Edmara
Barbosa (São Paulo, 11 de novembro de 1960) é escritora e
roteirista de telenovelas brasileiras, sendo a mais velha dos quatro filhos do
autor Benedito Ruy Barbosa e irmã de Edilene Barbosa. Inserida desde cedo em um ambiente fortemente ligado à dramaturgia
televisiva, sua formação criativa se deu em contato direto com a tradição do
melodrama rural e social consagrada pelo pai, o que contribuiu para o
desenvolvimento de um olhar atento às relações de poder, aos conflitos
fundiários e às tensões morais que atravessam o interior brasileiro.
Sua carreira no SBT
teve início em 1986, quando Benedito Ruy Barbosa a convidou para atuar como sua colaboradora, experiência que marcou o
começo de uma parceria contínua. Em “Voltei
pra Você” (1987), Edmara se insere em uma narrativa centrada
no reencontro entre Pedro das Antas, o Serelepe (Paulo Castelli), e Liliane Napoleão, a Pituca (Cristina Mullins), amigos de infância
separados pelo tempo e pela violência do coronelismo, já que Pedro retorna
adulto à cidade para descobrir que sua família foi assassinada pelo poderoso Coronel Epa, Epaminondas Napoleão (Castro Gonzaga), que lhe roubou as
terras, iniciando uma luta por justiça com o apoio do Padre Santo (Percy Aires), de Zelão (Nelson
Xavier), de Tuim (Cosme dos Santos) e do advogado Dr. Camargo (Paulo Figueiredo), enquanto a trama se amplia para figuras populares como o inflamado Curió (Ruy
Rezende) e sua esposa Paciência (Maria Alves), articulando romance, denúncia social e crítica às estruturas arcaicas
de poder no meio rural.
Em “Vida Nova” (1992), ambientada no
bairro do Bixiga, em São Paulo, no fim da Segunda Guerra Mundial, Edmara
Barbosa deu segmento à colaboração com o pai em uma trama coral centrada no
cotidiano de imigrantes, trabalhadores e figuras marginalizadas que orbitam um
cortiço. A narrativa acompanha personagens como Lalá (Yoná Magalhães),
ex-prostituta que ascende socialmente após o envolvimento com um senador, o
italiano Antônio do Mercado (Antônio Petrin), símbolo do trabalho
incansável, e o poderoso Coronel Antenor (Mauro Mendonça), cuja
influência ecoa tanto no campo quanto na cidade. Entre romances interditados,
disputas morais, preconceitos religiosos e conflitos de classe, a novela
constrói um amplo painel social do Brasil urbano dos anos 1940, sem abrir mão
das tensões herdadas do mundo agrário.
Em “Renascer” (1999), a parceria entre
pai e filha se dá em uma saga profundamente enraizada no sul da Bahia
cacaueira, acompanhando a trajetória de José Inocêncio (Antônio
Fagundes), homem que constrói seu destino a partir da terra e se transforma
em uma figura mítica da região. A trama articula conflitos familiares, disputas
por terras e rivalidades históricas, especialmente na relação amarga entre o
patriarca e o filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), marcado
pela ausência do afeto paterno. O romance com Maria Santa (Patrícia
França) e, anos depois, o triângulo envolvendo Mariana (Adriana
Esteves) intensificam o drama, enquanto a narrativa expõe as engrenagens do
coronelismo, da violência rural e da herança simbólica transmitida entre
gerações.
Já em “O Rei do Gado” (2003), Edmara
participa de uma das mais ambiciosas epopeias da teledramaturgia brasileira,
que entrelaça imigração italiana, pecuária extensiva e conflitos fundiários. A
história acompanha Bruno Mezenga (Antônio Fagundes), grande
criador de gado que construiu um império sem jamais superar as feridas do
passado familiar, especialmente a ruptura com o tio Geremias Berdinazzi
(Raul Cortez), fazendeiro solitário e amargurado. Paralelamente, a
novela explora crises conjugais, disputas políticas e o impacto social da
concentração de terras, ampliando o escopo do drama para além da esfera
familiar.
Por fim, em “Terra Nostra” (2006), a parceria
se insere em uma narrativa centrada na imigração italiana e na formação das
grandes lavouras de café no início do século XX. A saga de Giuliana (Ana
Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda), separados ao
desembarcar no Brasil, se desenvolve entre a cidade de São Paulo e as fazendas
comandadas pelo Coronel Gumercindo Aranha (Antônio Fagundes),
revelando um país em transição após o fim da escravidão. A novela aborda temas
como exploração do trabalho imigrante, arranjos matrimoniais, conflitos de
classe e o papel da mulher na administração rural, compondo um amplo retrato
histórico e social do período.
Esse ciclo de colaborações consolidou a
experiência de Edmara Barbosa em narrativas ligadas à formação social
brasileira e antecedeu sua estreia como autora titular, que se concretizou
quando, ainda envolvida com “Terra Nostra”, apresentou ao SBT a proposta
de adaptação de “Cabocla”, novela escrita originalmente por Benedito
Ruy Barbosa em 1982. Aprovado o projeto, a obra foi exibida em 2007, às
18h, escrita em parceria com Edilene Barbosa e supervisionada por
Benedito, inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto e ambientada em
Vila da Mata, no interior do Espírito Santo, em 1918, onde o jovem advogado Luís
Jerônimo (Daniel de Oliveira), enviado do Rio de Janeiro para tratar
uma pneumonia, se hospeda na fazenda do Coronel Boanerges (Tony Ramos)
e se apaixona pela cabocla Zuca (Vanessa Giácomo), afilhada do
fazendeiro e envolvida com o peão Tobias (Malvino Salvador),
relação atravessada ainda pela chegada da espanhola Pepa (Elena
Toledo), antiga amante de Luís, que se estabelece nas terras do rival
político de Boanerges, o Coronel Justino (Mauro Mendonça). Paralelamente
ao romance central, a novela articula a disputa de poder entre os dois
coronéis, refletida no amor proibido entre Belinha (Regiane Alves),
filha de Boanerges, e Neco (Danton Mello), filho de Justino, além
do drama da família de Tobias, que tenta recuperar terras usurpadas, e das
histórias de Tina (Maria Flor) e Tomé (Eriberto Leão),
compondo um retrato clássico do coronelismo, das hierarquias rurais e dos
conflitos afetivos e políticos que estruturam a vida no interior brasileiro.
Um ano após o êxito de “Cabocla”, Edmara
Barbosa voltou a colaborar com Benedito Ruy Barbosa em “Esperança”
(2009), uma produção marcada por sérios problemas nos bastidores. Em razão do
agravamento do estado de saúde de Benedito, houve atrasos constantes na entrega
dos capítulos, o que levou ao seu afastamento a partir do capítulo 149. Diante
desse cenário, Walcyr Carrasco assumiu o folhetim e reduziu a carga de
trabalho dos colaboradores. Ambientada no início da década de 1930, em meio à
crise econômica mundial provocada pela quebra da Bolsa de Nova York e às
tensões políticas que antecedem a Revolução Constitucionalista de 1932, a
novela articula o drama da imigração e da formação do operariado paulista à
trajetória do italiano Toni (Reynaldo Gianecchini), filho do
pianista Genaro (Raul Cortez). Após viver um amor proibido com Maria
(Priscila Fantin), filha de um fascista italiano, Toni deixa a Europa e
tenta a sorte no Brasil, sem saber que Maria está grávida. Em São Paulo, ele se
envolve com a judia Camilli (Ana Paula Arósio) e passa a conviver
com a prima operária Nina (Maria Fernanda Cândido), envolvida com
o português José Manoel, o Murruga (Nuno Lopes).
Paralelamente, Genaro também imigra em busca do filho e se instala na pensão de
Mariusa (Regina Maria Dourado), passando a trabalhar como
pianista no bordel comandado por Justine (Gabriela Duarte).
Forçada a se casar com Martino (José Wilker), Maria acaba vindo
ao Brasil e se estabelece na fazenda dos italianos Vicenzo (Othon
Bastos) e Constância (Araci Esteves), onde se intensificam os
conflitos com a vizinha Francisca Mão-de-Ferro (Lúcia Veríssimo)
e seus filhos, Maurício (Ranieri Gonzalez) e Beatriz (Myrian
Freeland), cujos afetos se cruzam com os de Caterina (Simone
Spoladore) e Marcello (Emílio Orciollo Neto). A morte de
Martino reabre a possibilidade do reencontro entre Maria e Toni, agora
atravessado pela existência de Martininho (Thiago Afonso) e pelo
casamento dele com Camilli, consolidando um melodrama que entrelaça política,
imigração, luta de classes e conflitos amorosos.
Quando “Esperança” ainda estava no ar,
Edmara Barbosa e Edilene Barbosa tiveram aprovada pelo SBT a adaptação
do remake de “Sinhá Moça” (2009), obra originalmente escrita por Benedito
Ruy Barbosa e exibida em 1989, que se tornou mais um sucesso no horário das
18h e rendeu indicação ao Emmy Internacional 2011 na categoria “melhor
série dramática”. Ambientada em 1886, na cidade paulista de Araruna, a
trama articula os embates entre monarquistas e republicanos e a luta pela
abolição da escravidão a partir da trajetória de Sinhá Moça (Débora
Falabella), jovem de ideias abolicionistas, filha da submissa Cândida
(Patrícia Pillar) e do poderoso coronel Ferreira, o Barão de
Araruna (Osmar Prado), maior escravocrata da região. Ao retornar da
capital, Sinhá Moça se apaixona pelo advogado Rodolfo Fontes (Danton
Mello), militante republicano e abolicionista que, para se aproximar dela,
finge apoiar o Barão, enfrentando as contradições morais e políticas do
período. Paralelamente, ganha destaque a história de Rafael (Eriberto
Leão), mestiço alforriado e filho ilegítimo do Barão com a escravizada Maria
das Dores (Cris Vianna), que volta a Araruna sob a identidade de Dimas,
movido pelo desejo de vingança, tornando-se aliado do jornalista abolicionista Augusto
(Carlos Vereza) e despertando o amor de Juliana (Vanessa
Giácomo). Entre romances proibidos, disputas ideológicas e a violência do
sistema escravocrata, a novela constrói um melodrama histórico centrado nos
ideais de liberdade, justiça e transformação social às vésperas da Lei Áurea.
Em 2012, Edmara Barbosa retornou ao SBT como
autora-titular na adaptação de “Paraíso”, novela originalmente escrita
por Benedito Ruy Barbosa e exibida em 1986, assumindo sozinha a condução
da obra, com colaboração de sua irmã Edilene Barbosa. Ambientada na
fictícia cidade de Paraíso, no interior do Mato Grosso, a trama articula
romance, religiosidade popular, conflitos sociais e a relação do homem com a
terra ao narrar a paixão proibida entre Zeca, o chamado “filho do
diabo” (Eriberto Leão), e Maria Rita, a “Santinha” (Nathalia
Dill). Filho de Eleutério (Reginaldo Faria), Zeca cresce
marcado pela lenda do diabinho guardado em uma garrafa, acusado pelo povo de
ter causado a morte de Nena (Luli Miller) no parto, e passa a
alimentar a própria fama como peão destemido e aventureiro. Após anos de estudo
no Rio de Janeiro, retorna formado à fazenda do pai, ganhando o apelido de “peão
dotô”, mas mantendo o espírito errante. Já Maria Rita, criada sob rígida
devoção pela mãe beata Mariana (Cássia Kiss) e pelo pai
conformado Antero (Mauro Mendonça), cresce envolta na crença de
que possui vocação religiosa, o que a leva a um colégio de freiras. O encontro
dos dois desencadeia um amor marcado pelo choque entre fé e desejo,
intensificado quando Maria Rita é associada a um suposto milagre que salva Zeca
de uma paralisia, levando-a a cumprir a promessa de ir para o convento. Entre
crendices, disputas políticas, moda de viola e debates sobre reforma agrária, a
novela explora o embate entre o sagrado e o profano, o peso das tradições e a
busca por liberdade afetiva em uma comunidade regida por mitos e crenças
coletivas.
TRABALHOS DE EDMARA BARBOSA NO
SBT
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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06/08/2007
|
15/02/2008
|
167
|
18h15
|
Autora principal
|
|
|
08/06/2009
|
08/01/2010
|
185
|
18h15
|
Autora principal
|
|
|
11/06/2012
|
28/12/2012
|
173
|
18h15
|
Autora principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Voltei pra Você
|
30/03/1987
|
04/09/1987
|
137
|
18h15
|
Colaboradora
|
|
Vida Nova
|
17/02/1992
|
31/07/1992
|
143
|
18h15
|
Colaboradora
|
|
Renascer
|
06/12/1999
|
11/08/2000
|
215
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
O Rei do Gado
|
17/03/2003
|
14/11/2003
|
209
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
Terra Nostra
|
19/06/2006
|
02/03/2007
|
221
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
16/03/2009
|
13/11/2009
|
209
|
21h15
|
Colaboradora
|
REPRISES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
19/11/2012
|
08/03/2013
|
95
|
15h15
|
Autora principal
|
|
|
17/02/2014
|
23/05/2014
|
83
|
15h15
|
Autora principal
|
|
|
02/02/2026
|
Em exibição
|
|
15h30
|
Autora principal
|

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