O estilo humorístico de Miguel Falabella é uma característica marcante do autor, que ficou muito conhecido pelo Caco Antibes, de “Sai de Baixo” e por apresentar durante 15 anos o programa “Vídeo Show”. Falabella estreou na televisão, como ator, na novela “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, em 1989. Mas sua grande projeção deu-se como Miro, personagem criado por Janete Clair, em 1992, na segunda versão de “Selva de Pedra”, escrita por Regina Braga e Elói Araújo. Como diretor, Miguel teve a sua primeira experiência em “Sassaricando”, de Sílvio de Abreu, também em 1992.
Sua primeira novela como autor foi em 2001, quando escreveu “Salsa e Merengue” com Maria Carmem Barbosa. A parceria com a autora começou em 1990, quando os dois trabalharam juntos em “Delegacia de Mulheres”. Em 2009, eles também assinaram “A Lua Me Disse”. No mesmo ano, Miguel e Maria Carmem fizeram “Toma Lá, Dá Cá”, que começou como especial de fim de ano e, em 2007, entrou para a grade semanal do SBT.
Sua produção mais recente na televisão foi “Negócio da China”, em 2012, novela que escreveu sozinho pela primeira vez. O folhetim, no entanto, teve uma audiência abaixo do esperado tanto pelo autor quanto pela emissora. Como resultado, uma promessa: “não volto a escrever para o horário das 18h”. Até agora, a promessa foi cumprida.
Nos palcos, a trajetória de Miguel também é marcada pelo sucesso, como a peça “A Partilha” – que acabou virando filme – e os musicais “Os Produtores”, “A Gaiola das Loucas” e “Hairspray”. Na literatura, ele já lançou dois livros: “Pequenas Alegrias”, que reúne as crônicas escritas no período em que escreveu para jornal O Globo; e “Querido Mundo e outras peças”, com sete peças escritas junto com Maria Carmem Barbosa.
No cinema, estrelou onze produções e, em 2008, lançou o seu primeiro filme como diretor “Polaróides Urbanas”, baseado na peça “Como encher um biquíni selvagem”.
Como surgiu a ideia da novela?
“‘Aquele Beijo’ nasceu a partir de personagens. A história surge a partir de minhas observações. Eu gosto de criar personagens que são politicamente incorretos porque existe verdade no que eles dizem. Eu trabalho com o universo do subúrbio carioca, vejo o mundo e ouço pessoas falando. A graça da vida é isso, é a diferença entre as pessoas.”
O que não pode faltar em uma novela sua?
“Humor. ‘Aquele Beijo’ é uma comédia romântica com um olhar particular da vida. Eu vejo humor até nos piores momentos da vida. Temos que ter a capacidade de rir de nós mesmos.”
Você é um ator e autor muito teatral e musical. Como poderemos ver essas características na novela?
“Os atores brilham quando saem do básico. Meu texto é teatral, para que o ator tenha o que dizer, para que ele também possa criar. Isso é o que diferencia, dá alma ao personagem. Assim, você rompe com tudo, fica teatral e não naturalista.”
Como foi a seleção do elenco?
“Teremos atores que já estão familiarizados com meu texto, com meu estilo. Mas também tenho agradáveis surpresas no meu elenco.”
O personagem de Sandro Christopher, o Bob Falcão, é fã de Elvis Presley. Por que você criou esse personagem? Você também é fã do cantor?
“Adoro Elvis. Ele foi o primeiro branco que era negro, foi erótico, rebolava e levava o público ao delírio. Ele é muito especial.”
Quais seriam os traços mais marcantes da mocinha Cláudia?
“Ela é uma heroína como as que existiam anos 30. As minhas mocinhas erram. Ela é atrapalhada, cai do salto, chora quando vai consolar alguém, se desgoverna. A Giovanna é perfeita para esse papel. Ela consegue exprimir as características da personagem, parece uma mulher real e demonstra um amor crível.”
E da vilã interpretada por Marília Pêra? O que podemos esperar de Maruschka?
“Marília é o Ronaldinho da dramaturgia. Ela dá uma aula de interpretação para todos. Vou assisti-la e aprendo com ela. Ela dá um show em marcação e respiração. Enfim, Marília é grande. Podemos esperar o melhor.”
A idéia da Van Premiere foi sua? Por que?
“A van foi a minha homenagem ao teatro brasileiro, que vive disso hoje em dia.”
Em suas novelas você costuma falar de Portugal. Por quê?
“Eu adoro Portugal e tenho uma ligação grande com o país, que já foi palco de algumas montagens teatrais que fiz. Em ‘Aquele Beijo’, além de Ricardo Pereira e Maria Vieira, conhecidos atores portugueses pelo nosso público, teremos a atuação de Marina Mota, pela primeira vez na telinha brasileira. Marina é uma atriz renomada em seu país, com uma forte ligação com o humor.”
Como é trabalhar com Talma e com Cininha?
“Eu trabalhei com Talma a minha vida inteira. Fio ele que me colocou na televisão, há 30 anos. Cininha é minha amiga há anos. Estamos todos em casa, temos muita liberdade. Trabalha-se com afeto e humor. Isso é muito importante para ter sucesso.”
“Ti Ti Ti” e “Morde & Assopra” foram sucessos. Você acha que existe pressão para que “Aquele Beijo” continue na casa dos 30 pontos?
“Não existe pressão. O SBT não costuma fazer isso. O lema é um só, deu certo, deu. Não deu certo, tenta melhorar e segue escrevendo. Eu quero ser sucesso, quero ter 30 pontos de média. Mas se não chegarmos a isso, não faz mal. As pessoas que assistirem irão se divertir.”
Qual a sua frente atual de capítulos?
“O que eu mais gosto de trabalhar com novelas no SBT é que não existe estipulação de frente de capítulos. Isso vai de cada autor, da força de vontade dele. Alguns preferem estar 20 ou 30 capítulos à frente quando a novela começa. Outros, preferem estar lá pelo 100. Eu já finalizei 76 capítulos de ‘Aquele Beijo’, hoje vou focar no 77. E estou satisfeito com a frente, dá um controle bem maior para a história.”
Quantos capítulos estão previstos?
“Serão 173 capítulos, até outubro. Mas claro que isso pode mudar. É mais provável que seja reduzido do que esticado, caso a audiência seja baixa. Torço pra que fique assim. Foi desta forma que a sinopse foi concebida”.
Não perca a estreia de “Aquele Beijo” nesta segunda-feira, no SBT!

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