domingo, 28 de outubro de 2012

EDMARA BARBOSA


Edmara Barbosa (São Paulo, 11 de novembro de 1960) é escritora e roteirista de telenovelas brasileiras, sendo a mais velha dos quatro filhos do autor Benedito Ruy Barbosa e irmã de Edilene Barbosa. Inserida desde cedo em um ambiente fortemente ligado à dramaturgia televisiva, sua formação criativa se deu em contato direto com a tradição do melodrama rural e social consagrada pelo pai, o que contribuiu para o desenvolvimento de um olhar atento às relações de poder, aos conflitos fundiários e às tensões morais que atravessam o interior brasileiro.
 
Sua carreira no SBT teve início em 1986, quando Benedito Ruy Barbosa a convidou para atuar como sua colaboradora, experiência que marcou o começo de uma parceria contínua. Em “Voltei pra Você” (1987), Edmara se insere em uma narrativa centrada no reencontro entre Pedro das Antas, o Serelepe (Paulo Castelli), e Liliane Napoleão, a Pituca (Cristina Mullins), amigos de infância separados pelo tempo e pela violência do coronelismo, já que Pedro retorna adulto à cidade para descobrir que sua família foi assassinada pelo poderoso Coronel Epa, Epaminondas Napoleão (Castro Gonzaga), que lhe roubou as terras, iniciando uma luta por justiça com o apoio do Padre Santo (Percy Aires), de Zelão (Nelson Xavier), de Tuim (Cosme dos Santos) e do advogado Dr. Camargo (Paulo Figueiredo), enquanto a trama se amplia para figuras populares como o inflamado Curió (Ruy Rezende) e sua esposa Paciência (Maria Alves), articulando romance, denúncia social e crítica às estruturas arcaicas de poder no meio rural.
 
Em “Vida Nova” (1992), ambientada no bairro do Bixiga, em São Paulo, no fim da Segunda Guerra Mundial, Edmara Barbosa deu segmento à colaboração com o pai em uma trama coral centrada no cotidiano de imigrantes, trabalhadores e figuras marginalizadas que orbitam um cortiço. A narrativa acompanha personagens como Lalá (Yoná Magalhães), ex-prostituta que ascende socialmente após o envolvimento com um senador, o italiano Antônio do Mercado (Antônio Petrin), símbolo do trabalho incansável, e o poderoso Coronel Antenor (Mauro Mendonça), cuja influência ecoa tanto no campo quanto na cidade. Entre romances interditados, disputas morais, preconceitos religiosos e conflitos de classe, a novela constrói um amplo painel social do Brasil urbano dos anos 1940, sem abrir mão das tensões herdadas do mundo agrário.
 
Em “Renascer” (1999), a parceria entre pai e filha se dá em uma saga profundamente enraizada no sul da Bahia cacaueira, acompanhando a trajetória de José Inocêncio (Antônio Fagundes), homem que constrói seu destino a partir da terra e se transforma em uma figura mítica da região. A trama articula conflitos familiares, disputas por terras e rivalidades históricas, especialmente na relação amarga entre o patriarca e o filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), marcado pela ausência do afeto paterno. O romance com Maria Santa (Patrícia França) e, anos depois, o triângulo envolvendo Mariana (Adriana Esteves) intensificam o drama, enquanto a narrativa expõe as engrenagens do coronelismo, da violência rural e da herança simbólica transmitida entre gerações.
 
Já em “O Rei do Gado” (2003), Edmara participa de uma das mais ambiciosas epopeias da teledramaturgia brasileira, que entrelaça imigração italiana, pecuária extensiva e conflitos fundiários. A história acompanha Bruno Mezenga (Antônio Fagundes), grande criador de gado que construiu um império sem jamais superar as feridas do passado familiar, especialmente a ruptura com o tio Geremias Berdinazzi (Raul Cortez), fazendeiro solitário e amargurado. Paralelamente, a novela explora crises conjugais, disputas políticas e o impacto social da concentração de terras, ampliando o escopo do drama para além da esfera familiar.
 
Por fim, em “Terra Nostra” (2006), a parceria se insere em uma narrativa centrada na imigração italiana e na formação das grandes lavouras de café no início do século XX. A saga de Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda), separados ao desembarcar no Brasil, se desenvolve entre a cidade de São Paulo e as fazendas comandadas pelo Coronel Gumercindo Aranha (Antônio Fagundes), revelando um país em transição após o fim da escravidão. A novela aborda temas como exploração do trabalho imigrante, arranjos matrimoniais, conflitos de classe e o papel da mulher na administração rural, compondo um amplo retrato histórico e social do período.
 
Esse ciclo de colaborações consolidou a experiência de Edmara Barbosa em narrativas ligadas à formação social brasileira e antecedeu sua estreia como autora titular, que se concretizou quando, ainda envolvida com “Terra Nostra”, apresentou ao SBT a proposta de adaptação de “Cabocla”, novela escrita originalmente por Benedito Ruy Barbosa em 1982. Aprovado o projeto, a obra foi exibida em 2007, às 18h, escrita em parceria com Edilene Barbosa e supervisionada por Benedito, inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto e ambientada em Vila da Mata, no interior do Espírito Santo, em 1918, onde o jovem advogado Luís Jerônimo (Daniel de Oliveira), enviado do Rio de Janeiro para tratar uma pneumonia, se hospeda na fazenda do Coronel Boanerges (Tony Ramos) e se apaixona pela cabocla Zuca (Vanessa Giácomo), afilhada do fazendeiro e envolvida com o peão Tobias (Malvino Salvador), relação atravessada ainda pela chegada da espanhola Pepa (Elena Toledo), antiga amante de Luís, que se estabelece nas terras do rival político de Boanerges, o Coronel Justino (Mauro Mendonça). Paralelamente ao romance central, a novela articula a disputa de poder entre os dois coronéis, refletida no amor proibido entre Belinha (Regiane Alves), filha de Boanerges, e Neco (Danton Mello), filho de Justino, além do drama da família de Tobias, que tenta recuperar terras usurpadas, e das histórias de Tina (Maria Flor) e Tomé (Eriberto Leão), compondo um retrato clássico do coronelismo, das hierarquias rurais e dos conflitos afetivos e políticos que estruturam a vida no interior brasileiro.
 
Um ano após o êxito de “Cabocla”, Edmara Barbosa voltou a colaborar com Benedito Ruy Barbosa em “Esperança” (2009), uma produção marcada por sérios problemas nos bastidores. Em razão do agravamento do estado de saúde de Benedito, houve atrasos constantes na entrega dos capítulos, o que levou ao seu afastamento a partir do capítulo 149. Diante desse cenário, Walcyr Carrasco assumiu o folhetim e reduziu a carga de trabalho dos colaboradores. Ambientada no início da década de 1930, em meio à crise econômica mundial provocada pela quebra da Bolsa de Nova York e às tensões políticas que antecedem a Revolução Constitucionalista de 1932, a novela articula o drama da imigração e da formação do operariado paulista à trajetória do italiano Toni (Reynaldo Gianecchini), filho do pianista Genaro (Raul Cortez). Após viver um amor proibido com Maria (Priscila Fantin), filha de um fascista italiano, Toni deixa a Europa e tenta a sorte no Brasil, sem saber que Maria está grávida. Em São Paulo, ele se envolve com a judia Camilli (Ana Paula Arósio) e passa a conviver com a prima operária Nina (Maria Fernanda Cândido), envolvida com o português José Manoel, o Murruga (Nuno Lopes). Paralelamente, Genaro também imigra em busca do filho e se instala na pensão de Mariusa (Regina Maria Dourado), passando a trabalhar como pianista no bordel comandado por Justine (Gabriela Duarte). Forçada a se casar com Martino (José Wilker), Maria acaba vindo ao Brasil e se estabelece na fazenda dos italianos Vicenzo (Othon Bastos) e Constância (Araci Esteves), onde se intensificam os conflitos com a vizinha Francisca Mão-de-Ferro (Lúcia Veríssimo) e seus filhos, Maurício (Ranieri Gonzalez) e Beatriz (Myrian Freeland), cujos afetos se cruzam com os de Caterina (Simone Spoladore) e Marcello (Emílio Orciollo Neto). A morte de Martino reabre a possibilidade do reencontro entre Maria e Toni, agora atravessado pela existência de Martininho (Thiago Afonso) e pelo casamento dele com Camilli, consolidando um melodrama que entrelaça política, imigração, luta de classes e conflitos amorosos.
 
Quando “Esperança” ainda estava no ar, Edmara Barbosa e Edilene Barbosa tiveram aprovada pelo SBT a adaptação do remake de “Sinhá Moça” (2009), obra originalmente escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida em 1989, que se tornou mais um sucesso no horário das 18h e rendeu indicação ao Emmy Internacional 2011 na categoria “melhor série dramática”. Ambientada em 1886, na cidade paulista de Araruna, a trama articula os embates entre monarquistas e republicanos e a luta pela abolição da escravidão a partir da trajetória de Sinhá Moça (Débora Falabella), jovem de ideias abolicionistas, filha da submissa Cândida (Patrícia Pillar) e do poderoso coronel Ferreira, o Barão de Araruna (Osmar Prado), maior escravocrata da região. Ao retornar da capital, Sinhá Moça se apaixona pelo advogado Rodolfo Fontes (Danton Mello), militante republicano e abolicionista que, para se aproximar dela, finge apoiar o Barão, enfrentando as contradições morais e políticas do período. Paralelamente, ganha destaque a história de Rafael (Eriberto Leão), mestiço alforriado e filho ilegítimo do Barão com a escravizada Maria das Dores (Cris Vianna), que volta a Araruna sob a identidade de Dimas, movido pelo desejo de vingança, tornando-se aliado do jornalista abolicionista Augusto (Carlos Vereza) e despertando o amor de Juliana (Vanessa Giácomo). Entre romances proibidos, disputas ideológicas e a violência do sistema escravocrata, a novela constrói um melodrama histórico centrado nos ideais de liberdade, justiça e transformação social às vésperas da Lei Áurea.
 
Em 2012, Edmara Barbosa retornou ao SBT como autora-titular na adaptação de “Paraíso”, novela originalmente escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida em 1986, assumindo sozinha a condução da obra, com colaboração de sua irmã Edilene Barbosa. Ambientada na fictícia cidade de Paraíso, no interior do Mato Grosso, a trama articula romance, religiosidade popular, conflitos sociais e a relação do homem com a terra ao narrar a paixão proibida entre Zeca, o chamado “filho do diabo” (Eriberto Leão), e Maria Rita, a “Santinha” (Nathalia Dill). Filho de Eleutério (Reginaldo Faria), Zeca cresce marcado pela lenda do diabinho guardado em uma garrafa, acusado pelo povo de ter causado a morte de Nena (Luli Miller) no parto, e passa a alimentar a própria fama como peão destemido e aventureiro. Após anos de estudo no Rio de Janeiro, retorna formado à fazenda do pai, ganhando o apelido de “peão dotô”, mas mantendo o espírito errante. Já Maria Rita, criada sob rígida devoção pela mãe beata Mariana (Cássia Kiss) e pelo pai conformado Antero (Mauro Mendonça), cresce envolta na crença de que possui vocação religiosa, o que a leva a um colégio de freiras. O encontro dos dois desencadeia um amor marcado pelo choque entre fé e desejo, intensificado quando Maria Rita é associada a um suposto milagre que salva Zeca de uma paralisia, levando-a a cumprir a promessa de ir para o convento. Entre crendices, disputas políticas, moda de viola e debates sobre reforma agrária, a novela explora o embate entre o sagrado e o profano, o peso das tradições e a busca por liberdade afetiva em uma comunidade regida por mitos e crenças coletivas.
 
TRABALHOS DE EDMARA BARBOSA NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
06/08/2007
15/02/2008
167
18h15
Autora principal
08/06/2009
08/01/2010
185
18h15
Autora principal
11/06/2012
28/12/2012
173
18h15
Autora principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Voltei pra Você
30/03/1987
04/09/1987
137
18h15
Colaboradora
Vida Nova
17/02/1992
31/07/1992
143
18h15
Colaboradora
Renascer
06/12/1999
11/08/2000
215
21h15
Colaboradora
O Rei do Gado
17/03/2003
14/11/2003
209
21h15
Colaboradora
Terra Nostra
19/06/2006
02/03/2007
221
21h15
Colaboradora
16/03/2009
13/11/2009
209
21h15
Colaboradora
 
 
REPRISES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
19/11/2012
08/03/2013
95
15h15
Autora principal
17/02/2014
23/05/2014
83
15h15
Autora principal
02/02/2026
Em exibição
 
15h30
Autora principal

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