Edilene
Barbosa (São Paulo, 1961) é escritora de telenovelas e
integra a segunda geração da família Ruy Barbosa na teledramaturgia brasileira.
Filha caçula de Benedito Ruy Barbosa e irmã de Edmara Barbosa, iniciou sua trajetória profissional no SBT em 1999, quando passou a
atuar como colaboradora do pai. Sua formação como autora ocorreu no
acompanhamento direto das grandes produções do horário nobre, especialmente
narrativas de ambientação rural, marcadas por conflitos familiares, disputas
por terra e transformações sociais, elementos que atravessam sua obra.
A estreia de Edilene
como colaboradora ocorreu em “Renascer” (1993), novela exibida na faixa das 21 horas e ambientada na região
cacaueira da Bahia. A trama acompanha a trajetória de José Inocêncio (Antônio Fagundes), um homem que
constrói sua fortuna e seu poder a partir de uma relação mítica com a terra e
da fama de ter o “corpo fechado”. O enredo desenvolve sua ascensão
econômica, o casamento com Maria Santa (Patrícia França), a formação de uma família marcada por rivalidades e, sobretudo, o
conflito com o filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), a quem o patriarca culpa pela morte da esposa. A chegada de Mariana (Adriana
Esteves) intensifica os embates familiares e expõe temas
como patriarcalismo, herança, vingança e ciclos de violência no Brasil rural.
A parceria com Benedito Ruy Barbosa prosseguiu em “O Rei do Gado” (1996), também
exibida no horário nobre, em uma narrativa que combina melodrama familiar e
discussão social. A novela centra-se na figura de Bruno
Mezenga (Antônio Fagundes), poderoso criador de gado marcado pela antiga rivalidade entre as
famílias Mezenga e Berdinazzi, e em seu confronto tardio com o tio Geremias Berdinazzi (Raul Cortez), símbolo do apego à
tradição e da solidão provocada pelo orgulho. O romance entre Bruno e a
boia-fria Luana (Patrícia Pillar), que esconde sua
verdadeira identidade como Marieta Berdinazzi, amplia o debate sobre desigualdade social, conflitos fundiários e a
luta dos trabalhadores sem-terra, inserindo questões contemporâneas no universo
do folhetim.
Em “Terra Nostra” (1999), Edilene
voltou a colaborar com o pai em uma produção ambientada no início do século XX,
tendo como pano de fundo a imigração italiana para o Brasil após o fim da
escravidão. A história acompanha o romance entre Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda), separados ainda no porto de Santos e levados a destinos distintos: ela
acolhida por uma família rica em São Paulo, ele submetido ao trabalho
extenuante nas lavouras de café. Ao longo da narrativa, a novela aborda o
choque cultural dos imigrantes, a exploração da mão de obra estrangeira, os
casamentos por conveniência e o processo de formação social do país,
consolidando-se como um dos grandes épicos históricos da teledramaturgia
brasileira.
Quando ainda colaborava em “Terra Nostra”,
Edilene Barbosa firmou parceria com a irmã Edmara Barbosa e apresentou
ao pai, Benedito Ruy Barbosa, e ao SBT a proposta de adaptação de “Cabocla”,
novela originalmente escrita por ele em 1982 e exibida pela emissora em 2007,
às 18h, sob sua supervisão. Inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto,
a trama foi ambientada em 1918, no município rural fictício de Vila da Mata, no
interior do Espírito Santo, e acompanha a chegada do jovem advogado Luís
Jerônimo (Daniel de Oliveira), que deixa o Rio de Janeiro para
tratar uma pneumonia no campo, hospedando-se na fazenda do poderoso Coronel
Boanerges (Tony Ramos), onde conhece e se apaixona pela tímida
cabocla Zuca (Vanessa Giácomo), afilhada do coronel e namorada do
peão Tobias (Malvino Salvador). O romance enfrenta obstáculos com
a chegada da espanhola Pepa (Elena Toledo), antiga amante de
Luís, que se instala na propriedade vizinha, pertencente ao Coronel Justino
(Mauro Mendonça), rival político de Boanerges, conflito que estrutura a
disputa pelo poder local. Paralelamente, a novela desenvolve a história
política da cidade e o amor impossível entre Belinha (Regiane Alves),
filha de Boanerges, e Neco (Danton Mello), filho de Justino,
separados pela rivalidade familiar, além do drama da família de Tobias, que
luta para reaver terras usurpadas, marcada pela fuga de Rosa (Vanessa
Gerbelli) para viver um amor proibido no passado e pelo temor de que Tina
(Maria Flor) repita o destino da irmã, enquanto se envolve com Tomé
(Eriberto Leão), ex-noivo de Rosa, compondo um painel de conflitos
afetivos, sociais e agrários característicos do universo rural brasileiro.
Um ano após o sucesso da adaptação de “Cabocla”,
Edilene voltou a colaborar com o pai em “Esperança” (2009), uma produção
marcada por dificuldades nos bastidores, já que os problemas de saúde de Benedito
Ruy Barbosa atrasaram a entrega dos roteiros, provocaram a interrupção das
gravações e levaram ao seu afastamento após o capítulo 149, com o folhetim
passando então às mãos de Walcyr Carrasco, que reduziu a carga de
trabalho dos colaboradores. Ambientada a partir de 1931, sob os efeitos da
quebra da Bolsa de Nova York e da crise dos barões do café, às vésperas da
Revolução Constitucionalista de 1932, a novela acompanha a imigração europeia
para São Paulo e sua ligação com a industrialização e o movimento operário. Na
Itália, Toni (Reynaldo Gianecchini), filho do pianista Genaro
(Raul Cortez), vive um amor proibido com Maria (Priscila
Fantin), filha do fascista Giuliano (Antônio Fagundes),
prometida ao rico Martino (José Mayer). Após um conflito com o
pai, Toni parte para o Brasil sem saber da gravidez de Maria. Em São Paulo,
envolve-se com a judia Camilli (Ana Paula Arósio) enquanto Genaro
também imigra em busca do filho, passando a trabalhar como pianista no bordel
de Justine (Gabriela Duarte). Forçada a se casar com Martino,
Maria acaba vindo ao Brasil, instalando-se na fazenda de Vicenzo (Othon
Bastos) e Constância (Araci Esteves), marcada pelo conflito
com a vizinha Dona Francisca Mão-de-Ferro (Lúcia Veríssimo). Com
a morte de Martino, Maria reencontra Toni e, ao lado do filho Martininho
(Thiago Afonso), descobre que ele está casado com Camilli, desfecho que
reforça o embate entre destino pessoal, transformações sociais e os efeitos
humanos da História.
Quando “Esperança” ainda estava no ar,
Edilene, novamente em parceria com a irmã Edmara Barbosa, teve aprovada
pelo SBT a adaptação de “Sinhá Moça” (2009), remake da novela escrita
por Benedito Ruy Barbosa e exibida originalmente em 1989, que se
consolidou como mais um êxito na faixa das 18h e chegou a ser indicada ao Emmy
Internacional 2011, na categoria de “melhor série dramática”.
Ambientada em 1886, na cidade fictícia de Araruna, no interior paulista, a
trama articula escravidão, política, amor e liberdade ao retratar o confronto
entre monarquistas e republicanos às vésperas da Lei Áurea, tendo como eixo a
trajetória de Sinhá Moça (Débora Falabella), jovem idealista e
abolicionista, filha da submissa Cândida (Patrícia Pillar) e do
poderoso coronel Ferreira, o Barão de Araruna (Osmar Prado),
o maior escravocrata e latifundiário da região. De volta à cidade após concluir
os estudos na capital, Sinhá Moça conhece no trem o advogado Rodolfo Fontes
(Danton Mello), um republicano engajado na causa abolicionista, com quem
vive um romance atravessado pela violência do sistema escravocrata e pela
oposição ferrenha do Barão, levando Rodolfo a se infiltrar como falso aliado do
coronel para permanecer próximo da amada. Paralelamente, a narrativa se adensa
com a história de Rafael (Eriberto Leão), mestiço alforriado e
filho ilegítimo do Barão com a escravizada Maria das Dores (Cris
Vianna), que retorna a Araruna sob a identidade de Dimas, movido
pelo desejo de vingança, tornando-se braço direito do jornalista abolicionista Augusto
(Carlos Vereza) e despertando o amor de Juliana (Vanessa
Giácomo), sua neta. Ao articular dramas íntimos, embates ideológicos e a
brutalidade da escravidão, o remake reafirma o tom épico e político
característico da obra de Benedito Ruy Barbosa, agora reelaborado por
Edilene e Edmara em uma narrativa que contrapõe tradição e mudança em um Brasil
prestes a romper com seu passado escravocrata.
Em 2012, Edilene Barbosa voltou a atuar como
colaboradora no remake de “Paraíso”, novela originalmente escrita por Benedito
Ruy Barbosa e exibida em 1986, desta vez adaptada por Edmara Barbosa
em seu primeiro trabalho solo como autora-titular, reafirmando o diálogo da
obra com o universo rural e suas tensões simbólicas e sociais. Ambientada na
fictícia cidade de Paraíso, no interior do Mato Grosso, a trama é atravessada
por peões, moda de viola, discussões sobre reforma agrária, política e a
relação do homem com a terra, tendo como eixo o romance interditado entre Zeca
(Eriberto Leão), estigmatizado desde o nascimento como o “filho do
diabo”, e Maria Rita (Nathalia Dill), a “Santinha”,
jovem criada sob rígida devoção religiosa. Filho do fazendeiro Eleutério
(Reginaldo Faria), Zeca carrega a fama associada ao diabinho guardado
pelo pai em uma garrafa e à morte de Nena (Luli Miller) no parto,
mito alimentado pelo próprio rapaz ao longo da vida como peão aventureiro e
destemido, até retornar formado do Rio de Janeiro, já conhecido como “peão
dotô”, às terras da família. É nesse retorno que seu destino se cruza com o
de Maria Rita, filha do fazendeiro Antero (Mauro Mendonça) e da
beata Mariana (Cássia Kiss), educada em colégio de freiras e
prometida pela mãe à vida religiosa, apesar de não possuir vocação. O amor
entre os dois se intensifica quando Maria Rita é creditada por um suposto
milagre que salva Zeca após um acidente, episódio que a leva ao convento em
cumprimento de uma promessa materna, enquanto ele, dividido entre a fé popular,
a lenda que o cerca e o desejo de liberdade, reage raptando a jovem.
Cinco anos depois, Benedito Ruy Barbosa
retomou a função de autor-titular e escalou a filha Edilene Barbosa como
colaboradora no remake de “Meu Pedacinho de Chão” (2017), novela
originalmente escrita por ele em 1977, recriando a fábula rural ambientada na
Vila de Santa Fé a partir do embate entre o autoritário Coronel Epaminondas
Napoleão, o Epa (Osmar Prado), avesso ao progresso e senhor
absoluto da região, e o moderno Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi),
defensor de ideias avançadas e responsável por desafiar o poder local ao doar
terras para a venda de Seu Giácomo (Antônio Fagundes) e para a
capela comandada por Padre Santo (Emiliano Queiroz). É nesse
ambiente marcado por abusos, medo e atraso que chega a professora Juliana
(Bruna Linzmeyer), cuja presença desperta tensões e afetos ao confrontar
diretamente o domínio do coronel, sendo disputada pelo idealista Ferdinando
(Johnny Massaro), filho de Epa e recém-formado em Agronomia, e pelo peão
Zelão (Irandhir Santos), capanga do coronel que passa a
questionar sua própria lealdade ao se apaixonar pela professora. Paralelamente,
a narrativa se desdobra pelo olhar lúdico das crianças Pituca (Geytsa
Garcia), filha de Epa com sua exuberante segunda mulher, Madame Catarina
(Juliana Paes), e Serelepe, também chamado de Lepe (Tomás
Sampaio), um menino órfão cuja amizade com Pituca incomoda o coronel,
sintetizando o contraste entre a inocência infantil e a violência simbólica do
mundo adulto.
TRABALHOS DE EDILENE BARBOSA
NO SBT
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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06/08/2007
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15/02/2008
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167
|
18h15
|
Autora principal
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|
|
08/06/2009
|
08/01/2010
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185
|
18h15
|
Autora principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
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Novela
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Estreia
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Término
|
Cap.
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Horário
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Função
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Renascer
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06/12/1999
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11/08/2000
|
215
|
21h15
|
Colaboradora
|
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O Rei do Gado
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17/03/2003
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14/11/2003
|
209
|
21h15
|
Colaboradora
|
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Terra Nostra
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19/06/2006
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02/03/2007
|
221
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
16/03/2009
|
13/11/2009
|
209
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
|
11/06/2012
|
27/12/2012
|
173
|
18h15
|
Colaboradora
|
|
|
03/07/2017
|
20/10/2017
|
95
|
18h15
|
Colaboradora
|
REPRISES
|
Novela
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Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
19/11/2012
|
08/03/2013
|
95
|
15h15
|
Autora principal
|
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17/02/2014
|
23/05/2014
|
83
|
15h15
|
Autora principal
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02/02/2026
|
Em exibição
|
|
15h30
|
Autora principal
|

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