Odete Roitman foi assassinada no capítulo 192 de “Vale Tudo” (1995).
A pergunta “Quem matou...?” parou o Brasil por diversas vezes
“Quem matou...?” – poucas perguntas
tiveram tanta força dentro da teledramaturgia brasileira quanto essa. Ao longo
das décadas, esse recurso narrativo não apenas estruturou tramas, como também
mobilizou o público, gerou comoção nacional e transformou novelas em
verdadeiros fenômenos culturais. A seguir, estão alguns dos assassinatos mais
misteriosos já apresentados nas telenovelas, com destaque para a evolução e
consolidação desse artifício dramático.
• “O Sheik de Agadir” foi a primeira
novela a instituir o recurso do “Quem matou...?”. Na produção de 1966,
escrita por Glória Magadan, uma série de assassinatos misteriosos era
cometida por uma figura enluvada, conhecida como “Rato”. O suspense se
sustentava justamente na ocultação da identidade do criminoso, que, ao final,
revela-se ser uma mulher: a princesa Éden de Bassora (Marieta Severo).
A solução subverte expectativas e inaugura, ainda que de forma embrionária, uma
tradição narrativa que ganharia força nos anos seguintes.
• Em “Assim na Terra Como no Céu”
(1970), de autoria de Dias Gomes, a morte da personagem Nívea (Renata
Sorrah) ocorre logo no início da trama, funcionando como um gatilho
narrativo que estabelece desde os primeiros capítulos o eixo central de
mistério. A antecipação do crime desloca o foco da história para a investigação
e para a construção de suspeitas ao longo do desenvolvimento dramático. Somente
no último capítulo é revelado que ela havia sido assassinada por Maiorizinho
(Osmar Prado), encerrando o suspense que se sustenta ao longo de toda a
narrativa.
• “O Rebu” (1974) também recorreu ao
artifício narrativo do “quem matou?”, mas o autor Bráulio Pedroso
o desenvolveu de forma singular e, para a época, absolutamente inovadora.
Estruturada como uma novela policial, a obra entrou para a história da
teledramaturgia brasileira ao concentrar toda a sua narrativa em um recorte
temporal de apenas 24 horas, intensificando a sensação de urgência e
confinamento dramático. Nesse contexto, não se sustentava apenas a pergunta “quem
matou?”, mas também “quem morreu?”, ampliando o campo de suspense e
deslocando o foco da investigação. No capítulo 50, revela-se que a vítima era Sílvia
(Bete Mendes), assassinada por Conrad Mahler (Ziembinski),
motivado por ciúmes de Cauê (Buza Ferraz), jovem que vivia sob
sua proteção – relação marcada por uma clara, ainda que velada, sugestão de
homossexualidade. Apesar dessa revelação intermediária, a identidade do
assassino só é plenamente confirmada no último capítulo, preservando o mistério
até o desfecho e reforçando a estrutura narrativa inovadora da trama.
• Foi a partir de “Véu de Noiva” (1976),
escrita por Janete Clair, que a pergunta “Quem matou...?” ganhou
projeção e se consolidou no imaginário do público brasileiro. A saída do ator Geraldo
Del Rey, intérprete de Luciano, levou a autora a transformar uma
necessidade de produção em recurso dramático: por volta do capítulo 30, o
personagem é assassinado, instaurando um eixo de mistério que reorganiza a
condução da narrativa. A partir desse ponto, a trama passa a se sustentar na
construção de suspeitas e na expectativa pela revelação do culpado.
Posteriormente, descobre-se que Luciano havia sido morto por Rosa (Ana
Ariel), solução que encerra o enigma e reforça a eficácia do artifício como
mecanismo de engajamento do público.
• Na trama de “Cavalo de Aço” (1980), o
autor Walther Negrão constrói o suspense ao ocultar deliberadamente, até
os momentos finais, a identidade do responsável pela morte de Velho Max
(Ziembinski). Ao longo da narrativa, o mistério é sustentado pela
circulação de suspeitas e pela ausência de uma resolução imediata, mantendo o
público em constante expectativa. Apenas no desfecho é revelado que a assassina
era Lenita (Arlete Salles), filha bastarda do personagem, solução
que adiciona uma dimensão melodramática ao crime e reforça o impacto da
revelação.
• Em 1984, o grande enigma que mobilizava o
público era: “Quem matou Salomão Hayala?”. Em “O Astro”, novela
de Janete Clair, o assassinato do poderoso empresário estrutura a reta
final da trama e concentra as atenções na descoberta do culpado. No entanto, no
último capítulo, a revelação foi considerada óbvia por parte dos
telespectadores: Felipe (Edwin Luisi), amante da esposa da
vítima, e seu amigo Henri (José Luiz Rodi) foram os responsáveis
pelo crime, solução que, embora coerente dentro da narrativa, acabou frustrando
expectativas mais complexas em torno do mistério.
• Um crime marcou de forma decisiva a última
semana de “Pai Herói” (1985): o vilão César Reis (Carlos Zara)
é assassinado a tiros dentro de seu próprio quarto, instaurando um mistério que
domina a reta final da narrativa. No entanto, no último capítulo, a identidade
do assassino não fica devidamente clara para o público, gerando forte
repercussão. A ambiguidade da resolução provocou uma onda de telefonemas ao
SBT, com telespectadores exigindo explicações sobre o desfecho. Diante da
repercussão, a autora Janete Clair precisou esclarecer o ocorrido
semanas depois, em um depoimento no “Programa Silvio Santos”. Segundo
ela, o mandante do crime era Baldaracci (Paulo Autran), que vinha
sendo chantageado por César. Apesar de seu caráter dúbio, Baldaracci era um
personagem carismático e bastante querido pelos telespectadores, o que torna
sua implicação ainda mais complexa. O responsável pelo crime, no entanto, não
sofre punição: no último capítulo, consegue escapar da polícia ao fugir de
helicóptero, fantasiado de pierrot, encerrando a trama com uma solução que
rompe com a expectativa tradicional de justiça.
• Em “Água Viva” (1986), escrita por Gilberto
Braga, o assassinato de Miguel Fragonard (Raul Cortez) ocorre
já na reta final da narrativa, funcionando como um elemento de tensão que
reorienta os acontecimentos nos capítulos decisivos. A morte do personagem,
cercada por circunstâncias inicialmente pouco claras, instaura um mistério que
se desenvolve nos momentos finais da trama, com a suspeita recaindo, em um
primeiro momento, sobre Nelson (Reginaldo Faria), irmão da
vítima. No desfecho, é revelado que o responsável pelo crime foi Kleber
Simpson (José Lewgoy), administrador dos bens da família, que
assassinou Miguel com um tiro após ser descoberto desviando dinheiro de Nelson.
A motivação, portanto, está diretamente ligada à tentativa de evitar a
exposição de seus próprios crimes financeiros, eliminando aquele que poderia
denunciá-lo. Condenado, Kleber termina seus dias na prisão, onde passa a
escrever suas memórias, restabelecendo, ao final, a ordem moral da narrativa.
• Uma reviravolta imprime um viés policial à
trama de “Final Feliz” (1987), de Ivani Ribeiro: César (Roberto
Maya) é morto a tiros, e o crime instaura um mistério que passa a conduzir
os desdobramentos da narrativa até seus momentos finais. A investigação se
estende até o penúltimo capítulo, quando ocorre a revelação decisiva.
Descobre-se, então, que França (José Augusto Branco) foi o autor
dos disparos que mataram César, e ele próprio confessa o crime, justificando
sua ação pela incapacidade de suportar a decepção de ter sido roubado pelo
amigo.
• “Louco Amor” (1990), de Gilberto
Braga, também incorporou um mistério na reta final da narrativa, centrado
na pergunta: “quem matou Márcio (Carlos Alberto Ricelli)?”. A morte do
personagem desencadeia uma investigação que se desenvolve nos capítulos finais,
conduzida pelo delegado Cunha (Ivan Cândido), responsável por
reunir as pistas e esclarecer o crime. Ao final, descobre-se que Márcio, na
verdade, não era o alvo pretendido. O responsável pela ação foi Fernando
(Carlos Eduardo Dolabella), que manipulou a lancha com a intenção de
matar seu sócio Edgar (José Lewgoy). O desfecho revela, portanto,
um assassinato decorrente de erro de execução, e não de intenção direta contra
a vítima. Fernando acaba sendo preso, encerrando o arco policial da trama.
• A jovem e bela copeira Zaíra (Suzane
Carvalho), na novela “Champagne” (1990), é assassinada, e a
responsabilidade pelo crime recai inicialmente sobre um garçom: Gastão (Sebastião
Vasconcellos), que foge e nunca é localizado. Com o passar do tempo, o
crime prescreve, e Gastão retorna à cidade decidido a limpar seu nome. Para
isso, conta com a ajuda e o apoio do filho, Nil (Tony Ramos), que
se envolve diretamente na tentativa de reabrir o caso. A reativação da
investigação coloca sob tensão seis amigos que estavam presentes na festa na
noite do crime e que não se encontravam desde então. Entre eles está o
verdadeiro assassino: Zé Maria (Jorge Dória), Ralf (Cláudio
Corrêa e Castro), Jurandir (Mauro Mendonça), Ronaldo (Carlos
Augusto Strazzer), Renan (Nuno Leal Maia) e Lúcio (Cecil
Thiré). O mistério em torno da pergunta “quem matou Zaíra?”
atravessa toda a narrativa, sustentando o suspense ao longo da novela de Cassiano
Gabus Mendes. No desfecho, Jurandir confessa ser o responsável pelo
assassinato da jovem e, em seguida, tira a própria vida. Em paralelo, Zé
Brandão, um dos amigos presentes na comemoração, revela que era o pai de Zaíra,
acrescentando uma camada dramática adicional à resolução do caso.
• Na novela “Hipertensão” (1991), de Ivani
Ribeiro, o principal mistério gira em torno da identidade do responsável
pela morte de Luzia (Cláudia Abreu), crime que se mantém como um
dos eixos centrais da narrativa até seus momentos finais. No desfecho, Donana
(Georgia Gomide) se dirige à delegacia e confessa ao delegado Joel
(Nelson Xavier) ser a verdadeira autora do assassinato. Em seu relato, ela
explica que havia oferecido dinheiro à jovem, na tentativa de convencê-la a
desistir do casamento com Raimundo (Taumaturgo Ferreira) e deixar
a cidade de Rio Belo. Diante da recusa de Luzia, as duas entram em confronto
físico, e, no auge da discussão, Donana a empurra, fazendo com que a moça caia
barranco abaixo, resultando em sua morte.
• Walther Negrão constrói um mistério na
novela “Fera Radical” (1991) a partir do atropelamento de Jorge
Mendes (Rodrigo Santiago), personagem de caráter duvidoso cuja morte
ocorre em circunstâncias suspeitas. O crime desencadeia uma investigação que
rapidamente recai sobre Olívia (Denise Del Vecchio), esposa de
Jorge, que chega a ser presa como principal suspeita. No entanto, com o avanço
da narrativa, novas informações vêm à tona, e, capítulos depois, Fernando
(José Mayer) consegue extrair da irmã a verdade: ela vinha sendo
ameaçada por Vitor (Reynaldo Gonzaga), o verdadeiro responsável
pelo crime. Vitor acaba sendo preso, mas a trama ainda se desdobra quando Joana
(Yara Amaral) o retira da cadeia com a intenção de que ele mate Cláudia
(Malu Mader), plano que, no entanto, não chega a se concretizar.
• Na novela “Vale Tudo” (1995), de
autoria de Gilberto Braga, o assassinato da vilã Odete Roitman (Beatriz
Segall) se torna um dos maiores marcos da teledramaturgia brasileira,
transformando a pergunta “Quem matou Odete Roitman?” em um verdadeiro
fenômeno nacional. Durante os 13 dias que antecederam a revelação do culpado, o
mistério ultrapassou os limites da narrativa e ganhou as ruas, mobilizando o
público por meio de rifas, apostas, sorteios e até uma promoção do caldo de
galinha Maggi que explorava diretamente a pergunta central. No desfecho,
descobre-se que Leila (Cássia Kiss) foi a responsável pelos
disparos que mataram a vilã, em um ato não intencional, já que acreditava estar
atirando em Maria de Fátima (Glória Pires), amante de seu marido,
Marco Aurélio (Reginaldo Faria), o que adiciona um componente
trágico e irônico à resolução do crime.
• Um crime é o ponto de partida para a
transformação de Sassá Mutema (Lima Duarte) em “O Salvador da
Pátria” (1995). Juca Pirama (Luis Gustavo) e Marlene (Tássia
Camargo) são encontrados mortos, e Sassá passa a ser apontado como o
principal responsável pelos assassinatos. Ele é preso, mas consegue provar sua
inocência com o apoio da professora Clotilde (Maitê Proença), por
quem acaba se apaixonando. À medida que a narrativa avança, a revelação de que
o moralista e conservador Juca Pirama era, na verdade, um corrupto envolvido em
negócios escusos altera completamente a percepção pública sobre o caso. A
imagem de Sassá se transforma, ele ganha popularidade e passa a atrair o
interesse dos políticos locais, que veem no ingênuo boia-fria uma oportunidade
de manipulá-lo e alçá-lo ao cargo de prefeito de Tangará, como possível
defensor de seus interesses. Já próximo ao desfecho da novela, revela-se que Bárbara
Telles (Lúcia Veríssimo), neta de um influente banqueiro da região –
e com quem Severo (Francisco Cuoco) mantinha um relacionamento –,
é quem lidera a organização ligada ao narcotráfico.
• Na trama de “Mulheres de Areia”
(1996), escrita por Ivani Ribeiro, o elemento que dá origem ao mistério
se constrói de maneira distinta em relação ao padrão mais convencional do
gênero. A sequência do crime subverte a expectativa imediata do público: a vilã
Raquel (Glória Pires) atira contra seu amante Wanderlei (Paulo
Betti), em uma cena que, à primeira vista, configura o assassinato. No
entanto, o desdobramento posterior revela uma inversão decisiva: no momento em
que é atingido, o personagem já estava morto. Esse deslocamento altera a lógica
da investigação e reconfigura o enigma narrativo. Mais adiante, descobre-se que
Vilma (Denise Milfont) havia sido a verdadeira responsável por
eliminar o mau-caráter, antecipando o crime e esvaziando o gesto de Raquel como
causa efetiva da morte.
• Na novela “Tieta” (1996), de Aguinaldo
Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, o assassinato
de Arturzinho (Marcos Paulo), figura que infernizava a vida dos
moradores de Santana do Agreste, funciona como um dos pontos centrais de tensão
na reta final da trama. O crime ocorre dentro da prefeitura, em um espaço
simbólico de poder, ampliando seu impacto dramático. A partir daí, a narrativa
passa a trabalhar com um conjunto de suspeitos diretamente envolvidos nos
conflitos com a vítima, entre eles Tieta (Betty Faria), Leonora
(Lídia Brondi), Helena (Françoise Forton) e Ascâneo
(Reginaldo Faria), todos com motivações plausíveis para o assassinato.
No desfecho, revela-se que o responsável pelo crime é o Coronel Artur da
Tapitanga (Ary Fontoura), que, ao descobrir que o próprio filho
havia sido o principal responsável pela morte de sua esposa, decide agir movido
por vingança. Ainda assim, o coronel não sofre consequências legais: um de seus
jagunços assume a autoria do assassinato, garantindo sua impunidade e
reforçando a lógica de poder e desigualdade que atravessa a narrativa.
• No decorrer da novela “Sonho Meu”
(1996), de Marcílio Moraes, a trajetória do vilão Jorge (Fábio
Assunção) sofre uma inflexão decisiva quando sua verdadeira índole vem à
tona e ele é desmascarado diante da família. Diante das revelações, Dona
Paula (Beatriz Segall), sua avó, toma a decisão de expulsá-lo dos
negócios familiares, rompendo definitivamente com o neto. A partir desse ponto,
o personagem entra em um processo de descontrole, intensificando ainda mais seu
comportamento instável, até ser, após uma sequência de atitudes extremas,
misteriosamente assassinado. O crime instaura um novo eixo de suspense na
narrativa, que se sustenta até o desfecho. No final, Afrânio (Walmor
Chagas) assume publicamente a responsabilidade pelo assassinato, mas a
verdade revela uma dinâmica de proteção familiar: a verdadeira autora do crime
era Lúcia (Isabela Garcia), filha de Afrânio e noiva de Jorge,
que o matou ao descobrir que estava sendo traída por ele. O médico decide
assumir a culpa para preservar a filha, que, ao fim da trama, deixa o país e
passa a viver no exterior.
• Em “Pedra Sobre Pedra”, escrita por Aguinaldo
Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, e exibida em
1998, o fotógrafo Jorge Tadeu (Fábio Júnior) é assassinado a
tiros ainda no capítulo 30, em um momento precoce da narrativa que, em vez de
encerrar sua presença, a reconfigura de forma inusitada. Ao longo de toda a
trama, o personagem continua a aparecer em espírito, retomando sua relação com
as diversas amantes que mantinha na cidade, o que introduz um elemento
sobrenatural que convive com o mistério central do crime. A identidade do
assassino permanece oculta até o penúltimo capítulo, quando se revela que a
responsável é Gioconda Pontes (Eloísa Mafalda). A beata havia
sido desmascarada por Jorge Tadeu ao ser flagrada roubando peças sagradas da
igreja local, o que, somado ao ressentimento que nutria pelo fato de ele ser
amante de sua filha Úrsula (Andrea Beltrão), a leva a cometer o
assassinato.
• Na novela “Renascer” (1999), o eixo de
suspense se constrói em torno da pergunta “quem matou Teodoro (Herson Capri)?”,
articulando um desdobramento direto das tensões já estabelecidas na narrativa.
O inescrupuloso fazendeiro, responsável pela morte de José Venâncio (Taumaturgo
Ferreira), acaba sendo assassinado a tiros no meio da mata, em uma cena que
carrega forte carga simbólica e dramática. A partir desse ponto, o crime passa
a mobilizar uma rede de suspeitas que recai sobre personagens centrais, entre
eles José Inocêncio (Antônio Fagundes), João Pedro (Marcos
Palmeira) e o matador Damião (Jackson Antunes). Este último,
inicialmente contratado por Teodoro para tirar a vida de José Inocêncio, sofre
uma inflexão em sua trajetória ao se tornar empregado e fiel seguidor daquele
que deveria matar, o que adiciona complexidade às dinâmicas de lealdade e
conflito. No desfecho, revela-se que Teodoro foi morto por Mariana (Adriana
Esteves), solução que encerra o mistério e reorganiza os sentidos do crime
dentro da trama.
• A novela “Anjo Mau” (2000), remake
assinado por Maria Adelaide Amaral, também incorpora à sua narrativa um
“quem matou?” que se desenvolve a partir da morte de Josias (Átila
Iório), inserindo um eixo de suspense nos desdobramentos finais da trama.
Diante das circunstâncias do crime, Nice (Glória Pires) chega a
ser presa, tornando-se a principal suspeita pelo assassinato do próprio pai
biológico, o que intensifica o conflito dramático em torno da personagem. No
entanto, à medida que a verdade vem à tona, revela-se que a responsável pelo
crime é Tiana (Thelma Reston), que o esfaqueia movida pelo medo
de se tornar sua próxima vítima, deslocando o sentido do assassinato para uma
reação de autopreservação.
• Em 2001, o público acompanhou uma sucessão de
assassinatos em “A Próxima Vítima”, de Sílvio de Abreu,
estruturando a narrativa em torno de um suspense contínuo e de múltiplas linhas
investigativas. Ao longo da trama, os crimes se acumulam e ampliam o mistério,
criando a percepção de um assassino em série que atua de forma estratégica. No
desfecho, revela-se que Adalberto Vasconcellos (Cecil Thiré) foi
o responsável por dez mortes: Giggio di Angelis (Carlos Eduardo
Dolabella), as sete testemunhas eliminadas por queima de arquivo, Eliseo
Giardini (Gianfrancesco Guarnieri), a testemunha-chave, e Ulysses
Carvalho (Otávio Augusto), o informante. Diferentemente de outros
casos, o criminoso não escapa impune, sendo assassinado por Olavo (Paulo
Betti), o que encerra seu ciclo de violência. Ainda assim, esses não foram
os únicos assassinatos da novela: a vilã Isabela (Cláudia Ohana)
mata a secretária Andréa (Vera Gimenez), enquanto Bruno (Alexandre
Borges) assassina Romana (Rosamaria Murtinho) por vingança, a
mando da própria Isabela, ampliando o panorama de violência e intrigas dentro
da trama.
• Zé Paulo Moreira de Barros (Lima
Duarte) e a prostituta Soninha (Adriana Garambone) são
encontrados mortos já no primeiro capítulo de “Corpo Dourado” (2002), de
autoria de Antônio Calmon, instaurando de imediato um mistério que passa
a conduzir a narrativa. Inicialmente tratado como um duplo assassinato, o caso
ganha novos contornos antes mesmo da metade da novela, quando se descobre que
Zé Paulo não morreu em decorrência de um tiro, mas de um infarto. A
investigação, então, revela uma cadeia de manipulações: o bandido Naldo
(Anselmo Vasconcelos) confessa ter efetuado o disparo quando a vítima já
estava morta, numa tentativa de encobrir a real causa do óbito. Preso, Naldo é
envenenado antes de conseguir revelar quem havia encomendado o crime,
prolongando o suspense. Posteriormente, descobre-se que a mandante era Amanda
(Maria Luiza Mendonça), uma mulher de comportamento neurótico que
arquitetou todo o plano: primeiro, contratou Soninha para envenenar Zé Paulo e,
em seguida, recorreu a Naldo para simular um assassinato a tiros, criando uma
falsa versão dos fatos. A motivação de Amanda estava enraizada no ódio
decorrente da rivalidade entre suas famílias. Condenada, ela acaba contraindo
pneumonia na prisão, justamente no momento em que tentava se regenerar,
encerrando seu arco com um tom de decadência e punição.
• Um crime impacta profundamente a trama de
época de “Força de um Desejo” (2002), de Gilberto Braga e Alcides
Nogueira, funcionando como eixo central de suspense na reta final. O Barão
Henrique Sobral (Reginaldo Faria) é assassinado a tiros em seu
quarto durante uma festa, em uma cena que combina dramaticidade e isolamento,
já que o crime ocorre em meio à movimentação social. O principal suspeito recai
imediatamente sobre seu próprio filho, Inácio (Fábio Assunção),
que, naquela mesma noite, havia fugido com sua amante, Ester (Malu
Mader), que também era sua madrasta, o que intensifica o escândalo e a
suspeita. Após a prisão de Inácio e uma série de reviravoltas que sustentam o
mistério ao longo da narrativa, a explicação definitiva só é apresentada no
último capítulo. O assassinato do barão está diretamente ligado a uma sequência
de crimes anteriores que, pouco a pouco, se revelam interligados: a morte por
envenenamento de Helena (Sônia Braga), esposa do barão, seguida
pelos assassinatos do Dr. Xavier (Nelson Dantas), médico da
família, e do Padre Olinto (Abrahão Farc). Movida por ciúmes, Bárbara
Ventura (Denise Del Vecchio) envenena a baronesa, incapaz de aceitar
que Helena havia sido uma antiga paixão de seu marido, Higino (Paulo
Betti), e que ele ainda nutria sentimentos por ela. Quando o Dr. Xavier
identifica que a morte foi causada por envenenamento, Bárbara o elimina para
silenciar a descoberta. Posteriormente, tomada pelo remorso, confessa seus
crimes ao padre, mas, arrependida de ter se exposto, também o assassina. Por
fim, ao perceber que Henrique Sobral havia descoberto toda a verdade e
pretendia denunciá-la, Bárbara atira no barão, fechando o ciclo de violência
que ela mesma desencadeou. Desmascarada, perde completamente a sanidade e
termina seus dias em um manicômio, em um desfecho que reforça o caráter trágico
de sua trajetória.
• Na novela “Meu Bem Querer” (2003),
escrita por Ricardo Linhares, o assassinato de Custódia Alves Serrão
(Marília Pêra) se estabelece como um dos principais mistérios da reta
final, envolvendo disputas de poder, ambição e ressentimento acumulado. A
personagem, figura dominante e temida na cidade de São Tomás de Trás, constrói
ao longo da trama uma trajetória marcada por humilhações e abusos,
especialmente contra aqueles que a cercam, o que amplia o leque de suspeitos
após sua morte. O crime ocorre em um momento de vulnerabilidade: Custódia é
empurrada de uma escada dentro de sua mansão e, já caída, é sufocada com um
travesseiro para garantir sua morte, em uma execução direta e premeditada. A
revelação expõe uma motivação complexa, envolvendo ambição e desejo de ascensão
social, já que a assassina pretendia assumir o controle da fortuna e do poder
local, além de alimentar um histórico de inveja e vingança contra a vítima. No final,
descobre-se que a responsável pelo crime é Jorgete, também conhecida
como Zuleika (Rosi Campos), sua secretária particular, que,
cansada das humilhações e movida pela descoberta de que era herdeira de
Custódia, decide eliminá-la para ocupar seu lugar.
• Em “O Rei do Gado” (2003), escrita por
Benedito Ruy Barbosa, a morte de Ralf (Oscar Magrini),
personagem marcado por suas relações conflituosas – marido de Léia (Sílvia
Pfeifer) e amante de Suzane (Leila Lopes) e da garota de
programa Marita (Luciana Vendramini) – se constrói a partir de
uma sequência de violência que alimenta o mistério. Ele é brutalmente espancado
por dois capangas a mando de Orestes (Luiz Parreiras) e, mesmo
ferido, é abandonado em uma praia do Guarujá (SP), ainda aparentemente com
vida. Dias depois, seu corpo é encontrado já em avançado estado de
decomposição, enterrado na areia, o que amplia a dúvida sobre as circunstâncias
exatas de sua morte e sobre quem teria efetivamente a causado. A resolução do
caso ocorre no capítulo 203, durante o julgamento, quando Marcos (Fábio
Assunção) assume a autoria do assassinato, revelando que matou Ralf, que
mantinha um relacionamento com sua mãe, encerrando o mistério com uma motivação
diretamente ligada a questões familiares e passionais.
• Dando início ao seu plano de vingança em “Torre
de Babel” (2005), José Clementino (Tony Ramos) consegue um
emprego como vigia do Tropical Tower, aproximando-se do alvo de sua
obsessão. Sua intenção é instalar explosivos no edifício para destruir o
grandioso empreendimento de César Toledo (Tarcísio Meira),
responsável por uma tragédia em seu passado, mas sem atingir inocentes. O plano
previa que a detonação ocorresse quando o shopping estivesse vazio, evitando
vítimas. No entanto, por razões inicialmente desconhecidas, os explosivos são
acionados antes do previsto, justamente quando o local está cheio, provocando
uma grande explosão que deixa diversos feridos e causa a morte de várias
pessoas, ampliando o impacto do crime e o mistério em torno de sua execução. A
elucidação só ocorre no capítulo final da trama de Sílvio de Abreu,
quando os personagens principais estão reunidos na casa dos Toledo para o
casamento de Henrique (Edson Celulari) e Celeste (Letícia
Sabatella). José Clementino leva a polícia até o local, dando início à
revelação. Sob pressão, seu pai, Agenor (Juca de Oliveira),
confessa ter sido contratado por Ângela (Claudia Raia) para
instalar os explosivos fabricados pelo filho, embora afirme não ter concluído o
serviço. A verdade definitiva, porém, vem de uma figura inesperada: Luzineide
(Eliane Costa), cozinheira da lanchonete de Edmundo Falcão (Victor
Fasano) que atravessou toda a novela sem pronunciar uma única palavra,
revela que Sandrinha (Adriana Esteves) foi a responsável pela
explosão. Ao confessar, Sandrinha explica que descobriu o plano ao ouvir uma
conversa entre o avô e Ângela e decidiu antecipar a detonação movida por
ressentimento – tanto contra Clementino, a quem responsabiliza pela morte de
sua mãe, quanto contra os Toledo, que nunca aceitaram seu relacionamento com
Alexandre –, encerrando o mistério com uma motivação profundamente pessoal e
vingativa.
• Em “Suave Veneno” (2005), de Aguinaldo
Silva, a morte da advogada Clarisse Ribeiro (Patrícia França)
estabelece um dos principais eixos de mistério da trama, envolvendo não apenas
a identidade de seu assassino, mas também o destino de valiosos diamantes que
haviam sido roubados por ela. Ao longo da narrativa, o crime mobiliza diversos
personagens, todos interessados em descobrir tanto o responsável pelo
assassinato quanto o paradeiro das joias, o que amplia a rede de suspeitas e
interesses em torno do caso. No desfecho, revela-se que Augusto Ivan (Tarcísio
Filho) foi o autor do crime: ciente de que Clarisse estava com os
diamantes, ele tentou extorqui-la e, diante da recusa, decidiu matá-la. Após
ser desmascarado, Augusto Ivan tenta fugir, mas acaba morrendo atropelado
durante a tentativa de escapar, encerrando sua trajetória de forma abrupta.
Ainda assim, mesmo após a resolução do assassinato, a atenção dos personagens
permanece voltada para a localização dos diamantes, mantendo o interesse em
torno das consequências do crime.
• Muitas brigas, encontros e desencontros
marcam o desenvolvimento de “As Filhas da Mãe” (2006) até seus capítulos
finais, quando o reaparecimento de Fausto (Francisco Cuoco)
reintroduz o personagem no centro da narrativa de Sílvio de Abreu e
reconfigura as tensões já estabelecidas. No entanto, pouco depois de seu
retorno, ele é assassinado com uma pancada na cabeça, dando origem a um novo
mistério que passa a conduzir o desfecho da trama. O crime, inserido nesse
momento decisivo, reorganiza as relações entre os personagens e direciona a
atenção para a descoberta do culpado. Apenas no último capítulo ocorre a
revelação: Margot (Jacqueline Laurence), sua governanta e
cúmplice, é apontada como a autora do assassinato, encerrando o enigma que se
estabelece na reta final da novela.
• O vilão Jorge Junqueira (Henri
Casteli) é assassinado dez dias antes do término de “Como Uma Onda”
(2006), em um momento decisivo da reta final, após sequestrar Nina (Aline
Moraes) e mantê-la em cativeiro dentro de um caminhão frigorífico. Daniel
(Ricardo Pereira) consegue localizar o esconderijo e vai em seu socorro,
mas JJ reage e o tranca no interior do veículo, intensificando a tensão da
sequência. No local do cativeiro, a narrativa constrói o mistério ao introduzir
uma figura que o público não vê: alguém avança em direção a JJ, que, tomado
pelo susto, recua e acaba caindo de um precipício, sem que sua identidade seja
revelada naquele momento. Esse recurso mantém o suspense até o último capítulo,
quando a morte do vilão é finalmente esclarecida pelo autor Walther Negrão.
Menez (Amir Haddad) confessa ser a pessoa que JJ viu instantes
antes da queda. Sua motivação remonta a um evento ocorrido dez anos antes: JJ
havia atropelado seu filho, o ciclista Luis, e, para se livrar das
consequências, incriminou Sandoval (Herson Capri), que acabou
condenado injustamente a dez anos de prisão. A revelação, portanto, insere o
crime em uma lógica de vingança, encerrando o arco do vilão com a restituição
simbólica de uma injustiça do passado.
• No remake de “O Profeta”
(2010), escrito por Duca Rachid e Thelma Guedes, o assassinato de
Camilo (Malvino Salvador) introduz um eixo de suspense que passa
a mobilizar a narrativa, estruturado em torno da pergunta “Quem matou
Camilo?”. A morte do personagem desencadeia uma investigação que atravessa
os capítulos seguintes, alimentando suspeitas e tensões entre os envolvidos. No
desfecho, as autoras revelam que a responsável pelo crime é Wanda (Samara
Felippo), sua amante. O assassinato, no entanto, não decorre de um plano
premeditado: ela o mata de forma acidental durante uma discussão intensa entre
os dois, o que desloca o sentido do crime para um contexto de conflito
emocional e descontrole, encerrando o mistério com uma solução de caráter
circunstancial.
• A novela “Celebridade” (2010), escrita
por Gilberto Braga, constrói seu eixo de suspense em torno da morte de Lineu
Vasconcelos (Hugo Carvana), cuja autoria permanece em aberto até o
último capítulo. Ao longo da trama, o crime se mantém envolto em mistério, com
diferentes suspeitas sendo levantadas, enquanto se revela gradualmente o
contexto que o motivou. Lineu havia descoberto provas documentais de que a
música “Musa de Verão” fora, na verdade, composta por Ubaldo (Gracindo
Júnior), e não pelo marido de Maria Clara Diniz (Malu Mader),
o que comprometia diretamente a farsa sustentada pela vilã Laura (Cláudia
Abreu) e por seu cúmplice Marcos (Márcio Garcia), que
utilizavam essa fraude para chantagear a produtora. Ao se tornar uma ameaça
concreta à fortuna e à reputação que Laura buscava consolidar, Lineu passa a
ser alvo de uma queima de arquivo. Revela-se que Laura foi a responsável pelo
assassinato, executando o empresário com um tiro certeiro para proteger seu
segredo e manter o esquema. A confissão ocorre no último capítulo, quando, já
baleada, ela admite ter cometido o crime antes de morrer nos braços de Marcos,
encerrando o mistério e explicitando a lógica estratégica por trás do
assassinato.
• Em “Cobras & Lagartos” (2010),
escrita por João Emanuel Carneiro, a narrativa retoma o recurso do “quem
matou?” como elemento de tensão na reta final. O assassinato de Estevão
Pacheco (Henri Castelli), ocorrido no capítulo 166, introduz um
mistério que passa a reorganizar os conflitos entre os personagens nos momentos
finais da trama. A partir do crime, diferentes suspeitas emergem, sustentando o
suspense até o desfecho. No último capítulo, revela-se que a responsável pelo
assassinato é Madá (Nanda Costa), motivada por uma dívida que
sabia não seria paga pelo vilão. O crime, portanto, se configura como uma ação
direta diante de uma frustração material, encerrando o mistério com uma
motivação pragmática que dialoga com o universo de interesses e disputas que
permeia a narrativa.
• A novela “Desejo Proibido” (2011), de Walther
Negrão, introduz uma reviravolta decisiva em seus capítulos finais com o
assassinato de Henrique (Daniel de Oliveira), evento que passa a
conduzir o desfecho da narrativa. A morte do personagem instaura um novo eixo
de suspense, mobilizando os demais envolvidos na busca pela identidade do
responsável e reorganizando as tensões dramáticas nesse momento conclusivo. Ao
longo dessa investigação, diferentes suspeitas são levantadas, mantendo o
mistério até o último capítulo. No desfecho, a verdade vem à tona: o
mau-caráter Diogo (Pedro Neschling) é desmascarado como o autor
do crime. Sua motivação está diretamente ligada à ambição política, já que
desejava assumir a prefeitura e via em Henrique um obstáculo a ser eliminado,
configurando o assassinato como uma ação calculada para garantir seus
interesses de poder.
• O autor Walcyr Carrasco também recorre
ao recurso narrativo do “quem matou?” em “Sete Pecados” (2011),
inserindo um elemento de suspense que se articula com os conflitos passionais
da trama. No capítulo 121, a vilã Ágatha (Claudia Raia) morre ao
abrir um presente que continha uma bomba, em uma cena que rompe abruptamente o
curso da narrativa e introduz um mistério em torno da autoria e da motivação do
atentado. Posteriormente, revela-se que o artefato não era destinado a ela, mas
sim a Flávio (Paulo Betti), fazendo com que Ágatha se tornasse
uma vítima acidental do plano. O enigma se sustenta até o último capítulo,
quando é revelado que o responsável pelo atentado foi Pedro Camargo (Sidney
Sampaio). Movido por ciúmes de Clarice (Giovanna Antonelli),
por quem era obsessivamente apaixonado, ele planejou o assassinato de Flávio
como forma de eliminar um rival, o que acaba resultando em um desfecho trágico
marcado pelo erro de execução e pela lógica do crime passional.
• Logo na terceira semana de exibição de “Belíssima”
(2012), estabelece-se um dos principais mistérios da narrativa com a pergunta:
“quem matou Pedro (Henri Castelli)?”. A antecipação do crime, ainda no
início da trama, funciona como um motor dramático que passa a atravessar o
desenvolvimento da história, alimentando suspeitas e reorganizando as relações
entre os personagens. Aos poucos, revela-se que a morte não decorreu de um alvo
direto, mas de um plano mal direcionado: a vilã Bia Falcão (Fernanda
Montenegro) havia contratado um matador de aluguel para assassinar Vitória
(Cláudia Abreu), visando eliminar um obstáculo em seus interesses. No
entanto, Pedro acaba sendo atingido pelo disparo de forma acidental,
tornando-se uma vítima colateral do atentado. O crime, portanto, se configura
como resultado de uma ação calculada que sai do controle, introduzindo uma
dimensão trágica e ampliando o impacto do mistério dentro da narrativa.
• No capítulo 154 de “Paraíso Tropical”
(2013), o assassinato da vilã Taís Grimaldi (Alessandra Negrini)
introduz um dos principais eixos de suspense da reta final da trama escrita por
Gilberto Braga e Ricardo Linhares. A morte ocorre em
circunstâncias misteriosas e rapidamente transforma a personagem em centro de
um enigma que mobiliza a narrativa até o último capítulo. Ao longo desse
período, diferentes suspeitas são levantadas, mas recai com força sobre o
principal antagonista, Olavo Novaes (Wagner Moura), cuja
trajetória já é marcada por ambição e manipulação. No desfecho, confirma-se que
ele é o responsável pelo crime. A motivação está diretamente ligada a seus
planos de ascensão: Olavo descobre que seu irmão bastardo, Ivan (Bruno
Gagliasso), é, na verdade, filho do poderoso empresário Antenor
Cavalcanti (Tony Ramos), o que o coloca como herdeiro legítimo de
uma grande fortuna. A partir disso, passa a articular um plano que envolvia
eliminar a própria mãe e o irmão e, posteriormente, também Antenor, garantindo
para si o controle da herança. Taís, ao descobrir a verdadeira paternidade de
Ivan, torna-se uma ameaça concreta a esse esquema e, por isso, é assassinada,
configurando o crime como uma ação estratégica dentro de um projeto maior de
poder e enriquecimento.
• Na novela “Morde & Assopra”
(2015), de Walcyr Carrasco, o assassinato do delegado Pimentel (Tarcísio
Filho), autoridade da cidade de Preciosa, instaura um mistério que se
desenvolve na reta final da narrativa. O crime, cometido com uma pedrada na
cabeça, ocorre em circunstâncias inicialmente obscuras e leva Naomi (Flávia
Alessandra) a ser apontada como principal suspeita, culminando em sua
prisão e conduzindo a trama para um eixo investigativo. A resolução do caso se
dá no último capítulo, durante o julgamento de Naomi, momento em que a tensão
atinge seu ponto máximo. Leandro (Caio Blat) chega ao tribunal
acompanhado da robô Naomi, coincidindo com o instante do veredito, e insiste
para que ela seja ouvida antes da decisão final. É então que ocorre a revelação
central: ela admite ter matado o delegado Pimentel. Diante da confissão, o
promotor declara sua culpabilidade e solicita sua prisão. No entanto, a situação
se transforma de forma inesperada quando a própria Naomi revela ser, na
verdade, uma androide, subvertendo completamente a lógica do julgamento.
Ainda assim, a autoridade mantém a determinação de prendê-la, mas ela consegue
escapar ao lado de Leandro, encerrando o mistério com uma solução que combina
elementos policiais e de ficção científica, rompendo com os padrões
tradicionais do gênero.
• Em “Passione” (2017), escrita por Sílvio
de Abreu, o assassinato de Saulo (Werner Schünemann) se
configura como um dos principais eixos de suspense da reta final da trama. O
personagem é encontrado morto a facadas, nu, em um quarto de motel, em uma cena
que combina violência e exposição, intensificando o impacto do crime. O
responsável consegue deixar o local a tempo, o que contribui para a construção
de um mistério que se sustenta até o último capítulo. Ao longo da narrativa,
uma série de suspeitos é apresentada, refletindo os conflitos e relações
conturbadas que cercavam a vítima. Entre eles está Danilo (Cauã Reymond),
seu filho viciado em drogas, que havia sido expulso de casa pelo pai, além de Estela
(Maitê Proença), esposa de Saulo, e seu amante Agnello (Daniel
de Oliveira), cujo relacionamento extraconjugal havia sido descoberto pelo
marido traído, que, tomado pela fúria, chegou a agredir o casal. Apenas no
desfecho a verdade é revelada: Clara (Mariana Ximenes) é a
responsável pelo assassinato, movida por vingança após ter sido abusada
sexualmente por Saulo na infância. O crime é executado de forma simbólica e
cruel, reproduzindo a violência sofrida no passado: enquanto Saulo tomava
banho, Clara escondeu um facão de cozinha entre dois travesseiros,
posicionou-os entre as pernas e pediu que ele pulasse sobre eles, remetendo ao
tipo de abuso que ele a obrigava a praticar quando criança. A revelação confere
ao assassinato um caráter de acerto de contas, encerrando o mistério com uma
motivação profundamente marcada por trauma e revide.
• Na última semana da novela “Insensato
Coração” (2017), de autoria de Gilberto Braga e Ricardo Linhares,
o assassinato de Norma (Glória Pires) surge como o principal
elemento de tensão da reta final, ocorrido de forma repentina e envolto em
mistério dentro de sua própria mansão. A morte da personagem, alvejada a tiros,
desencadeia uma investigação imediata e levanta suspeitas sobre diversos
envolvidos, mantendo o suspense até o desfecho. No último capítulo, a
identidade da assassina é finalmente revelada: Wanda (Natália do Vale).
A motivação do crime está diretamente ligada à tentativa de proteger seu filho,
Léo (Gabriel Braga Nunes), já que Norma estava prestes a
entregá-lo à polícia. A revelação ocorre de forma dramática, durante uma
discussão com Marina (Paolla Oliveira), momento em que Wanda
confessa o assassinato. Logo em seguida, a personagem é encaminhada para uma
clínica, onde passa a tratar uma crise de depressão, encerrando sua trajetória
com uma combinação de responsabilização moral e fragilidade emocional.
• Na novela “Sangue Bom” (2017),
primeira trama autoral de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari,
o eixo de suspense se constrói em torno de uma série de sabotagens e crimes que
afetam diretamente o núcleo central da trama, envolvendo tentativas de
assassinato, armações e prejuízos materiais que parecem ter um mesmo articulador
oculto. Entre os principais episódios estão a sabotagem do bufê de Wilson
(Marco Ricca), além das tentativas de matar Malu (Fernanda
Vasconcellos) e Giane (Isabelle Drummond), criando um
ambiente de constante tensão e desconfiança. Paralelamente, uma das ações mais
graves envolve a tentativa de incriminar Amora (Sophie Charlotte),
colocando-a no centro das suspeitas. Ao longo da narrativa, essas ações vão
sendo conectadas até que, no último capítulo, ocorre a revelação: o responsável
direto pelas sabotagens era Tito (Rômulo Neto), que agia sob as
ordens de Lara Keller (Maria Helena Chira). A motivação do
esquema está ligada ao desejo de Lara de destruir Amora, vista como um
obstáculo, enquanto Tito executava os crimes movido por uma relação de amor e
obsessão por ela. As armações ainda contavam com a participação de Socorro
(Tatiana Alvim), que atuava como cúmplice. Com a verdade exposta, a
polícia consegue desvendar os crimes, e Tito acaba sendo preso no desfecho da
trama.
• No remake de “O Astro” (2018),
escrito por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, o clássico
mistério “quem matou Salomão Hayalla?” é retomado e conduzido até a reta
final, quando ocorre a revelação definitiva. Ao longo da trama, diversos
personagens são apontados como suspeitos – entre eles Samir (Marco
Ricca), Youssef (José Rubens Chachá) e Nádia (Vera
Zimmermann) – todos com motivações plausíveis diante do perfil autoritário
do empresário. Descobre-se que a responsável pelo crime foi Clô Hayalla
(Regina Duarte), esposa da vítima, que o empurra da janela, causando sua
morte. A confissão acontece no último capítulo e está diretamente ligada a um
histórico de abusos e truculência por parte de Salomão, além do episódio
decisivo em que ele interna o próprio filho do casal, Márcio (Thiago
Fragoso), em um hospício, o que funciona como gatilho para a ação. A
solução do remake difere da versão anterior: em 1984, o assassino foi Felipe
Cerqueira (Edwin Luisi).
• Em “Avenida Brasil” (2019), o
assassinato de Max (Marcello Novaes) ocorre no contexto de uma
situação extrema no lixão de Lucinda (Vera Holtz), quando o
personagem, em surto, mantém vários envolvidos como reféns, armado com uma arma
e em estado de completo descontrole, representando uma ameaça imediata à vida
de todos ao seu redor. O crime, marcado por tensão e violência, desencadeia uma
investigação que levanta diversos suspeitos, especialmente entre aqueles que
estavam presentes no local. Ao longo do desfecho, diferentes versões são
consideradas até que, na delegacia, surge a revelação definitiva: Carminha
(Adriana Esteves) assume a autoria do assassinato, confessando ter agido
em legítima defesa para proteger a si mesma e aos demais, inclusive Nina
(Débora Falabella), sua rival. Em seu depoimento, afirma que Max havia
se tornado um perigo incontrolável e que sua ação foi necessária, chegando a
declarar que “matou e mataria de novo” para defender sua família. Como
consequência, Carminha é presa, cumpre pena pelo crime e, posteriormente, passa
por um processo de redenção, encerrando sua trajetória de forma ambígua entre
punição e transformação.
• Na versão de 2019 da novela “O Rebu”,
adaptada por George Moura e Sérgio Goldenberg, o assassinato de Bruno
Ferraz (Daniel de Oliveira) se constrói a partir de uma sequência de
ações que, inicialmente, sugerem uma autoria indireta e compartilhada. Durante
um confronto, Duda (Sophie Charlotte) agride Bruno e o tranca
dentro de um freezer, deixando-o desacordado, o que leva à suposição de que ela
seria responsável pelo crime. No entanto, o desfecho revela uma dinâmica mais
complexa: Bruno sobrevive à pancada, mas acaba morrendo por congelamento após a
intervenção decisiva de Ângela Mahler (Patrícia Pillar), que
reduz a temperatura do equipamento ao mínimo e ignora seus pedidos de socorro,
consumando o assassinato. A motivação de Ângela está ligada ao desejo de
eliminar Bruno, que representava uma ameaça tanto à sua relação com Duda quanto
à manutenção de segredos comprometedores que ele conhecia. Após o crime, ela
ainda tenta manipular a situação ao influenciar Alain (Jesuíta
Barbosa) a assumir a culpa, numa tentativa de encobrir sua
responsabilidade. No entanto, seu destino também é selado no último capítulo,
quando é assassinada a tiros por Severino (Cláudio Jaborandy), a
mando de Braga (Tony Ramos), em um ato de vingança relacionado a
um dossiê.
• Diferentemente do formato clássico do “quem
matou?”, em que o suspense gira em torno da autoria de um assassinato, a
novela “Império” (2021) constrói seu principal mistério a partir da
pergunta “quem é?”, centrada na identidade do enigmático Fabrício
Melgaço. Ao longo da trama escrita por Aguinaldo Silva, o personagem
atua nas sombras como o grande mentor de uma série de sabotagens e ataques
contra o comendador José Alfredo (Alexandre Nero). A revelação
ocorre na reta final, quando se descobre que Fabrício Melgaço era, na verdade, José
Pedro (Caio Blat), o filho mais velho do comendador, que assume essa
identidade em conversa com seu aliado Silviano (Othon Bastos).
Movido por inveja – especialmente da relação de José Alfredo com os outros
filhos, como Cristina (Leandra Leal) – e pela ambição de poder,
ele se alia a Silviano e Maurílio (Carmo Dalla Vecchia),
coordenando todas as ações contra o pai. No desfecho, o conflito atinge seu
ápice quando José Pedro sequestra Cristina e, durante o confronto final, atira
contra o próprio pai, provocando sua morte. Após o crime, ele é preso,
encerrando sua trajetória como o verdadeiro articulador de toda a conspiração.
• Em “Pega Pega” (2021), escrita por Claudia
Souto, a morte de Mirella (Marina Rigueira) se revela, ao
longo da narrativa, como um crime marcado por erro de execução, inserido em uma
cadeia de interesses e manipulações. Inicialmente tratada como um acidente, a
tragédia ganha novos contornos conforme a investigação avança e expõe uma
articulação criminosa por trás do ocorrido. A responsável intelectual pelo
crime é Lígia (Angela Vieira), que planejava sabotar o carro de Sabine
(Irene Ravache) com o objetivo de tirá-la do caminho. Para isso,
contrata Aníbal (Edmilson Barros), então motorista de Athaíde
(Reginaldo Faria), encarregado de cortar os freios do veículo. No
entanto, a ação é realizada no carro errado – de mesmo modelo – resultando na
morte de Mirella, esposa de Eric (Mateus Solano), que se torna
uma vítima colateral do plano. A revelação acontece no final da novela, quando
Eric descobre que Lígia foi a verdadeira mandante do crime, encerrando o
mistério com a exposição de uma ação premeditada que teve consequências
imprevistas e trágicas.
• Em “Babilônia” (2022), de Gilberto
Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, o assassinato
de Murilo (Bruno Gagliasso) se configura como um dos principais
mistérios da reta final da trama, ocorrido em meio a um ambiente festivo que
contrasta com a violência do crime. Durante a festa de aniversário de Alice
(Sophie Charlotte), realizada na boate de Ivan (Marcello Melo
Jr.), o personagem é morto sem que o responsável seja visto, o que amplia a
tensão e dá início a uma investigação marcada por múltiplos suspeitos, entre
eles Regina (Camila Pitanga), Diogo (Thiago Martins),
Beatriz (Glória Pires) e Inês (Adriana Esteves). Ao
longo dos capítulos finais, o enigma se sustenta até que, no desfecho, a
verdade vem à tona: Otávio (Herson Capri) é o autor do
assassinato. Movido por ciúmes e obsessão por Beatriz, ele não aceita o
envolvimento dela com Murilo e comete o crime de forma silenciosa, golpeando a
vítima com um furador de gelo. A revelação ocorre quando o próprio Otávio
confessa o que fez à arquiteta, explicitando a natureza passional do
assassinato e encerrando o mistério.
• Em “Espelho da Vida” (2022), escrita por
Elizabeth Jhin, o mistério em torno da morte de Julia Castelo (Vitória
Strada) se configura como o eixo central de toda a narrativa, sendo
investigado pela protagonista Cris Valência (também vivida por Vitória
Strada) por meio de viagens no tempo que a conectam à sua vida passada. O
crime, envolto em versões distorcidas ao longo de décadas, é gradualmente
reconstruído até que se compreenda sua verdadeira dinâmica. No momento
decisivo, o Coronel Eugênio (Felipe Camargo), tomado pelo ódio e
incapaz de aceitar o relacionamento da filha com o pintor Danilo (Rafael
Cardoso), decide matá-lo e aponta uma arma em sua direção. Em um gesto
desesperado para salvar o amado, Julia se lança à frente e acaba sendo atingida
pelo disparo, morrendo nos braços dele, o que configura a tragédia como
consequência direta da violência do próprio pai. A crueldade do desfecho se
intensifica quando Eugênio utiliza seu poder para manipular a narrativa do
crime, culpando Danilo, que é preso injustamente e morre na cadeia sem
conseguir provar sua inocência. Somente com a investigação conduzida por Cris
no presente é que a verdade vem à tona, inocentando Danilo e revelando que o
responsável pela morte de Julia foi o próprio pai, o Coronel Eugênio.
• Escrita por João Emanuel Carneiro, “A
Regra do Jogo” (2022) trouxe a morte de Gibson Stewart (José de
Abreu), o temido “Pai” da facção criminosa, que se estabelece como o
grande mistério da reta final, cercado por uma ampla rede de suspeitos que
tinham motivos consistentes para eliminá-lo, como Romero Rômulo (Alexandre
Nero), Atena (Giovanna Antonelli) e até sua esposa, Nora
(Renata Sorrah). O crime ocorre durante a invasão à mansão, em um
momento de tensão máxima, quando Gibson se vê encurralado em seu próprio
escritório. A revelação, construída por meio de flashback, mostra que Kiki
(Deborah Evelyn) entra no local armada e, após um confronto emocional
intenso com o pai – responsável por mantê-la em cativeiro por anos após um
falso sequestro –, dispara contra ele, colocando fim ao seu domínio. A
motivação do assassinato está diretamente ligada a um processo de libertação e
vingança, não apenas pelo sofrimento pessoal de Kiki, mas também pelos crimes
cometidos por Gibson ao longo da vida. A escolha da personagem como autora do
crime confere maior densidade dramática ao desfecho, encerrando o ciclo de
abuso que marcou sua trajetória e revelando que a responsável pela morte do
“Pai” foi sua própria filha.
• Em “Velho Chico” (2023), escrita por Benedito
Ruy Barbosa e Bruno Luperi, o assassinato do Capitão Ernesto Rosa
(Rodrigo Lombardi) se configura como um evento-chave já na fase inicial
da narrativa, funcionando como um dos motores para a ascensão de poder de Afrânio
Sá Ribeiro (Rodrigo Santoro, na primeira fase; depois Antônio
Fagundes). O crime ocorre enquanto Afrânio se casa com Leonor (Marina
Nery), em um contexto marcado pela rivalidade histórica entre famílias da
região. A execução é realizada a tiros por um jagunço, o que inicialmente
reforça a lógica de violência típica dos conflitos locais. No entanto, a
verdadeira articulação por trás do assassinato só vem à tona na fase final da
trama, quando Encarnação (Selma Egrei), matriarca da família,
confessa ao Padre Benício (Carlos Vereza) que foi a mandante do
crime. Segundo seu relato, a decisão foi tomada para proteger os interesses dos
Sá Ribeiro, já que Afrânio não havia resolvido o conflito com o rival. Ela
ainda revela que o próprio filho sabia de tudo à época, tendo inclusive a
impedido de assumir a culpa. A motivação, portanto, está diretamente ligada à
manutenção do poder familiar e à eliminação de uma ameaça política, inserindo o
crime dentro de uma lógica de mando e tradição que atravessa toda a narrativa.
• No remake de “Elas por Elas”
(2025), escrito por Thereza Falcão e Alessandro Marson, o
assassinato de Bruno (Luan Argollo) é construído como um mistério
que atravessa a narrativa e envolve versões conflitantes sobre o que realmente
aconteceu na casa da serra. O crime ocorre durante uma discussão em um cenário
isolado, culminando na queda do personagem de um penhasco, o que inicialmente
abre espaço para dúvidas quanto à sua causa – acidente ou homicídio. Ao longo
da trama, a suspeita recai sobre diferentes personagens, especialmente sobre Natália
(Mariana Santos), que carrega por anos a culpa pelo ocorrido. No último
capítulo, a verdade é finalmente revelada: Sérgio (Marcos Caruso)
é o responsável pela morte de Bruno, tendo o empurrado durante a briga após ser
chantageado pelo jovem, que ameaçava revelar a Jonas (Mateus Solano)
que ele era o verdadeiro pai biológico do filho de Helena (Isabel
Teixeira). A confirmação vem com a recuperação da memória de Natália, que
se recorda de ter presenciado o momento do crime, e com a confissão do próprio
Sérgio, que tenta atenuar sua responsabilidade ao afirmar que Bruno caiu
durante a discussão. Apesar da revelação, o personagem não é punido
judicialmente, já que o crime havia prescrito.
• Em “O Sétimo Guardião” (2025), o mistério
em torno das mortes sucessivas dos guardiães da fonte se constrói ao longo da
trama como um enigma que envolve uma irmandade responsável por proteger um
segredo ancestral. À medida que os assassinatos se acumulam – tendo como
vítimas Machado (Milhem Cortaz), Feliciano (Leopoldo
Pacheco), Milu (Zezé Polessa), Ondina (Ana Beatriz
Nogueira) e Aranha (Paulo Rocha) –, a narrativa sustenta a
tensão ao ocultar a identidade de quem estaria eliminando os protetores. No
desfecho, a verdade vem à tona: Judith (Isabela Garcia), a
governanta do casarão, é a responsável pelos crimes. Em sua confissão, revela
que agia sob ordens do fantasma de Egídio (Antonio Calloni),
ex-guardião-mor, que determinou a eliminação daqueles que falharam em manter o
segredo da fonte. A motivação, portanto, está ligada à preservação desse
segredo, ainda que por meios extremos. Após não conseguir completar sua missão
ao falhar na tentativa de matar o Padre Ramiro (Ailton Graça),
Judith tira a própria vida ao ingerir seu chá envenenado, encerrando sua
trajetória no último capítulo de forma trágica e definitiva.

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