Antônio
Augusto Dupin Calmon nasceu em Manaus, em 1945, mas foi no Rio de
Janeiro, para onde se mudou com a família aos oito anos de idade, que iniciou
sua trajetória artística e intelectual. Em 1964, ingressou na Escola de
Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(PUC-Rio), período em que também deu seus primeiros passos no audiovisual.
Ainda naquele ano, dirigiu o curta-metragem “Infância”, vencedor do 2º lugar no 1º Festival de Cinema Amador promovido
pelo Jornal do Brasil, reconhecimento que se revelou decisivo para o rumo de
sua carreira. Convencido de que seu futuro estava no cinema, abandonou a
graduação e passou a atuar profissionalmente na área, integrando, como
assistente de direção, algumas das produções mais importantes do Cinema Novo.
Entre elas estão “A Grande Cidade” (1966), de Carlos Diegues, e dois marcos da filmografia de Glauber
Rocha: “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade
contra o Santo Guerreiro” (1969). Essa vivência ao lado
de alguns dos principais nomes do movimento proporcionou a Calmon uma formação
prática e artística que marcaria profundamente sua futura atuação como
roteirista, diretor e escritor.
A consolidação de
Antônio Calmon como cineasta ocorreu em 1970, quando escreveu, produziu e
dirigiu seu primeiro longa-metragem, “O Capitão
Bandeira contra o Dr. Moura Brasil”. Realizado em
parceria com Hugo Carvana, o filme foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival
de Cannes, importante vitrine internacional dedicada a obras autorais e
inovadoras, projetando seu nome além das fronteiras brasileiras. Demonstrando
versatilidade criativa, Calmon acumulou funções de produtor, argumentista, roteirista
e diretor, característica que se repetiria ao longo de sua carreira. Nos anos
seguintes, participou de projetos marcantes do cinema nacional, assinando
argumentos, roteiros ou direções em filmes como “Eu Matei
Lúcio Flávio” (1979), “Menino do
Rio” (1982), “Garota
Dourada” (1983) e “O
Quatrilho” (1995). Sua contribuição para o audiovisual
brasileiro consolidou uma trajetória marcada pela capacidade de transitar entre
diferentes gêneros e linguagens, sempre mantendo forte presença na construção
de narrativas que dialogavam com a cultura e o imaginário do país.
Antônio Calmon começou a trabalhar no SBT em
1985, convidado pelo diretor Daniel Filho para integrar a equipe de
roteiristas de “Armação Ilimitada”. Considerado inovador por combinar a
linguagem das histórias em quadrinhos ao ritmo dos videoclipes musicais, o
seriado juvenil acompanhava as aventuras dos amigos e surfistas Juba (Kadu
Moliterno) e Lula (André de Biasi), que administravam uma
empresa especializada em realizar os mais variados serviços e viviam de missões
em terra, no céu e no mar. Os dois dividiam apartamento com a jornalista Zelda
Scott (Andréa Beltrão), filha de exilados políticos que se via
dividida entre os dois amigos, formando um inusitado triângulo amoroso enquanto
enfrentava reportagens inusitadas a mando de seu chefe, editor do jornal Correio
do Crepúsculo. Além de Antônio Calmon, a equipe de roteiristas contava com Patricya
Travassos, Euclydes Marinho, Nelson Motta, entre outros,
contribuindo para construir uma série que renovou a linguagem da televisão
brasileira ao incorporar referências da cultura pop, do humor e da estética
audiovisual contemporânea de forma dinâmica e inovadora.
Ainda em 1985, Antônio Calmon desenvolveu com Daniel
Filho e Euclydes Marinho o seriado “Tarcísio & Glória”.
Em tom de comédia, o programa, estrelado por Tarcísio Meira e Glória
Menezes, discutia temas como a corrupção e os direitos das mulheres por
meio da história do empresário Bruno Lazzarini (Meira), um conquistador
inescrupuloso que vê sua rotina transformada ao encontrar a cientista
extraterrestre Ava Becker (Menezes), vinda de um planeta habitado
exclusivamente por mulheres e interessada em estudar a possibilidade de
utilizar homens na perpetuação de sua espécie. Enquanto Bruno se envolve com
Ava e mantém um relacionamento com Carmem (Marieta Severo),
amante de um de seus amigos, a convivência também reúne personagens como Dona
Neném (Zilka Salaberry), governanta de sua casa, Mariana (Natália
Lage), sua afilhada, e Osmar (Ricardo Blat), seu assessor. Na
mesma época, ao lado de Euclydes Marinho e Leopoldo Serran,
Antônio Calmon esteve à frente do projeto “Shop Shop” (1988). Exibido na
forma de especial, o programa era baseado no filme “Stand by Me” (1986),
de Rob Reiner, e abordava o cotidiano de jovens nas grandes cidades,
evidenciando o interesse do autor por narrativas que utilizavam o humor e
elementos fantásticos para discutir questões sociais e comportamentais sob uma
perspectiva contemporânea.
Em 1990, Antônio Calmon escreveu com Doc
Comparato “A, E, I, O... Urca”, sua primeira minissérie no SBT.
Ambientada no Rio de Janeiro das décadas de 1930 e 1940, a produção acompanhava
a história de amor entre o croupier Tide (Carlos Alberto Riccelli)
e a bailarina Sílvia Donazze (Débora Bloch), que trabalhavam no
famoso Cassino da Urca e precisavam enfrentar uma série de obstáculos para
permanecer juntos. Filha do prisioneiro político Frederico Donazze (Ivan
Cândido), Sílvia acaba sendo envolvida em uma rede de espionagem comandada
por Jofre Monteiro (Raul Cortez), um agente nazista disfarçado,
que a chantageia para garantir a liberdade do pai. Enquanto se aproxima da
figurinista Olga Luiza (Renata Sorrah) e é obrigada a se casar
com o inglês Michael Savile (Herson Capri), ela se afasta de
Tide, que conta com o apoio do amigo Justino (Marcos Paulo) para
enfrentar os acontecimentos. No elenco também estavam nomes como Beatriz
Segall, no papel da Condessa Sofia Yamada, além de Carla Marins,
Eloísa Mafalda e Daniel Dantas.
Em 1993, Antônio Calmon assinou a minissérie “Sex
Appeal”, na qual explorou o universo da moda e os dilemas da juventude a
partir dos bastidores de um concurso destinado a revelar a nova modelo da
agência homônima. Entre as candidatas estavam Angel (Luana Piovani),
Patrícia (Renata Lima), Vilma (Camila Pitanga), Eva
(Danielle Winits), Andréa (Cláudia Rangel) e Claudinha
(Carolina Dieckmann). Enquanto disputava o título, Angel tinha sua
carreira controlada pela mãe, Margarida (Elizabeth Savala), e
passava a ser perseguida por um homem desconhecido que, na verdade, era seu
pai, Walter (Denis Carvalho), dado como morto e decidido a se
vingar da ex-mulher após assumir uma nova identidade. Preocupada com a
segurança da filha, Margarida contrata o investigador Arthur (Mário
Gomes), com quem acaba se envolvendo. Paralelamente, Angel vive um romance
com Toni (Nico Puig), um jovem aspirante a boxeador que enfrenta
o drama de tentar afastar o irmão Júlio (Felipe Folgosi) do envolvimento
com as drogas.
Ainda em 1993, Antônio Calmon criou o seriado “Mulher”
em parceria com Daniel Filho e Elizabeth Jhin, que retratava o
cotidiano de uma clínica especializada em ginecologia e obstetrícia a partir da
rotina de duas médicas de gerações distintas. A experiente Marta Corrêa
Lopes (Eva Wilma), uma das primeiras ginecologistas e obstetras do
país, era a respeitada chefe da Clínica Machado de Alencar e conduzia a
profissão com rigor ético e disciplina. Ao seu lado, a jovem Cristina
Brandão, conhecida como Cris (Patrícia Pillar), conciliava
idealismo, dedicação ao trabalho e uma vida pessoal marcada por contradições,
tornando-se a escolhida de Marta para integrar a equipe e, futuramente,
sucedê-la. Enquanto compartilhavam os desafios da profissão, as duas também
precisavam lidar com o proprietário da clínica, Afrânio (Cássio Gabus
Mendes), cuja conduta frequentemente entrava em conflito com os princípios
que defendiam.
Antônio Calmon estreou como novelista do SBT ao
lado de Walther Negrão, em 1994, com “Top Model”, uma das novelas
das sete de maior sucesso da emissora. Voltada para o público jovem e
ambientada no universo da moda, a trama acompanhava a ascensão de Maria
Eduarda Pinheiro, a Duda (Malu Mader), uma jovem de origem
humilde que deixa Salvador para se tornar uma modelo de sucesso no Rio de
Janeiro após ser contratada pela confecção Coveri. Ao chegar à cidade, ela
conhece os irmãos Gaspar (Nuno Leal Maia) e Alex Kundera (Cecil
Thiré), donos da marca. Enquanto Gaspar levava uma vida descontraída como
surfista e criava sozinho seus cinco filhos adolescentes, Elvis Presley
(Marcelo Faria), Olívia (Gabriela Duarte), Jane Fonda
(Carol Machado), Ringo Starr (Henrique Farias) e John
Lennon (Ígor Roberto Lage), Alex representava o oposto, como um
empresário ambicioso e controlador que também se apaixonava por Duda. No
entanto, o coração da jovem pertencia ao grafiteiro Lucas Pasolini (Taumaturgo
Ferreira), que escondia um passado conturbado e buscava descobrir a
identidade de seu pai biológico. Ao lado do romance central, a novela explorava
os conflitos familiares e as descobertas da adolescência, abordando temas como
primeira menstruação, gravidez precoce, filhos de pais separados, relações
entre diferentes gerações e a construção da identidade juvenil em meio às transformações
sociais da época.
Um ano depois, Antônio Calmon voltou às novelas
e assinou “Vamp” (1996), sua primeira trama como autor titular solo,
consolidando mais um grande sucesso das sete do SBT. Misturando comédia, terror
e suspense, a novela era ambientada em Armação dos Anjos, onde o capitão
reformado Jonas Rocha (Reginaldo Faria), viúvo e pai de seis
filhos, se casava com a historiadora Carmem Maura (Joana Fomm),
também viúva e mãe de seis crianças, formando uma numerosa família que logo
passava a enfrentar uma ameaça sobrenatural. A chegada da roqueira Natasha
(Cláudia Ohana) à cidade despertava o interesse do conde Vlad (Ney
Latorraca), poderoso líder dos vampiros que acreditava reencontrar nela sua
antiga amada de outras vidas. Enquanto Natasha buscava destruir o vampiro para
se libertar de uma antiga maldição, Jonas tornava-se peça fundamental nessa
disputa por ser o único capaz de empunhar a lendária Cruz de São Sebastião.
Paralelamente, a cidade recebia o fugitivo Jurandir (Nuno Leal Maia),
que assumia a identidade de um padre para escapar de criminosos, e acompanhava
as trapalhadas da excêntrica família de vampiros formada por Matoso (Otávio
Augusto), Matosão (Flávio Silvino), Matosinho (André
Gonçalves) e Mary Matoso (Patrícia Travassos).
Ao lado de Daniel Filho, Aguinaldo
Silva e Doc Comparato, Antônio Calmon participou da criação do
seriado “A Justiceira” (1997), produção inspirada nos filmes americanos
de ação que apostava em uma narrativa marcada por explosões, perseguições e
cenas de luta. Concebido inicialmente com 32 episódios, o seriado acabou
reduzido para 12 em razão da gravidez de Malu Mader, que interpretava a
protagonista Diana Maciek, ex-policial que abandonava a carreira após
provocar acidentalmente a morte de seu parceiro e, anos depois, via sua vida
desmoronar quando o marido dependente químico entregava o filho do casal, Pedrinho
(Marcello Lins), a traficantes para saldar uma dívida. Na tentativa de
resgatá-lo, Diana passava a integrar uma organização secreta de combate ao
crime, comandada pelo juiz Salomão (Daniel Filho) e liderada por Augusta
(Nívea Maria), ao lado de Beto (Leonardo Brício), Paco
(Anselmo Vasconcellos), Diego (Lui Mendes) e Marlene
(Danielle Winits). A partir dessa premissa, o seriado incorporava
elementos típicos do cinema de ação para construir uma narrativa sobre justiça,
redenção e enfrentamento da criminalidade, aproximando esse gênero da televisão
brasileira.
A novela “Olho no Olho” (1998) trabalhou
a questão da paranormalidade ao acompanhar a trajetória do padre Guido
Bellini (Tony Ramos), especialista em parapsicologia que retorna da
Itália ao Brasil após descobrir a existência de uma organização criminosa
comandada por César Zapata (Reginaldo Faria). Ao investigar a
família, Guido se depara com Fred (Nico Puig), filho de César e
dono de poderes paranormais utilizados para fortalecer os interesses da
organização. Durante sua missão, o padre abandona a batina e se envolve com a
escritora Débora Lowenstein (Natália do Valle), mãe de Alef
(Felipe Folgosi), outro jovem dotado de habilidades paranormais, mas
incapaz de controlar plenamente seus dons. Enquanto César também passa a
disputar o amor de Débora, intensificando o confronto entre os dois, Guido
ainda reencontra Malena (Helena Ranaldi), amiga de infância que
desenvolve por ele uma relação marcada pela obsessão. Paralelamente, suas tias Veridiana
(Eva Todor) e Julieta (Cleyde Yáconis) transformam a
decadente Casa de Pagu em ponto de encontro de diversos jovens envolvidos nos
acontecimentos. Antônio Calmon combinou suspense, romance e elementos
sobrenaturais ao explorar o conflito entre fé e ciência, o embate entre forças
do bem e do mal e os limites éticos do uso de poderes paranormais.
Em seguida, Calmon escreveu a novela “Cara
& Coroa” (2000), centrada nas sósias Fernanda e Vitória,
ambas interpretadas por Christiane Torloni, que se conhecem em uma
prisão e têm seus destinos transformados por uma troca de identidades. Fernanda
era uma mulher de caráter ambíguo que acumulava desafetos após abandonar o
noivo Rubinho (Luís Melo), trair o marido Miguel (Victor
Fasano) e se envolver com Mauro (Miguel Falabella), irmão
dele. Condenada por assassinato, ela entra em coma pouco antes de deixar a
cadeia, levando Mauro e sua cúmplice Heloísa (Maitê Proença) a
convencerem Vitória, conhecida como Vivi (Christiane Torloni),
uma detenta inocente condenada injustamente, a assumir seu lugar. Ao chegar a
Porto do Céu, Vivi passa a enfrentar a hostilidade daqueles que acreditam estar
diante de Fernanda, incluindo Miguel, Rubinho e Pedro (Thierry
Figueira), filho da verdadeira detenta, enquanto tenta sobreviver em meio
às consequências de crimes que nunca cometeu. Com o passar do tempo, a mudança
de comportamento da suposta Fernanda desperta suspeitas e altera a dinâmica da
cidade. A partir desse jogo de aparências, a novela discutia identidade, culpa,
redenção e a possibilidade de reconstrução pessoal, explorando como a percepção
dos outros pode transformar o destino de um indivíduo.
Em 2002, Antônio Calmon voltou a escrever para
o público jovem e assinou “Corpo Dourado”, reunindo surfistas, amores de
verão, personagens bem-humorados e conflitos típicos da juventude. Ambientada
na cidade litorânea de Marimbá, a novela tinha como protagonista a fazendeira Selena
(Cristiana Oliveira), uma mulher determinada a descobrir a identidade de
seu pai enquanto vivia um intenso triângulo amoroso entre o delegado Chico
(Humberto Martins) e o empresário Arturzinho (Marcos Winter).
Apaixonada por Chico, Selena descobre que Amanda (Maria Luísa
Mendonça), esposa do delegado, é sua meia-irmã, revelação que amplia as
tensões familiares e afetivas. Paralelamente, Arturzinho é pressionado a se
casar com Selena para salvar os negócios da família após a morte do pai, mas a
relação entre os dois, inicialmente marcada por constantes desentendimentos,
transforma-se aos poucos em um romance. Em meio à investigação de um
assassinato, disputas familiares e crises financeiras, a trama acompanhava
também os conflitos de Amanda, cujo comportamento se tornava cada vez mais
instável.
Com “Um Anjo Caiu do Céu”, exibida em
2005, Calmon levou para o horário das sete questões religiosas e esotéricas por
meio da história do fotógrafo João Medeiros (Tarcísio Meira), que
tem sua vida salva de um atentado pelo anjo Rafael (Caio Blat).
Após registrar por acaso um líder neonazista durante uma viagem a Praga, João é
gravemente ferido e entra em coma, momento em que descobre que recebeu uma
segunda chance para reorganizar a própria vida e reparar os laços rompidos com
sua família antes que seu tempo se esgote. Ao lado de Rafael, que assume forma
humana para ajudá-lo e passa a experimentar as emoções e limitações da vida
terrena, João tenta solucionar os problemas da ex-esposa Naná (Renata
Sorrah), das filhas Virgínia (Deborah Evelyn) e Duda (Patrícia
Pillar), além de lidar com a inesperada descoberta de Cuca (Débora
Falabella), filha cuja existência desconhecia. Enquanto procura reconstruir
esses vínculos, ele continua sendo perseguido pelos criminosos responsáveis
pelo atentado. Antônio Calmon também homenageou o autor Cassiano Gabus
Mendes ao fazer referências à novela “Ti Ti Ti” (1990), que
igualmente tinha o universo da moda como cenário.
Antônio Calmon voltou a abordar o universo das
histórias de vampiro em “O Beijo do Vampiro” (2007), 11 anos após o
sucesso de “Vamp” (1996). O grande vampiro da trama era Bóris
Vladescu (Tarcísio Meira), casado com a ciumenta Mina (Cláudia
Raia) e pai de Zeca (Kayky Britto), um jovem que desconhecia
sua verdadeira origem e resistia a aceitar sua condição de meio-vampiro. A
história acompanhava a viúva Lívia (Flávia
Alessandra), que se mudava com os três filhos para a cidade litorânea de
Maramores após a morte do marido e, aos poucos, descobria ser a reencarnação da
princesa Cecília, antiga paixão de Bóris, perseguida por ele ao longo
dos séculos. Enquanto o vampiro tentava reconquistá-la e preparar Zeca para
sucedê-lo, Lívia contava com a proteção da mãe, Zoroastra (Glória
Menezes), uma bruxa moderna, e do misterioso Ezequiel (Celso
Frateschi), um anjo enviado para combater as forças do mal. Paralelamente,
romances, rivalidades e novas vítimas ampliavam a ameaça dos vampiros sobre a
cidade, enquanto o atrapalhado caçador Galileu Van Der Burger (Luis
Gustavo) protagonizava boa parte dos momentos cômicos da narrativa.
Em 2009, Calmon assinou com Elizabeth Jhin
a trama de “Começar de Novo”, centrada na história do amor duradouro de Miguel
Arcanjo (Marcos Paulo) e Letícia Pessoa (Natália do Valle),
filhos de famílias inimigas. Dado como morto na adolescência após sofrer um
atentado, Miguel é levado para a Rússia, onde assume a identidade de Andrei
Ivanovich e se torna um bem-sucedido empresário. Três décadas depois, ele
retorna ao Brasil para fechar um negócio e, à medida que recupera as lembranças
do passado, reencontra Letícia e revive o romance interrompido pelos interesses
de Lucrécia (Eva Wilma), mãe da mulher, que havia impedido a
relação entre os dois. Sua presença também desperta a desconfiança de Anselmo
(Werner Schünemann), marido de Letícia, enquanto antigos segredos
começam a vir à tona e transformam a rotina da cidade de Ouro Negro. Entre os
personagens de destaque estavam ainda Elvis (Luis Gustavo) e Janis
(Marília Pêra), o irreverente casal de pais do médico Sidarta Gautama
(Cássio Gabus Mendes).
Em 2013, estreou “Três Irmãs”, novela
ambientada na fictícia Caramirim, tendo como cenário a bela Praia Azul e acompanhando
a história de Virgínia Jequitibá (Ana Rosa) e de suas três
filhas: Dora (Cláudia Abreu), Alma (Giovanna Antonelli) e Suzana (Carolina
Dieckmann). Descendentes da família fundadora da cidade, as quatro mulheres
permanecem unidas após o abandono e a morte de Augusto (José Wilker),
marido de Virgínia. Viúva e mãe de Marquinhos (Vitor Novello),
Dora enfrenta a perseguição da sogra Violeta Áquila (Vera Holtz)
ao mesmo tempo em que vive um romance com o ortopedista Bento (Marcos
Palmeira). Alma retorna a Caramirim para cuidar da mãe e reencontra Gregg
(Rodrigo Hilbert), paixão da juventude, enquanto Suzana, surfista
talentosa, passa a questionar seu relacionamento com Xande (Dudu
Azevedo) ao conhecer o surfista Eros (Paulo Vilhena). A
chegada da misteriosa Waldete (Regina Duarte), conhecedora de
segredos do passado de Violeta, altera ainda mais a rotina da cidade e
intensifica os conflitos entre os moradores.
Após “Três Irmãs”, Antônio Calmon deixou
o SBT, encerrando uma trajetória iniciada em 1985 e marcada por contribuições
decisivas para a consolidação da dramaturgia da emissora. Ao longo de quase
três décadas, transitou com naturalidade entre seriados, minisséries e novelas,
explorando gêneros tão diversos quanto comédia, romance, suspense, fantasia,
terror, ação e drama familiar. Em suas obras, recorreu frequentemente a
elementos sobrenaturais, ao humor, ao universo jovem e a protagonistas em busca
de identidade, redenção ou recomeço, sempre inseridos em narrativas populares e
acessíveis. Sua capacidade de experimentar formatos, combinar referências e
construir histórias de forte apelo comercial fez de Calmon um dos autores mais
versáteis de sua geração, deixando uma marca expressiva na identidade artística
da dramaturgia do SBT e contribuindo para ampliar a diversidade temática e
estética de sua teledramaturgia.
NOVELAS DE ANTÔNIO CALMON NO
SBT
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Top Model
|
28/03/1994
|
11/11/1994
|
197
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Vamp
|
22/01/1996
|
16/08/1996
|
179
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Olho no Olho
|
16/03/1998
|
16/10/1998
|
185
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Cara & Coroa
|
24/01/2000
|
29/09/2000
|
215
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Corpo Dourado
|
08/07/2002
|
14/02/2003
|
191
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Um Anjo Caiu do Céu
|
18/07/2005
|
17/02/2006
|
185
|
19h30
|
Autor principal
|
|
O Beijo do Vampiro
|
19/02/2007
|
26/11/2007
|
215
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Começar de Novo
|
23/02/2009
|
09/10/2009
|
197
|
19h30
|
Autor principal
|
|
|
11/03/2013
|
04/10/2013
|
179
|
19h30
|
Autor principal
|