Lauro
César Martins Amaral Muniz (Ribeirão Preto, 16 de janeiro
de 1938), mais conhecido como Lauro César Muniz, é um escritor brasileiro de reconhecida trajetória na dramaturgia, com
uma carreira construída em diferentes linguagens e meios de comunicação. Autor
de telenovelas, roteiros cinematográficos e peças teatrais, desenvolveu uma
produção marcada pela transição constante entre o teatro, a televisão e o
cinema. Sua formação artística começou ainda na infância, quando teve os
primeiros contatos com o teatro por meio do circo, dos esquetes e das
pantomimas escritas e encenadas pelo palhaço Arrelia. A experiência despertou
seu interesse pela dramaturgia e o levou a participar de um grupo de teatro
amador. Aos 17 anos, venceu um concurso com a peça “O Ovo é um
Galo”, texto inspirado na Revolução
Constitucionalista de 1932, revelando precocemente sua vocação para a
escrita teatral e seu interesse por temas ligados à história e à sociedade
brasileira.
Morando em São Paulo,
Lauro César Muniz conheceu Augusto Boal e passou a frequentar o Teatro de Arena, um dos espaços
fundamentais para a renovação do teatro brasileiro naquele período. Por
sugestão de Boal, ingressou na Escola de Arte Dramática da USP, onde entrou em
contato com nomes fundamentais da crítica, da pesquisa e da formação teatral
brasileira, como Décio de Almeida Prado, Anatol Rosenfeld, Sábato Magaldi e Alfredo Mesquita. Essa formação ampliou sua compreensão sobre dramaturgia e consolidou as
bases de sua carreira profissional. Em 1963, terminou de escrever a comédia “O Santo Milagroso”, sua estreia como
autor profissional. A peça foi encenada com grande sucesso pela companhia de Cacilda Becker, dando ao dramaturgo
seu primeiro grande reconhecimento no circuito teatral. Pelo trabalho, recebeu
naquele mesmo ano o Prêmio Revelação de Autor da Associação Paulista
de Críticos Teatrais. Três anos depois, “O Santo
Milagroso” chegou ao cinema pelas mãos do diretor Dionísio Azevedo, estabelecendo uma
das primeiras pontes entre sua produção teatral e a linguagem cinematográfica.
Ainda na década de
1960, Muniz ampliou sua produção teatral com quatro novas peças montadas
profissionalmente: “A Morte do Imortal” e “A Infidelidade ao
Alcance de Todos”, ambas de 1966, “O Líder”, de 1968, e “A Comédia Atômica”, de 1969. Paralelamente, começou a experimentar a dramaturgia
televisiva por meio do teleteatro, escrevendo trabalhos como “A Bruxa” (1961), “Bar de Esquina” (1961), “A Estátua” (1962) e “Terra de Cegos” (1966). Essas
experiências contribuíram para sua adaptação a uma linguagem narrativa
diferente daquela do palco e abriram caminho para sua consolidação como autor
de televisão. Em 1966, estreou como novelista na TV Excelsior com “Ninguém Crê em Mim”, depois de ter seu
nome sugerido à emissora por Dionísio Azevedo, com quem também dividiria outros projetos. Entre eles está a adaptação
de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, realizada em 1968. Sua trajetória televisiva prosseguiu na TV Tupi,
onde escreveu “Estrelas no Chão” (1967), e na TV Record, para a qual realizou a adaptação de “As Pupilas do Senhor Reitor” (1970) e escreveu “Os Deuses Estão Mortos” (1971).
Em 1972, Lauro César
Muniz começou a trabalhar no SBT, escrevendo o seriado “Shazan, Xerife & Cia.”, baseado nos
personagens criados por Walther Negrão e interpretados por Paulo José e Flávio Migliaccio. A experiência representou mais um passo na diversificação de sua
carreira televisiva, que já transitava entre o teleteatro e a telenovela e
passava a incorporar também o formato seriado. Ao longo desse percurso, sua
formação essencialmente teatral permaneceu como uma das bases de sua escrita,
contribuindo para uma trajetória marcada pela adaptação a diferentes gêneros,
formatos e meios de expressão.
Três meses depois, foi convocado por José
Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para substituir o autor Bráulio
Pedroso, que adoecera durante a realização da novela “O Bofe” na
faixa das 22h. Foi o primeiro contato de Muniz com novelas. Em busca de uma
vida melhor, a jovem viúva Guiomar (Betty Faria) circula por
Copacabana e acaba se envolvendo com Dorival (Jardel Filho),
também viúvo e mecânico que se passa por milionário para frequentar os círculos
da Zona Sul. Sem saberem a verdadeira condição um do outro, os dois sustentam
falsas identidades até que a farsa dá lugar a um sentimento verdadeiro.
Paralelamente, Demétrius, o Grego (Cláudio Marzo), colega
de oficina de Dorival, tenta conquistar Débora (Renée de Vielmond),
mas é desprezado por sua condição financeira até ter o talento como artista
plástico reconhecido. Entre outros personagens, Bandeira (José Wilker),
um hippie que aplica golpes em milionários, e Maneco (Cláudio
Cavalcanti), que planeja matar a tia rica, Carlota (Zilka
Salaberry), movimentam histórias marcadas por humor, sátira e crítica às
aparências e aos valores da vida urbana. A novela marcou a entrada de Lauro
César Muniz no universo das telenovelas do SBT.
Somente cinco anos depois, Lauro César Muniz
voltou a visitar o formato, desta vez em uma obra como autor titular: “Carinhoso”
(1978), exibida na faixa das 19h, escrita especialmente para Regina Duarte
e se baseava na comédia romântica “Sabrina Fair”, de Samuel Taylor.
Cecília (Regina Duarte), filha de um dos criados de uma
tradicional família carioca, cresce ao lado dos filhos dos patrões e se
apaixona por Eduardo (Marcos Paulo), um playboy inconsequente que
não leva o relacionamento a sério. Desiludida, ela parte para Nova York, onde
se torna aeromoça e amadurece. Três anos depois, retorna ao Rio decidida a
reconquistar Eduardo, mas encontra novos obstáculos. Humberto (Cláudio
Marzo), irmão mais velho dele, também é apaixonado por Cecília, enquanto Marisa
(Débora Duarte) disputa Eduardo com ela. A situação se complica com a
chegada de Santiago Morales (Herval Rossano), diplomata argentino
que tenta conquistá-la e acaba envolvendo Cecília em um casamento marcado por
mentiras. A partir do retorno da protagonista, a novela desenvolve uma história
de amadurecimento e desencontros amorosos, marcada pelas mudanças de Cecília e
pelas consequências das escolhas de seus pretendentes.
Poucos meses depois, escreveu sua segunda
novela às 19h: “Corrida do Ouro” (1979) foi uma comédia que começou com
um enigmático testamento e criticou a busca alucinada por dinheiro. O
excêntrico milionário Durval Pontes de Albuquerque morre aos 74 anos e
deixa 75 milhões de cruzeiros para serem divididos igualmente entre cinco mulheres:
Teresa (Aracy Balabanian), Isadora (Sandra Bréa), Patrícia
(Renata Sorrah), Ilka (Maria Luiza Castelli) e Gilda
(Célia Biar), duas delas sem sequer conhecê-lo. A herança, porém, vem
acompanhada de condições que colocam as beneficiárias diante de escolhas
difíceis. Teresa precisa concluir o curso de Jornalismo e assumir a
responsabilidade de garantir o cumprimento das exigências do testamento.
Patrícia deve se casar com Rafael (José Augusto Branco),
funcionário de confiança de Durval que é apaixonado por ela. Isadora precisa
abandonar a carreira artística e viver na fazenda Santa Cruz, enquanto Ilka é
obrigada a retomar a convivência com a mãe, Kiki Vassourada (Zilka
Salaberry), de quem está afastada há anos. Já Gilda, que vive na França com
o marido André (Antônio Patiño) e a filha Wânia (Nívea
Maria), precisa retornar definitivamente ao Brasil. A partir dessas
condições, a novela transforma a disputa por uma fortuna em uma sucessão de
conflitos pessoais, colocando as cinco herdeiras diante do dilema entre o
dinheiro e as próprias escolhas.
Seu primeiro contato com tramas das 21h foi com
“Escalada” (1982), novela que se desenrola por três décadas, destacando
momentos da história do Brasil como a crise do café e a construção de Brasília.
A obra acompanha Antônio Dias (Tarcísio Meira), caixeiro-viajante
que chega a Rio Pardo, no interior de São Paulo, no início dos anos 1940,
disposto a crescer na vida. Dinâmico e habilidoso nos negócios, ele entra em
conflito com o poderoso cafeicultor Armando Magalhães (Milton Moraes)
e se apaixona por Marina (Renée de Vielmond), irmã do rival.
Pressionada por Armando, ela se casa com Paschoal Barreto (Cecil
Thiré) e vai morar nos Estados Unidos, enquanto Antônio se casa com Cândida
(Susana Vieira), dona da fazenda Santa Isabel. A crise do café leva
Antônio a perder sua propriedade e deixar Rio Pardo. No Rio de Janeiro, ele se
torna empresário e conhece o industrial italiano Valério Facchini (Sérgio
Britto), com quem se lança na construção de Brasília. Anos depois, Antônio
e Marina, ambos separados de seus cônjuges, se reencontram e retomam o romance.
Já rico e poderoso, ele retorna a Rio Pardo ao lado dela e decide acertar
contas com Armando, agora arruinado pelas sucessivas crises do café.
Percorrendo décadas de transformações pessoais, econômicas e políticas, a
novela acompanha a ascensão de um homem movido pela ambição, cuja conquista de
poder acaba se sobrepondo até mesmo aos afetos que marcaram sua trajetória.
No ano seguinte, escreve “O Casarão”
(1983). Marco na renovação da linguagem das telenovelas, a história mostra as
questões vividas por cinco gerações de uma família no norte de São Paulo, tendo
como trama central o romance entre Carolina (Sandra Barsotti) e João
Maciel (Gracindo Jr.), um talentoso artista plástico que não se
conforma com o provincianismo da cidade de Sapucaí, onde é ambientada a trama.
A saga começa em 1900, quando o poderoso fazendeiro Deodato Leme (Oswaldo
Loureiro) consegue levar a ferrovia até os limites da Fazenda Água Santa e
constrói o casarão que acompanha a trajetória da família ao longo das décadas.
Sua filha Maria do Carmo (Analu Prestes) é obrigada a se casar
com Eugênio Galvão (Edson França), enquanto ama o imigrante
português Jacinto (Tony Correia). Anos depois, a mesma imposição
se repete com Carolina, que ama João Maciel, mas se casa com Atílio (Denis
Carvalho), contribuindo para a decadência da família após a crise de 1929.
Já em 1976, a propriedade está reduzida a uma fração de seu tamanho original e
seus herdeiros planejam transformá-la em loteamento. É nesse contexto que João
retorna à Água Santa para recuperar uma antiga escultura e reencontrar
Carolina, reacendendo um amor interrompido décadas antes. A trajetória da
família se confunde com as próprias transformações do país, enquanto o casarão,
símbolo de uma época de poder rural, acaba ameaçado pela mesma modernização
ferroviária que um dia impulsionou sua construção.
Em 1984, lança também na faixa das 21h a novela
“Espelho Mágico”, onde ficção e realidade se confundiam: o autor usou
metalinguagem para mostrar o universo da televisão, do teatro e do cinema. A
trama acompanha os bastidores da montagem de uma peça e da fictícia novela “Coquetel
de Amor”, estrelada por Diogo Maia (Tarcísio Meira) e Leila
Lombardi (Glória Menezes), casal famoso cuja relação enfrenta a
resistência de Bia (Lídia Brondi), filha adolescente de Leila,
que deseja vê-la novamente ao lado de seu pai, o dramaturgo Jordão Amaral
(Juca de Oliveira), autor da novela. Paralelamente, a veterana atriz Nora
Pelegrini (Yoná Magalhães), atual mulher de Jordão, tenta retomar a
carreira em um papel secundário, enquanto a ambiciosa Cynthia Levy (Sônia
Braga) busca conquistar espaço a qualquer custo. A produção também
acompanha Bruna Maria (Pepita Rodrigues), que abandona a vida
doméstica ao receber uma proposta para voltar a atuar, e Diana Queiroz (Vera
Fischer), ex-miss Brasil que tenta renovar sua carreira. Com atores,
dramaturgos, jornalistas e outros profissionais ligados ao meio artístico, a
novela transforma os bastidores do espetáculo em matéria de ficção e expõe as
disputas, vaidades, frustrações e relações pessoais de um universo em que vida
e representação constantemente se confundem.
Dois anos depois, retorna à faixa com “Os
Gigantes” (1986), novela que criticou o excessivo poder das multinacionais
e propôs uma discussão sobre a prática da eutanásia. Na trama, Paloma Gurgel
(Dina Sfat) retorna ao Brasil após anos trabalhando no exterior como
correspondente internacional e volta a Pilar, sua cidade natal, para acompanhar
o irmão gêmeo, Fred (João Batista Vieira), que entra em coma após
uma cirurgia no cérebro. Antes do procedimento, ele deixa uma mensagem pedindo
que sua vida seja abreviada caso seu estado se torne irreversível. Diante do
sofrimento do irmão, Paloma desliga os aparelhos que o mantêm vivo e passa a
responder judicialmente pela acusação de eutanásia feita por sua cunhada Veridiana
(Susana Vieira). O caso ganha repercussão nacional e transforma a
jornalista no centro de um intenso debate público, enquanto ela reencontra Fernando
Lucas (Tarcísio Meira) e Chico Rubião (Francisco Cuoco),
amigos de infância que disputam seu amor. A chegada do jovem repórter Polaco
(Lauro Corona) para cobrir o julgamento amplia ainda mais a dimensão
pública do caso. A novela articula o drama familiar e os conflitos afetivos com
questões éticas e sociais controversas, colocando a eutanásia no centro de uma
discussão sobre os limites da vida, da autonomia e da intervenção humana.
Retorna ao horário das 19h com “Transas e
Caretas” (1988), que narrou a história de Francisca Moura Imperial (Eva
Wilma), uma rica empresária, e seus dois filhos, Jordão (Reginaldo
Faria) e Tiago (José Wilker), que pouco se interessam pelos
negócios da família. Os dois são fruto de relações diferentes de Francisca com Roberto
(Paulo Goulart), seu ex-marido sedutor e parasita, que circula pela alta
sociedade sem dinheiro próprio. Distantes da mãe e completamente diferentes
entre si, os irmãos vivem em universos opostos. Jordão cultiva valores
conservadores e um estilo de vida inspirado no século XIX, enquanto Tiago é
fascinado por tecnologia e novidades eletrônicas. Preocupada com a continuidade
da família, Francisca decide interferir na vida amorosa dos filhos e promove um
concurso para encontrar a mulher ideal para um deles. A escolhida é Marília
(Natália do Valle), jovem humilde, culta e determinada, que aceita a
proposta inicialmente por interesse financeiro e passa a se envolver com os
dois irmãos sem que eles saibam. Quando ambos se apaixonam por ela, Marília
percebe que também está dividida e acaba escolhendo Tiago, abandonando Jordão
no altar. A partir desses conflitos, os personagens passam por transformações
que questionam suas próprias certezas, enquanto a disputa amorosa expõe as
diferenças entre tradição, modernidade e os valores familiares.
Em 1989, formou dupla com o autor Daniel Más
para escrever uma nova novela às 19h: “Um Sonho a Mais”. A parceria, no
entanto, não deu certo. Daniel Más ficou até o capítulo 37 e Lauro César Muniz
assumiu a novela trabalhando com Mário Prata e contando com a
colaboração de Dagomir Marquezi. A peça “Volpone”, de Ben
Jonson, autor inglês contemporâneo de William Shakespeare, serviu de
inspiração para a história de um milionário excêntrico que se esforça para
reaver seu amor. Antônio Carlos Volpone (Ney Latorraca) retorna
ao Brasil depois de quase duas décadas no exterior para provar sua inocência na
morte de Telles (Rubens Corrêa), pai de sua antiga noiva, Stela
(Silvia Bandeira), e reconquistar a mulher, hoje casada com seu rival, Orlando
Aranha (Fúlvio Stefanini). Para chamar atenção e investigar os
acontecimentos do passado, Volpone finge estar gravemente doente e volta ao
país dentro de uma redoma de plástico, despertando a curiosidade da imprensa e
de todos que cobiçam sua fortuna. Com a ajuda de seu fiel secretário Mosca
(Marco Nanini), ele assume diferentes disfarces para circular entre os
envolvidos sem ser reconhecido. Enquanto a repórter Amélia Bicudo (Cissa
Guimarães) investiga sua história, Volpone enfrenta Orlando e Renata
(Susana Vieira), mulher que guarda segredos decisivos sobre a noite do
suposto assassinato. A novela transforma a identidade múltipla de seu
protagonista em motor da narrativa, combinando farsa, mistério e romance em
torno da tentativa de limpar seu nome e recuperar o amor perdido.
Quando “Um Sonho a Mais” ainda estava no
ar, Muniz foi convocado pelo SBT para escrever os 17 capítulos finais de “Sol
de Verão”, da faixa das 21h, substituindo o autor Manoel Carlos, que
havia ficado muito abalado com a morte do ator Jardel Filho, que
interpretava o personagem principal da novela. Após decidir se separar de Virgílio
(Cecil Thiré), Raquel (Irene Ravache) deixa Petrópolis com
a filha Clara (Débora Bloch) e se muda para o Rio de Janeiro,
onde se apaixona por Heitor (Jardel Filho), dono de uma oficina
mecânica. O relacionamento enfrenta a resistência da família e dos amigos de
Raquel devido à diferença de classe social, enquanto Virgílio não aceita o fim
do casamento e tenta reconquistar a ex-mulher. Paralelamente, Abel (Tony
Ramos), jovem deficiente auditivo que trabalha na oficina de Heitor, busca
descobrir sua verdadeira identidade e se aproxima de Raquel, que passa a dar
aulas no instituto onde ele estuda. A presença de Abel também desperta o
interesse de Clara e da aeromoça Olívia (Carla Camuratti),
ampliando os conflitos amorosos e familiares.
Em 1990, voltou a ter contato com novela das
22h ao desenvolver junto com Dias Gomes e Ferreira Gullar a trama
de “Araponga”. Parodiando antigos filmes de espionagem e com uma trama
bem-humorada, a novela faz um retrato da vida em um grande centro urbano, o Rio
de Janeiro, através do policial federal Aristênio Catanduva (Tarcísio
Meira), o Araponga. O atrapalhado detetive investiga a morte do
senador Petrônio Paranhos (Paulo Gracindo), que sofre uma síncope
durante uma entrevista com a jornalista Magali Santanna (Christiane
Torloni) em um motel. Araponga, que trabalhou para o antigo Serviço
Nacional de Informações (SNI) durante o regime militar, tenta convencer
seus superiores a reativar o órgão e passa a enxergar uma grande conspiração
por trás da morte do senador. Suas teorias são alimentadas pelas mentiras de
seu informante Tuca Maia (Taumaturgo Ferreira), um malandro que
também se aproxima de Magali e do ambiente jornalístico. Enquanto investiga o
caso, Araponga se apaixona pela jornalista, colocando em risco sua própria
missão. O folhetim transforma seu protagonista em um anti-herói atrapalhado e
obcecado por conspirações, usando o humor e a paródia para revisitar práticas e
mentalidades herdadas do período autoritário.
Retorna à faixa das 21h três anos depois, com “Roda
de Fogo” (1993). Ambientada no Rio de Janeiro, a trama narra a trajetória
de Renato Villar (Tarcísio Meira), empresário bem-sucedido, frio
e inescrupuloso, capaz de tudo para ampliar seu poder. Depois de enviar dólares
para o exterior e eliminar um colaborador que ameaçava sua reputação, ele
descobre que a Justiça possui um dossiê sobre irregularidades em uma de suas empresas.
Com a ajuda do advogado Mário Liberato (Cecil Thiré), tão
perigoso quanto ele, tenta escapar das consequências. Para isso, aproxima-se de
Lúcia Brandão (Bruna Lombardi), juíza incorruptível responsável
por julgar seu caso, inicialmente disposto a seduzi-la, suborná-la ou
chantageá-la. O plano, porém, se volta contra o próprio empresário quando os
dois se apaixonam. A situação muda radicalmente quando Renato descobre ter um
angioma inoperável no cérebro e pouco tempo de vida. Diante da doença, ele abandona
Carolina (Renata Sorrah), sua esposa ambiciosa, e decide
transformar sua vida, ao mesmo tempo em que tenta eliminar os antigos aliados
que o traíram e reconquistar o amor do filho Pedro (Felipe Camargo),
fruto de seu relacionamento com Maura (Eva Wilma),
ex-guerrilheira que retorna ao Brasil carregando os traumas da Ditadura
Militar. “Roda de Fogo” foi escrita a partir de sinopse elaborada na Casa
de Criação Janete Clair, fundada por Dias Gomes em 1985, e constrói
sua narrativa em torno da transformação de um homem movido pelo poder quando
confrontado com a própria finitude.
Em 1995, escreve mais uma novela para o horário
nobre: “O Salvador da Pátria” se passa em duas fictícias cidades
vizinhas, a próspera Ouro Verde e a modesta Tangará. A novela começa quando o
homem mais poderoso da região, o deputado federal Severo Blanco (Francisco
Cuoco), dono da maior fábrica de sucos do local, decide abafar os boatos
sobre seu relacionamento extraconjugal com a jovem Marlene (Tássia
Camargo). Para evitar suspeitas, ele a casa com o ingênuo boia-fria Sassá
Mutema (Lima Duarte), que vive da colheita de laranjas. O caso,
porém, chega aos ouvidos do inescrupuloso radialista Juca Pirama (Luís
Gustavo), que passa a explorá-lo em seu programa. Quando Marlene e Juca são
assassinados, Sassá se torna o principal suspeito e acaba preso. Sua inocência
é comprovada com o apoio popular e da professora Clotilde (Maitê
Proença), por quem se apaixona. A revelação de que Juca estava envolvido
com corrupção e narcotráfico muda o destino de Sassá, que ganha popularidade e
passa a ser disputado pelos políticos locais. Transformado em candidato a
prefeito de Tangará, ele chega ao poder e, em vez de se deixar manipular,
desenvolve uma atuação política própria, alimentando o sonho de chegar a
Brasília. Paralelamente, Severo enfrenta uma complexa rede de interesses
políticos e criminosos, enquanto o piloto João Matos (José Wilker)
é injustamente envolvido em um esquema de tráfico de drogas e assume a
identidade de Miro Ferraz para provar sua inocência. A novela parte de um homem
simples lançado ao centro da política por uma sucessão de acontecimentos para
construir uma narrativa marcada por poder, manipulação, corrupção e ascensão
social, transformando a trajetória de Sassá em uma reflexão sobre a fabricação
de lideranças e o uso político da imagem popular.
Atua pela primeira vez como supervisor de texto
para o autor Carlos Lombardi na novela “Perigosas Peruas” (1996),
exibida na faixa das 19h. Amigas desde a infância, Cidinha (Vera
Fischer) e Leda (Silvia Pfeifer) se apaixonam pelo mesmo
homem, Belo (Mário Gomes), que engravida as duas. No nascimento
das filhas, Belo troca os bebês após a morte da filha de Cidinha, fazendo Leda
acreditar que perdeu sua criança e provocando o afastamento das amigas. Anos
depois, o retorno de Leda ao Brasil e a descoberta da troca reacendem a
rivalidade entre elas, que voltam a disputar Belo e a guarda de Tuca (Natália
Lage), criada sem conhecer sua verdadeira origem. Paralelamente, Belo se
envolve com a família Torremolinos, ligada ao contrabando, enquanto o delegado Venâncio
(Flávio Migliaccio) tenta desarticular a organização.
No mesmo ano, também escreveu e supervisionou o
texto de Marcílio Moraes em “Sonho Meu”, às 18h. Fugindo do
marido violento, Geraldo (José de Abreu), Cláudia (Patrícia
França) tenta reconstruir a vida e recuperar a guarda da filha, Maria
Carolina (Carolina Pavanelli), deixada em um orfanato pela cunhada Elisa
(Nívea Maria). A menina encontra proteção no artesão Tio Zé (Elias
Gleizer), que descobre que ela sofre de uma doença grave. Em busca de
trabalho, Cláudia se aproxima dos irmãos Lucas (Leonardo Vieira)
e Jorge (Fábio Assunção), apaixonando-se pelo primeiro e
despertando a obsessão do segundo. Para garantir o tratamento da filha, ela se
casa com Lucas, mas acaba acusada de bigamia e volta a correr o risco de perder
Maria Carolina. Enquanto isso, Jorge descobre que foi criado como membro da
família Candeias de Sá por causa de um segredo sobre sua origem.
Três anos depois, desloca-se pela primeira vez
para a faixa das 18h com a novela “Quem é Você?” (1999), que aponta o
conflito das irmãs Maria Luísa (Elizabeth Savala) e Beatriz (Cássia
Kis), que reagem de formas diferentes ao abandono do pai, Nelson
Maldonado (Francisco Cuoco), à morte prematura da mãe e a uma
infância problemática. Maria Luísa cresce idealizando o pai e refugia-se em um
mundo de fantasia, enquanto Beatriz reprime os próprios sentimentos e se fecha
emocionalmente. Anos antes, durante um baile de máscaras em Veneza, um episódio
de ciúme envolvendo os casais deixa consequências que vêm à tona quando Beatriz
revela que seu filho Cadu (Pedro Brício) é, na verdade, filho de Afonso
(Alexandre Borges), marido da irmã. A descoberta provoca uma grave crise
em Maria Luísa e abala definitivamente seu casamento. A situação se complica
com o retorno de Cíntia (Luiza Tomé), antiga paixão de Afonso,
enquanto Beatriz aproveita a fragilidade da irmã para tentar afastá-la do
marido. Maria Luísa, ainda apaixonada por Afonso, foge com a ajuda de Gabriel
(Paulo Gorgulho), um homem misterioso que se apaixona por ela. A sinopse
da trama foi idealizada por Ivani Ribeiro e sua colaboradora Solange
Castro Neves por volta de 1993, mas a história acabou sendo engavetada. A
trama foi retomada cinco anos depois como uma homenagem à Ivani. Solange
escreveu apenas os 24 primeiros capítulos (um mês de novela). Diante da pouca
repercussão da trama e, ao desentender-se com Lauro César Muniz, então
supervisor de texto, foi afastada para que ele prosseguisse com os trabalhos
como autor titular.
Volta a escrever para o horário das 19h após
doze anos com “Zazá” (2001). Mesclando fatos históricos e fantasia,
Lauro César Muniz concebeu Marisa Dumont (Fernanda Montenegro), a
Zazá, uma milionária excêntrica, extrovertida e com grande poder
de liderança. Apaixonada por aviões e convencida de ser filha de Santos
Dumont, ela viaja a Paris para viabilizar seu ambicioso projeto BR-15, um
avião atômico. Ao mesmo tempo, decide dar um rumo à vida de seus sete filhos, Dorival
(Cecil Thiré), Renata (Fafy Siqueira), Milton (Antônio
Calloni), Fabiana (Júlia Lemmertz), Solano (Alexandre
Borges), Lavínia (Vanessa Lóes) e Sissy (Rachel
Ripani), herdeiros acomodados que vivem sem grandes motivações. Para
ajudá-los, Zazá contrata sete pessoas que chama de “anjos da guarda”,
cada uma encarregada de auxiliar um dos filhos em sua vida pessoal e
profissional. A chegada de Beatriz (Letícia Spiller), responsável
por acompanhar Renata, porém, desperta a tensão de Fabiana, já que ela é uma
antiga paixão de Hugo (Marcello Novaes), seu noivo, e retorna com
um filho dele. Paralelamente, o advogado Silas Vadan (Ney Latorraca),
inimigo declarado de Zazá, tenta destruir o projeto da milionária enquanto
mantém uma ligação secreta com Ângelo (Jorge Dória), marido dela.
Após romper com o companheiro, Zazá se aproxima do aviador Ulisses (Paulo
Goulart), reencontrando o amor enquanto enfrenta as ameaças contra sua
família e seus planos.
“Zazá” foi inicialmente prevista para
161 capítulos, com exibição até o início de maio de 2002. No segundo trimestre
daquele ano, quando Lauro César Muniz já encaminhava a história para a reta
final, o SBT solicitou a extensão da novela em cerca de 50 capítulos. A medida
tinha como objetivo prolongar sua permanência no ar julho de 2002 e, ao mesmo
tempo, dar à produção de “Corpo Dourado”, atração que substituiria a
novela, mais tempo para solucionar seus problemas iniciais de produção. Com a
ampliação, Muniz precisou estender a narrativa além do planejamento original e
postergar o desfecho da trama. Encerrada a novela, o autor decidiu não renovar
seu contrato com o SBT, concluindo sua passagem pela emissora.
Em 2005, Lauro César Muniz assinou contrato com
a TV Record e estreou na emissora no ano seguinte com “Cidadão
Brasileiro” (2006). A novela acompanha Antônio Maciel (Gabriel
Braga Nunes) ao longo de diferentes fases da vida, entre 1955 e 2006, desde
a chegada a Guará e os primeiros passos em busca de ascensão social até a
consolidação como empresário. Entre fracassos, disputas e mudanças de rumo, ele
se envolve com Luiza (Paloma Duarte), mas se casa com Carolina
(Carla Regina), torna-se prefeito e parte para Brasília durante a
construção da nova capital, onde retoma sua trajetória de sucesso. Mais tarde,
assume os negócios de Otávio Gama (Luís Carlos Miele), envolve-se
com sua viúva, Manuela (Françoise Forton), e reencontra Luiza,
com quem retoma o romance. Aos 80 anos, depois de alcançar uma posição de
destaque, Antônio revisita sua trajetória e morre após reafirmar seu amor por
ela.
Em 2009, Muniz lançou “Poder Paralelo”,
centrada em Tony Castellamare (Gabriel Braga Nunes), que retorna
ao Brasil em busca de vingança após perder a mulher e as duas filhas em um
atentado ligado às suas supostas relações com a máfia. Enquanto o delegado Téo
(Tuca Andrada) investiga a organização criminosa, Tony se aproxima da
jornalista Lígia (Miriam Freeland), que passa a questionar o
próprio envolvimento com um homem suspeito de crimes.
O autor apresentou em 2012 sua última novela: “Máscaras”,
sobre o desaparecimento de Maria (Míriam Freeland) e seu filho e
a tentativa de Otávio Benaro (Fernando Pavão) de descobrir os
responsáveis pelo sequestro. Ao assumir a identidade do cunhado Martim (Heitor
Martinez), ele se infiltra em uma organização criminosa interessada nas
terras de sua família e se envolve com a misteriosa Nameless (Paloma
Duarte). Marcada por problemas de direção, mudanças de horário e baixa
audiência, a produção foi reduzida de 220 para 125 capítulos e teve seu texto
reformulado durante a exibição. Após o encerramento, o contrato de Lauro César
Muniz com a Record foi interrompido.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira,
Lauro César Muniz construiu uma trajetória marcada pela transição entre o
teatro, o cinema e a televisão, consolidando-se sobretudo como um dos nomes de
destaque da dramaturgia brasileira. Sua formação teatral permaneceu como uma
base importante de sua escrita, enquanto a televisão lhe permitiu experimentar
diferentes gêneros, horários e formatos. Suas novelas frequentemente partiram
de conflitos individuais para discutir questões mais amplas, como desigualdade
social, poder econômico, corrupção, política, transformações culturais e
dilemas éticos. Também se destacou pela disposição em incorporar recursos menos
convencionais ao melodrama, como a metalinguagem, a sátira, a paródia e
estruturas narrativas mais complexas. Da estreia profissional no teatro à
última novela, sua obra revela um autor interessado em renovar a linguagem
televisiva e em transformar a telenovela em espaço para conflitos sociais,
políticos e humanos.
TRABALHOS DE LAURO CÉSAR MUNIZ
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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Carinhoso
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23/01/1978
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11/08/1978
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173
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19h30
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Autor principal
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Corrida do Ouro
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22/01/1979
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17/08/1979
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179
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19h30
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Autor principal
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Escalada
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01/02/1982
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17/09/1982
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197
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21h15
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Autor principal
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O Casarão
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04/04/1983
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14/10/1983
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167
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21h15
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Autor principal
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Espelho Mágico
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16/04/1984
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05/10/1984
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149
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21h15
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Autor principal
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Os Gigantes
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30/06/1986
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19/12/1986
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149
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21h15
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Autor principal
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Transas e Caretas
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18/07/1988
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27/01/1989
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167
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19h30
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Autor principal
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|
Um Sonho a Mais
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14/08/1989
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09/02/1990
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155
|
19h30
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Autor principal
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|
Araponga
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15/10/1990
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15/03/1991
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110
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22h30
|
Autor principal
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|
Roda de Fogo
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17/05/1993
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10/12/1993
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179
|
21h15
|
Autor principal
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|
O Salvador da Pátria
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09/10/1995
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10/05/1996
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185
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21h15
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Autor principal
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|
Quem é Você?
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31/05/1999
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03/12/1999
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161
|
18h15
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Autor principal
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|
Zazá
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29/10/2001
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05/07/2002
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215
|
19h30
|
Autor principal
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COMO AUTOR
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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O Bofe
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10/07/1972
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12/01/1973
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135
|
22h30
|
Autor
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|
Sol de Verão
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07/08/1989
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12/01/1990
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137
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21h15
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Autor (17 cap.)
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|
Sonho Meu
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23/12/1996
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08/08/1997
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197
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19h30
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Autor e supervisor
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