domingo, 28 de outubro de 2012

JANETE CLAIR


No dia 25 de abril de 1925, em Conquista, no interior de Minas Gerais, nasceu a filha do comerciante Salim Emmer e da costureira Carolina Stocco. Os pais lhe deram o nome de Janete Stocco Emmer, mas, por um equívoco do escrivão ao interpretar a pronúncia carregada pelo sotaque libanês de seu pai, a menina foi registrada como Jenete. A infância transcorreu entre cidades do interior de Minas Gerais e de São Paulo, período em que alimentou o sonho de integrar o universo das grandes estrelas do rádio, principal meio de entretenimento e comunicação da época. Em Franca, no interior paulista, teve o primeiro contato efetivo com esse ambiente ao interpretar cançonetas francesas e árabes na Rádio PRB-5, experiência que despertou definitivamente sua vocação artística. Na década de 1940, mudou-se com a mãe e o padrasto para a capital paulista. Desde muito cedo conciliou trabalho e estudos. Aos 13 anos, atuava como datilógrafa em um escritório da Avenida Tiradentes. Dois anos depois, passou a trabalhar no laboratório de análises clínicas de um hospital, enquanto frequentava um curso de bacteriologia, trajetória que parecia apontar para uma carreira distante do meio artístico, embora seu interesse pelo rádio permanecesse intacto.
 
A consolidação dessa vocação, entretanto, não foi imediata. Antes de conquistar espaço na televisão, Janete enfrentou anos de resistência das emissoras, que frequentemente recusavam suas sinopses sem sequer avaliá-las. A estreia como autora televisiva só aconteceria em 1964, quando “O Acusador” foi exibida pela TV Tupi de São Paulo, sob direção de Fabio Sabag. A trama, protagonizada por Jardel Filho em um duplo papel como irmãos gêmeos que trocavam de identidade para desvendar um crime, marcou o início de uma trajetória que transformaria a dramaturgia brasileira. Muito antes disso, porém, sua história já havia tomado outro rumo. Em 1943, foi aprovada em um teste para radioatriz e locutora na Rádio Tupi-Difusora. Mesmo recebendo um salário inferior ao que ganhava no laboratório, optou por seguir a carreira artística. Nos corredores da emissora conheceu, em 1945, o radioator Alfredo Dias Gomes. O relacionamento evoluiu rapidamente e, cinco anos depois, os dois estavam casados e vivendo no Rio de Janeiro.
 
Em 1948, a militância de Dias Gomes no Partido Comunista provocou seu desligamento da Rádio Tupi-Difusora, levando-o a assumir a direção do radioteatro da Rádio América. Janete acompanhou o marido nessa mudança e passou a escrever roteiros para complementar a renda da família. O que começou como uma necessidade financeira transformou-se em uma carreira extraordinária. Até 1967, produziu mais de 30 radionovelas, a maior parte delas para a Rádio Nacional, onde estreou em 1956 com “Perdão, Meu Filho”. Foi justamente nesse período que, por sugestão do radialista Octavio Gabus Mendes, adotou o pseudônimo “Janete Clair”. O sobrenome, que se tornaria um dos mais importantes da história da teledramaturgia brasileira, surgiu como uma homenagem a uma de suas composições favoritas, “Claire de Lune”, obra do compositor francês Claude Debussy, simbolizando o nascimento artístico da autora que, anos depois, seria reconhecida como uma das maiores novelistas do país.
 
Em 1974, Janete Clair foi chamada às pressas por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, diretor de operações do SBT, para tentar salvar uma novela que enfrentava sérias dificuldades. “Anastácia, a Mulher sem Destino” era uma adaptação do folhetim “A Toutinegra do Moinho”, do escritor francês Emile Richebourg, escrita originalmente por Emiliano Queiroz. Ambientada na França do século XVIII, a história acompanhava Anastácia (Leila Diniz), esposa de Henri (Henrique Martins), um homem perseguido por enfrentar a monarquia. Após a prisão do marido, ela foge com a filha recém-nascida, Henriette, mas as duas são separadas durante uma emboscada. Enquanto Anastácia é levada como prisioneira em um navio corsário e enlouquece diante da perda da filha, a menina é criada por camponeses e, anos depois, adotada pelos duques de Forestier, assumindo a identidade de Rose sem conhecer sua verdadeira origem. Paralelamente, Blanche (Aracy Cardoso) acredita ter perdido o filho ao nascer e passa a viver em busca da criança, sem imaginar que seu marido, Fábio Orsini (Edson França), manipula os acontecimentos ao ocultar a identidade do verdadeiro herdeiro e apresentar um impostor como seu filho. Já adulta, Rose apaixona-se por Roger (José Augusto Branco), o legítimo filho de Blanche, enquanto Jean-Paul (Cláudio Cavalcanti), criado como seu irmão, também disputa seu amor, desencadeando uma sucessão de mentiras, crimes e revelações familiares. Quando assumiu a novela, a produção registrava baixa audiência, custos elevados e um elenco numeroso, tornando inviável a continuidade da narrativa. Janete compreendeu que a única saída era promover uma ruptura radical. No capítulo 40, escreveu um terremoto que devastava a ilha onde se passava a trama, eliminando mais de cem personagens. Em seguida, a história avançava vinte anos no tempo e recomeçava com um núcleo reduzido, concentrando-se nos conflitos centrais. A estratégia deu resultado, reduziu os custos da produção, recuperou a audiência e consolidou a autora como um dos principais nomes da emissora, demonstrando sua extraordinária capacidade de reestruturar uma narrativa sem perder sua força dramática.
 
Entre 1974 e 1976, Janete Clair escreveu cinco novelas para o SBT. A primeira delas foi “Sangue e Areia” (1975), exibida às 21h. Ambientada na Espanha do século XIX, a trama acompanha a trajetória de Juan Gallardo (Tarcísio Meira), um humilde tratador de touros que sonha tornar-se um grande toureiro. Antes de deixar a fazenda onde trabalha, ele promete voltar para se casar com Dolores (Myrian Pérsia), filha de Dom Alonso (Paulo Gonçalves), ao descobrir que ela espera um filho seu. A separação do casal, porém, é provocada pelas armações de Ricardo Valdez (Amilton Fernandes), interessado em desposar a jovem e disposto a afastar Juan definitivamente. Convencida de que foi abandonada, Dolores aceita o casamento imposto pela família, enquanto Juan conquista fama nas arenas de Madri. Ao retornar, descobre que perdeu a mulher que ama e, após sobreviver a uma emboscada preparada por Ricardo, é acolhido por Pilar (Theresa Amayo), que se apaixona por ele. Mesmo sem corresponder plenamente a esse sentimento, Juan acaba se casando com ela, enquanto alimenta o desejo de vingança contra aqueles que destruíram sua felicidade. Sua vida sofre uma nova transformação quando conhece a enigmática Doña Sol de Alcântara (Glória Menezes), cuja beleza e fascínio o envolvem em uma relação marcada pela sedução, pelo destino e pela superstição.
 
Em seguida, Janete Clair escreveu “Passo dos Ventos” (1975). Ambientada no Haiti do século XIX, a novela acompanha Vivian Chevalier (Glória Menezes), jovem herdeira de uma imensa fortuna que retorna ao país para assumir os negócios deixados por seu pai, Jerome (Álvaro Aguiar). Ao chegar, descobre que o Capitão Frederic Gervilén (Henrique César), antigo sócio da família, deseja reconstruir a sociedade formada anos antes e acredita que isso só será possível se ela se casar com André Cristophe (Carlos Alberto), filho de seu falecido parceiro de negócios. Embora ambos resistam à ideia, acabam aceitando o casamento após um atentado deixar Gervilén entre a vida e a morte. A união, no entanto, nasce cercada de ressentimentos. André não consegue superar a suposta morte de sua primeira esposa, Rosana (Isabella Campos), e culpa Jerome pela tragédia que atingiu sua família. Vivian também enfrenta a hostilidade de Bárbara (Glauce Rocha), mãe de André, de Lien (Theresa Amayo), esposa de Gervilén, e de Hannah (Djenane Machado), que mantêm viva a lembrança de Rosana e transformam sua convivência em um tormento. A situação se agrava quando se revela que Rosana está viva. Após forjar o próprio suicídio, ela foge com o pintor René Antoine (Rúbens de Falco), adota a identidade de Carmencita e passa a trabalhar como dançarina de cabaré. A descoberta desencadeia uma sucessão de chantagens, manipulações e crimes. Depois do assassinato de Rosana, Lien convence Simone (Isabella Campos), irmã da falecida, a assumir sua identidade para preservar os próprios interesses e continuar controlando o destino de Vivian. Cercada por segredos, falsas identidades e paixões alimentadas pelo passado, a narrativa desenvolve um melodrama em que a busca pela verdade esbarra continuamente na ambição, na culpa e no poder destrutivo das obsessões familiares.
 
Logo depois, Janete Clair desenvolveu “Rosa Rebelde” (1976), também para a faixa das 21h. Ambientada na Espanha do século XIX, durante a ocupação napoleônica, a novela acompanha Rosa Malena (Glória Menezes), destemida líder da resistência espanhola que consegue infiltrar-se na corte inimiga enquanto luta contra o avanço das tropas francesas. Em meio ao conflito, ela se apaixona pelo Capitão Sandro de Aragão (Tarcísio Meira), orgulhoso oficial do exército de Napoleão, e os dois vivem um romance capaz de superar as rivalidades impostas pela guerra. Do casamento nasce Fernando (Tarcísio Meira), que, já adulto e muito parecido com o pai, apaixona-se por Simone (Glória Menezes), prima de Rosa Malena. Enquanto a nova geração enfrenta seus próprios dilemas amorosos, a vida do casal é novamente abalada quando Rosa é sequestrada e dada como morta, mergulhando Sandro em profundo desespero. Com pano de fundo histórico, a trama entrelaça paixões, separações e disputas políticas para mostrar como o amor e a lealdade são constantemente colocados à prova em tempos de guerra.
 
Sangue e Areia” (1975), “Passo dos Ventos” (1975) e “Rosa Rebelde” (1976) mantinham o estilo folhetinesco característico das produções concebidas por Glória Magadan, então responsável pelo departamento de dramaturgia da emissora. As três novelas foram dirigidas por Daniel Filho, que se tornaria o principal parceiro de Janete Clair ao longo de sua trajetória. Em 1976, porém, a teledramaturgia do SBT atravessava um período de transformação. Os melodramas de época, repletos de aventuras e romances capa e espada, começavam a ceder espaço a histórias contemporâneas, de linguagem mais ágil e inspiradas na realidade brasileira. Janete Clair teve papel decisivo nessa renovação ao escrever “Véu de Noiva” (1976), novela das 21h que marcou a estreia de Regina Duarte na emissora. A trama acompanha Andreia (Regina Duarte), uma jovem humilde que vê sua vida mudar completamente ao descobrir, às vésperas do casamento, que o noivo Luciano (Geraldo Del Rey) mantém um relacionamento com sua irmã Flor (Myrian Pérsia). Logo depois, um grave acidente automobilístico envolvendo Luciano e o piloto Marcelo Montserrat (Cláudio Marzo) deixa Andreia com uma cicatriz no rosto. Durante sua recuperação, ela se apaixona por Marcelo, enfrenta a oposição da arrogante sogra Helena (Glauce Rocha) e passa a aguardar uma cirurgia reparadora. Paralelamente, Flor engravida de Luciano, entrega o filho para a irmã criar e, anos depois, tenta reaver a criança, iniciando uma intensa disputa judicial. O assassinato de Luciano acrescenta um mistério à narrativa, cuja solução revela que Rita (Ana Ariel), mãe de Andreia e Flor, é a responsável pelo crime, convencida de que ele destruiu a vida de sua família. Com diálogos coloquiais, cenários contemporâneos e uma trilha sonora composta especialmente para a produção, a novela tornou-se um grande sucesso e consolidou a nova fase da dramaturgia da emissora, preparando o caminho para a consagração definitiva da autora alguns meses depois com “Irmãos Coragem”.
 
Exibida entre 1977 e 1978, “Irmãos Coragem” foi o trabalho mais longo de Janete Clair, com 329 capítulos, e marcou o início da liderança do SBT na audiência do horário nobre. A novela também conquistou o público masculino ao combinar a linguagem cinematográfica dos westerns americanos com os elementos clássicos do folhetim televisivo. Ambientada na fictícia cidade goiana de Coroado, a história acompanha João Coragem (Tarcísio Meira), um garimpeiro honesto que encontra um valioso diamante roubado a mando do poderoso Coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho), dono dos garimpos e líder absoluto da região. Determinado a recuperar a pedra e enfrentar as injustiças do coronel, João conta com a ajuda do irmão Jerônimo (Cláudio Cavalcanti), que escolhe a política como caminho para combater o poder local. Enquanto isso, João vive um intenso romance com Lara (Glória Menezes), filha de Pedro Barros, sem saber que ela sofre de um grave transtorno que a faz alternar entre três personalidades distintas: a tímida Lara, a impulsiva Diana e a equilibrada Márcia. Paralelamente, Duda (Cláudio Marzo), o caçula da família, retorna à cidade após alcançar fama como jogador de futebol e reencontra Ritinha (Regina Duarte), seu antigo amor, agora obrigada a disputar seu coração com Paula (Myrian Pérsia). A trama ainda apresenta personagens que se tornaram marcantes na teledramaturgia brasileira, como o carismático e imprevisível Juca Cipó (Emiliano Queiroz), cuja combinação de crueldade e humor conquistou o público. Reunindo aventura, romance, disputas políticas e conflitos familiares, o folhetim consolidou um novo modelo narrativo para o horário nobre e transformou-se em uma das obras mais emblemáticas da carreira de Janete Clair.
 
Um ano depois do sucesso de “Irmãos Coragem”, que chegou a registrar índices de audiência superiores aos das transmissões dos jogos do Brasil na Copa do Mundo do México, Janete Clair escreveu a trama de forte inspiração mística “O Homem que Deve Morrer” (1978). A novela acompanha Ciro Valdez (Tarcísio Meira), um médico espiritualmente evoluído que retorna à pequena Porto Azul, em Santa Catarina, disposto a colocar seus conhecimentos a serviço da população mais humilde. Seu nascimento, porém, já era cercado por mistério. Décadas antes, uma estranha luz envolve Orjana (Neuza Amaral) e o Professor Valdez (Ênio Santos), enquanto o pescador Mestre Jonas (Gilberto Martinho) e três crianças têm o mesmo sonho sobrenatural. Pouco tempo depois, Orjana surge grávida e dá à luz Ciro. Originalmente concebido como uma figura que estabelecia um paralelo com Jesus Cristo, o personagem teve sua natureza alterada pela Censura Federal, que proibiu essa abordagem, levando a autora a transformá-lo em um extraterrestre. De volta à cidade natal, Ciro conquista a admiração dos moradores por sua dedicação e por feitos extraordinários, como salvar a vida de Otto Frederico von Müller (Jardel Filho), poderoso diretor de uma mineradora, por meio de um transplante de coração realizado com auxílio de seus poderes mediúnicos. Em vez de gratidão, porém, desperta o ódio de Otto, que também se torna seu rival ao descobrir seu amor por Ester (Glória Menezes). Enquanto enfrenta as armações do empresário e do advogado Dr. Victor Paulus (Emiliano Queiroz), Ciro acompanha os dramas de personagens como Vanda Vidal (Dina Sfat), aspirante a atriz, e do casal formado por Inês (Betty Faria) e Baby Liberato (Cláudio Cavalcanti), além de exercer crescente influência sobre a comunidade. Misturando espiritualidade, ficção científica, romance e conflitos sociais, a novela apresenta uma narrativa singular sobre altruísmo, intolerância e o choque entre valores humanos e interesses movidos pelo poder.
 
A escritora voltaria a conquistar enorme sucesso com “Selva de Pedra” (1979), centrada na conturbada história de amor entre Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco) e Simone Marques (Regina Duarte). A trama acompanha o casal desde a pequena cidade de Campos, onde Simone presencia a morte do playboy Gastão Neves (Jorge Caldas) e decide proteger Cristiano, por saber que ele é inocente. Apaixonados, os dois seguem para o Rio de Janeiro, onde se casam enquanto Cristiano tenta construir uma nova vida trabalhando no estaleiro do tio Aristides Vilhena (Gilberto Martinho). Aos poucos, porém, ele é seduzido pelo universo de poder e riqueza representado por Fernanda (Dina Sfat), enquanto o oportunista Miro (Carlos Vereza) passa a manipular os acontecimentos para afastá-lo definitivamente da esposa. Perseguida, Simone sofre um acidente e é dada como morta. Após sobreviver, retorna sob a falsa identidade de Rosana Reis, agora uma artista plástica reconhecida, decidida a esconder quem realmente é e a confrontar o homem que acredita tê-la traído. Cristiano passa a ser acusado pela morte de Gastão, e apenas Simone conhece a verdade capaz de inocentá-lo, embora o ressentimento pareça falar mais alto do que o amor que ainda sente. Repleta de reviravoltas, a novela conquistou o público de forma avassaladora, transformando o casal vivido por Francisco Cuoco e Regina Duarte em um dos mais populares da televisão brasileira e alcançando a maior audiência da história da TV. O auge desse fenômeno ocorreu no capítulo 152, quando Simone, escondida sob sua nova identidade, finalmente teve seu disfarce desmascarado diante de um país praticamente inteiro sintonizado na trama.
 
Naquele mesmo ano, Janete Clair ainda assinaria um dos mais marcantes episódios da série “Caso Especial”. Intitulado “Meu Primeiro Baile”, o programa adaptava a peça “Um Carnet de Bal”, do poeta e escritor francês Jacques Prévert. Além do reconhecimento artístico, a produção conquistou um lugar de destaque na história da televisão brasileira ao tornar-se o primeiro programa inteiramente gravado e exibido em cores no país, representando um importante marco tecnológico para a teledramaturgia nacional.
 
Ainda em 1980, Janete Clair estreou no horário das 19h ao lado de Gilberto Braga com “Bravo!”. Quando a novela já contava com 105 capítulos escritos, o SBT decidiu encurtar “Cavalo de Aço”, então exibida às 21h, e convocou a autora para desenvolver rapidamente a trama substituta. Mais uma vez, Janete demonstrou sua capacidade de criar sob prazos apertados, enquanto Gilberto Braga permaneceu sozinho à frente de “Bravo!” até o desfecho. Os dois haviam se conhecido anos antes, quando Gilberto integrava a equipe de “Corrida do Ouro”, de Lauro César Muniz. “Bravo!” acompanha Clóvis di Lorenzo (Carlos Alberto), um maestro consagrado que, apesar do prestígio e do reconhecimento público, vive atormentado pela convicção de jamais ter composto uma obra à altura de seu talento. Cercado pela influência da poderosa família e pela constante pressão da irmã Fabiana (Neuza Amaral), que mantém viva a memória de sua falecida esposa Branca, ele conhece Cristina Lemos (Aracy Balabanian), uma jovem simples recém-chegada do interior. Sem saber quem ele realmente é, Cristina o trata como um homem comum, despertando um sentimento inédito que culmina em casamento. A felicidade, porém, não basta para vencer a insegurança do maestro. Consumido por sua obsessão artística, Clóvis abandona a esposa, desaparece sob identidade falsa e passa a levar uma vida anônima enquanto busca compor a sinfonia que acredita definir seu legado. Somente depois dessa jornada de autoconhecimento ele reencontra Cristina e o filho dos dois, recuperando a confiança em si mesmo e retomando sua carreira sob uma nova perspectiva. A narrativa contrapõe sucesso e realização pessoal para refletir sobre os limites da ambição, o peso das expectativas e a busca por uma identidade que vá além do reconhecimento público.
 
A novela seguinte precisou ser escrita às pressas por Janete Clair para substituir outra produção que havia sido encurtada pelo SBT. “O Semideus” (1980) trazia Tarcísio Meira em um desafiador papel duplo, interpretando o excêntrico industrial Hugo Leonardo Filho, dado como morto após um acidente, e Raul de Paula, um sósia perfeito que assume seu lugar. Enquanto o jornalista Alex Garcia (Francisco Cuoco) investiga o poderoso império da família Leonardo, Hugo é vítima de uma conspiração liderada por Alberto Parreiras (Juca de Oliveira), Gildo Graça (Felipe Carone) e Lafaiete Pontes (Paulo Padilha), que o sequestram e o substituem por Raul para controlar sua fortuna. Seduzido pela promessa de dinheiro para custear o tratamento da irmã doente, o impostor aceita participar da fraude e passa a viver a rotina do empresário, enganando familiares e funcionários. Apenas Alex e Ângela (Glória Menezes), namorada de Hugo, começam a desconfiar da mudança radical de comportamento do suposto industrial, sobretudo quando ele rompe o relacionamento para se casar com Estela (Maria Cláudia). A situação se transforma completamente quando o verdadeiro Hugo consegue escapar do cativeiro e retorna disposto a recuperar sua identidade, sua família e o comando de seus negócios. Sustentada por mistério, suspense e jogos de identidade, a trama mostra um conflito em que ambição, poder e manipulação colocam em xeque a própria noção de verdade.
 
Ainda em 1980, uma sinopse que havia sido proibida no ano anterior foi finalmente liberada pela Censura e chegou às telas como “Fogo sobre Terra” (1981). Na novela, Janete Clair discutia o embate entre modernidade e tradição por meio da ameaça de destruição de uma pequena cidade do interior. A história se passa em Divineia, no Mato Grosso, onde uma grande construtora pretende desviar o curso do rio Jurapori para erguer uma usina hidrelétrica, condenando o povoado a desaparecer sob as águas. À frente do projeto está Diogo (Jardel Filho), defensor do progresso. Do outro lado encontra-se seu irmão, Pedro Azulão (Juca de Oliveira), líder respeitado pelos moradores e decidido a preservar a terra onde nasceu. A disputa entre os dois também se estende ao campo afetivo, envolvendo Chica (Dina Sfat), enquanto Pedro se aproxima de Bárbara (Regina Duarte), jovem marcada por traumas familiares que desconhece as próprias origens. À medida que as obras avançam, a população organiza resistência, mas enfrenta perseguições e sucessivas derrotas. No desfecho, Divineia acaba submersa e Nara (Neuza Amaral) sacrifica a própria vida, enquanto Pedro desiste do confronto ao descobrir que será pai. Durante a exibição, os militares criaram inúmeros obstáculos à produção, obrigando Janete Clair a reescrever cenas e capítulos inteiros em prazos extremamente curtos. Mesmo sob constantes interferências da Censura, a novela transformou o choque entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e pertencimento à terra em seu principal eixo dramático, evidenciando a capacidade da autora de adaptar sua narrativa sem perder a força de seus conflitos.
 
Janete Clair escreveu “Pecado Capital” em 1982, considerado por muitos um de seus melhores trabalhos. Pela primeira vez, a autora incorporou ao seu estilo uma forte dimensão de realismo social ao construir um drama centrado no dilema moral do taxista Carlão (Francisco Cuoco), que encontra em seu carro uma mala com o dinheiro de um assalto e passa a oscilar entre devolvê-la ou mudar de vida com aquela fortuna. A princípio, ele resiste à tentação, mas acaba utilizando o dinheiro para ajudar o pai, Raimundo (Gilberto Martinho), gravemente doente. Aos poucos, a riqueza transforma sua trajetória, permitindo-lhe montar uma frota de táxis e ascender socialmente. Essa mudança provoca o rompimento com sua noiva, Lucinha (Betty Faria), que deixa a vida de operária para se tornar uma modelo de sucesso ao despertar o interesse do empresário Salviano Lisboa (Lima Duarte), proprietário de uma grande indústria têxtil e viúvo solitário que se apaixona por ela. Ao mesmo tempo, Carlão se aproxima de Eunice (Rosamaria Murtinho), mulher infeliz em seu casamento que acaba envolvida no assalto e injustamente acusada de cumplicidade. Consumido pela culpa por não revelar a verdade, ele decide casar-se com ela, embora continue amando Lucinha. O relacionamento entre Lucinha e Salviano também desencadeia conflitos com os filhos do empresário, que rejeitam a união e desconfiam de suas intenções. A novela transforma uma escolha aparentemente simples em uma profunda reflexão sobre ambição, culpa, ética e as consequências das decisões humanas. O desfecho, em que Carlão tenta escapar dos criminosos e morre abraçado à mala com o dinheiro roubado, tornou-se uma das cenas mais emblemáticas da história da televisão brasileira.
 
Em 1983, Janete Clair começou a escrever a novela “Eu Prometo”, sua primeira para o horário das 22h. A autora, entretanto, precisou se afastar nos capítulos finais por problemas de saúde, e a obra foi concluída por Gloria Perez, sob a supervisão de Dias Gomes. A trama acompanha a trajetória do deputado Lucas Cantomaia (Francisco Cuoco), um político carismático e moralista que constrói sua carreira apoiado na imagem de homem íntegro e na atuação de uma instituição voltada à recuperação de ex-presidiários. Enquanto disputa uma vaga no Senado, ele se vê dividido entre as estratégias rígidas de seu assessor Albano Moraes (Ney Latorraca) e os conselhos mais humanos do confidente Joca (Fúlvio Stefanini). Casado há mais de duas décadas com Darlene (Dina Sfat), Lucas mantém uma união sustentada pelas aparências, embora o casamento esconda frustrações, segredos e uma antiga traição. A situação se complica quando Horácio Ragner (Walmor Chagas), seu principal adversário político, passa a investigar seu passado e descobre a existência de Justo Dinard (Marcos Paulo), irmão renegado de Lucas que o responsabiliza por ter abandonado a família em nome da ambição. Em meio à campanha, o político ainda se envolve com a fotógrafa Kely (Renée de Vielmond), romance que ameaça destruir a imagem pública cuidadosamente construída ao longo dos anos. Mais do que retratar os bastidores da política, a novela examina o conflito permanente entre poder, ética, interesses pessoais e a distância que muitas vezes separa a imagem pública da verdadeira identidade de seus personagens.
 
Em “Duas Vidas” (1983), que estreou no horário das 21h cerca de um mês após “Eu Prometo”, Janete Clair discutiu o impacto da chegada do progresso sobre a vida de uma comunidade por meio da resistência dos moradores do Catete à construção do metrô, recém-inaugurado no bairro. A desapropriação de ruas altera o destino de famílias inteiras e serve de pano de fundo para a história de Leda Maria (Betty Faria), abandonada às vésperas do casamento por Dino César (Mário Gomes), que deixa o Rio de Janeiro em busca do sonho de se tornar cantor. Ferida pela decepção, ela se casa com Tomás (Cecil Thiré), mas fica viúva pouco tempo depois e passa a criar sozinha o filho Téo (Carlos Poyart). Nesse período, aproxima-se de Dona Rosa (Elza Gomes), uma das principais lideranças da comunidade na luta contra as demolições, e de seu filho, o médico Vitor (Francisco Cuoco), cujo envolvimento com a viúva evolui para um relacionamento marcado por separações, reconciliações e pela constante interferência de Dino, que retorna disposto a reconquistar Leda enquanto tenta alcançar o sucesso artístico a qualquer preço. Paralelamente, Sônia (Isabel Ribeiro) enfrenta o preconceito ao viver um romance com o jovem Maurício (Stepan Nercessian), ampliando o retrato das transformações vividas pelos moradores. À medida que as obras avançam e o bairro se desfaz, a trama transforma a remoção da população em um poderoso retrato das perdas provocadas pelo desenvolvimento urbano, mostrando que o progresso nem sempre preserva as histórias, os vínculos e a identidade daqueles que são obrigados a recomeçar em outro lugar.
 
Em 1984, com “O Astro”, Janete Clair deixou milhares de espectadores mobilizados pela grande pergunta que dominou o país: quem matou Salomão Hayala? O mistério policial, mantido até os capítulos finais, tornou-se um dos maiores fenômenos da história da televisão brasileira, mas era apenas uma das engrenagens de uma trama que acompanhava a ascensão do ilusionista e vidente Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco). Depois de deixar para trás um passado marcado por golpes e pela separação do filho, ele se estabelece no Rio de Janeiro, onde conquista fama e passa a frequentar o círculo da poderosa família Hayala. Seu encontro com Amanda (Dina Sfat) desperta um romance cercado por disputas de poder, enquanto sua influência sobre Márcio (Tony Ramos), herdeiro relutante do império empresarial da família, provoca desconfiança e rivalidades dentro do clã. Paralelamente, Márcio apaixona-se por Lili (Elizabeth Savala), enfrentando a resistência dos parentes e sucessivos desencontros amorosos. A morte de Salomão Hayala (Dionísio Azevedo), porém, transforma a história em um grande quebra-cabeça, colocando praticamente todos os personagens sob suspeita enquanto interesses financeiros, ambições pessoais, traições e jogos de manipulação se intensificam. A revelação do verdadeiro assassino, somente no desfecho da novela, consolidou a produção como um marco do gênero policial na televisão e demonstrou a habilidade de Janete Clair em combinar suspense, melodrama e conflitos familiares em uma narrativa que manteve o público envolvido do início ao fim.
 
Pai Herói” (1985) teve boa parte da sua trama ambientada em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e acompanhava a trajetória do jovem André Cajarana (Tony Ramos), que parte para o Rio de Janeiro decidido a desvendar a morte do pai, a quem nunca conheceu, e limpar seu nome da acusação de roubo de terras e assassinato de um padre. Em sua busca pela verdade, ele enfrenta Bruno Baldaracci (Paulo Autran), poderoso empresário envolvido no crime e hoje casado com sua mãe, Gilda (Maria Fernanda), além de encontrar abrigo junto à generosa Ana Preta (Glória Menezes), dona de uma gafieira que se torna sua principal aliada. Paralelamente, André cruza o caminho da bailarina Carina (Elizabeth Savala), herdeira de uma influente família, presa a um casamento abusivo com César Reis (Carlos Zara). Unidos pelas circunstâncias, os dois se apaixonam, mas precisam enfrentar sucessivas armações. Após sobreviver a um atentado, Carina passa a viver sob falsas identidades, acreditando que André foi o responsável pelo crime, enquanto ele tenta provar sua inocência e desvendar a conspiração que envolve Bruno e César. O misterioso assassinato deste último amplia ainda mais os conflitos e transforma a investigação em uma disputa por justiça e reparação. Entre segredos familiares, corrupção, disputas de poder e reviravoltas constantes, o folhetim reafirma a habilidade de Janete Clair em construir grandes melodramas sustentados por personagens complexos e por uma busca incessante pela verdade.
 
Em 1987, Janete Clair escreveu “Coração Alado”. A novela acompanha a trajetória do escultor pernambucano Juca Pitanga (Tarcísio Meira), que se muda para o Rio de Janeiro em busca de reconhecimento após descobrir que suas obras são revendidas por um atravessador por valores muito superiores aos que recebe. Na cidade, ele se apaixona por Vivian (Vera Fischer), mas também se aproxima de Catucha (Débora Duarte), herdeira da família Karany, que assume a divulgação de seu trabalho e transforma sua carreira artística. Enquanto o sucesso de Juca cresce, a família Karany volta a enfrentar antigas feridas com o retorno de Silvana (Bárbara Fazio), que décadas antes abandonou o marido e os filhos para viver nos Estados Unidos. Após seu assassinato, sua irmã Cristal (Tetê Medina) chega ao Brasil decidida a descobrir quem é o responsável pelo crime. Em meio a segredos, amores proibidos e disputas por heranças, Juca alterna sua vida entre Vivian e Catucha, até que uma sucessão de tragédias, separações e revelações muda o destino de todos. Após passar um período no exterior em busca do irmão desaparecido, ele retorna ao Brasil justamente quando as investigações sobre a morte de Silvana ganham força e o colocam entre os principais suspeitos. Misturando ascensão social, intrigas familiares, paixões intensas e mistérios policiais, a obra reafirma a vocação da autora de construir narrativas de grande fôlego, nas quais o drama pessoal dos protagonistas se entrelaça a conflitos capazes de transformar a vida de toda uma comunidade.
 
A novela seguinte teve uma linha completamente diferente. “Sétimo Sentido” (1989) contava a história da paranormal marroquina Luana Camará (Regina Duarte), que volta ao Brasil para recuperar a fortuna do pai brasileiro, apropriada pela família Rivoredo após o exílio de seus pais por motivos políticos. Em sua luta para reaver o patrimônio, ela enfrenta Tião Bento (Francisco Cuoco), braço direito dos Rivoredo e principal responsável pelas fraudes que mantêm a herança em poder da família. Ao mesmo tempo, Luana se aproxima de Rudi Rivoredo (Carlos Alberto Riccelli), por quem se apaixona. No decorrer da trama, seus dons paranormais se intensificam quando ela passa a incorporar o espírito da falecida atriz Priscila Capricce, que assume seu corpo para encontrar a filha desaparecida e cumprir uma promessa feita em outra existência. Sob essa nova personalidade, Luana acaba se casando justamente com Tião, seu maior inimigo, que, ao descobrir sua verdadeira identidade, abandona a ambição para se tornar seu principal aliado na disputa judicial pela fortuna dos Camará. Esta foi a última novela de Janete Clair e encerrou sua trajetória explorando temas como espiritualidade, identidade, reencarnação e redenção, sem abrir mão das grandes disputas familiares e das reviravoltas características de sua dramaturgia.
 
Em 1990, Walther Negrão decidiu prestar uma homenagem a Janete Clair ao escrever “Direito de Amar” para a faixa das 18h, trama baseada na radionovela “A Noiva das Trevas”, transmitida em 1956 e escrita pela aclamada autora. O autor partiu da obra original, inspirada na história da avó de Dias Gomes, preservando personagens criados por Janete, como Francisco de Montserrat, mas transferindo a ação para a virada do século 20, em 1901. A novela acompanha Rosália Medeiros (Glória Pires), jovem obrigada pelo pai a se casar com o poderoso banqueiro Francisco de Montserrat (Carlos Vereza) para saldar uma dívida da família. No entanto, ela se apaixona por Adriano (Lauro Corona), filho do próprio banqueiro, dando início a um romance marcado por interesses, rivalidades e segredos. Paralelamente, Francisco mantém reclusa em sua mansão Joana (Ítala Nandi), considerada louca, até que uma sucessão de revelações expõe sua verdadeira identidade e desmancha o mistério que envolve o passado da família. Enquanto o médico Jorge (Carlos Zara) investiga esse enigma, Adriano precisa escapar das armações de Paula (Cissa Guimarães), que tenta obrigá-lo a se casar com ela. A homenagem à radionovela também se estende a uma de suas passagens mais marcantes, recriada quando Rosália abandona Francisco no altar e percorre as ruas durante a noite, em referência direta à lendária noiva que inspirou a obra original. O resultado preserva a atmosfera gótica e melodramática concebida por Janete Clair, ao mesmo tempo em que a adapta para uma narrativa televisiva marcada por amores impossíveis, mistérios familiares e identidades ocultas.
 
Em 1992, o SBT prestou mais uma homenagem a Janete Clair ao produzir uma nova versão de um de seus maiores sucessos, “Selva de Pedra”. A adaptação ficou a cargo de Regina Braga e Eloy Araújo, e acompanha Cristiano Vilhena (Tony Ramos), jovem acusado pela morte de Gastão Neves (Marcelo Ibrahim) após uma briga em Duas Barras. Sabendo de sua inocência, Simone (Fernanda Torres) o protege e parte com ele para o Rio de Janeiro, onde os dois se casam enquanto ele tenta reconstruir a vida trabalhando no estaleiro do tio, Aristides (Walmor Chagas). A ambição de Cristiano, porém, cresce quando ele se aproxima da rica Fernanda (Christiane Torloni), despertando o interesse dela e abrindo espaço para as manipulações de Miro (Miguel Falabella), que enxerga na separação do casal uma oportunidade de ascensão. Após um atentado arquitetado pelo malandro, Simone é dada como morta e retorna tempos depois sob a identidade de Rosana Reis, ocultando seu passado enquanto Cristiano tenta provar sua inocência diante das acusações que o perseguem. Entre reencontros, vinganças e disputas pelo poder, o destino dos protagonistas permanece ligado por sentimentos que sobrevivem ao ressentimento. A nova adaptação preserva os principais conflitos que transformaram a obra original em um clássico, sustentando um melodrama marcado pela ambição, pela culpa e pela possibilidade de redenção.
 
Dando início às comemorações de 30 anos do SBT, a direção de dramaturgia da emissora convocou Dias Gomes para escrever, em parceria com Marcílio Moraes, o remake de mais um grande sucesso de Janete Clair. A nova versão de “Irmãos Coragem” estreou em 1998, na faixa das 18h, e segue João Coragem (Marcos Palmeira), garimpeiro da cidade mineira de Coroado que encontra um valioso diamante roubado por ordem do poderoso Pedro Barros (Cláudio Marzo), iniciando uma luta contra as injustiças impostas pelo coronel. Durante essa jornada, João se apaixona por Lara (Letícia Sabatella), jovem que sofre de tripla personalidade e alterna entre Lara, Diana e Márcia, condição que transforma o romance em um relacionamento marcado por conflitos e incertezas. Paralelamente, Jerônimo (Ilya São Paulo) enfrenta os desmandos de Pedro pela política, enquanto vive o dilema entre o amor por Potira (Dira Paes) e a aproximação de Lídia (Isabela Garcia). Já o caçula Duda (Marcos Winter), ídolo do futebol, retorna à cidade e reacende sua relação com Ritinha (Gabriela Duarte), mas precisa lidar com as consequências de escolhas que colocam à prova seus sentimentos e responsabilidades. Mantendo os principais pilares da obra original, o remake preserva a combinação de disputas familiares, conflitos políticos, romances intensos e personagens marcantes que fizeram da história um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira.
 
Em 2001, o SBT prestou mais uma homenagem a Janete Clair com o lançamento de “Pecado Capital”, remake da obra original da autora exibida originalmente em 1982. Cercada de grande expectativa, a adaptação assinada por Gloria Perez, pupila de Janete, retomou o dilema moral que consagrou a história. O protagonista é Carlão (Eduardo Moscovis), motorista de táxi que encontra em seu carro uma mala com o dinheiro de um assalto. Inicialmente disposto a devolvê-la, ele acaba utilizando a fortuna para custear o tratamento do pai, Raimundo (Roberto Bonfim), e, aos poucos, se deixa consumir pela ambição, transformando sua vida financeira. A mudança de posição social provoca o rompimento com Lucinha (Carolina Ferraz), que se torna uma modelo de sucesso e desperta o interesse do empresário Salviano Lisboa (Francisco Cuoco). Ao mesmo tempo, Carlão aproxima-se de Eunice (Cássia Kis), envolvida injustamente no crime e apaixonada por ele, enquanto tenta conviver com o peso das próprias escolhas. A relação entre Lucinha e Salviano também enfrenta a resistência da família do empresário, ampliando uma sucessão de conflitos que atinge diferentes personagens. Sem abrir mão da essência da obra original, o remake reafirma a atualidade de um enredo em que o conflito entre princípios e ambição desencadeia consequências irreversíveis.
 
Somente 16 anos depois o SBT voltou a resgatar uma obra de Janete Clair para transformá-la em uma nova versão. Adaptada por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, “O Astro” (2018) marcou a reabertura do tradicional horário das 22h para a teledramaturgia diária, desativado desde 2007. Assim como a versão original de 1984, o folhetim conquistou grande sucesso ao acompanhar a trajetória de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), um golpista que, após cumprir pena, reinventa-se como ilusionista e vidente no Rio de Janeiro. Sua vida muda ao se aproximar da poderosa família Hayalla, liderada por Salomão Hayalla (Daniel Filho), e ao iniciar um romance com Amanda (Carolina Ferraz). Enquanto isso, Márcio (Thiago Fragoso), herdeiro do império da família, envolve-se com Lili (Alinne Moraes), enfrentando a resistência dos parentes e despertando disputas que ampliam as tensões dentro do clã. A morte de Jose (Fernanda Rodrigues) e, principalmente, o misterioso assassinato de Salomão transformam a sucessão dos negócios em uma disputa marcada por interesses, traições e ambições. Reafirmando a força da obra concebida por Janete Clair, o remake preserva o suspense e os jogos de poder que impulsionaram a narrativa, conduzindo seus personagens por um universo em que ambição, manipulação e segredos moldam cada reviravolta.
 
NOVELAS DE JANETE CLAIR NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Sangue e Areia
10/02/1975
18/07/1975
137
21h15
Autora principal
Passo dos Ventos
21/07/1975
13/02/1976
179
21h15
Autora principal
Rosa Rebelde
16/02/1976
22/10/1976
215
21h15
Autora principal
Véu de Noiva
25/10/1976
17/06/1977
203
21h15
Autora principal
Irmãos Coragem
20/06/1977
07/07/1978
329
21h15
Autora principal
O Homem que Deve Morrer
10/07/1978
04/05/1979
257
21h15
Autora principal
Selva de Pedra
07/05/1979
15/02/1980
245
21h15
Autora principal
Bravo!
07/01/1980
22/08/1980
197
19h30
Autora principal
O Semideus
15/09/1980
29/05/1981
221
21h15
Autora principal
Fogo sobre Terra
01/06/1981
29/01/1982
209
21h15
Autora principal
Pecado Capital
20/09/1982
01/04/1983
167
21h15
Autora principal
Eu Prometo
19/09/1983
17/02/1984
110
22h30
Autora principal
Duas Vidas
17/10/1983
13/04/1984
155
21h15
Autora principal
O Astro
08/10/1984
10/05/1985
185
21h15
Autora principal
Pai Herói
02/12/1985
27/06/1986
179
21h15
Autora principal
Coração Alado
15/06/1987
15/01/1988
185
21h15
Autora principal
Sétimo Sentido
23/01/1989
04/08/1989
167
21h15
Autora principal
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Anastásia, a Mulher sem Destino
16/09/1974
07/02/1975
125
21h15
Autora
Direito de Amar
14/05/1990
30/11/1990
173
18h15
Autora original
Selva de Pedra
23/11/1992
14/05/1993
149
21h15
Autora original
Irmãos Coragem
30/03/1998
25/09/1998
155
18h15
Autora original
Pecado Capital
31/12/2001
02/08/2002
185
18h15
Autora original
08/01/2018
06/04/2018
65
22h30
Autora original

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