A nova novela das
nove, “Império”, estreou há quase dois meses com uma grande
responsabilidade: recuperar a audiência e a simpatia do público. Com 48
capítulos no ar, a trama assinada por Aguinaldo Silva soma uma
média de 32,6 pontos em São Paulo. Um índice questionado, mas que ainda coloca
a novela das nove do SBT como o produto de maior audiência da TV brasileira.
O SBT convidou o
autor – responsável pelas maiores audiências de minisséries e telenovelas da
emissora – para um bate-papo. Ele avaliou o primeiro mês de “Império”;
comentou sobre os números do Ibope; e negou especulações, como a morte de Maria
Clara (Andrea Horta) e Reginaldo (Flávio
Galvão), que será testemunha de defesa do comendador José Alfredo (Alexandre
Nero).
Confira a
entrevista:
Como autor,
qual a sua avaliação do primeiro mês de “Império”? Alguma coisa não saiu
conforme o planejado?
“Desde
‘Senhora do Destino’ nunca uma novela minha funcionava tão bem no primeiro mês.
Tudo saiu conforme o planejado, e ainda tive, como prêmio extra, a aprovação
das redes sociais ao meu trabalho. Atribuo isso ao capricho da produção, a
afinação do elenco e ao esforço da direção, para a qual nada em ‘Império’ é
impossível.”
Quais as suas
impressões do resultado do primeiro grupo de discussão?
“Vejo essa
história dos grupos de discussão com certa reserva. Não acho que as pessoas
selecionadas para falar sobre a novela consigam se desligar do fato de que
estão ali não para ser sinceras, mas para emitir juízos de valor. Elas acabam
se tornando personagens de um evento – o ‘julgamento’ da novela. De qualquer
modo, muita coisa importante é falada. Dessa vez a aprovação foi quase unânime
– a não ser pelas atitudes de Beatriz em relação às preferências do marido, que
causaram certo choque. Mas como esta era a minha intenção... Acho que acertei
em cheio.”
Você tem uma
participação ativa na Internet. Acredita que, por meio das redes sociais, é
possível identificar antecipadamente o que está dando certo e o que está dando
errado?
“Sim. Levando
em conta que os números oficiais de audiência andam meio estranhos (não é
possível que 54% das pessoas que compraram aparelhos de televisão caríssimos
prefiram mantê-los desligados), é nas redes sociais que a gente consegue a
resposta mais imediata sobre o que está dando certo ou errado na novela. Eu
acredito demais nessa tendência cada vez mais forte de levar a reação imediata
dos internautas em conta, e acho que a medição da audiência, como ela é feita
agora, está totalmente defasada.”
Para ajustes
pontuais, caso necessário, tem trabalhado com quantos capítulos de frente?
“O SBT sempre
pede que tenhamos uma boa frente de capítulos. Mas muito boa mesmo, porque já
aconteceu, há um tempão, de autores atrasarem gravações por falta dos roteiros.
Eu sou conhecido pelo fato de nunca ter atrasado um bloco sequer durante as 14
novelas que escrevi. Sou uma espécie de operário padrão neste sentido, produzo
um capítulo por dia, cinco dias na semana... E não falho um dia sequer. Na
sexta-feira, dia 16, terminei o capítulo 100. A novela deve ficar no ar até o
dia 15 de janeiro, mas pelo meu ritmo, vou estar de férias antes do Natal.”
Quando
desenvolve as suas sinopses, você define o começo, meio e fim das tramas ou
elas são definidas por partes?
“Nenhuma
sinopse de novela consegue ir além do capítulo 80 – algumas não chegam nem ao
20, rsrsrsrs. Assim, no capítulo 80 eu faço outra sinopse a partir do que já
foi ao ar... Mas ela é apenas para meu consumo e dos meus colaboradores, não é
entregue à emissora. E no capítulo 160, numa grande reunião de trama, que às
vezes dura vários dias, aí sim, é definido o final da novela.”
Está satisfeito
com a média de 32 pontos?
“Eu não estou
nem um pouco satisfeito porque, como você sabe, neste capítulo eu sou voraz, me
alimento de altas audiências. Mas a emissora está muito satisfeita sim,
principalmente com a poderosa capacidade de recuperação da novela, que
ultimamente está pegando o horário com 25 pontos e em poucos minutos chega aos
30. O problema é que, quando você vai tirar a média, aqueles 25 pontos iniciais
contam, bem como contam os que você ponteou antes de chegar aos 34 com que a novela
em geral termina. Mas não esqueça que, antes dessa queda de audiência, nas
primeiras semanas, ‘Império’ estava dando 35 de média.”
Assiste aos
capítulos da novela acompanhando a audiência deles? Se sim, até que ponto as
prévias podem ajudar? No consolidado há alterações de até dois pontos para mais
ou para menos.
“Como já
disse antes, vejo com muitas reservas os números atuais de audiência, e não
apenas os meus. Insisto: não acredito que a nova classe média, depois de
comprar aparelhos de televisão caríssimos, prefiram deixá-los desligados o dia
inteiro. Tem alguma coisa errada nessa medição, embora eu diga isso como um
não-especialista. Não vejo a novela com o real time do lado, porque pra mim,
importante é ver a novela. A audiência eu só vou ver qual foi depois que o
capítulo termina.”
Que avaliação
você faz do atual momento da teledramaturgia brasileira? E como vê o atual
cenário em relação à audiência?
“Da audiência
já falei mais do que devia – cala-te boca. Do momento atual da teledramaturgia
brasileira? Há muito tempo que ela não era tão criativa e, principalmente, que
não se preocupava tanto em buscar novos caminhos. Basta ver o quanto são
diferentes e como tentam ser inovadoras as novelas, minissérie e seriados no ar
atualmente. Nem sempre se acerta, mas o importante é tentar, e isso é o que os
autores estão fazendo.”
Foi noticiado
que Reginaldo, personagem de Flavio Galvão, morrerá. Isso já estava planejado
ou é reajuste de trama?
“Reginaldo
não pode morrer por uma razão muito simples – e essa é uma notícia
inédita de presente para o público do blog. Ele estava lá no garimpo do Monte
Roraima quando a morte de Sebastião Ferreira aconteceu... E será testemunha de
defesa do comendador José Alfredo quando ele for acusado do crime. Até hoje eu
não disse do que vive Reginaldo com suas três mulheres, mas digo agora: ele deixou
o garimpo, porque não tinha mais idade para isso, mas continuou, tipo
formiguinha, no pequeno comércio de pedras preciosas. Por isso ele viaja e
some... E tem uma mulher em cada cidade por onde passa.”
E como
ficarão as personagens Tuane (Nanda Costa) e Jurema (Elizângela)?
“Tuane se
desinteressa de Reginaldo depois que descobre que o irmão de Cristina e pai do
filho dela ficou rico. Já viu, né? Jurema sim, vai perdoar todos os pecados de
Reginaldo e continuar com ele, já que eles têm dois filhos adultos.”
Reginaldo
terá um infarto ou será assassinado? Seria ele a vítima de Cora (Drica Moraes)?
“Bom, que
Reginaldo não vai morrer – não sei de onde saiu essa notícia falsa – eu já
deixei bem claro. Muito menos vai morrer Maria Clara – outra notícia falsa. Se
vai morrer alguém em ‘Império’? Olha, o recurso de matar alguém pra esquentar a
novela já foi tão usado que se tornou trivial e pobre. Vou usá-lo porque é um
passo importante na trajetória da Cora, mas só. Sem alarde. Pretendo, isto sim,
é fazer uma falsa morte – justamente a do protagonista. Como ele mesmo diria:
‘I beg your pardon?’ Isso mesmo, o comendador José Alfredo Medeiros vai morrer
sem nenhuma dúvida por volta do capítulo 130, que vou escrever nas próximas
semanas. Tanto que será – também sem nenhuma dúvida – velado de caixão aberto e
depois enterrado... Só que, decorridos três dias, ele fará a travessia ao
contrário... E aparecerá vivo de novo! Como isso será possível? Ah, essa eu não
conto.”
A Cora será
mesmo capaz de matar? O que podemos esperar da personagem personificada como a
vilã?
“Cora não é
psicopata, como era o caso de Nazaré Tedesco. Muitas pessoas querem uma
personagem como a tal, mas não é assim. Ela é manipuladora, e esta é sua grande
arma. Ela leva as pessoas a fazer o que ela quer na base do papo, da conversa,
do fuxico, da intriga... E por esse caminho ela irá longe. Essa história de que
a vilã, pra ser vilã, tem que matar, pra mim está superada. Porém, Cora vai
matar sim, porque vai ser uma necessidade, e uma vingança também. Vai acontecer
a partir do capítulo 100.”
Maria Marta é
má, mas, nos últimos capítulos, o lado humano da personagem, com a
reaproximação com o filho e a luta para reconquistar o amor de José Alfredo,
conquistou o público. O carisma de Lília Cabral, em união ao texto sarcástico,
contribuiu para isso. Você esperava essa reação do público?
“Ninguém é
apenas mau ou apenas bom na vida real, e eu acho muito bom que as novelas, ou
as obras de ficção de um modo geral, reproduzam isso. Voltemos a Nazaré: ela
era capaz de cometer os piores crimes... Mas o amor dela pela filha era enorme,
estava acima de tudo. Tão grande que, no final da novela, quando ela percebe
que nunca vai deixá-la em paz, ela se joga no Rio São Francisco. Essa
ambiguidade dos personagens é o que me fascina.”
O romance
entre José Alfredo (Alexandre Nero) e Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) tem
despertado o interesse do público, mas não é um consenso geral. Existe a
possibilidade de um novo personagem se juntar a essa trama para compor um
triângulo amoroso?
“Quando a
novela começa, Isis para José Alfredo é apenas uma distração. Ele só diz que a
ama – pela primeira vez – depois que dorme com Marta. A partir daí o romance
entre os dois vai se tornando cada vez mais sério – não esqueça que até agora
só foram ao ar 48 capítulos! Isis também muda, arranja um trabalho, se torna
mais adulta... E eu gosto de pensar que essa linda história de amor dos dois
vai apaixonar o país inteiro.”
João Lucas
(Daniel Rocha), que é filho do Comendador, apaixonou-se por Maria Isis, que é a
amante de seu pai. Pai e filho disputarão pelo amor dela? E como ficará a
relação entre os dois?
“José Alfredo
nunca deixa de ser pai. E é como pai, e não como rival, que ele vê Lucas.
Assim, ele sabe que a atração deste por sua amante faz parte da rebeldia do
rapaz. O comendador lida com esta suposta paixão de Lucas de forma adulta...
Mesmo porque ele confia no – como se diz – próprio taco, e sabe que Isis é
dele, e ninguém tasca.”
Muito se tem
falado nos cortes feitos a novela, que envolveriam cenas de beijo gay, e até de
comédia. Isso procede?
“Você vai me
dar licença de não responder a esta pergunta.”
Antes da
estreia de “Império”, no entanto, você disse que não haveria beijo gay na
novela. Essa possibilidade, independentemente da ‘censura’, está descartada até
o fim da novela?
“Eu disse que
não haveria... E não escrevi nenhum beijo gay. O que eu escrevi foi uma
sugestão de beijo, que é visto à distância, pelas lentes da fotógrafa Érica, e
que dará início ao processo de destruição da reputação de Cláudio por Téo
Pereira. Este foi o beijo gay que eu escrevi, e ele foi ao ar sem cortes.”
Daqui a duas
semanas, Enrico (Joaquim Lopes), personagem homofóbico, descobrirá a orientação
sexual do pai. A partir daí, qual a função de Claudio (José Mayer) e Téo (Paulo
Betti) na história?
“Os dois vão
se digladiar na Justiça. Veja bem, não é de beijo gay, ou de relação
homo-afetiva que eu quero falar nessa trama – é do direito à privacidade. Cada
vez mais as pessoas têm suas vidas expostas e destrinchadas, mesmo que não
queiram. O que eu quero discutir é o direito que cada um tem de manter a
própria vida em segredo... E o direito que cada um tem de não sair do armário,
se achar que é melhor ficar lá dentro.”
E quanto às
especulações de Enrico se envolver com Leonardo? Procedem?
“É a primeira
vez que esta especulação me chega! Será que vou ter que passar a novela inteira
desmentindo essas invenções absurdas?!... O engraçado é que ninguém especula de
modo positivo. Por exemplo: que tal inventar que alguém na novela vai ter uma
visão de Nossa Senhora de Fátima? Aliás, pensando bem... Isso sim, daria uma
boa trama. Quanto a Enrico, desculpem, mas ele foi, é, e sempre será espada.”
A personagem
Xana Summer (Aílton Graça) esconde algo em seu passado? E ela realmente pode se
envolver com Naná (Viviane Araújo)?
“Meu Deus,
mais do que já estão envolvidos? É evidente que aqueles dois são completamente
apaixonados um pelo outro! E os dois atores mostram isso lindamente, com a
maior delicadeza... Não vejo outra saída para essa trama senão Xana e Naná terminarem
juntos.”
O tradicional
capítulo 100 das novelas tem sido marcado por reviravoltas. O de “Império” será
marcado com o sumiço do diamante que o Comendador (Alexandre Nero) esconde no
Monte Roraima?
“O diamante
some bem antes, a partir do capítulo 55. Esse processo, inclusive, o público
acompanha já na próxima semana. Escrevi as cenas antes mesmo da novela estrear.
O telespectador acompanha todo o sumiço, ou roubo, passo a passo, mas o
comendador só descobre que ele sumiu lá no capítulo 90, quando resolve levar
Isis ao monte e realiza uma cerimônia simbólica de casamento para os dois. O
diamante é o talismã de José Alfredo, sua pedra da sorte, por isso ele não a
vendeu nem a tirou do monte. Quando ela some, tudo começa a dar errado para
ele, e aí sim, o capítulo 100 marca o início da segunda novela.”
É aí que o
Comendador simulará a própria morte?
“Isso mesmo.
Não sei se ele simulará ou se realmente morre – e depois volta à vida – prefiro
não esclarecer isso agora.”
Antes, será
comprovada a paternidade de Cristina (Leandra Leal)?
“Tem uma
história aí que é bem mais criativa do que esta comprovação, mas eu não posso
revelar, senão perde a graça.”
E o embate
entre Cora e Maria Marta? Quando começará?
“Quando
Cristina ganhar um cargo na diretoria da Império. Mas aí também haverá um
embate entre Cristina e Maria Clara.”
Algum
personagem ou intérprete tem se destacado além do previsto?
“Meu elenco é
meu dream team. Deus me ajudou nisso, pois ganhei o melhor elenco possível.
Cada um trata de dar seu recado com uma garra que me emociona. O mesmo para os
diretores – que chegam a dormir no Projac! – e para a produção, que faz
qualquer sacrifício, inclusive o de voltar ao Monte Roraima e ainda achar isso
ótimo.”
“Império” tem
previsão de durar quantos capítulos? Procede a informação de que ficará no ar
até dezembro?
“‘Império’
terminará no dia 15 de janeiro e terá 203 capítulos.”
A trilha
sonora de Império tem sido bastante elogiada. A regravação de “Dona”, do grupo
Roupa Nova, tema da personagem Porcina de Roque Santeiro, de sua autoria, é uma
homenagem? Foi uma sugestão sua ou não participou do processo das escolhas das
músicas?
“‘Dona’,
cantada por Alex Cohen, foi uma sugestão minha.”
Não perca “Império”
no SBT.

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