Mário
Teixeira nasceu em 1968, na cidade de São Paulo, e construiu
ao longo das décadas uma trajetória sólida e respeitada no campo da literatura
brasileira contemporânea, destacando-se especialmente pela habilidade de
transitar entre diferentes registros narrativos e por sua sensibilidade na
construção de atmosferas densas e personagens marcantes. Sua produção literária
inclui títulos como “Salvando a Pele”, “Alma de Fogo”, “O Golem do Bom Retiro” e “A Linha Negra”, obras que evidenciam um interesse recorrente por temas ligados à
identidade, à memória, às tensões urbanas e às dimensões simbólicas da
experiência humana, revelando um autor atento tanto às tradições culturais
quanto às transformações sociais do país. Ao longo de sua carreira, Teixeira
consolidou-se como um escritor capaz de articular elementos do realismo com
traços de imaginação e suspense, criando narrativas que dialogam com o leitor
de forma envolvente e reflexiva.
Sua entrada no
audiovisual ocorreu no início dos anos 2000, quando passou a colaborar como
roteirista da série infanto-juvenil “Sítio do
Picapau Amarelo”, exibida pelo SBT, escrevendo episódios de maneira
esporádica entre 2001 e 2004. Essa experiência representou um momento
importante de ampliação de sua atuação criativa, permitindo-lhe experimentar a
escrita dramática voltada ao público jovem e adaptar sua linguagem literária
para uma narrativa televisiva marcada pela fantasia, pelo humor e pelo universo
clássico de Monteiro Lobato. O contato com esse formato seriado contribuiu para o desenvolvimento de
sua versatilidade como roteirista e abriu caminhos para futuras contribuições
no campo da dramaturgia televisiva brasileira, consolidando uma ponte
significativa entre sua formação literária e sua atuação no audiovisual.
Por conta de sua experiência como roteirista,
Mário Teixeira estreou em novelas já como autor titular ao lado de Walcyr
Carrasco, que também iniciava sua trajetória no SBT, com “O Cravo e a
Rosa” (2003), exibida na faixa das 18h. Inspirada em A Megera Domada,
de William Shakespeare, e ambientada na São Paulo dos anos 1920, a
novela acompanha Catarina Batista (Adriana Esteves), uma jovem
moderna e determinada que se recusa a aceitar os papéis femininos tradicionais
e passa a ser conhecida como “a fera” por afastar pretendentes e desafiar
convenções sociais. Sua trajetória se transforma ao conhecer Julião
Petruchio (Eduardo Moscovis), fazendeiro de temperamento firme que
decide conquistá-la para salvar suas terras com o dote do casamento. Entre
provocações constantes, disputas de orgulho e diferenças de visão sobre o papel
da mulher, os dois desenvolvem um relacionamento marcado por conflitos e
sentimentos que relutam em admitir. O pai de Catarina, Nicanor Batista (Luís
Melo), incentiva a união por interesses políticos e familiares, enquanto Bianca
(Leandra Leal), irmã mais nova da protagonista, depende desse casamento
para poder realizar o próprio sonho de se casar com Heitor (Rodrigo
Faro). Ao redor do casal surgem aliados, como Cornélio (Ney
Latorraca) e Calixto (Pedro Paulo Rangel), e opositores, como
Lindinha (Vanessa Gerbelli), apaixonada por Petruchio, o
jornalista Serafim (João Vitti), interessado na fortuna da
família Batista, e Joaquim (Carlos Vereza), que busca vingança
por acontecimentos do passado envolvendo sua filha Marcela (Drica
Moraes). A narrativa acompanha o desenvolvimento desse romance conflituoso
em meio a pressões familiares, interesses sociais e disputas afetivas,
explorando o contraste entre expectativas tradicionais e atitudes de autonomia
feminina em um contexto marcado por normas rígidas de comportamento.
Três meses após o término de sua novela como
autor titular, Mário Teixeira passou a integrar a equipe de “A Padroeira”
(2004), de Walcyr Carrasco, desta vez atuando como coautor em uma obra
cuja concepção original não partiu dele. Ambientada em 1717, a novela acompanha
a chegada de Cecília de Sá (Deborah Secco) ao Brasil na comitiva
portuguesa do Conde de Assumar (Antônio Marques), quando é
sequestrada pelo salteador Molina (Luís Melo) e resgatada por Valentim
Coimbra (Luigi Baricelli), com quem passa a viver um romance marcado
por obstáculos desde o início. O relacionamento enfrenta a oposição de Dom
Lourenço de Sá (Paulo Goulart), pai da jovem, que já havia prometido
sua mão a Dom Fernão de Avelar (Maurício Mattar), disposto a se
vingar após ser rejeitado. Valentim também tenta limpar a memória de seu pai,
acusado de traição e morto injustamente, enquanto busca o paradeiro do mapa das
minas cobiçado por Molina, que se infiltra em Guaratinguetá disfarçado de
jesuíta para recuperá-lo com a ajuda de Blanca (Patrícia França),
espanhola fugida da Inquisição que se aproxima do rapaz e interfere em seu
relacionamento com Cecília. Paralelamente, a narrativa acompanha os pescadores
da região na luta pelo reconhecimento do culto à Nossa Senhora Aparecida após a
descoberta de sua imagem no rio Paraíba do Sul, integrando o desenvolvimento do
romance central a um contexto histórico marcado por disputas políticas,
interesses econômicos e pela consolidação da devoção popular que estruturou a
identidade religiosa da comunidade local.
Após o término de seu trabalho anterior em
novelas, Mário Teixeira afastou-se da televisão por seis anos para se dedicar
ao teatro, ao cinema e à literatura, retornando ao SBT em 2011 como integrante
da equipe de colaboradores de Alcides Nogueira em “Ciranda de Pedra”
(2011), exibida na faixa das 18h. Ambientada na São Paulo de 1958, a novela acompanha
a relação conturbada entre Laura (Ana Paula Arósio) e o marido Natércio
(Daniel Dantas), marcada por crises emocionais, conflitos familiares e
suspeitas que afetam diretamente suas filhas. Ao se aproximar do médico Daniel
(Marcello Antony), Laura intensifica as tensões no núcleo familiar,
levando a uma ruptura que expõe disputas de autoridade e os limites impostos às
mulheres pela sociedade da época.
Três anos depois, Mário Teixeira voltou a atuar
como colaborador, desta vez ao lado de Bosco Brasil em “Tempos
Modernos” (2014), marcando seu primeiro trabalho em uma novela exibida na
faixa das 19h. A trama gira em torno de Leal Cordeiro (Antônio
Fagundes), empresário que ascende socialmente ao construir um imponente
edifício no centro de São Paulo e reencontra Hélia (Eliane Giardini),
antigo amor com quem mantém uma relação marcada por diferenças e sentimentos
não resolvidos. O envolvimento entre os filhos de ambos, Nelinha (Fernanda
Vasconcellos) e Zeca (Thiago Rodrigues), intensifica os
conflitos, especialmente diante de interferências externas e rivalidades
afetivas.
Em 2017, Mário Teixeira integrou a equipe de
colaboradores de Sílvio de Abreu em “Passione”, novela exibida na
faixa das 21h. A trama gira em torno de Bete Gouveia (Fernanda
Montenegro), empresária que, após a morte do marido, descobre que o filho
que acreditava ter perdido ao nascer está vivo e é Totó (Tony Ramos),
camponês italiano criado sem conhecer sua verdadeira origem. A revelação
aproxima universos distintos e desencadeia conflitos familiares, sobretudo em
torno da herança e do poder, enquanto Totó passa a ser alvo da ambiciosa Clara
(Mariana Ximenes), incentivada por Fred (Reynaldo Gianecchini).
Entre Brasil e Itália, a narrativa desenvolve disputas, segredos e interesses
que envolvem as duas famílias, explorando a redescoberta de vínculos e as
consequências de decisões do passado.
Em 2019, Mário Teixeira estreou como autor
titular no horário das sete com “I Love Paraisópolis”, escrita em
parceria com Alcides Nogueira. A novela acompanha a trajetória de Mari
(Bruna Marquezine), jovem moradora de Paraisópolis criada por Eva
(Soraya Ravenle) e Jurandir (Alexandre Borges) ao lado da
amiga Pandora (Tatá Werneck), com quem compartilha o desejo de
conquistar melhores condições de vida. Dedicada aos estudos e ao trabalho, Mari
sonha em garantir uma casa própria para a família, enquanto sua rotina se
transforma ao conhecer Benjamin (Maurício Destri), arquiteto que retorna
dos Estados Unidos para liderar um projeto de urbanização na comunidade, apesar
da oposição da mãe Soraya (Letícia Spiller) e do padrasto Gabo
(Henri Castelli), interessados em explorar economicamente a região.
Mesmo comprometido com Margot (Maria Casadevall), Benjamin se
aproxima de Mari, despertando a reação de Grego (Caio Castro),
liderança local ligada ao passado da jovem e contrário ao relacionamento. A
narrativa acompanha os obstáculos enfrentados pelo casal em meio a diferenças
sociais, conflitos familiares e disputas de interesse sobre o território da
comunidade, articulando o romance central a temas como mobilidade social,
pertencimento e tensões entre projetos de transformação urbana e vínculos
afetivos com o lugar de origem.
Mário Teixeira finalizou o texto de “I Love
Paraisópolis” em março de 2020 e, apenas dois dias depois, foi convocado às
pressas para assumir como autor titular “Liberdade, Liberdade”, novela
prevista para a faixa das 22h, substituindo Márcia Prates após a
emissora identificar problemas históricos e dramatúrgicos nos roteiros
originais, o que levou inclusive à reformulação da cidade cenográfica para
representar Vila Rica no contexto da Inconfidência Mineira. Cinco dias duraram
as férias de Teixeira entre o fim de sua novela às 19h e o início dos trabalhos
com os capítulos da trama das 22h.
Sendo assim, em julho de 2020, o SBT estreou “Liberdade,
Liberdade”, ambientada no século 18 durante o período da Inconfidência
Mineira e centrada na trajetória ficcional de Joaquina (Mel Maia),
filha de Tiradentes (Thiago Lacerda) e Antônia (Letícia
Sabatella). Após presenciar o enforcamento do pai e o assassinato da mãe, a
jovem é acolhida pelo minerador Raposo (Dalton Vigh), que a leva
para Portugal e passa a criá-la como filha sob o nome de Rosa para
protegê-la da perseguição aos descendentes dos inconfidentes. Anos depois, com
a transferência da corte portuguesa para o Brasil, Raposo retorna a Vila Rica
acompanhado de André (Caio Blat) e Bertoleza (Sheron
Menezes), provocando mudanças no cotidiano local e despertando reações
diversas diante da presença da jovem fidalga. De volta à capitania, Rosa
(Andreia Horta) se aproxima de Xavier (Bruno Ferrari), com
quem compartilha ideais políticos e afetivos, ao mesmo tempo em que desperta o
interesse de Rubião (Mateus Solano), intendente ligado à Coroa e
responsável por acontecimentos trágicos de seu passado. Sua chegada também
chama a atenção de Virgínia (Lília Cabral), que a reconhece desde
a infância, e de Mão de Luva (Marco Ricca), antigo salteador que
volta a cruzar seu caminho. A narrativa acompanha o processo de reconstrução de
identidade da protagonista em meio a conflitos políticos, disputas de poder e
memórias familiares marcadas pela repressão colonial, articulando sua
trajetória pessoal às tensões históricas que cercaram a Inconfidência Mineira.
Em 2023, Mário Teixeira retornou ao horário das
19h com “O Tempo Não Para”, novela que acompanha a trajetória da família
Sabino Machado a partir de um acontecimento extraordinário iniciado em 1886,
quando Dom Sabino (Edson Celulari) embarca com seus familiares no
navio Albatroz rumo à Europa para visitar um estaleiro recém-adquirido e
afastar a filha Marocas (Juliana Paiva) dos comentários sociais
após um casamento interrompido. Durante a viagem, o navio desvia para a
Patagônia e colide com um iceberg, provocando o congelamento de treze
passageiros, entre eles Dona Agustina (Rosi Campos), as gêmeas Nico
(Raphaela Alvitos) e Kiki (Nathalia Rodrigues), além de Damásia
(Aline Dias), Cairu (Cris Vianna), Cesária (Olívia
Araujo), Menelau (David Junior), Cecílio (Maicon
Rodrigues), Teófilo (Kiko Mascarenhas), Miss Celine (Maria
Eduarda de Carvalho) e Bento (Bruno Montaleone). Mais de um
século depois, em 2023, um bloco de gelo surge na praia do Guarujá e chama a
atenção de Samuca (Nicolas Prattes), empresário que encontra
Marocas congelada e participa de seu resgate, enquanto os demais sobreviventes
são levados para um laboratório de criogenia e despertam gradualmente em uma
São Paulo completamente transformada. A partir desse deslocamento temporal, a
narrativa acompanha o processo de adaptação desses personagens a novas relações
sociais, tecnologias e valores contemporâneos, articulando o contraste entre
mentalidades do século 19 e as dinâmicas do mundo atual.
Em 2024, doze anos depois de seu último
trabalho na faixa das 18h, Mário Teixeira voltou a escrever para o horário com
“Mar do Sertão”, ambientada na cidade fictícia de Canta Pedra, no
Nordeste brasileiro, marcada por disputas em torno da terra e do controle da
água. A trama acompanha o triângulo amoroso entre Candoca (Isadora
Cruz), seu noivo Zé Paulino (Sergio Guizé) e Tertulinho
(Renato Góes), filho do coronel Tertúlio (José de Abreu),
poderoso proprietário da Fazenda Palmeiral. No dia do casamento, Zé Paulino é
enviado pelo coronel em uma viagem inesperada e sofre um acidente durante uma
forte chuva ao lado de Tertulinho, sendo dado como morto. Anos depois, retorna
a Canta Pedra e encontra Candoca casada com o antigo rival, o que reabre
conflitos afetivos e altera o equilíbrio de forças na região. Decidido a fazer
justiça e enfrentar o poder dos coronéis, Zé Paulino também transforma a
trajetória de Timbó (Enrique Diaz), morador que enfrenta a seca
com criatividade e bom humor, mas passa a rever seu destino com a volta do
amigo. A narrativa acompanha os efeitos desse retorno sobre relações pessoais e
estruturas locais de autoridade, articulando disputas familiares, controle dos
recursos naturais e memórias interrompidas pelo tempo.
Em 2026, Mário Teixeira retornou ao horário das
18h com “No Rancho Fundo”, novela anunciada como uma espécie de
continuação de “Mar do Sertão” (2024) e ambientada no sertão do Cariri,
na cidade fictícia de Lasca Fogo. A trama acompanha Quinota (Larissa
Bocchino), jovem criada no rancho da família Leonel e inspirada pela
relação de parceria entre seus pais, Tico (Alexandre Nero) e Zefa
Leonel (Andrea Beltrão), que enfrenta uma decepção amorosa com Marcelo
Gouveia (José Loreto) e passa a se aproximar de Artur (Túlio
Starling) após ser ajudada por ele em um momento decisivo. Enquanto isso,
Marcelo se alia à ambiciosa Blandina (Luísa Arraes), formando uma
dupla disposta a interferir no destino do casal. Paralelamente, as terras da
família Leonel tornam-se alvo de disputas devido à presença de jazidas de
turmalina paraíba na região, elemento que intensifica conflitos locais e
pressões sobre o rancho. Nesse contexto, a narrativa amplia o universo
sertanejo já apresentado anteriormente ao promover o retorno de seletos personagens,
integrando novas histórias a um mesmo espaço ficcional compartilhado entre as
duas produções.
TRABALHOS DE MÁRIO TEIXEIRA NO
SBT
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
22/09/2003
|
04/06/2004
|
221
|
18h15
|
Autor principal
|
|
|
28/10/2019
|
24/04/2020
|
155
|
19h30
|
Autor principal
|
|
|
06/07/2020
|
02/10/2020
|
65
|
22h30
|
Autor principal
|
|
|
16/01/2023
|
14/07/2023
|
155
|
19h40
|
Autor principal
|
|
|
05/08/2024
|
28/02/2025
|
179
|
18h30
|
Autor principal
|
|
|
30/03/2026
|
Em
exibição
|
|
18h30
|
Autor principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
A Padroeira
|
13/09/2004
|
20/05/2005
|
215
|
18h15
|
Autor
|
|
01/08/2011
|
30/12/2011
|
131
|
18h15
|
Autor
|
|
|
07/07/2014
|
09/01/2015
|
161
|
19h30
|
Colaborador
|
|
|
13/02/2017
|
13/10/2017
|
209
|
21h15
|
Colaborador
|
REPRISES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
20/11/2023
|
10/05/2024
|
149
|
17h00
|
Autor principal
|

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