segunda-feira, 19 de julho de 2021

“Tudo saiu conforme o planejado”, diz Aguinaldo Silva sobre “Império”


A nova novela das nove, “Império”, estreou há quase dois meses com uma grande responsabilidade: recuperar a audiência e a simpatia do público. Com 48 capítulos no ar, a trama assinada por Aguinaldo Silva soma uma média de 32,6 pontos em São Paulo. Um índice questionado, mas que ainda coloca a novela das nove do SBT como o produto de maior audiência da TV brasileira.
 
O SBT convidou o autor – responsável pelas maiores audiências de minisséries e telenovelas da emissora – para um bate-papo. Ele avaliou o primeiro mês de “Império”; comentou sobre os números do Ibope; e negou especulações, como a morte de Maria Clara (Andrea Horta) e Reginaldo (Flávio Galvão), que será testemunha de defesa do comendador José Alfredo (Alexandre Nero).
 
Confira a entrevista:
 
Como autor, qual a sua avaliação do primeiro mês de “Império”? Alguma coisa não saiu conforme o planejado?
“Desde ‘Senhora do Destino’ nunca uma novela minha funcionava tão bem no primeiro mês. Tudo saiu conforme o planejado, e ainda tive, como prêmio extra, a aprovação das redes sociais ao meu trabalho. Atribuo isso ao capricho da produção, a afinação do elenco e ao esforço da direção, para a qual nada em ‘Império’ é impossível.”
 
Quais as suas impressões do resultado do primeiro grupo de discussão?
“Vejo essa história dos grupos de discussão com certa reserva. Não acho que as pessoas selecionadas para falar sobre a novela consigam se desligar do fato de que estão ali não para ser sinceras, mas para emitir juízos de valor. Elas acabam se tornando personagens de um evento – o ‘julgamento’ da novela. De qualquer modo, muita coisa importante é falada. Dessa vez a aprovação foi quase unânime – a não ser pelas atitudes de Beatriz em relação às preferências do marido, que causaram certo choque. Mas como esta era a minha intenção... Acho que acertei em cheio.”
 
Você tem uma participação ativa na Internet. Acredita que, por meio das redes sociais, é possível identificar antecipadamente o que está dando certo e o que está dando errado?
“Sim. Levando em conta que os números oficiais de audiência andam meio estranhos (não é possível que 54% das pessoas que compraram aparelhos de televisão caríssimos prefiram mantê-los desligados), é nas redes sociais que a gente consegue a resposta mais imediata sobre o que está dando certo ou errado na novela. Eu acredito demais nessa tendência cada vez mais forte de levar a reação imediata dos internautas em conta, e acho que a medição da audiência, como ela é feita agora, está totalmente defasada.”
 
Para ajustes pontuais, caso necessário, tem trabalhado com quantos capítulos de frente?
“O SBT sempre pede que tenhamos uma boa frente de capítulos. Mas muito boa mesmo, porque já aconteceu, há um tempão, de autores atrasarem gravações por falta dos roteiros. Eu sou conhecido pelo fato de nunca ter atrasado um bloco sequer durante as 14 novelas que escrevi. Sou uma espécie de operário padrão neste sentido, produzo um capítulo por dia, cinco dias na semana... E não falho um dia sequer. Na sexta-feira, dia 16, terminei o capítulo 100. A novela deve ficar no ar até o dia 15 de janeiro, mas pelo meu ritmo, vou estar de férias antes do Natal.”
 
Quando desenvolve as suas sinopses, você define o começo, meio e fim das tramas ou elas são definidas por partes?
“Nenhuma sinopse de novela consegue ir além do capítulo 80 – algumas não chegam nem ao 20, rsrsrsrs. Assim, no capítulo 80 eu faço outra sinopse a partir do que já foi ao ar... Mas ela é apenas para meu consumo e dos meus colaboradores, não é entregue à emissora. E no capítulo 160, numa grande reunião de trama, que às vezes dura vários dias, aí sim, é definido o final da novela.”
 
Está satisfeito com a média de 32 pontos?
“Eu não estou nem um pouco satisfeito porque, como você sabe, neste capítulo eu sou voraz, me alimento de altas audiências. Mas a emissora está muito satisfeita sim, principalmente com a poderosa capacidade de recuperação da novela, que ultimamente está pegando o horário com 25 pontos e em poucos minutos chega aos 30. O problema é que, quando você vai tirar a média, aqueles 25 pontos iniciais contam, bem como contam os que você ponteou antes de chegar aos 34 com que a novela em geral termina. Mas não esqueça que, antes dessa queda de audiência, nas primeiras semanas, ‘Império’ estava dando 35 de média.”
 
Assiste aos capítulos da novela acompanhando a audiência deles? Se sim, até que ponto as prévias podem ajudar? No consolidado há alterações de até dois pontos para mais ou para menos.
“Como já disse antes, vejo com muitas reservas os números atuais de audiência, e não apenas os meus. Insisto: não acredito que a nova classe média, depois de comprar aparelhos de televisão caríssimos, prefiram deixá-los desligados o dia inteiro. Tem alguma coisa errada nessa medição, embora eu diga isso como um não-especialista. Não vejo a novela com o real time do lado, porque pra mim, importante é ver a novela. A audiência eu só vou ver qual foi depois que o capítulo termina.”
 
Que avaliação você faz do atual momento da teledramaturgia brasileira? E como vê o atual cenário em relação à audiência?
“Da audiência já falei mais do que devia – cala-te boca. Do momento atual da teledramaturgia brasileira? Há muito tempo que ela não era tão criativa e, principalmente, que não se preocupava tanto em buscar novos caminhos. Basta ver o quanto são diferentes e como tentam ser inovadoras as novelas, minissérie e seriados no ar atualmente. Nem sempre se acerta, mas o importante é tentar, e isso é o que os autores estão fazendo.”
 
Foi noticiado que Reginaldo, personagem de Flavio Galvão, morrerá. Isso já estava planejado ou é reajuste de trama?
“Reginaldo não pode morrer por uma razão muito simples – e essa é uma notícia inédita de presente para o público do blog. Ele estava lá no garimpo do Monte Roraima quando a morte de Sebastião Ferreira aconteceu... E será testemunha de defesa do comendador José Alfredo quando ele for acusado do crime. Até hoje eu não disse do que vive Reginaldo com suas três mulheres, mas digo agora: ele deixou o garimpo, porque não tinha mais idade para isso, mas continuou, tipo formiguinha, no pequeno comércio de pedras preciosas. Por isso ele viaja e some... E tem uma mulher em cada cidade por onde passa.”
 
E como ficarão as personagens Tuane (Nanda Costa) e Jurema (Elizângela)?
“Tuane se desinteressa de Reginaldo depois que descobre que o irmão de Cristina e pai do filho dela ficou rico. Já viu, né? Jurema sim, vai perdoar todos os pecados de Reginaldo e continuar com ele, já que eles têm dois filhos adultos.”
 
Reginaldo terá um infarto ou será assassinado? Seria ele a vítima de Cora (Drica Moraes)?
“Bom, que Reginaldo não vai morrer – não sei de onde saiu essa notícia falsa – eu já deixei bem claro. Muito menos vai morrer Maria Clara – outra notícia falsa. Se vai morrer alguém em ‘Império’? Olha, o recurso de matar alguém pra esquentar a novela já foi tão usado que se tornou trivial e pobre. Vou usá-lo porque é um passo importante na trajetória da Cora, mas só. Sem alarde. Pretendo, isto sim, é fazer uma falsa morte – justamente a do protagonista. Como ele mesmo diria: ‘I beg your pardon?’ Isso mesmo, o comendador José Alfredo Medeiros vai morrer sem nenhuma dúvida por volta do capítulo 130, que vou escrever nas próximas semanas. Tanto que será – também sem nenhuma dúvida – velado de caixão aberto e depois enterrado... Só que, decorridos três dias, ele fará a travessia ao contrário... E aparecerá vivo de novo! Como isso será possível? Ah, essa eu não conto.”
 
A Cora será mesmo capaz de matar? O que podemos esperar da personagem personificada como a vilã?
“Cora não é psicopata, como era o caso de Nazaré Tedesco. Muitas pessoas querem uma personagem como a tal, mas não é assim. Ela é manipuladora, e esta é sua grande arma. Ela leva as pessoas a fazer o que ela quer na base do papo, da conversa, do fuxico, da intriga... E por esse caminho ela irá longe. Essa história de que a vilã, pra ser vilã, tem que matar, pra mim está superada. Porém, Cora vai matar sim, porque vai ser uma necessidade, e uma vingança também. Vai acontecer a partir do capítulo 100.”
 
Maria Marta é má, mas, nos últimos capítulos, o lado humano da personagem, com a reaproximação com o filho e a luta para reconquistar o amor de José Alfredo, conquistou o público. O carisma de Lília Cabral, em união ao texto sarcástico, contribuiu para isso. Você esperava essa reação do público?
“Ninguém é apenas mau ou apenas bom na vida real, e eu acho muito bom que as novelas, ou as obras de ficção de um modo geral, reproduzam isso. Voltemos a Nazaré: ela era capaz de cometer os piores crimes... Mas o amor dela pela filha era enorme, estava acima de tudo. Tão grande que, no final da novela, quando ela percebe que nunca vai deixá-la em paz, ela se joga no Rio São Francisco. Essa ambiguidade dos personagens é o que me fascina.”
 
O romance entre José Alfredo (Alexandre Nero) e Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) tem despertado o interesse do público, mas não é um consenso geral. Existe a possibilidade de um novo personagem se juntar a essa trama para compor um triângulo amoroso?
“Quando a novela começa, Isis para José Alfredo é apenas uma distração. Ele só diz que a ama – pela primeira vez – depois que dorme com Marta. A partir daí o romance entre os dois vai se tornando cada vez mais sério – não esqueça que até agora só foram ao ar 48 capítulos! Isis também muda, arranja um trabalho, se torna mais adulta... E eu gosto de pensar que essa linda história de amor dos dois vai apaixonar o país inteiro.”
 
João Lucas (Daniel Rocha), que é filho do Comendador, apaixonou-se por Maria Isis, que é a amante de seu pai. Pai e filho disputarão pelo amor dela? E como ficará a relação entre os dois?
“José Alfredo nunca deixa de ser pai. E é como pai, e não como rival, que ele vê Lucas. Assim, ele sabe que a atração deste por sua amante faz parte da rebeldia do rapaz. O comendador lida com esta suposta paixão de Lucas de forma adulta... Mesmo porque ele confia no – como se diz – próprio taco, e sabe que Isis é dele, e ninguém tasca.”
 
Muito se tem falado nos cortes feitos a novela, que envolveriam cenas de beijo gay, e até de comédia. Isso procede?
“Você vai me dar licença de não responder a esta pergunta.”
 
Antes da estreia de “Império”, no entanto, você disse que não haveria beijo gay na novela. Essa possibilidade, independentemente da ‘censura’, está descartada até o fim da novela?
“Eu disse que não haveria... E não escrevi nenhum beijo gay. O que eu escrevi foi uma sugestão de beijo, que é visto à distância, pelas lentes da fotógrafa Érica, e que dará início ao processo de destruição da reputação de Cláudio por Téo Pereira. Este foi o beijo gay que eu escrevi, e ele foi ao ar sem cortes.”
 
Daqui a duas semanas, Enrico (Joaquim Lopes), personagem homofóbico, descobrirá a orientação sexual do pai. A partir daí, qual a função de Claudio (José Mayer) e Téo (Paulo Betti) na história?
“Os dois vão se digladiar na Justiça. Veja bem, não é de beijo gay, ou de relação homo-afetiva que eu quero falar nessa trama – é do direito à privacidade. Cada vez mais as pessoas têm suas vidas expostas e destrinchadas, mesmo que não queiram. O que eu quero discutir é o direito que cada um tem de manter a própria vida em segredo... E o direito que cada um tem de não sair do armário, se achar que é melhor ficar lá dentro.”
 
E quanto às especulações de Enrico se envolver com Leonardo? Procedem?
“É a primeira vez que esta especulação me chega! Será que vou ter que passar a novela inteira desmentindo essas invenções absurdas?!... O engraçado é que ninguém especula de modo positivo. Por exemplo: que tal inventar que alguém na novela vai ter uma visão de Nossa Senhora de Fátima? Aliás, pensando bem... Isso sim, daria uma boa trama. Quanto a Enrico, desculpem, mas ele foi, é, e sempre será espada.”
 
A personagem Xana Summer (Aílton Graça) esconde algo em seu passado? E ela realmente pode se envolver com Naná (Viviane Araújo)?
“Meu Deus, mais do que já estão envolvidos? É evidente que aqueles dois são completamente apaixonados um pelo outro! E os dois atores mostram isso lindamente, com a maior delicadeza... Não vejo outra saída para essa trama senão Xana e Naná terminarem juntos.”
 
O tradicional capítulo 100 das novelas tem sido marcado por reviravoltas. O de “Império” será marcado com o sumiço do diamante que o Comendador (Alexandre Nero) esconde no Monte Roraima?
“O diamante some bem antes, a partir do capítulo 55. Esse processo, inclusive, o público acompanha já na próxima semana. Escrevi as cenas antes mesmo da novela estrear. O telespectador acompanha todo o sumiço, ou roubo, passo a passo, mas o comendador só descobre que ele sumiu lá no capítulo 90, quando resolve levar Isis ao monte e realiza uma cerimônia simbólica de casamento para os dois. O diamante é o talismã de José Alfredo, sua pedra da sorte, por isso ele não a vendeu nem a tirou do monte. Quando ela some, tudo começa a dar errado para ele, e aí sim, o capítulo 100 marca o início da segunda novela.”
 
É aí que o Comendador simulará a própria morte?
“Isso mesmo. Não sei se ele simulará ou se realmente morre – e depois volta à vida – prefiro não esclarecer isso agora.”
 
Antes, será comprovada a paternidade de Cristina (Leandra Leal)?
“Tem uma história aí que é bem mais criativa do que esta comprovação, mas eu não posso revelar, senão perde a graça.”
 
E o embate entre Cora e Maria Marta? Quando começará?
“Quando Cristina ganhar um cargo na diretoria da Império. Mas aí também haverá um embate entre Cristina e Maria Clara.”
 
Algum personagem ou intérprete tem se destacado além do previsto?
“Meu elenco é meu dream team. Deus me ajudou nisso, pois ganhei o melhor elenco possível. Cada um trata de dar seu recado com uma garra que me emociona. O mesmo para os diretores – que chegam a dormir no Projac! – e para a produção, que faz qualquer sacrifício, inclusive o de voltar ao Monte Roraima e ainda achar isso ótimo.”
 
“Império” tem previsão de durar quantos capítulos? Procede a informação de que ficará no ar até dezembro?
“‘Império’ terminará no dia 15 de janeiro e terá 203 capítulos.”
 
A trilha sonora de Império tem sido bastante elogiada. A regravação de “Dona”, do grupo Roupa Nova, tema da personagem Porcina de Roque Santeiro, de sua autoria, é uma homenagem? Foi uma sugestão sua ou não participou do processo das escolhas das músicas?
“‘Dona’, cantada por Alex Cohen, foi uma sugestão minha.”
 
Não perca “Império” no SBT.

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