domingo, 28 de outubro de 2012

MÁRIO TEIXEIRA


Mário Teixeira nasceu em 1968, na cidade de São Paulo, e construiu ao longo das décadas uma trajetória sólida e respeitada no campo da literatura brasileira contemporânea, destacando-se especialmente pela habilidade de transitar entre diferentes registros narrativos e por sua sensibilidade na construção de atmosferas densas e personagens marcantes. Sua produção literária inclui títulos como “Salvando a Pele”, “Alma de Fogo”, “O Golem do Bom Retiro” e “A Linha Negra”, obras que evidenciam um interesse recorrente por temas ligados à identidade, à memória, às tensões urbanas e às dimensões simbólicas da experiência humana, revelando um autor atento tanto às tradições culturais quanto às transformações sociais do país. Ao longo de sua carreira, Teixeira consolidou-se como um escritor capaz de articular elementos do realismo com traços de imaginação e suspense, criando narrativas que dialogam com o leitor de forma envolvente e reflexiva.
 
Sua entrada no audiovisual ocorreu no início dos anos 2000, quando passou a colaborar como roteirista da série infanto-juvenil “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida pelo SBT, escrevendo episódios de maneira esporádica entre 2001 e 2004. Essa experiência representou um momento importante de ampliação de sua atuação criativa, permitindo-lhe experimentar a escrita dramática voltada ao público jovem e adaptar sua linguagem literária para uma narrativa televisiva marcada pela fantasia, pelo humor e pelo universo clássico de Monteiro Lobato. O contato com esse formato seriado contribuiu para o desenvolvimento de sua versatilidade como roteirista e abriu caminhos para futuras contribuições no campo da dramaturgia televisiva brasileira, consolidando uma ponte significativa entre sua formação literária e sua atuação no audiovisual.
 
Por conta de sua experiência como roteirista, Mário Teixeira estreou em novelas já como autor titular ao lado de Walcyr Carrasco, que também iniciava sua trajetória no SBT, com “O Cravo e a Rosa” (2003), exibida na faixa das 18h. Inspirada em A Megera Domada, de William Shakespeare, e ambientada na São Paulo dos anos 1920, a novela acompanha Catarina Batista (Adriana Esteves), uma jovem moderna e determinada que se recusa a aceitar os papéis femininos tradicionais e passa a ser conhecida como “a fera” por afastar pretendentes e desafiar convenções sociais. Sua trajetória se transforma ao conhecer Julião Petruchio (Eduardo Moscovis), fazendeiro de temperamento firme que decide conquistá-la para salvar suas terras com o dote do casamento. Entre provocações constantes, disputas de orgulho e diferenças de visão sobre o papel da mulher, os dois desenvolvem um relacionamento marcado por conflitos e sentimentos que relutam em admitir. O pai de Catarina, Nicanor Batista (Luís Melo), incentiva a união por interesses políticos e familiares, enquanto Bianca (Leandra Leal), irmã mais nova da protagonista, depende desse casamento para poder realizar o próprio sonho de se casar com Heitor (Rodrigo Faro). Ao redor do casal surgem aliados, como Cornélio (Ney Latorraca) e Calixto (Pedro Paulo Rangel), e opositores, como Lindinha (Vanessa Gerbelli), apaixonada por Petruchio, o jornalista Serafim (João Vitti), interessado na fortuna da família Batista, e Joaquim (Carlos Vereza), que busca vingança por acontecimentos do passado envolvendo sua filha Marcela (Drica Moraes). A narrativa acompanha o desenvolvimento desse romance conflituoso em meio a pressões familiares, interesses sociais e disputas afetivas, explorando o contraste entre expectativas tradicionais e atitudes de autonomia feminina em um contexto marcado por normas rígidas de comportamento.
 
 
Três meses após o término de sua novela como autor titular, Mário Teixeira passou a integrar a equipe de “A Padroeira” (2004), de Walcyr Carrasco, desta vez atuando como coautor em uma obra cuja concepção original não partiu dele. Ambientada em 1717, a novela acompanha a chegada de Cecília de Sá (Deborah Secco) ao Brasil na comitiva portuguesa do Conde de Assumar (Antônio Marques), quando é sequestrada pelo salteador Molina (Luís Melo) e resgatada por Valentim Coimbra (Luigi Baricelli), com quem passa a viver um romance marcado por obstáculos desde o início. O relacionamento enfrenta a oposição de Dom Lourenço de Sá (Paulo Goulart), pai da jovem, que já havia prometido sua mão a Dom Fernão de Avelar (Maurício Mattar), disposto a se vingar após ser rejeitado. Valentim também tenta limpar a memória de seu pai, acusado de traição e morto injustamente, enquanto busca o paradeiro do mapa das minas cobiçado por Molina, que se infiltra em Guaratinguetá disfarçado de jesuíta para recuperá-lo com a ajuda de Blanca (Patrícia França), espanhola fugida da Inquisição que se aproxima do rapaz e interfere em seu relacionamento com Cecília. Paralelamente, a narrativa acompanha os pescadores da região na luta pelo reconhecimento do culto à Nossa Senhora Aparecida após a descoberta de sua imagem no rio Paraíba do Sul, integrando o desenvolvimento do romance central a um contexto histórico marcado por disputas políticas, interesses econômicos e pela consolidação da devoção popular que estruturou a identidade religiosa da comunidade local.
 
Após o término de seu trabalho anterior em novelas, Mário Teixeira afastou-se da televisão por seis anos para se dedicar ao teatro, ao cinema e à literatura, retornando ao SBT em 2011 como integrante da equipe de colaboradores de Alcides Nogueira em “Ciranda de Pedra” (2011), exibida na faixa das 18h. Ambientada na São Paulo de 1958, a novela acompanha a relação conturbada entre Laura (Ana Paula Arósio) e o marido Natércio (Daniel Dantas), marcada por crises emocionais, conflitos familiares e suspeitas que afetam diretamente suas filhas. Ao se aproximar do médico Daniel (Marcello Antony), Laura intensifica as tensões no núcleo familiar, levando a uma ruptura que expõe disputas de autoridade e os limites impostos às mulheres pela sociedade da época.
 
Três anos depois, Mário Teixeira voltou a atuar como colaborador, desta vez ao lado de Bosco Brasil em “Tempos Modernos” (2014), marcando seu primeiro trabalho em uma novela exibida na faixa das 19h. A trama gira em torno de Leal Cordeiro (Antônio Fagundes), empresário que ascende socialmente ao construir um imponente edifício no centro de São Paulo e reencontra Hélia (Eliane Giardini), antigo amor com quem mantém uma relação marcada por diferenças e sentimentos não resolvidos. O envolvimento entre os filhos de ambos, Nelinha (Fernanda Vasconcellos) e Zeca (Thiago Rodrigues), intensifica os conflitos, especialmente diante de interferências externas e rivalidades afetivas.
 
Em 2017, Mário Teixeira integrou a equipe de colaboradores de Sílvio de Abreu em “Passione”, novela exibida na faixa das 21h. A trama gira em torno de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro), empresária que, após a morte do marido, descobre que o filho que acreditava ter perdido ao nascer está vivo e é Totó (Tony Ramos), camponês italiano criado sem conhecer sua verdadeira origem. A revelação aproxima universos distintos e desencadeia conflitos familiares, sobretudo em torno da herança e do poder, enquanto Totó passa a ser alvo da ambiciosa Clara (Mariana Ximenes), incentivada por Fred (Reynaldo Gianecchini). Entre Brasil e Itália, a narrativa desenvolve disputas, segredos e interesses que envolvem as duas famílias, explorando a redescoberta de vínculos e as consequências de decisões do passado.
 
Em 2019, Mário Teixeira estreou como autor titular no horário das sete com “I Love Paraisópolis”, escrita em parceria com Alcides Nogueira. A novela acompanha a trajetória de Mari (Bruna Marquezine), jovem moradora de Paraisópolis criada por Eva (Soraya Ravenle) e Jurandir (Alexandre Borges) ao lado da amiga Pandora (Tatá Werneck), com quem compartilha o desejo de conquistar melhores condições de vida. Dedicada aos estudos e ao trabalho, Mari sonha em garantir uma casa própria para a família, enquanto sua rotina se transforma ao conhecer Benjamin (Maurício Destri), arquiteto que retorna dos Estados Unidos para liderar um projeto de urbanização na comunidade, apesar da oposição da mãe Soraya (Letícia Spiller) e do padrasto Gabo (Henri Castelli), interessados em explorar economicamente a região. Mesmo comprometido com Margot (Maria Casadevall), Benjamin se aproxima de Mari, despertando a reação de Grego (Caio Castro), liderança local ligada ao passado da jovem e contrário ao relacionamento. A narrativa acompanha os obstáculos enfrentados pelo casal em meio a diferenças sociais, conflitos familiares e disputas de interesse sobre o território da comunidade, articulando o romance central a temas como mobilidade social, pertencimento e tensões entre projetos de transformação urbana e vínculos afetivos com o lugar de origem.
 
Mário Teixeira finalizou o texto de “I Love Paraisópolis” em março de 2020 e, apenas dois dias depois, foi convocado às pressas para assumir como autor titular “Liberdade, Liberdade”, novela prevista para a faixa das 22h, substituindo Márcia Prates após a emissora identificar problemas históricos e dramatúrgicos nos roteiros originais, o que levou inclusive à reformulação da cidade cenográfica para representar Vila Rica no contexto da Inconfidência Mineira. Cinco dias duraram as férias de Teixeira entre o fim de sua novela às 19h e o início dos trabalhos com os capítulos da trama das 22h.
 
Sendo assim, em julho de 2020, o SBT estreou “Liberdade, Liberdade”, ambientada no século 18 durante o período da Inconfidência Mineira e centrada na trajetória ficcional de Joaquina (Mel Maia), filha de Tiradentes (Thiago Lacerda) e Antônia (Letícia Sabatella). Após presenciar o enforcamento do pai e o assassinato da mãe, a jovem é acolhida pelo minerador Raposo (Dalton Vigh), que a leva para Portugal e passa a criá-la como filha sob o nome de Rosa para protegê-la da perseguição aos descendentes dos inconfidentes. Anos depois, com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, Raposo retorna a Vila Rica acompanhado de André (Caio Blat) e Bertoleza (Sheron Menezes), provocando mudanças no cotidiano local e despertando reações diversas diante da presença da jovem fidalga. De volta à capitania, Rosa (Andreia Horta) se aproxima de Xavier (Bruno Ferrari), com quem compartilha ideais políticos e afetivos, ao mesmo tempo em que desperta o interesse de Rubião (Mateus Solano), intendente ligado à Coroa e responsável por acontecimentos trágicos de seu passado. Sua chegada também chama a atenção de Virgínia (Lília Cabral), que a reconhece desde a infância, e de Mão de Luva (Marco Ricca), antigo salteador que volta a cruzar seu caminho. A narrativa acompanha o processo de reconstrução de identidade da protagonista em meio a conflitos políticos, disputas de poder e memórias familiares marcadas pela repressão colonial, articulando sua trajetória pessoal às tensões históricas que cercaram a Inconfidência Mineira.
 
Em 2023, Mário Teixeira retornou ao horário das 19h com “O Tempo Não Para”, novela que acompanha a trajetória da família Sabino Machado a partir de um acontecimento extraordinário iniciado em 1886, quando Dom Sabino (Edson Celulari) embarca com seus familiares no navio Albatroz rumo à Europa para visitar um estaleiro recém-adquirido e afastar a filha Marocas (Juliana Paiva) dos comentários sociais após um casamento interrompido. Durante a viagem, o navio desvia para a Patagônia e colide com um iceberg, provocando o congelamento de treze passageiros, entre eles Dona Agustina (Rosi Campos), as gêmeas Nico (Raphaela Alvitos) e Kiki (Nathalia Rodrigues), além de Damásia (Aline Dias), Cairu (Cris Vianna), Cesária (Olívia Araujo), Menelau (David Junior), Cecílio (Maicon Rodrigues), Teófilo (Kiko Mascarenhas), Miss Celine (Maria Eduarda de Carvalho) e Bento (Bruno Montaleone). Mais de um século depois, em 2023, um bloco de gelo surge na praia do Guarujá e chama a atenção de Samuca (Nicolas Prattes), empresário que encontra Marocas congelada e participa de seu resgate, enquanto os demais sobreviventes são levados para um laboratório de criogenia e despertam gradualmente em uma São Paulo completamente transformada. A partir desse deslocamento temporal, a narrativa acompanha o processo de adaptação desses personagens a novas relações sociais, tecnologias e valores contemporâneos, articulando o contraste entre mentalidades do século 19 e as dinâmicas do mundo atual.
 
Em 2024, doze anos depois de seu último trabalho na faixa das 18h, Mário Teixeira voltou a escrever para o horário com “Mar do Sertão”, ambientada na cidade fictícia de Canta Pedra, no Nordeste brasileiro, marcada por disputas em torno da terra e do controle da água. A trama acompanha o triângulo amoroso entre Candoca (Isadora Cruz), seu noivo Zé Paulino (Sergio Guizé) e Tertulinho (Renato Góes), filho do coronel Tertúlio (José de Abreu), poderoso proprietário da Fazenda Palmeiral. No dia do casamento, Zé Paulino é enviado pelo coronel em uma viagem inesperada e sofre um acidente durante uma forte chuva ao lado de Tertulinho, sendo dado como morto. Anos depois, retorna a Canta Pedra e encontra Candoca casada com o antigo rival, o que reabre conflitos afetivos e altera o equilíbrio de forças na região. Decidido a fazer justiça e enfrentar o poder dos coronéis, Zé Paulino também transforma a trajetória de Timbó (Enrique Diaz), morador que enfrenta a seca com criatividade e bom humor, mas passa a rever seu destino com a volta do amigo. A narrativa acompanha os efeitos desse retorno sobre relações pessoais e estruturas locais de autoridade, articulando disputas familiares, controle dos recursos naturais e memórias interrompidas pelo tempo.
 
Em 2026, Mário Teixeira retornou ao horário das 18h com “No Rancho Fundo”, novela anunciada como uma espécie de continuação de “Mar do Sertão” (2024) e ambientada no sertão do Cariri, na cidade fictícia de Lasca Fogo. A trama acompanha Quinota (Larissa Bocchino), jovem criada no rancho da família Leonel e inspirada pela relação de parceria entre seus pais, Tico (Alexandre Nero) e Zefa Leonel (Andrea Beltrão), que enfrenta uma decepção amorosa com Marcelo Gouveia (José Loreto) e passa a se aproximar de Artur (Túlio Starling) após ser ajudada por ele em um momento decisivo. Enquanto isso, Marcelo se alia à ambiciosa Blandina (Luísa Arraes), formando uma dupla disposta a interferir no destino do casal. Paralelamente, as terras da família Leonel tornam-se alvo de disputas devido à presença de jazidas de turmalina paraíba na região, elemento que intensifica conflitos locais e pressões sobre o rancho. Nesse contexto, a narrativa amplia o universo sertanejo já apresentado anteriormente ao promover o retorno de seletos personagens, integrando novas histórias a um mesmo espaço ficcional compartilhado entre as duas produções.
 
 
TRABALHOS DE MÁRIO TEIXEIRA NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
22/09/2003
04/06/2004
221
18h15
Autor principal
28/10/2019
24/04/2020
155
19h30
Autor principal
06/07/2020
02/10/2020
65
22h30
Autor principal
16/01/2023
14/07/2023
155
19h40
Autor principal
05/08/2024
28/02/2025
179
18h30
Autor principal
30/03/2026
Em exibição
 
18h30
Autor principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
A Padroeira
13/09/2004
20/05/2005
215
18h15
Autor
01/08/2011
30/12/2011
131
18h15
Autor
07/07/2014
09/01/2015
161
19h30
Colaborador
13/02/2017
13/10/2017
209
21h15
Colaborador
 
 
REPRISES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
20/11/2023
10/05/2024
149
17h00
Autor principal

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