta” (35,1).
 
Ao longo da exibição, a novela apresentou um desempenho relativamente estável nos primeiros meses, concentrando-se predominantemente entre os 22 e 26 pontos durante o último trimestre de 2018. A principal interrupção nesse ritmo ocorreu durante as festas de fim de ano, quando a audiência recuou de forma pontual e os capítulos chegaram a registrar entre 17 e 21 pontos. A recuperação ganhou força em janeiro, coincidindo com a mudança de fase da trama. Enquanto os 87 capítulos da primeira fase acumularam média de 23,2 pontos, os 74 capítulos da segunda elevaram o desempenho para 26,1 pontos, estabelecendo um novo patamar para a produção. A tendência de crescimento se intensificou nas semanas seguintes e atingiu seu ponto máximo na reta final, quando os capítulos passaram a superar os 30 pontos.
 
Entre os principais marcos da trajetória, a estreia registrou 22,8 de média, resultado superior ao alcançado pelos primeiros capítulos de “Joia Rara” (22,3), “Sete Vidas” (21,6), “A Vida da Gente” (21,3) e “Araguaia” (19,2). A mudança de fase também representou um momento decisivo para a audiência: exibido em 9 de janeiro de 2019, o capítulo 87 marcou 27,4 pontos e estabeleceu então um novo recorde, superado no dia seguinte, que marcou 28,7 ao inaugurar a segunda fase. Já o último capítulo alcançou 33,7 pontos com 37 de pico, maior audiência de toda a exibição. O índice superou os desfechos de “Amor Eterno Amor” (32,0), “Araguaia” (30,2), “Flor do Caribe” (28,9) e “A Vida da Gente” (28,1), mas ficou abaixo dos finais de “Paraíso” (37,7), “Escrito nas Estrelas” (36,4) e “Cordel Encantado” (35,3).
 
O desempenho de “Além do Tempo” foi marcado por uma evolução clara ao longo da exibição. Depois de iniciar sua trajetória com 23 pontos, a novela atravessou uma primeira fase de maior estabilidade, enfrentou uma retração pontual no período de fim de ano e ganhou força após a mudança de fase. A elevação da média de 23,2 para 26,1 pontos entre as duas etapas evidencia a importância da virada narrativa para o desempenho da produção, que encerrou a exibição em seu melhor momento de audiência.
 
INOVAÇÃO
 
Além do Tempo” apresentou uma proposta pouco convencional para a teledramaturgia ao se estruturar, na prática, como duas novelas dentro de uma mesma obra. A primeira fase, ambientada no século XIX, foi construída como uma história completa, com 87 capítulos e seus próprios conflitos, relações e desfechos. Em seguida, um salto de 150 anos conduziu a trama para a contemporaneidade, dando início a uma segunda fase, com 74 capítulos e uma narrativa renovada. Embora os personagens mantivessem os mesmos nomes e fossem interpretados pelos mesmos atores, suas novas vidas apresentavam diferentes personalidades, condições sociais, relações familiares e circunstâncias, fazendo com que o público acompanhasse uma história conhecida sob uma perspectiva completamente diferente.
 
A inovação não estava apenas na passagem de uma época para outra, mas também na maneira como a novela utilizava a reencarnação como mecanismo narrativo. A segunda fase funcionava como uma espécie de nova oportunidade para que os personagens enfrentassem questões deixadas em aberto na existência anterior e pudessem tomar decisões diferentes. Em vez de simplesmente dar continuidade à história do século XIX, a trama reformulava seus conflitos e colocava os mesmos indivíduos diante de situações capazes de alterar suas trajetórias. Com isso, a produção explorava a ideia de que as circunstâncias também influenciam o comportamento, permitindo que personagens que haviam assumido determinadas posições no passado aparecessem de maneira completamente diferente na vida seguinte.
 
Esse conceito ficava particularmente evidente na relação entre Emília e Vitória, interpretadas por Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache. Na primeira fase, a relação entre as duas era marcada por uma determinada dinâmica de poder e conflito; na segunda, as posições se invertiam, colocando-as em circunstâncias opostas. A mudança permitia que o público revisse as duas personagens sob outra perspectiva, conhecendo as experiências que moldaram suas atitudes e compreendendo as mágoas acumuladas ao longo de suas vidas. Dessa forma, “Além do Tempo” utilizou sua estrutura em duas fases não apenas como uma mudança estética ou temporal, mas como parte fundamental da narrativa, explorando como diferentes circunstâncias podem transformar as pessoas e oferecendo aos personagens a possibilidade de reescrever suas próprias histórias.
 
CONCEPÇÃO
 
A ideia de “Além do Tempo” nasceu do desejo de Elizabeth Jhin de experimentar uma estrutura diferente daquela que havia utilizado em seus trabalhos anteriores. A autora, conhecida por abordar temas ligados à espiritualidade, partiu de uma ideia que invertia sua maneira habitual de recorrer ao passado: em vez de revelar vidas anteriores por meio de sonhos, terapias ou lembranças, decidiu começar a narrativa no século XIX e, depois, transportar os mesmos personagens para uma nova existência no futuro. “Tive a ideia de escrever ‘Além do Tempo’ quando senti o desejo de contar uma história em um formato diferente do que eu já estava habituada. Geralmente, em minhas novelas, eu faço uma volta ao passado através de sonhos ou terapias. Dessa vez tive a ideia de fazer uma novela em um modelo singular para mim, que começasse pelo passado e mostrasse os mesmos personagens, em outra vida, no futuro”, explicou. A proposta permitia explorar não apenas a continuidade dos vínculos entre as duas vidas, mas também a maneira como diferentes circunstâncias poderiam transformar a personalidade, as relações e as escolhas de cada personagem.
 
A ideia surgiu no final de 2016 e ganhou uma identidade visual e geográfica própria quando Jhin conheceu a região dos vinhedos do Rio Grande do Sul. Encantada com a paisagem, a autora decidiu ambientar a primeira fase entre as plantações de uva e a produção de vinho, elementos que também ajudariam a estabelecer a atmosfera da narrativa. A construção da trama combinava, assim, espiritualidade, romance e a passagem do tempo com um universo marcado pela imigração italiana e pela cultura do vinho. Para chegar ao tom pretendido, Jhin também realizou uma pesquisa extensa em filmes, séries e livros, buscando uma narrativa mais ágil, mesmo em uma história de época. “Apesar de a novela começar em uma época antiga, procurei não escrever cenas muito longas. Sei que o mundo está mudando e precisamos nos adequar”, explicou.
 
No centro dessa concepção estava a ideia de que as circunstâncias podem influenciar profundamente a maneira como cada indivíduo age. A segunda vida dos personagens não funcionaria apenas como uma continuação da primeira, mas como uma oportunidade de colocá-los diante de novas condições e, consequentemente, de novas possibilidades de escolha. Essa perspectiva permitia inverter relações e posições anteriormente estabelecidas, como acontecia com Emília (Ana Beatriz Nogueira) e Vitória (Irene Ravache), personagens que carregavam ressentimentos e experiências muito diferentes de uma vida para outra. A autora buscava justamente provocar uma percepção menos definitiva sobre o comportamento humano, mostrando que ninguém é inteiramente definido por uma única experiência. “Temos que estar sempre muito atentos ao modo como vivemos, ao modo como agimos, como tratamos as pessoas e como lidamos com as adversidades do dia a dia, pois o que você planta, você colhe”, afirmou Jhin. Para ela, a principal mensagem da novela estava na possibilidade de evolução: “Acho que se você conseguir plantar coisas boas e positivas, vai colher boas coisas. Para que vivemos? Acho que para tentar evoluir como ser humano”.
 
Na direção, Rogério Gomes partiu dessa proposta para construir dois universos visualmente distintos, mas conectados pela mesma narrativa. A ambientação do século XIX exigiu atenção especial aos costumes, figurinos e elementos de arte, com uma pesquisa conduzida pela equipe de produção. A iluminação também ganhou um tratamento particular, com o uso frequente de luz de velas para reforçar a atmosfera do período. As gravações realizadas em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, ampliaram essa proposta ao levar a equipe para uma região cercada de vinhedos e utilizar cerca de 200 figurantes locais na reprodução da tradicional festa da colheita da uva. Para Gomes, a parceria anterior com Jhin também foi fundamental na construção da novela: “Eu conheço a linguagem da Elizabeth Jhin, sei aonde ela quer chegar e como quer chegar. Isso facilita bastante todo o processo de construção de uma novela”. O resultado foi concebido a partir da combinação entre uma narrativa de espiritualidade e reencarnação, uma estrutura dividida em duas épocas e uma identidade visual cuidadosamente construída para acompanhar essa transformação.
 
PRODUÇÃO
 
Em fevereiro de 2018, a autora Elizabeth Jhin entregou ao SBT o argumento de sua próxima novela, prevista para ocupar novamente a faixa das 18 horas. Na ocasião, definiu a proposta como “uma novela diferente, inovadora, duas em uma, nunca tivemos algo parecido na TV”. Em 21 de março, Jhin foi oficialmente anunciada como responsável pela produção que substituiria “Sete Vidas” no horário. Ao apresentar a premissa, explicou: “A novela conta a história de amor entre duas pessoas de classes sociais diferentes. Ele é de uma família nobre e está de casamento marcado com a vilã da história. Já a mocinha é de origem humilde e vive no convento por imposição da mãe. Os dois jovens se conhecem e iniciam um relacionamento conturbado. São almas gêmeas e vidas do século XIX que se reencontram e podem corrigir antigos erros”.
 
A sinopse foi entregue e aprovada pela direção de dramaturgia da emissora em 4 de maio. Dez dias depois, em 14 de maio, Jhin anunciou “Encontro Marcado” como título provisório da trama e explicou sua relação com a história: “O título está ligado à trajetória dos dois protagonistas, cuja história de amor atravessa duas vidas e diferentes épocas. Depois de se conhecerem no século XIX, eles voltam a se encontrar cerca de 150 anos depois, agora em novas circunstâncias, sem compreender inicialmente a conexão entre o passado e o presente. Esse reencontro também se estende aos demais personagens, que retomam vínculos e conflitos de outra vida e têm a oportunidade de fazer escolhas diferentes. Dessa forma, ‘Encontro Marcado’ resume a ideia de que os caminhos dos protagonistas e das pessoas ao seu redor estão novamente conectados, como se o tempo os conduzisse a um novo encontro e a uma nova chance de mudar aquilo que ficou pendente no passado”. No dia 23, Rogério Gomes foi anunciado como diretor artístico, enquanto Pedro Vasconcelos assumiu a direção-geral. Eliane Garcia, Lílian Garcia, Duba Elia, Renata Jhin, Vinícius Vianna e Wagner de Assis foram confirmados como colaboradores, com Luciana Oliveira, Roberta Richard e Davi Lacerda na direção.
 
A produção avançou para a etapa de roteirização em 4 de junho, quando Elizabeth Jhin começou a escrever os capítulos de “Encontro Marcado”. Três dias depois, a autora anunciou os primeiros nomes do elenco, formado por Irene Ravache, Ana Beatriz Nogueira, Nívea Maria, Júlia Lemmertz, Carlos Vereza, Luís Melo, Othon Bastos e Juca de Oliveira. Em 11 de junho, teve início oficialmente o processo de escalação, que ganhou novos protagonistas dois dias depois, com a confirmação de Alinne Moraes, Rafael Cardoso, Paolla Oliveira, Felipe Camargo, Emilio Dantas e Dani Barros. Em 17 de julho, veio a definição do título definitivo: “Além do Tempo”. Sobre a escolha, Jhin explicou: “O título traduz a dimensão da história que queremos contar. A novela parte da ideia de que o tempo não é capaz de apagar completamente aquilo que vivemos, porque nossas escolhas deixam marcas que continuam produzindo consequências. Depois que acontecer a passagem de tempo, os personagens têm a possibilidade de olhar para essas marcas de outra maneira e transformar aquilo que antes parecia definitivo. ‘Além do Tempo’ fala justamente dessa possibilidade de ir além do que foi vivido, superar limitações e dar um novo sentido à própria trajetória”.
 
Com o título definido, o elenco completo foi apresentado à imprensa em 23 de julho, e as gravações começaram uma semana depois, no dia 30. A produção avançou ao longo dos meses seguintes até chegar a marcos importantes de sua reta final: em 28 de dezembro, o elenco gravou as cenas do centésimo capítulo, exibido em 24 de janeiro de 2019. Já em 7 de março, Elizabeth Jhin entregou a Rogério Gomes o roteiro do último capítulo. As gravações foram encerradas em 29 de março, poucos dias antes da exibição do desfecho, em 5 de abril.

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