“A Dona do Pedaço” é uma telenovela brasileira produzida e exibida
pelo SBT.
Autoria: Walcyr
Carrasco.
Colaboração: Nelson
Nadotti, Márcio Haiduck e Vinicius Vianna.
Direção: André
Barros, Bernardo Sá, Bruno Martins, Caetano Caruso, Caio
Campos e Vicente Kubrusly.
Direção-geral: Luciano
Sabino.
Direção artística: Amora
Mautner.
Exibição
Período: 23 de março
– 25 de setembro de 2026.
Horário: 21h30 – 90ª
novela das nove.
Duração: 161
capítulos.
TRAMA PRINCIPAL
Em Rio Vermelho, no
Espírito Santo, duas famílias de justiceiros vivem em guerra há gerações: os Ramirez
e os Matheus. Entre os primeiros está Maria da Paz (Juliana
Paes), filha de Ademir (Genésio de Barros) e Evelina (Nívea
Maria), uma jovem bonita, decidida e de bom coração que, apesar de ter sido
criada em meio à violência e preparada para seguir a tradição familiar, jamais
se identifica com o ofício dos parentes. Ao lado da avó Dulce (Fernanda
Montenegro), descobre na cozinha uma possibilidade de vida diferente e
aprende a preparar os bolos que, anos mais tarde, se tornarão a base de sua
independência. Na mesma família estão Zenaide (Maeve Jenkins),
irmã de Maria da Paz e mãe de Fabiana (Maria Clara Baldon) e Virgínia
(Duda Batista), e Chiclete (Luiz Felipe Mello), agregado
dos Ramirez, criado desde pequeno para participar dos negócios da família.
Do outro lado dessa
rivalidade está Amadeu (Marcos Palmeira), filho de Nilda (Jussara
Freire) e Miroel (Luiz Carlos Vasconcelos), um jovem advogado
que também rejeita o destino de violência reservado aos Matheus. O encontro
entre ele e Maria da Paz dá origem a um amor que logo se torna proibido quando
os dois descobrem suas respectivas origens. Em vez de se afastarem, porém,
enfrentam os familiares e conseguem convencê-los a estabelecer uma trégua,
abrindo caminho para o casamento. A paz recém-firmada parece finalmente
encerrar a guerra, mas é destruída no dia da cerimônia, quando Amadeu é baleado
diante do altar. O atentado coloca Maria da Paz na mira dos Matheus e a obriga
a fugir de Rio Vermelho com a ajuda de Evelina, deixando para trás o homem que
ama sem saber se voltará a vê-lo.
A nova onda de vingança
também destrói a família de Maria da Paz. Fabiana é levada para um convento e
criada pelas freiras, enquanto Virgínia desaparece depois que sua mãe é morta e
acaba sendo adotada por Otávio (José de Abreu) e Beatriz (Natália
do Valle). Separadas ainda crianças, as duas irmãs seguem caminhos
completamente distintos sem saber uma da outra. Maria da Paz, grávida de
Amadeu, chega a São Paulo sem dinheiro e é acolhida por Marlene (Suely
Franco), professora aposentada e viúva que lhe oferece abrigo e ajuda nos
primeiros momentos da nova vida. Quando Evelina comunica que Amadeu teria
morrido, o golpe emocional se soma às dificuldades financeiras. Maria da Paz
sofre um parto prematuro e dá à luz Josiane, que precisa permanecer
internada, mas a preocupação com a filha não a impede de buscar uma maneira de
sustentá-la. Com o incentivo de Marlene e o apoio de Antero (Ary Fontoura),
vizinho que se torna um de seus primeiros aliados, começa a vender bolos pelas
ruas. O pequeno negócio cresce, ela abre uma loja e dá início à construção da
Bolos da Paz.
Enquanto Maria da Paz
tenta reconstruir a própria vida, Amadeu sobrevive ao atentado e passa por uma
longa recuperação. Gilda (Heloísa Jorge), fisioterapeuta
responsável por acompanhá-lo, torna-se sua companheira durante o período de
tratamento e, acreditando que Maria da Paz está morta, ele acaba se casando com
ela. A mentira sustentada pelas duas famílias mantém o casal separado por duas
décadas. Já em São Paulo, Amadeu constrói uma nova família ao lado de Gilda e
do filho Carlito (João Gabriel D’Aleluia), enquanto Maria da Paz
dedica-se à criação de Josiane e à expansão da empresa que começou praticamente
do zero.
Vinte anos depois,
Maria da Paz é uma empresária bem-sucedida, dona de uma grande rede de
confeitarias, mas continua levando uma vida simples e colocando a filha no
centro de suas decisões. Josiane (Agatha Moreira), entretanto,
cresceu envergonhada da origem humilde da mãe e fascinada pelo universo da
fama. Seu objetivo é tornar-se uma digital influencer e conquistar o
mesmo prestígio de Vivi Guedes (Paolla Oliveira), uma famosa it
girl criada por Otávio e Beatriz sem saber que é, na verdade, Virgínia, uma
das sobrinhas desaparecidas de Maria da Paz. Para se aproximar da
influenciadora, Josiane conta com a ajuda de Kim (Monica Iozzi),
responsável por sua carreira e pela de Vivi, e passa a construir uma imagem
pública inspirada na referência que encontrou nas redes sociais.
A história das irmãs
também começa a se reencontrar. Ao assistir Vivi na televisão, Fabiana (Nathalia
Dill) reconhece o amuleto que a jovem usa e percebe que finalmente
encontrou a irmã desaparecida. Depois de deixar o convento, segue para São
Paulo e se aproxima dela, primeiro como uma conhecida e depois como alguém cada
vez mais presente em sua vida. O reencontro desperta a felicidade de recuperar
a família, mas também antigos ressentimentos, já que Fabiana cresceu em
condições muito diferentes das de Vivi e passa a invejar a vida que a irmã
construiu. A proximidade com Camilo (Lee Taylor), noivo de Vivi e
investigador de polícia, oferece ainda mais espaço para suas manipulações, e a
relação do casal começa a se desgastar à medida que ela alimenta as
inseguranças do policial.
O passado de Maria da
Paz também retorna inesperadamente. Ao descobrir que a proprietária da Bolos
da Paz se chama Maria da Paz, Amadeu desconfia que o grande amor de sua
juventude possa estar vivo. Uma ida à confeitaria e o sabor de um bolo de
canela confirmam a suspeita. O reencontro é carregado de emoção e reacende
imediatamente a paixão que os dois nunca conseguiram superar. Amadeu descobre
ainda que Josiane é sua filha, enquanto Maria da Paz precisa enfrentar a realidade
de que o homem que julgava morto está vivo, mas passou vinte anos ao lado de
outra mulher. Ele pensa em abandonar Gilda para reconstruir a vida
interrompida, mas a descoberta de que ela está gravemente doente muda seus
planos. Mesmo ainda apaixonado por Maria da Paz, decide permanecer ao lado da
esposa durante o tratamento.
Fragilizada pelo
reencontro e pela impossibilidade de viver plenamente esse amor, Maria da Paz
acaba se aproximando de Régis (Reynaldo Gianecchini). Bonito,
charmoso e acostumado ao luxo, ele pertence a uma família tradicional que
perdeu quase tudo e depende financeiramente do cunhado Agno (Malvino
Salvador). Viciado em jogos e determinado a recuperar o padrão de vida
perdido, Régis encontra em Josiane a parceira ideal para colocar em prática um
plano contra a própria mãe. Os dois percebem que seus interesses se
complementam: ela quer a fortuna de Maria da Paz, enquanto ele precisa
desesperadamente de dinheiro. A solução é simples: seduzi-la, casar-se com ela
e tomar seu patrimônio.
Maria da Paz acredita
que está finalmente encontrando uma nova oportunidade para ser feliz e aceita o
pedido de casamento. O que começa como uma armação, porém, sofre uma
reviravolta quando a convivência faz Régis enxergar a mulher por trás da
fortuna. A generosidade, a confiança e a dedicação de Maria da Paz despertam
sentimentos verdadeiros, e ele começa a se arrepender do golpe. Josiane percebe
a mudança e passa a pressioná-lo para que siga adiante com o plano. Na mansão, Ellen
(Rosane Gofman), governanta e confidente de Maria da Paz, começa a
desconfiar da proximidade entre os dois, enquanto Jardel (Duio Botta),
mordomo da casa, descobre a traição e decide chantageá-los. Josiane resolve
eliminar a ameaça e Jardel acaba morto, enquanto Fabiana presencia o crime e
registra tudo. Pouco depois, Lucas (Kainan Ferraz), que também
tenta extorquir a jovem, tem o mesmo destino. A ambição de Josiane deixa de ser
apenas um projeto de ascensão social e passa a ser sustentada por uma sucessão
de crimes.
Quando Maria da Paz
finalmente descobre Régis com a filha, sente-se traída pelas duas pessoas em
quem mais confiava. Dominada pelo choque, pega um revólver e atira no marido,
que é levado ao hospital. A partir daí, a verdade vem à tona: o casamento fazia
parte de um plano para roubar toda a sua fortuna. A revelação destrói a relação
entre mãe e filha e deixa Maria da Paz sem o patrimônio que levou duas décadas
para construir. Obrigada a abandonar a mansão e a vida confortável, ela retorna
às origens e volta a vender bolos pelas ruas, contando novamente com o apoio de
Marlene, Evelina e Antero. Apesar da humilhação e da perda, encontra na própria
capacidade de trabalhar a força para começar mais uma vez.
A oportunidade surge em
um reality culinário, no qual Maria da Paz consegue demonstrar que seu talento
continua intacto. A vitória, conquistada com um bolo vermelho ligado à tradição
de sua família, rende R$ 1 milhão e permite que ela volte a sonhar com a
reconstrução da carreira. A receita, porém, produz um efeito ainda maior: ao
provar o bolo, Vivi começa a recuperar lembranças da infância. A investigação
sobre seu passado a leva até Maria da Paz, e o encontro entre as duas revela a
verdade escondida por décadas. Os amuletos confirmam a ligação e Vivi descobre
que é Virgínia, a sobrinha que Maria da Paz havia perdido ainda criança. A
descoberta representa a recuperação de uma parte da família destruída pela
guerra entre Ramirez e Matheus, embora Fabiana, ressentida por tudo o que
viveu, tenha dificuldade em aceitar a aproximação.
A partir desse momento,
a vida de Maria da Paz passa a se entrelaçar ainda mais com a de Vivi. Ao mesmo
tempo, surge uma nova ameaça para a influenciadora. Chiclete (Sergio
Guizé), agora adulto, chega a São Paulo enviado pelo tio Adão (César
Ferrario) para executar uma encomenda: matar Vivi. Criado desde a infância
para atuar como justiceiro, ele deveria cumprir a missão e retornar para Rio
Vermelho, mas o encontro com o alvo transforma completamente seus planos.
Chiclete se apaixona por Vivi e decide protegê-la em vez de assassiná-la. O
romance também faz com que ele rompa gradualmente com o destino que sua família
havia escolhido para ele.
O relacionamento
desperta a obsessão de Camilo. Incapaz de aceitar que Vivi o deixou por outro
homem, o investigador passa a controlar seus movimentos e, com a ajuda de Berta
(Ana Lúcia Torre), transforma a vida da influenciadora em um cárcere. A
situação se torna ainda mais complicada quando Leandro (Guilherme
Leicam), filho adotivo de Adão, é enviado para substituir Chiclete na
missão. Assim como o primo, ele não consegue cumprir a encomenda e acaba se
apaixonando por Agno, levando o empresário a romper definitivamente com Lyris
(Deborah Evelyn). Cássia (Mel Maia), filha do casal, sofre
com a separação e precisa aprender a lidar com a nova configuração familiar.
Enquanto os conflitos
em torno de Vivi se intensificam, Josiane começa a ser cercada pelas próprias
ações. Téo (Rainer Cadete), fotógrafo que trabalha com as
influenciadoras digitais e se apaixona por ela, descobre parte de seus crimes e
se transforma em uma ameaça. A jovem tenta silenciá-lo, atacando-o em um motel,
mas ele sobrevive. Yohana (Monique Alfradique), parceira de
Camilo na polícia, assume a investigação e começa a reunir as provas que ligam
Josiane aos acontecimentos. Aos poucos, o cerco se fecha, e a jovem percebe que
já não consegue controlar todas as pessoas que poderiam denunciá-la.
A tentativa de fuga
para Rio Vermelho termina com a prisão de Josiane. Amadeu inicialmente assume a
defesa da filha, mas abandona o caso depois de ouvir suas confissões e perceber
que ela continua tentando manipular a situação. Maria da Paz precisa então
enfrentar uma das maiores dores de sua vida: testemunhar contra a própria filha
e aceitar que a menina que criou com tanto amor tornou-se responsável por
crimes graves. O julgamento termina com a condenação a trinta anos de prisão,
encerrando a fase mais sombria da trajetória de Josiane e deixando a mãe
dividida entre a dor e o amor que ainda sente por ela.
Na prisão, Josiane
começa a demonstrar arrependimento e aproxima-se da religião, enquanto Régis
também abandona gradualmente a antiga vida e passa a se dedicar a uma
trajetória de transformação. Fabiana, por sua vez, perde a fortuna que havia
conquistado e retorna ao convento, mas não permanece ali por muito tempo. Rael
(Rafael Queiroz) reaparece e a convence a abandonar novamente a vida
religiosa para atuar como justiceira. Assim, enquanto Vivi utiliza a descoberta
de suas origens para reconstruir os vínculos familiares, Fabiana escolhe
alimentar o ressentimento e voltar ao universo de violência do qual havia
tentado escapar.
A situação de Vivi
chega ao extremo quando Camilo a mantém presa e passa a controlar completamente
sua vida. Chiclete descobre onde ela está e parte para resgatá-la. O confronto
termina com a morte do investigador e a libertação da influenciadora, que
decide abandonar o Brasil ao lado do homem que deveria tê-la matado. Longe das
câmeras e da exposição, os dois escolhem uma vida mais simples, encerrando o
ciclo que começou com uma encomenda de assassinato e terminou em amor. Com
isso, Chiclete também rompe definitivamente com o legado de violência dos
Ramirez.
De volta ao centro da
história, Maria da Paz consegue recuperar a Bolos da Paz e reconstruir a
estabilidade que havia perdido. Depois da morte de Gilda, Amadeu finalmente
está livre para assumir o amor que continua sentindo, e a relação entre os dois
amadurece depois de tantos anos de separação. Régis ainda tenta reconquistar a
empresária, mas ela percebe que seu coração continua pertencendo ao homem que
amou em Rio Vermelho. Quando Amadeu se declara novamente, Maria da Paz decide
dar uma nova oportunidade àquele amor interrompido diante do altar. Grávida,
ela aceita se casar com ele e finalmente realiza o casamento que a violência
das famílias havia impedido duas décadas antes.
A união representa
também o rompimento definitivo com o passado. Dessa vez, nenhuma vingança
interrompe a cerimônia, e os dois conseguem construir a família que sempre
desejaram. Maria da Paz dá à luz uma menina, encerrando sua trajetória ao lado
de Amadeu e iniciando uma nova geração longe da guerra entre Ramirez e Matheus.
Enquanto isso, os demais personagens seguem caminhos determinados pelas
próprias escolhas: Vivi e Chiclete partem juntos para uma nova vida, Fabiana
retorna ao mundo dos justiceiros, e Régis, depois de acreditar na redenção de
Josiane, acaba assassinado por ela. Téo e Kim seguem adiante, Yohana encerra a
investigação dos crimes e Camilo deixa como legado uma história marcada pela
obsessão.
No fim, a trajetória de
Maria da Paz se distingue justamente pela capacidade de recomeçar. A jovem que
recusou o destino de justiceira encontrou nos bolos uma forma de construir a
própria independência; a mulher que acreditou ter perdido Amadeu para sempre
conseguiu reencontrá-lo; a mãe que foi traída pela própria filha perdeu tudo o
que havia conquistado, mas teve forças para reconstruir sua vida; e a
empresária que precisou voltar às ruas conseguiu recuperar seu negócio e sua
dignidade. Ao lado de Amadeu e com a filha recém-nascida, Maria da Paz finalmente
encerra a longa história de violência que marcou sua família, provando que seu
destino não precisaria ser determinado pela herança dos Ramirez, mas pelas
escolhas que fez ao longo da vida.
TRAMAS PARALELAS
Otávio, Beatriz e as
consequências das traições
Otávio (José de Abreu)
e Beatriz (Natália do Valle) vivem em uma relação marcada por
anos de casamento e pelas constantes infidelidades dele. Rico, refinado e
acostumado a seduzir outras mulheres, o empresário não demonstra grande
preocupação com as consequências de seus casos, enquanto a esposa prefere preservar
a família e suportar as traições. Linda (Rosamaria Murtinho), mãe
de Beatriz, contribui para essa postura ao aconselhar a filha a fazer vista
grossa para as aventuras do marido, temendo que uma separação destrua o
casamento. A própria Vivi (Paolla Oliveira), entretanto, começa a
perceber que o comportamento do pai ultrapassa os limites e passa a
confrontá-lo, sobretudo quando suas atitudes ameaçam diretamente a estabilidade
da família.
A situação ganha
contornos trágicos quando Edilene (Cynthia Senek), jovem que
trabalha como copeira na casa, se envolve com Otávio. Filha de Cosme (Osvaldo
Mil), motorista da família, ela acredita que o casamento do patrão está
acabado e que basta engravidar para fazê-lo assumir a relação. Quando descobre
a gravidez, porém, encontra uma reação violenta: Otávio exige que interrompa a
gestação. O procedimento dá errado, Edilene sofre uma hemorragia e acaba
morrendo no hospital, não sem antes revelar ao pai que o empresário foi
responsável pelo que aconteceu. Devastado pela perda da filha, Cosme decide se
vingar e procura Adão (César Ferrario) em Rio Vermelho para
encomendar a morte de Vivi Guedes. A vingança acaba desencadeando uma história
completamente diferente daquela imaginada pelo motorista, pois Chiclete
(Sérgio Guizé), enviado para executar o serviço, apaixona-se pela
própria vítima e abandona a missão.
Depois da morte de
Edilene, Otávio continua levando uma vida de aventuras e se envolve com Sabrina
(Carol Garcia), amiga da jovem. Inicialmente resistente, ela logo se
deixa seduzir pelo dinheiro e pelo conforto oferecidos pelo empresário, que lhe
dá um flat e passa a sustentá-la. Sabrina mantém da família o fato de trabalhar
como garota de programa e encara Otávio como seu Sugar Daddy, acreditando que
poderá transformar o caso em uma relação mais duradoura. A situação se complica
quando Beatriz descobre a dimensão das traições do marido e percebe que até
mesmo sua própria mãe vinha minimizando o comportamento dele. Diante da pressão
de Vivi Guedes e do sofrimento provocado pelas revelações, ela finalmente
decide se separar.
Livre do casamento,
Beatriz começa a reconstruir a própria vida e se aproxima de Zé Hélio (Bruno
Bevan), funcionário da fábrica de Maria da Paz (Juliana Paes).
A diferença de idade inicialmente a faz acreditar que o relacionamento não terá
futuro, mas a sinceridade do rapaz e o sentimento que nasce entre os dois
acabam vencendo suas inseguranças. Linda tenta interferir novamente, enquanto
Otávio também demonstra resistência, mas Beatriz já não está disposta a
permitir que outras pessoas decidam por ela. O casal enfrenta as dificuldades,
oficializa a união e encontra uma nova oportunidade de felicidade. Otávio,
depois de resistir à separação, termina aceitando a nova fase da ex-mulher e
passa a respeitar sua escolha.
A família de Eusébio
Eusébio (Marco Nanini)
vive em São Paulo depois de perder o emprego e passar um período como morador
de rua. Sem muita disposição para trabalhar e sempre procurando uma maneira
mais fácil de conseguir dinheiro, instala-se com a família em um casarão
vizinho à casa de Marlene (Suely Franco). A proximidade faz com
que os dois grupos convivam constantemente, e Dodô (Rosi Campos)
torna-se amiga de Maria da Paz (Juliana Paes) e participa dos
primeiros momentos de sua vida na cidade. Entre os filhos, Rock (Caio
Castro) concentra suas esperanças no boxe, Zé Hélio (Bruno Bevan)
demonstra ser o mais responsável e dedicado ao trabalho, enquanto Rarisson
(Theo Almeida), que passa um período longe para concluir a formação em
Ciências Contábeis, mantém contato principalmente com o irmão. Sabrina (Carol
Garcia), por sua vez, esconde da família a atividade que exerce à noite.
A rotina da família
muda quando Eusébio decide procurar o pai biológico depois de acreditar que
pode ter direito a uma herança. O plano começa de maneira atrapalhada,
especialmente depois que ele aposta o dinheiro de Cornélia (Betty
Faria) na loteria e perde a quantia. Com a ajuda de Antero (Ary
Fontoura), consegue levantar informações sobre o possível pai e chega até Dinorá
(Berta Loran), que havia sido casada com o homem procurado. O encontro
provoca uma surpresa: Juninho (Marco Nanini) é praticamente
idêntico a Eusébio. A semelhança faz com que a família desconfie de um
parentesco, mas o rapaz inicialmente se recusa a fornecer material para o exame
de DNA. A disputa entre os dois chega a um ponto absurdo quando eles brigam no
cemitério e acabam no hospital. Depois da exumação do corpo do possível pai, a
paternidade é confirmada, e Eusébio consegue negociar sua parte na herança.
A chegada de Juninho e
Dinorá à vida da família provoca novas confusões. Os dois acabam perdendo a
casa onde viviam e passam a pressionar Eusébio para que os receba. Mesmo contrariado,
ele permite que os dois se instalem com a família. Enquanto isso, Cornélia
continua no centro das disputas por dinheiro, especialmente por causa de Chico
(Tonico Pereira), seu marido, que só pensa em aproveitar-se da fortuna
dela. A situação muda completamente quando Cornélia ganha na loteria e se torna
milionária. A nova riqueza altera o padrão de vida de todos, e a família passa
a morar em uma mansão, mas o dinheiro também aumenta a cobiça dos parentes e
cria novas brigas. Cornélia, pouco acostumada ao universo da elite, procura até
Gladys (Nathalia Timberg) para aprender etiqueta e tentar se
adaptar ao novo círculo social.
Rock, entretanto, está
mais interessado em transformar o boxe em profissão. O sonho do rapaz ganha
força quando Agno (Malvino Salvador) decide investir em sua
carreira e contrata Abdias (Felipe Tito) para treiná-lo. A
preparação coloca Rock em contato com Paixão (Duda Nagle),
lutador que se torna seu principal rival e é treinado por Coruja (Breno
Guimarães). Depois de provocações e desafios, os dois chegam a se enfrentar
em uma luta equilibrada, que termina empatada. A rivalidade continua e dá
origem a uma nova disputa, enquanto Rock também vive uma vida amorosa
movimentada. Depois de se envolver com Fabiana (Nathalia Dill),
acaba se apaixonando por Joana (Bruna Hamu), cuja personalidade
doce faz com que ele passe a desejar uma relação mais estável. Aos poucos,
deixa o relacionamento anterior para trás e decide construir um futuro ao lado
dela.
Zé Hélio segue uma trajetória
mais tranquila. Responsável e dedicado aos estudos, consegue uma oportunidade
na área de tecnologia da fábrica de Maria da Paz e começa a construir uma
carreira própria. É nesse ambiente que se aproxima de Beatriz e se apaixona por
ela. A diferença de idade preocupa a empresária, que inicialmente tenta
resistir ao envolvimento, mas o relacionamento amadurece e se transforma em uma
união definitiva. A resistência da família não impede que os dois sigam juntos,
e Zé Hélio acaba se tornando uma figura importante na vida de Beatriz.
O retorno de Rarisson
provoca uma transformação ainda maior. Depois de passar anos longe, ele
reaparece como Britney (Glamour Garcia), revelando à família que
realizou sua transição de gênero e agora vive oficialmente como mulher. A
notícia inicialmente causa estranhamento, mas Britney encontra apoio
principalmente em Zé Hélio e começa a construir uma nova vida em São Paulo. Seu
caminho profissional a leva até a fábrica de Maria da Paz, onde conhece Abel
(Pedro Carvalho), confeiteiro responsável pela produção dos bolos. O
envolvimento entre os dois cresce rapidamente, mas Abel desconhece que Britney
é uma mulher trans. Quando ela revela a verdade, ele reage com preconceito e
rompe a relação, provocando grande sofrimento.
A separação, porém, não
encerra o sentimento. Abel passa a refletir sobre sua própria atitude e recebe
o apoio de Márcio (Anderson Di Rizzi) e Zé Hélio para compreender
que precisa enfrentar o preconceito que o afastou de Britney. Cornélia,
entretanto, interfere ao fazer a jovem acreditar que Abel está interessado
apenas na fortuna que ela poderá receber. O mal-entendido provoca um novo
afastamento, mas a verdade acaba prevalecendo. Abel demonstra que seus
sentimentos são genuínos, reconquista a confiança de Britney e chega a pedir a
jovem em casamento. Depois de tantas dificuldades, os dois conseguem
reconstruir a relação.
Sabrina segue uma
trajetória mais turbulenta. Enquanto mantém escondida da família sua profissão,
envolve-se com Otávio e passa a desfrutar do dinheiro que ele lhe oferece.
Quando o empresário decide terminar o relacionamento, ela se recusa a aceitar o
fim e começa a ameaçá-lo com um escândalo. Cornélia torna-se uma de suas
confidentes e tenta ajudá-la a recuperar o empresário, mas Otávio permanece
decidido a encerrar a relação. Aos poucos, Sabrina perde espaço na vida dele e
precisa seguir seu próprio caminho, enquanto o restante da família passa por
transformações provocadas pela herança, pelo boxe, pelos novos relacionamentos
e pela chegada de Britney.
A fábrica e as
confeitarias
Maria da Paz (Juliana Paes)
conta com Márcio (Anderson Di Rizzi) na administração de sua
fábrica de bolos. Sério e responsável, o gerente é um dos homens de confiança
da empresária e procura manter o negócio funcionando mesmo diante das
constantes interferências externas. Na vida pessoal, mantém um relacionamento
com Sílvia (Lucy Ramos) e sonha em se casar com ela, mas a
situação muda quando Kim (Mônica Iozzi), cada vez mais próxima da
rotina profissional da fábrica, passa a investir em sua sedução. O interesse
dela transforma a relação em uma sucessão de conflitos, principalmente porque
Márcio continua dividido entre a atração por Kim e os sentimentos que mantém
por Sílvia.
Na produção, Abel
(Pedro Carvalho) é responsável por executar as receitas criadas por
Maria da Paz, testar os produtos e acompanhar a qualidade dos bolos. Seu
trabalho ganha importância quando a fábrica passa a enfrentar concorrência
direta e novas disputas pelo mercado. Sueli (Samira Lochter),
secretária, e os vendedores Jenifer (Luciana Fernandes) e Tonho
(Betto Marque) completam a equipe e acompanham as mudanças provocadas
pela chegada de Fabiana (Nathalia Dill), que assume o controle da
fábrica e decide transformá-la em instrumento de sua rivalidade com Maria da
Paz.
Fabiana passa a exigir
que os funcionários produzam versões dos bolos de Maria da Paz para tentar
superar a concorrência. Como Abel não consegue reproduzir exatamente os
sabores, Jenifer fotografa as receitas e entrega as informações a Rael (Rafael
Queiroz), que as repassa à nova dona da fábrica. A fraude é descoberta
quando Britney reconhece a letra de Maria da Paz nas anotações e percebe que as
receitas foram roubadas. Jenifer admite o que fez e acaba demitida, enquanto
Márcio começa a questionar abertamente as decisões de Fabiana. A situação fica
ainda mais delicada quando ela impõe regras rígidas aos funcionários e tenta
obrigar Britney a abandonar sua identidade feminina, exigindo que volte a se
apresentar como Rarisson.
Britney se recusa a
aceitar a imposição e enfrenta Fabiana. Ao descobrir que a jovem contou a Maria
da Paz sobre o roubo das receitas, a empresária tenta intimidá-la, mas Britney
ameaça recorrer à Justiça caso seja demitida por sua identidade de gênero.
Paralelamente, Márcio alerta Sueli sobre a maneira como Fabiana vem conduzindo
o negócio e percebe que a fábrica está sendo utilizada muito mais como
instrumento de vingança do que como uma empresa. A situação se agrava quando
Fabiana decide competir diretamente com a nova confeitaria de Maria da Paz,
ordenando que sua equipe descubra maneiras de reproduzir os produtos da antiga
proprietária.
Depois de ser demitida,
Jenifer decide voltar para sua família na Bahia, enquanto Tonho permanece
ligado ao negócio e acompanha as mudanças provocadas pela disputa. Mais tarde,
Maria da Paz volta a contratar antigos funcionários e reorganiza a equipe
quando consegue recuperar seu espaço no mercado. A fábrica, que começou como
símbolo do sucesso construído por ela, passa por diferentes mãos e
transforma-se em cenário de disputas empresariais, traições e tentativas de
sabotagem, mas também de reencontros e novas oportunidades profissionais.
A academia e o universo
do boxe
Rock (Caio Castro)
encontra na academia o espaço para transformar o sonho de ser boxeador em
profissão. O local é administrado por Adriano (Thiago Tomé),
enquanto André (Fernando Zilli) e Lígia (Dani Guimarães)
participam da rotina como professores. Quando Agno (Malvino Salvador)
decide apostar no talento do rapaz, contrata Abdias (Felipe Tito)
para acompanhá-lo nos treinamentos e prepará-lo para as lutas profissionais. O
investimento dá a Rock a estrutura que faltava, mas também coloca sobre ele a
responsabilidade de provar que pode realmente construir uma carreira no
esporte.
O treinamento aproxima
Rock de Paixão (Duda Nagle), lutador que se torna seu principal rival.
Orientado por Coruja (Breno Guimarães), ele passa a provocar o
adversário e transforma a disputa em uma questão pessoal. O primeiro confronto
entre os dois é marcado pelo equilíbrio: Rock chega a ser derrubado, mas
consegue reagir e evita a derrota, terminando a luta empatado com o rival.
Paixão não aceita o resultado e promete uma revanche, mantendo a rivalidade
viva enquanto ambos se preparam para novos combates.
A trajetória de Abdias
também ganha um conflito próprio. O treinador enfrenta problemas com o
alcoolismo, que começam a interferir tanto em sua vida profissional quanto no
relacionamento com Sílvia. Depois de episódios em que aparece embriagado e
provoca situações constrangedoras, percebe que precisa mudar e procura ajuda em
um grupo de Alcoólicos Anônimos. O processo de recuperação permite que ele
retome o controle da própria vida e reconstrua a relação, enquanto continua
acompanhando a evolução de Rock.
A academia também se
transforma em cenário para as confusões amorosas de Kim (Mônica Iozzi).
Depois de se envolver com Márcio, ela se aproxima de Paixão e passa a dividir
sua atenção entre os dois. Márcio descobre o relacionamento e decide terminar,
enquanto Paixão acredita que pode transformar a aventura em algo mais sério e
chega a pedir Kim em casamento. Ela, porém, rejeita a ideia de ficar presa a
qualquer homem e afirma sua independência. A disputa entre os dois chega a um
ponto absurdo durante uma cerimônia, quando Márcio aparece e acaba sendo
nocauteado por Paixão. Depois do incidente, Yohana (Monique
Alfradique) acompanha o gerente, enquanto Kim segue sua vida sem assumir
compromisso com nenhum dos dois.
Leandro (Guilherme Leicam)
também passa a frequentar o espaço quando chega a São Paulo para substituir
Chiclete em uma missão. Sem dinheiro e sem lugar para morar, recebe ajuda de
Marlene e começa a treinar com Rock, que o ensina a lutar. Agno observa a
aproximação dos dois e também passa a demonstrar interesse por Leandro. A
academia, assim, deixa de ser apenas o cenário da carreira de Rock e passa a
concentrar diferentes relações e conflitos, conectando as histórias de boxe,
negócios e romances.
Para Rock, porém, o
esporte continua sendo o grande objetivo. Depois de se envolver com Fabiana e
perceber que a relação não corresponde ao que deseja, encontra em Joana
(Bruna Hamu) uma possibilidade de construir uma vida mais equilibrada. O
romance amadurece paralelamente à carreira no boxe, e ele decide assumir
definitivamente os sentimentos pela jovem. Entre treinos, lutas e novos
desafios, Rock mantém o sonho de se tornar campeão e encontra no esporte uma
maneira de conquistar independência e dar um novo rumo à própria vida.
PROPOSTA
No centro de “A Dona
do Pedaço” está a trajetória de Maria da Paz (Juliana Paes),
uma mulher que atravessa perdas, conflitos e grandes transformações sem
abandonar a capacidade de recomeçar. Para Walcyr Carrasco, sua história
representa justamente uma mensagem de “superação, coragem, esperança, amor e
muita emoção”, acompanhando uma personagem que começa vendendo pedaços de
bolo na rua e, movida pela própria força de trabalho, constrói uma fábrica e
uma rede de confeitarias. Mais do que uma história de ascensão social, a novela
procura mostrar uma mulher que, apesar da determinação para enfrentar as
dificuldades, também carrega fragilidades afetivas e se permite viver
intensamente suas paixões. É nessa combinação entre força e vulnerabilidade que
Maria da Paz se aproxima de tantas mulheres brasileiras, funcionando como uma
heroína popular cuja trajetória é marcada pela capacidade de cair e se
levantar. O autor resume sua intenção ao afirmar que deseja fazer uma novela “com
uma mensagem positiva que faça bem ao público”, capaz de se tornar um
momento de alento diante das dificuldades da vida cotidiana.
A relação de Walcyr com
a culinária também está diretamente ligada à construção da protagonista. O
autor conta que cresceu cercado pelos doces preparados por sua avó paterna, Rosa,
uma grande cozinheira, e revela seu próprio prazer em fazer e comer bolos. A
comida, porém, ultrapassa o aspecto afetivo e se transforma em elemento
fundamental da história de Maria da Paz, representando um conhecimento que pode
ser convertido em trabalho, independência e realização pessoal. A ideia de que
alguém pode “subir na vida utilizando aquilo que já sabe, um dom, e a
vontade de lutar e trabalhar” reforça o caráter esperançoso da novela e sua
defesa da possibilidade de cada pessoa encontrar um lugar no mundo por meio de
seus próprios talentos e esforços.
A força feminina é
outro dos pilares da narrativa. Walcyr Carrasco afirma que a maioria de suas
obras destaca mulheres fortes e, em “A Dona do Pedaço”, esse aspecto
ganha uma dimensão ainda mais evidente. São personagens que precisam se impor
em ambientes marcados pela violência, pelas disputas familiares, pelo poder e
pelas relações de dominação. Amora Mautner também define a produção como
uma novela “especialmente feminina, com força, com potência”, destacando
uma heroína que vai atrás do que deseja sem abrir mão de seus valores e de sua
bondade. Esse protagonismo feminino aparece não apenas em Maria da Paz, mas em
diferentes mulheres que ocupam posições centrais na trama e conduzem suas
próprias escolhas, conflitos e transformações.
A novela também procura
dialogar diretamente com transformações contemporâneas, incorporando ao
folhetim temas ligados à internet, às redes sociais e à cultura dos
influenciadores digitais. O universo de Vivi Guedes (Paolla Oliveira)
e Josiane (Agatha Moreira) permite abordar a busca por
visibilidade, a construção de uma imagem pública e as estratégias utilizadas
para conquistar seguidores. Walcyr conta que pesquisou pessoalmente esse
universo, tratando o processo quase como um trabalho jornalístico, e decidiu
incorporar à narrativa práticas que fazem parte da realidade das redes, como a
compra de seguidores. Dessa maneira, a novela combina estruturas tradicionais
do melodrama com comportamentos e fenômenos próprios da sociedade
contemporânea.
Na direção, essa
combinação entre tradição e contemporaneidade também orienta a linguagem
visual. Amora Mautner explica que buscou uma estética “mais pop”,
marcada por brilho, cor, alegria, diferentes texturas e volumetria, sempre em
sintonia com o tom da dramaturgia. A proposta, entretanto, não abandona o
realismo cotidiano. Pelo contrário, a novela procura equilibrar situações
reconhecíveis e ambientes concretos com uma dimensão mais grandiosa,
especialmente nos momentos ligados à origem violenta das famílias rivais e à trajetória
de Maria da Paz. Para a diretora, quando a personagem deixa o interior e parte
para São Paulo, sua jornada adquire naturalmente uma dimensão épica, como a de
uma grande heroína.
Essa dimensão épica é
construída a partir de referências do melodrama clássico. Amora revela ter
revisto os filmes de Douglas Sirk para compreender a dinâmica do gênero
e encontrar uma maneira de transportá-la para os dias atuais. A intenção não é
reproduzir um melodrama antigo, mas recuperar sua capacidade de provocar emoção
e adaptá-la à linguagem de uma novela contemporânea. O resultado pretendido é
uma história capaz de alternar conflitos familiares, romances, perdas,
reviravoltas e momentos de humor sem perder de vista o vínculo emocional com o
público. A própria diretora define a produção como uma novela realista,
cotidiana, mas atravessada por um tom épico que nasce da natureza de seus
personagens.
As locações também
desempenham papel importante nessa construção. As gravações no interior do Rio
Grande do Sul e em São Paulo foram pensadas para conferir organicidade aos
diferentes ambientes da história, permitindo que a paisagem, a luz e a textura
dos lugares participassem da narrativa. Amora destaca que a locação não
funciona apenas como pano de fundo, pois interfere na atuação dos atores e
ajuda a criar uma atmosfera própria para cada momento. No Sul, a amplitude do
céu e da natureza ofereceu ainda a possibilidade de construir imagens de maior
escala, combinando elementos reais com recursos de efeitos visuais para criar
paisagens de aparência grandiosa. A fotografia e a escolha de uma luz mais
filtrada completam a identidade visual planejada para a novela.
A trilha sonora
acompanha essa mistura de referências. A abertura ganha uma nova versão de “Está
Escrito”, interpretada por Xande de Pilares, enquanto a seleção
musical combina elementos populares com referências ao western contemporâneo e
ao indie. A trilha original de Eduardo Queiroz convive com novas versões
de canções conhecidas, entre elas “Cheia de Mania” e “Evidências”,
escolhida como tema de Amadeu (Marcos Palmeira) e Maria da Paz.
Mesmo em uma história atravessada por sofrimento, violência e perdas, a música
reforça a intenção de preservar um sentimento de esperança e otimismo.
Assim, “A Dona do
Pedaço” se estrutura como um grande folhetim popular que combina melodrama,
romance, humor, conflitos familiares e temas contemporâneos em torno de
personagens submetidos a constantes mudanças. A história de Maria da Paz
sintetiza esse espírito ao transformar uma trajetória de perdas e dificuldades
em uma narrativa de resistência e recomeço, enquanto a direção procura traduzir
essa jornada por meio de uma linguagem colorida, pop, realista e, ao mesmo
tempo, épica. Para Amora Mautner, o público pode esperar um “folhetim
humano, cheio de reviravoltas, com emoção, mensagens positivas”, definição
que resume a proposta de uma novela interessada tanto em emocionar quanto em
transmitir uma perspectiva de esperança diante das adversidades.
AUDIÊNCIA
“A Dona do Pedaço”
encerrou sua exibição com média geral de 37,7 pontos, consolidando-se
como a terceira maior audiência entre as novelas das 21h exibidas na década,
atrás apenas de “O Outro Lado do Paraíso” (39,0) e “A Força do Querer”
(38,8). A novela elevou a audiência do SBT em impressionantes 20%, o segundo
maior crescimento dos últimos seis anos, e superou produções intermediárias como
“Segundo Sol” (37,4), “Amor à Vida” (36,5) e “Império”
(35,6), além de “Velho Chico” (34,5), “A Regra do Jogo” (33,6), “Em
Família” (31,6), “O Sétimo Guardião” (31,5), “Babilônia”
(30,4) e “A Lei do Amor” (30,3).
A trajetória de
audiência, entretanto, foi marcada por um crescimento significativo ao longo da
exibição. O primeiro capítulo registrou 35,2 pontos, desempenho que a colocou
na sexta posição entre as estreias da década. Nas primeiras semanas, a novela
permaneceu em um patamar próximo dos 34 pontos e chegou a registrar sua menor
média semanal entre 27 de abril e 2 de maio, com 32,9.
A partir de maio,
porém, a produção iniciou uma reação gradual. A audiência passou de 34 pontos
na primeira semana de maio para 35,8 na segunda quinzena, e alcançou 36,2 no
início de junho. Na semana de 8 a 13 de junho, ultrapassou pela primeira vez a
marca dos 38 pontos e, na semana seguinte, chegou a 38,7. Entre 22 e 27 de
junho, atingiu 40,8 de média, estabelecendo um novo patamar de audiência.
O recorde da trama de Walcyr
Carrasco foi de 45,6 pontos e 50 de pico, alcançado no penúltimo capítulo,
enquanto a última exibição marcou 44,9 de média.

Nenhum comentário:
Postar um comentário