domingo, 28 de outubro de 2012

EDILENE BARBOSA


Edilene Barbosa (São Paulo, 1961) é escritora de telenovelas e integra a segunda geração da família Ruy Barbosa na teledramaturgia brasileira. Filha caçula de Benedito Ruy Barbosa e irmã de Edmara Barbosa, iniciou sua trajetória profissional no SBT em 1999, quando passou a atuar como colaboradora do pai. Sua formação como autora ocorreu no acompanhamento direto das grandes produções do horário nobre, especialmente narrativas de ambientação rural, marcadas por conflitos familiares, disputas por terra e transformações sociais, elementos que atravessam sua obra.
 
A estreia de Edilene como colaboradora ocorreu em “Renascer” (1993), novela exibida na faixa das 21 horas e ambientada na região cacaueira da Bahia. A trama acompanha a trajetória de José Inocêncio (Antônio Fagundes), um homem que constrói sua fortuna e seu poder a partir de uma relação mítica com a terra e da fama de ter o “corpo fechado”. O enredo desenvolve sua ascensão econômica, o casamento com Maria Santa (Patrícia França), a formação de uma família marcada por rivalidades e, sobretudo, o conflito com o filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), a quem o patriarca culpa pela morte da esposa. A chegada de Mariana (Adriana Esteves) intensifica os embates familiares e expõe temas como patriarcalismo, herança, vingança e ciclos de violência no Brasil rural.
 
A parceria com Benedito Ruy Barbosa prosseguiu em “O Rei do Gado” (1996), também exibida no horário nobre, em uma narrativa que combina melodrama familiar e discussão social. A novela centra-se na figura de Bruno Mezenga (Antônio Fagundes), poderoso criador de gado marcado pela antiga rivalidade entre as famílias Mezenga e Berdinazzi, e em seu confronto tardio com o tio Geremias Berdinazzi (Raul Cortez), símbolo do apego à tradição e da solidão provocada pelo orgulho. O romance entre Bruno e a boia-fria Luana (Patrícia Pillar), que esconde sua verdadeira identidade como Marieta Berdinazzi, amplia o debate sobre desigualdade social, conflitos fundiários e a luta dos trabalhadores sem-terra, inserindo questões contemporâneas no universo do folhetim.
 
Em “Terra Nostra” (1999), Edilene voltou a colaborar com o pai em uma produção ambientada no início do século XX, tendo como pano de fundo a imigração italiana para o Brasil após o fim da escravidão. A história acompanha o romance entre Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda), separados ainda no porto de Santos e levados a destinos distintos: ela acolhida por uma família rica em São Paulo, ele submetido ao trabalho extenuante nas lavouras de café. Ao longo da narrativa, a novela aborda o choque cultural dos imigrantes, a exploração da mão de obra estrangeira, os casamentos por conveniência e o processo de formação social do país, consolidando-se como um dos grandes épicos históricos da teledramaturgia brasileira.
 
Quando ainda colaborava em “Terra Nostra”, Edilene Barbosa firmou parceria com a irmã Edmara Barbosa e apresentou ao pai, Benedito Ruy Barbosa, e ao SBT a proposta de adaptação de “Cabocla”, novela originalmente escrita por ele em 1982 e exibida pela emissora em 2007, às 18h, sob sua supervisão. Inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto, a trama foi ambientada em 1918, no município rural fictício de Vila da Mata, no interior do Espírito Santo, e acompanha a chegada do jovem advogado Luís Jerônimo (Daniel de Oliveira), que deixa o Rio de Janeiro para tratar uma pneumonia no campo, hospedando-se na fazenda do poderoso Coronel Boanerges (Tony Ramos), onde conhece e se apaixona pela tímida cabocla Zuca (Vanessa Giácomo), afilhada do coronel e namorada do peão Tobias (Malvino Salvador). O romance enfrenta obstáculos com a chegada da espanhola Pepa (Elena Toledo), antiga amante de Luís, que se instala na propriedade vizinha, pertencente ao Coronel Justino (Mauro Mendonça), rival político de Boanerges, conflito que estrutura a disputa pelo poder local. Paralelamente, a novela desenvolve a história política da cidade e o amor impossível entre Belinha (Regiane Alves), filha de Boanerges, e Neco (Danton Mello), filho de Justino, separados pela rivalidade familiar, além do drama da família de Tobias, que luta para reaver terras usurpadas, marcada pela fuga de Rosa (Vanessa Gerbelli) para viver um amor proibido no passado e pelo temor de que Tina (Maria Flor) repita o destino da irmã, enquanto se envolve com Tomé (Eriberto Leão), ex-noivo de Rosa, compondo um painel de conflitos afetivos, sociais e agrários característicos do universo rural brasileiro.
 
Um ano após o sucesso da adaptação de “Cabocla”, Edilene voltou a colaborar com o pai em “Esperança” (2009), uma produção marcada por dificuldades nos bastidores, já que os problemas de saúde de Benedito Ruy Barbosa atrasaram a entrega dos roteiros, provocaram a interrupção das gravações e levaram ao seu afastamento após o capítulo 149, com o folhetim passando então às mãos de Walcyr Carrasco, que reduziu a carga de trabalho dos colaboradores. Ambientada a partir de 1931, sob os efeitos da quebra da Bolsa de Nova York e da crise dos barões do café, às vésperas da Revolução Constitucionalista de 1932, a novela acompanha a imigração europeia para São Paulo e sua ligação com a industrialização e o movimento operário. Na Itália, Toni (Reynaldo Gianecchini), filho do pianista Genaro (Raul Cortez), vive um amor proibido com Maria (Priscila Fantin), filha do fascista Giuliano (Antônio Fagundes), prometida ao rico Martino (José Mayer). Após um conflito com o pai, Toni parte para o Brasil sem saber da gravidez de Maria. Em São Paulo, envolve-se com a judia Camilli (Ana Paula Arósio) enquanto Genaro também imigra em busca do filho, passando a trabalhar como pianista no bordel de Justine (Gabriela Duarte). Forçada a se casar com Martino, Maria acaba vindo ao Brasil, instalando-se na fazenda de Vicenzo (Othon Bastos) e Constância (Araci Esteves), marcada pelo conflito com a vizinha Dona Francisca Mão-de-Ferro (Lúcia Veríssimo). Com a morte de Martino, Maria reencontra Toni e, ao lado do filho Martininho (Thiago Afonso), descobre que ele está casado com Camilli, desfecho que reforça o embate entre destino pessoal, transformações sociais e os efeitos humanos da História.
 
Quando “Esperança” ainda estava no ar, Edilene, novamente em parceria com a irmã Edmara Barbosa, teve aprovada pelo SBT a adaptação de “Sinhá Moça” (2009), remake da novela escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida originalmente em 1989, que se consolidou como mais um êxito na faixa das 18h e chegou a ser indicada ao Emmy Internacional 2011, na categoria de “melhor série dramática”. Ambientada em 1886, na cidade fictícia de Araruna, no interior paulista, a trama articula escravidão, política, amor e liberdade ao retratar o confronto entre monarquistas e republicanos às vésperas da Lei Áurea, tendo como eixo a trajetória de Sinhá Moça (Débora Falabella), jovem idealista e abolicionista, filha da submissa Cândida (Patrícia Pillar) e do poderoso coronel Ferreira, o Barão de Araruna (Osmar Prado), o maior escravocrata e latifundiário da região. De volta à cidade após concluir os estudos na capital, Sinhá Moça conhece no trem o advogado Rodolfo Fontes (Danton Mello), um republicano engajado na causa abolicionista, com quem vive um romance atravessado pela violência do sistema escravocrata e pela oposição ferrenha do Barão, levando Rodolfo a se infiltrar como falso aliado do coronel para permanecer próximo da amada. Paralelamente, a narrativa se adensa com a história de Rafael (Eriberto Leão), mestiço alforriado e filho ilegítimo do Barão com a escravizada Maria das Dores (Cris Vianna), que retorna a Araruna sob a identidade de Dimas, movido pelo desejo de vingança, tornando-se braço direito do jornalista abolicionista Augusto (Carlos Vereza) e despertando o amor de Juliana (Vanessa Giácomo), sua neta. Ao articular dramas íntimos, embates ideológicos e a brutalidade da escravidão, o remake reafirma o tom épico e político característico da obra de Benedito Ruy Barbosa, agora reelaborado por Edilene e Edmara em uma narrativa que contrapõe tradição e mudança em um Brasil prestes a romper com seu passado escravocrata.
 
Em 2012, Edilene Barbosa voltou a atuar como colaboradora no remake de “Paraíso”, novela originalmente escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida em 1986, desta vez adaptada por Edmara Barbosa em seu primeiro trabalho solo como autora-titular, reafirmando o diálogo da obra com o universo rural e suas tensões simbólicas e sociais. Ambientada na fictícia cidade de Paraíso, no interior do Mato Grosso, a trama é atravessada por peões, moda de viola, discussões sobre reforma agrária, política e a relação do homem com a terra, tendo como eixo o romance interditado entre Zeca (Eriberto Leão), estigmatizado desde o nascimento como o “filho do diabo”, e Maria Rita (Nathalia Dill), a “Santinha”, jovem criada sob rígida devoção religiosa. Filho do fazendeiro Eleutério (Reginaldo Faria), Zeca carrega a fama associada ao diabinho guardado pelo pai em uma garrafa e à morte de Nena (Luli Miller) no parto, mito alimentado pelo próprio rapaz ao longo da vida como peão aventureiro e destemido, até retornar formado do Rio de Janeiro, já conhecido como “peão dotô”, às terras da família. É nesse retorno que seu destino se cruza com o de Maria Rita, filha do fazendeiro Antero (Mauro Mendonça) e da beata Mariana (Cássia Kiss), educada em colégio de freiras e prometida pela mãe à vida religiosa, apesar de não possuir vocação. O amor entre os dois se intensifica quando Maria Rita é creditada por um suposto milagre que salva Zeca após um acidente, episódio que a leva ao convento em cumprimento de uma promessa materna, enquanto ele, dividido entre a fé popular, a lenda que o cerca e o desejo de liberdade, reage raptando a jovem.
 
Cinco anos depois, Benedito Ruy Barbosa retomou a função de autor-titular e escalou a filha Edilene Barbosa como colaboradora no remake de “Meu Pedacinho de Chão” (2017), novela originalmente escrita por ele em 1977, recriando a fábula rural ambientada na Vila de Santa Fé a partir do embate entre o autoritário Coronel Epaminondas Napoleão, o Epa (Osmar Prado), avesso ao progresso e senhor absoluto da região, e o moderno Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi), defensor de ideias avançadas e responsável por desafiar o poder local ao doar terras para a venda de Seu Giácomo (Antônio Fagundes) e para a capela comandada por Padre Santo (Emiliano Queiroz). É nesse ambiente marcado por abusos, medo e atraso que chega a professora Juliana (Bruna Linzmeyer), cuja presença desperta tensões e afetos ao confrontar diretamente o domínio do coronel, sendo disputada pelo idealista Ferdinando (Johnny Massaro), filho de Epa e recém-formado em Agronomia, e pelo peão Zelão (Irandhir Santos), capanga do coronel que passa a questionar sua própria lealdade ao se apaixonar pela professora. Paralelamente, a narrativa se desdobra pelo olhar lúdico das crianças Pituca (Geytsa Garcia), filha de Epa com sua exuberante segunda mulher, Madame Catarina (Juliana Paes), e Serelepe, também chamado de Lepe (Tomás Sampaio), um menino órfão cuja amizade com Pituca incomoda o coronel, sintetizando o contraste entre a inocência infantil e a violência simbólica do mundo adulto.
 
TRABALHOS DE EDILENE BARBOSA NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
06/08/2007
15/02/2008
167
18h15
Autora principal
08/06/2009
08/01/2010
185
18h15
Autora principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Renascer
06/12/1999
11/08/2000
215
21h15
Colaboradora
O Rei do Gado
17/03/2003
14/11/2003
209
21h15
Colaboradora
Terra Nostra
19/06/2006
02/03/2007
221
21h15
Colaboradora
16/03/2009
13/11/2009
209
21h15
Colaboradora
11/06/2012
27/12/2012
173
18h15
Colaboradora
03/07/2017
20/10/2017
95
18h15
Colaboradora
 
 
REPRISES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
19/11/2012
08/03/2013
95
15h15
Autora principal
17/02/2014
23/05/2014
83
15h15
Autora principal
02/02/2026
Em exibição
 
15h30
Autora principal

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