domingo, 28 de outubro de 2012

ANDRÉA MALTAROLLI


Andréa Maltarolli é uma autora de telenovelas brasileiras, com trajetória marcada pela atuação no SBT durante os anos 1990 e 2000. Formada em História e em Comunicação Social, ingressou na emissora em meados da década de 1990 e fez sua estreia na televisão um ano após sua chegada, em 1996, passando a integrar o núcleo de teledramaturgia em um período de reformulação da produção de novelas do canal. Ao longo de sua carreira, destacou-se pelo interesse em conflitos familiares, personagens femininas centrais e narrativas que dialogavam com questões afetivas e sociais, consolidando um estilo próprio dentro do panorama da teledramaturgia brasileira.
 
Teve seu primeiro contato com novelas na primeira temporada de “Malhação” (1996), atuando como colaboradora de Charles Peixoto em uma trama juvenil ambientada na academia homônima da Barra da Tijuca, espaço que funciona como ponto de encontro de jovens, adultos e tipos urbanos, cruzando conflitos afetivos, descobertas pessoais e questões sociais. A narrativa destaca Héricles (Danton Mello), funcionário ingênuo vindo do interior que tenta se adaptar ao Rio de Janeiro enquanto trabalha e estuda; Paula Prata (Sílvia Pfeifer), proprietária da academia, e seus filhos Luiza (Fernanda Rodrigues) e Fabinho (Bruno de Luca), cujas vivências expõem dilemas da adolescência, como paixão, amadurecimento e rebeldia. O cotidiano do local é movimentado por figuras carismáticas como Dado (Cláudio Heinrich), professor de artes marciais visto como líder informal dos alunos; Mocotó (André Marques), conquistador compulsivo, e Bróduei (Fabiano Miranda), além de romances, rivalidades, temas ligados à sexualidade, violência, amizade e pertencimento, compondo um mosaico leve e contemporâneo que marcou o início da trajetória da autora na teledramaturgia.
 
Voltou a atuar como colaboradora na 2ª temporada de “Malhação” (1997), escrita por Ronaldo Santos e Charles Peixoto, em uma fase marcada por mudanças estruturais na academia e pela ampliação dos conflitos morais e afetivos. Com a venda do espaço por Paula (Sílvia Pfeifer), a trama passa a girar em torno da nova administração comandada por Joana (Samantha Monteiro) e por sua madrasta Zizi (Elizângela), cujos temperamentos opostos instauram disputas constantes de poder e convivência. A narrativa ganha novo fôlego com a entrada de Raul (Nico Puig), sobrinho de Zizi, que retoma seu perfil mau-caráter e influencia negativamente Luiza (Fernanda Rodrigues), aprofundando seu arco rebelde, enquanto Héricles (Danton Mello) vive um romance inesperado com Álex (Camila Pitanga), motoqueira independente ligada a segredos trágicos do passado do rapaz. Paralelamente, o núcleo adulto se fortalece com o envolvimento de Joana e Hugo (Marcos Frota), abalado pela gravidez de Dóris (Bianca Byington), personagem que introduz temas como ambição, instabilidade emocional e rearranjos familiares. Entre falcatruas administrativas, crises de identidade juvenil, romances conflituosos e questões sociais como ética, luto, amadurecimento e pertencimento, a temporada expande o universo da novela, mantendo o cotidiano da academia como espelho das tensões contemporâneas vividas por jovens e adultos.
 
Na 3ª temporada de “Malhação” (1997), Andréa Maltarolli voltou a colaborar com Charles Peixoto em um momento de virada estética e temática da novela, marcado por mudanças narrativas mais ousadas e por um olhar mais direto sobre dinheiro, poder e sexualidade juvenil. A trama ganha impulso com a entrada de Fausto (Norton Nascimento), figura sofisticada e ambígua que surge como herdeiro de metade da academia e impõe uma nova lógica de hierarquia e controle, tensionando relações profissionais e pessoais. Esse rearranjo afeta trajetórias já conhecidas, como as crises constantes entre Magali (Daniela Pessoa) e Vudu (Pedro Vasconcelos), o amadurecimento forçado de personagens lançados precocemente no mercado de trabalho e os conflitos morais vividos por Dado (Cláudio Heinrich), envolvido em disputas esportivas, afetivas e éticas. Em contraponto, o humor aparece com mais força no arco de Mocotó (André Marques), que finalmente abandona a fanfarronice ao se envolver com Betânia (Karla Nogueira). Ao expandir o foco para os funcionários da academia e tratar de temas como prevenção sexual, gravidez, independência financeira e frustrações profissionais, a temporada transforma o espaço da malhação em um ambiente de tensões sociais, onde desejo, responsabilidade e sobrevivência material passam a caminhar lado a lado.
 
Na 4ª temporada de “Malhação” (1998), Maltarolli colaborou com Charles Peixoto e Vinícius Vianna em uma fase que desloca o foco do cotidiano leve da academia para conflitos mais densos, atravessados por ambição, culpa e perdas irreversíveis. O eixo dramático se concentra no romance turbulento de Bruno (Rodrigo Faro), jovem cinegrafista que abandona o sonho de ser piloto, e Alice (Cássia Linhares), marcada pela morte trágica do ex-namorado Guga (Dartagnan Júnior), ídolo das pistas cuja decadência é atribuída a ela por intrigas alimentadas por Rui (Hugo Gross), rival invejoso e corredor inescrupuloso. A revelação da carta escrita por Dulce (Totia Meirelles), mãe dos irmãos, desmonta a versão oficial dos fatos, reorienta a trajetória de Bruno e o empurra de volta ao automobilismo, agora como enfrentamento direto ao vilão. Em paralelo, o espaço coletivo entra em colapso quando a academia é vendida, o dinheiro some e a ameaça de demolição mobiliza um movimento de resistência liderado por Mocotó (André Marques), transformando o local em símbolo de pertencimento juvenil frente ao avanço predatório de interesses empresariais. Ao articular esporte de risco, disputas éticas, exposição midiática e luta por sobrevivência de um território afetivo, a temporada imprime um tom mais sombrio e politizado à narrativa, aproximando o amadurecimento individual da perda de ilusões coletivas.
 
Andréa Maltarolli também colaborou na 5ª temporada de “Malhação” (1999), escrita por Yoya Wursch, fase marcada por uma experiência inédita na teledramaturgia brasileira, quando a novela passou a ser exibida ao vivo sob o formato conhecido como “Malhação ao Vivo” ou “Malhação.com”. A trama se concentrou quase integralmente no muquifo de Mocotó (André Marques), espaço íntimo que funciona como ponto de encontro, memória e debate, com o personagem conduzindo conversas, revendo cenas de arquivo e montando um álbum virtual com a participação direta do público por telefone e pela internet. O primeiro eixo temático gira em torno do momento delicado em que os jovens deixam a casa dos pais, assunto desenvolvido a partir da própria trajetória de Mocotó, cuja saída de casa na 1ª temporada reaparece como fio condutor emocional. Ao longo das semanas, antigos frequentadores da academia retornam para revisitar suas histórias, como Romão (Luigi Baricelli), Fabinho (Bruno de Luca), Bróduei (Fabiano Miranda) e Magali (Daniela Pessoa), criando um diálogo entre passado e presente que reforça a ideia de pertencimento e amadurecimento. A temporada aposta menos em conflitos tradicionais e mais na reflexão afetiva, no uso de memória audiovisual e na quebra da quarta parede, transformando a novela em um espaço híbrido entre ficção, retrospectiva e interação social, em sintonia com o início da cultura digital no país.
 
Andréa Maltarolli integrou a equipe de colaboradores do autor Emanuel Jacobina na 7ª temporada de “Malhação” (2000), fase que reposiciona a novela a partir do cotidiano escolar e das transformações afetivas de professores e alunos ao longo do ano letivo. A chegada de Vítor Maia (Licurgo Spínola) à direção do colégio Múltipla Escolha inaugura um novo ciclo, marcado também pelos professores Linda (Giselle Tigre), de Geografia, e Afonso (Giuseppe Oristânio), de História, cujas trajetórias pessoais passam a dialogar diretamente com os conflitos juvenis. Viúvo, Afonso cria sozinho os filhos Marcelo (Fábio Azevedo), Cabeção (Serginho Hondjakoff), jovem com deficiência auditiva, e Fernandinho (Hélder Agostini), enquanto Linda divide a casa com a filha mimada Bia (Fernanda Nobre) e a sobrinha Joana (Ludmila Dayer), mais sensível e afetuosa. O envolvimento amoroso entre Marcelo e Joana desencadeia tensões familiares, ao mesmo tempo em que a aproximação entre Linda e Afonso leva à formação de uma família reconstituída, eixo dramático que permite à temporada discutir convivência, amadurecimento e responsabilidade. Em paralelo, a narrativa acompanha romances juvenis, dilemas de identidade e questões sociais, com destaque para a relação entre Érica (Samara Felippo) e Touro (Roger Gobeth), que enfrenta o preconceito do pai dele diante do fato de ela ser soropositiva, tema tratado de forma direta e pedagógica. O encerramento do ano letivo culmina em despedidas, no vestibular que leva Marcelo para fora do estado ao lado de Joana e no casamento duplo de Tatiana (Priscila Fantin) com Rodrigo (Mário Frias) e de Érica com Touro, sintetizando uma temporada marcada por transições, escolhas definitivas e pelo confronto entre juventude, intolerância e esperança.
 
Maltarolli tornou-se autora-titular na 8ª temporada de “Malhação” (2001), que desloca o eixo juvenil para um drama familiar atravessado por escândalo público, doença e preconceito dentro do colégio Múltipla Escolha, agora dirigido por Afonso (Giuseppe Oristânio). A queda de Renato (Tato Gabus Mendes), envolvido em um esquema de corrupção, expõe os filhos Gui (Iran Malfitano), Léo (Max Fercondini) e Gabi (Juliana Lohmann) ao isolamento e à hostilidade dos colegas, enquanto a mãe, Vera (Bia Seidl), enfrenta um câncer de mama, introduzindo uma frente dramática que discute adoecimento, apoio emocional e resiliência. Em paralelo, a médica Jackie (Lucélia Santos) vive a crise conjugal com Vinícius (André de Biasi), espelhando tensões entre estabilidade financeira e afeto, enquanto a filha Nanda (Rafaela Mandelli) se vê no centro de um triângulo amoroso com Gui e Léo, acirrado pela manipulação de Valéria (Bianca Castanho). A narrativa amplia o retrato de juventudes em conflito ao acompanhar Bia (Fernanda Nobre) lidando com a maternidade solo após o abandono de Perereca (Márcio Kieling) e Drica (Giselle Frade) presa a um relacionamento abusivo com Robson (Dado Dolabella). Já o casamento recente de Érica (Samara Felippo) e Touro (Roger Gobeth) enfrenta sua primeira grande crise por ela ser soropositiva, tema retomado com franqueza pedagógica quando o desejo dele por Solene (Renata Dominguez) expõe culpa, tentação e limites éticos. A temporada costura corrupção, saúde, violência de gênero e HIV a romances adolescentes, apostando em consequências concretas e no peso social das escolhas para amadurecer seus personagens.
 
Em 2002, escreveu a 9ª temporada de “Malhação”, que desloca o foco juvenil para um drama marcado por responsabilidade médica, choque de valores e amadurecimento precoce. A trama acompanha César (Kadu Moliterno), esportista e apresentador de esportes radicais, cuja vida é drasticamente transformada após um erro médico, passando a enfrentar limites físicos, frustrações pessoais e a necessidade de reconstrução emocional, com apoio constante da namorada Débora (Tereza Seiblitz), apesar da relação tensa dela com os filhos Pedro (Henri Castelli) e Kailani (Letícia Colin). O responsável pelo erro é Otávio (Odilon Wagner), médico recém-chegado do interior ao lado da esposa Íris (Lu Grimaldi) e dos filhos Júlia (Juliana Silveira) e Ricardo (Tiago Armani), família de valores conservadores cuja rigidez paterna gera conflitos internos e repercute diretamente no romance conturbado entre Pedro e Júlia. No colégio Múltipla Escolha, a convivência juvenil se amplia com a rivalidade de Thaíssa (Bárbara Borges), o namoro inicial de Júlia com Charles (Miguel Thiré) e a amizade irreverente de Maumau (Cauã Reymond), enquanto novos professores, como Letícia (Joana Limaverde), de Português, e Marcão (Carlos Bonow), de capoeira, introduzem debates sobre ética, expressão corporal e sensibilidade social. Ao articular doença, culpa, preconceito e afetos em transformação, a temporada investe em consequências reais para adultos e jovens, tratando o erro médico como eixo catalisador de conflitos familiares, romances instáveis e escolhas que redefinem identidades.
 
Em 2003, foi escalada pelo SBT como supervisora de texto do autor Ricardo Hofstetter na 10ª temporada de “Malhação”, que estrutura seu eixo central a partir da culpa, do luto e das consequências morais de um acidente. A história se inicia com Paulo Viana (José de Abreu), jornalista premiado e controverso, que sofre um grave acidente de estrada ao aceitar carona de Rômulo (Evandro Mesquita), técnico de informática que acaba morrendo, fato que o leva a carregar a culpa pela tragédia sem imaginar que seus filhos haviam se conhecido pouco antes. O impacto do ocorrido recai diretamente sobre Victor (Sérgio Marone), filho de Rômulo, que responsabiliza Paulo pela morte do pai e rompe com Luísa (Manuela do Monte), filha do jornalista, instaurando um romance marcado por ressentimento, atração persistente e sucessivas rupturas, agravadas pelas armações de Carla (Nathália Rodrigues), prima de Luísa movida por ciúme e desejo. Paralelamente, Paulo tenta se aproximar da família do amigo falecido com a intenção de reparar danos, mas acaba se envolvendo com Daniela (Maitê Proença), viúva de Rômulo e nova diretora do Múltipla Escolha, relação atravessada por dilemas éticos, memórias traumáticas e disputas emocionais. A temporada amplia o cotidiano do colégio com conflitos juvenis, rivalidades, romances instáveis e personagens recorrentes como Pedro (Henri Castelli), Júlia (Juliana Silveira), Thaíssa (Bárbara Borges) e Maumau (Cauã Reymond), usando o ambiente escolar como espaço de reverberação dos dramas adultos e reforçando temas como responsabilidade individual, justiça emocional e a dificuldade de seguir adiante após perdas irreparáveis.
 
Em 2005, a autora teve a sinopse de “Operação Vaca Louca” aprovada pelo SBT, projeto concebido como uma comédia rural que apostava na sátira de costumes, no humor popular e no choque entre interesses econômicos, política local e vida no campo, usando o universo agropecuário como cenário para conflitos coletivos, personagens excêntricos e situações farsescas. Embora a trama não tenha sido produzida naquele momento, o texto passou por ajustes ao longo dos anos, foi reapresentado em 2011 e acabou servindo de base conceitual para um projeto posterior da autora, mantendo a veia cômica, o olhar crítico sobre ambição e oportunismo e a estrutura coral típica do gênero.
 
Essa reformulação resultou em “Beleza Pura” (2012), agora ambientada em Niterói, que troca o campo pelo universo urbano da estética e da aparência para desenvolver um melodrama marcado por culpa, redenção e jogos de poder. A história gira em torno de Guilherme Medeiros (Edson Celulari), engenheiro aeronáutico responsabilizado pela queda do avião Carcará, tragédia que ele acredita ter causado a morte de Olavo Pederneiras (Reginaldo Faria), Sônia Amarante (Christiane Torloni), Márcia Passos (Helena Fernandes), Alexandre Brito (Guilherme Fontes) e Mateus Císter (Rodrigo Veronese), sem saber que a aeronave fora sabotada por Norma Gusmão (Carolina Ferraz), movida por paixão obsessiva. Consumido pela culpa, Guilherme decide assumir os projetos das vítimas, movimento que o aproxima de Joana (Regiane Alves), dermatologista que descobre que Sônia, dada como morta, é sua mãe biológica. A relação entre os dois é atravessada por disputas afetivas, rivalidades profissionais e reviravoltas típicas do folhetim, ampliadas pela falsa morte dos passageiros, pela busca por diamantes na Amazônia e pela entrada de figuras como Renato Reis (Humberto Martins) e Tomás (Werner Schünemann), consolidando uma narrativa que contrapõe beleza, ética e ambição em personagens moralmente instáveis.
 
Beleza Pura” marcou o último trabalho de Andréa Maltarolli na teledramaturgia, encerrando uma trajetória que deixou contribuição decisiva para a renovação do folhetim brasileiro, sobretudo no diálogo com o público jovem. Ao longo de suas temporadas de “Malhação”, a autora ajudou a consolidar o formato como espaço de debate de temas sensíveis, como conflitos familiares, responsabilidade ética, preconceito, saúde e amadurecimento emocional, sempre articulados a tramas afetivas de forte apelo popular. Maltarolli ampliou seu alcance ao transpor esse olhar para um melodrama adulto que discute culpa, identidade, aparência e redenção, costurando suspense, romance e crítica social. Seu trabalho se destaca pela habilidade em construir personagens atravessados por dilemas morais claros, pelo gosto por reviravoltas clássicas do gênero e pela preocupação em aproximar o entretenimento de questões humanas concretas, o que consolidou seu nome como uma das autoras mais consistentes de sua geração.
 
TRABALHOS DE ANDRÉA MALTAROLLI NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Malhação: 8ª Temp.
13/08/2001
26/07/2002
250
13h45
Autora principal
Malhação: 9ª Temp.
29/07/2002
01/08/2003
265
13h45
Autora principal
13/08/2012
08/03/2013
179
19h30
Autora principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Malhação: 1ª Temp.
03/06/1996
07/02/1997
180
13h45
Colaboradora
Malhação: 2ª Temp.
10/02/1997
07/11/1997
195
13h45
Colaboradora
Malhação: 3ª Temp.
10/11/1997
14/08/1998
200
13h45
Colaboradora
Malhação: 4ª Temp.
17/08/1998
15/01/1999
110
13h45
Colaboradora
Malhação.com
18/01/1999
21/01/2000
265
13h45
Colaboradora
Malhação: 7ª Temp.
17/07/2000
10/08/2001
280
13h45
Colaboradora
Malhação: 10ª Temp.
04/08/2003
23/04/2004
190
13h45
Supervisão

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