domingo, 22 de março de 2026

A DONA DO PEDAÇO (2026)


“A Dona do Pedaço” é uma telenovela brasileira produzida e exibida pelo SBT.
 
Autoria: Walcyr Carrasco.
Colaboração: Nelson Nadotti, Márcio Haiduck e Vinicius Vianna.
Direção: André Barros, Bernardo Sá, Bruno Martins, Caetano Caruso, Caio Campos e Vicente Kubrusly.
Direção-geral: Luciano Sabino.
Direção artística: Amora Mautner.
 
Exibição
Período: 23 de março – 25 de setembro de 2026.
Horário: 21h30 – 90ª novela das nove.
Duração: 161 capítulos.
 
TRAMA PRINCIPAL
 
Em Rio Vermelho, no Espírito Santo, duas famílias de justiceiros vivem em guerra há gerações: os Ramirez e os Matheus. Entre os primeiros está Maria da Paz (Juliana Paes), filha de Ademir (Genésio de Barros) e Evelina (Nívea Maria), uma jovem bonita, decidida e de bom coração que, apesar de ter sido criada em meio à violência e preparada para seguir a tradição familiar, jamais se identifica com o ofício dos parentes. Ao lado da avó Dulce (Fernanda Montenegro), descobre na cozinha uma possibilidade de vida diferente e aprende a preparar os bolos que, anos mais tarde, se tornarão a base de sua independência. Na mesma família estão Zenaide (Maeve Jenkins), irmã de Maria da Paz e mãe de Fabiana (Maria Clara Baldon) e Virgínia (Duda Batista), e Chiclete (Luiz Felipe Mello), agregado dos Ramirez, criado desde pequeno para participar dos negócios da família.
 
Do outro lado dessa rivalidade está Amadeu (Marcos Palmeira), filho de Nilda (Jussara Freire) e Miroel (Luiz Carlos Vasconcelos), um jovem advogado que também rejeita o destino de violência reservado aos Matheus. O encontro entre ele e Maria da Paz dá origem a um amor que logo se torna proibido quando os dois descobrem suas respectivas origens. Em vez de se afastarem, porém, enfrentam os familiares e conseguem convencê-los a estabelecer uma trégua, abrindo caminho para o casamento. A paz recém-firmada parece finalmente encerrar a guerra, mas é destruída no dia da cerimônia, quando Amadeu é baleado diante do altar. O atentado coloca Maria da Paz na mira dos Matheus e a obriga a fugir de Rio Vermelho com a ajuda de Evelina, deixando para trás o homem que ama sem saber se voltará a vê-lo.
 
A nova onda de vingança também destrói a família de Maria da Paz. Fabiana é levada para um convento e criada pelas freiras, enquanto Virgínia desaparece depois que sua mãe é morta e acaba sendo adotada por Otávio (José de Abreu) e Beatriz (Natália do Valle). Separadas ainda crianças, as duas irmãs seguem caminhos completamente distintos sem saber uma da outra. Maria da Paz, grávida de Amadeu, chega a São Paulo sem dinheiro e é acolhida por Marlene (Suely Franco), professora aposentada e viúva que lhe oferece abrigo e ajuda nos primeiros momentos da nova vida. Quando Evelina comunica que Amadeu teria morrido, o golpe emocional se soma às dificuldades financeiras. Maria da Paz sofre um parto prematuro e dá à luz Josiane, que precisa permanecer internada, mas a preocupação com a filha não a impede de buscar uma maneira de sustentá-la. Com o incentivo de Marlene e o apoio de Antero (Ary Fontoura), vizinho que se torna um de seus primeiros aliados, começa a vender bolos pelas ruas. O pequeno negócio cresce, ela abre uma loja e dá início à construção da Bolos da Paz.
 
Enquanto Maria da Paz tenta reconstruir a própria vida, Amadeu sobrevive ao atentado e passa por uma longa recuperação. Gilda (Heloísa Jorge), fisioterapeuta responsável por acompanhá-lo, torna-se sua companheira durante o período de tratamento e, acreditando que Maria da Paz está morta, ele acaba se casando com ela. A mentira sustentada pelas duas famílias mantém o casal separado por duas décadas. Já em São Paulo, Amadeu constrói uma nova família ao lado de Gilda e do filho Carlito (João Gabriel D’Aleluia), enquanto Maria da Paz dedica-se à criação de Josiane e à expansão da empresa que começou praticamente do zero.
 
Vinte anos depois, Maria da Paz é uma empresária bem-sucedida, dona de uma grande rede de confeitarias, mas continua levando uma vida simples e colocando a filha no centro de suas decisões. Josiane (Agatha Moreira), entretanto, cresceu envergonhada da origem humilde da mãe e fascinada pelo universo da fama. Seu objetivo é tornar-se uma digital influencer e conquistar o mesmo prestígio de Vivi Guedes (Paolla Oliveira), uma famosa it girl criada por Otávio e Beatriz sem saber que é, na verdade, Virgínia, uma das sobrinhas desaparecidas de Maria da Paz. Para se aproximar da influenciadora, Josiane conta com a ajuda de Kim (Monica Iozzi), responsável por sua carreira e pela de Vivi, e passa a construir uma imagem pública inspirada na referência que encontrou nas redes sociais.
 
A história das irmãs também começa a se reencontrar. Ao assistir Vivi na televisão, Fabiana (Nathalia Dill) reconhece o amuleto que a jovem usa e percebe que finalmente encontrou a irmã desaparecida. Depois de deixar o convento, segue para São Paulo e se aproxima dela, primeiro como uma conhecida e depois como alguém cada vez mais presente em sua vida. O reencontro desperta a felicidade de recuperar a família, mas também antigos ressentimentos, já que Fabiana cresceu em condições muito diferentes das de Vivi e passa a invejar a vida que a irmã construiu. A proximidade com Camilo (Lee Taylor), noivo de Vivi e investigador de polícia, oferece ainda mais espaço para suas manipulações, e a relação do casal começa a se desgastar à medida que ela alimenta as inseguranças do policial.
 
O passado de Maria da Paz também retorna inesperadamente. Ao descobrir que a proprietária da Bolos da Paz se chama Maria da Paz, Amadeu desconfia que o grande amor de sua juventude possa estar vivo. Uma ida à confeitaria e o sabor de um bolo de canela confirmam a suspeita. O reencontro é carregado de emoção e reacende imediatamente a paixão que os dois nunca conseguiram superar. Amadeu descobre ainda que Josiane é sua filha, enquanto Maria da Paz precisa enfrentar a realidade de que o homem que julgava morto está vivo, mas passou vinte anos ao lado de outra mulher. Ele pensa em abandonar Gilda para reconstruir a vida interrompida, mas a descoberta de que ela está gravemente doente muda seus planos. Mesmo ainda apaixonado por Maria da Paz, decide permanecer ao lado da esposa durante o tratamento.
 
Fragilizada pelo reencontro e pela impossibilidade de viver plenamente esse amor, Maria da Paz acaba se aproximando de Régis (Reynaldo Gianecchini). Bonito, charmoso e acostumado ao luxo, ele pertence a uma família tradicional que perdeu quase tudo e depende financeiramente do cunhado Agno (Malvino Salvador). Viciado em jogos e determinado a recuperar o padrão de vida perdido, Régis encontra em Josiane a parceira ideal para colocar em prática um plano contra a própria mãe. Os dois percebem que seus interesses se complementam: ela quer a fortuna de Maria da Paz, enquanto ele precisa desesperadamente de dinheiro. A solução é simples: seduzi-la, casar-se com ela e tomar seu patrimônio.
 
Maria da Paz acredita que está finalmente encontrando uma nova oportunidade para ser feliz e aceita o pedido de casamento. O que começa como uma armação, porém, sofre uma reviravolta quando a convivência faz Régis enxergar a mulher por trás da fortuna. A generosidade, a confiança e a dedicação de Maria da Paz despertam sentimentos verdadeiros, e ele começa a se arrepender do golpe. Josiane percebe a mudança e passa a pressioná-lo para que siga adiante com o plano. Na mansão, Ellen (Rosane Gofman), governanta e confidente de Maria da Paz, começa a desconfiar da proximidade entre os dois, enquanto Jardel (Duio Botta), mordomo da casa, descobre a traição e decide chantageá-los. Josiane resolve eliminar a ameaça e Jardel acaba morto, enquanto Fabiana presencia o crime e registra tudo. Pouco depois, Lucas (Kainan Ferraz), que também tenta extorquir a jovem, tem o mesmo destino. A ambição de Josiane deixa de ser apenas um projeto de ascensão social e passa a ser sustentada por uma sucessão de crimes.
 
Quando Maria da Paz finalmente descobre Régis com a filha, sente-se traída pelas duas pessoas em quem mais confiava. Dominada pelo choque, pega um revólver e atira no marido, que é levado ao hospital. A partir daí, a verdade vem à tona: o casamento fazia parte de um plano para roubar toda a sua fortuna. A revelação destrói a relação entre mãe e filha e deixa Maria da Paz sem o patrimônio que levou duas décadas para construir. Obrigada a abandonar a mansão e a vida confortável, ela retorna às origens e volta a vender bolos pelas ruas, contando novamente com o apoio de Marlene, Evelina e Antero. Apesar da humilhação e da perda, encontra na própria capacidade de trabalhar a força para começar mais uma vez.
 
A oportunidade surge em um reality culinário, no qual Maria da Paz consegue demonstrar que seu talento continua intacto. A vitória, conquistada com um bolo vermelho ligado à tradição de sua família, rende R$ 1 milhão e permite que ela volte a sonhar com a reconstrução da carreira. A receita, porém, produz um efeito ainda maior: ao provar o bolo, Vivi começa a recuperar lembranças da infância. A investigação sobre seu passado a leva até Maria da Paz, e o encontro entre as duas revela a verdade escondida por décadas. Os amuletos confirmam a ligação e Vivi descobre que é Virgínia, a sobrinha que Maria da Paz havia perdido ainda criança. A descoberta representa a recuperação de uma parte da família destruída pela guerra entre Ramirez e Matheus, embora Fabiana, ressentida por tudo o que viveu, tenha dificuldade em aceitar a aproximação.
 
A partir desse momento, a vida de Maria da Paz passa a se entrelaçar ainda mais com a de Vivi. Ao mesmo tempo, surge uma nova ameaça para a influenciadora. Chiclete (Sergio Guizé), agora adulto, chega a São Paulo enviado pelo tio Adão (César Ferrario) para executar uma encomenda: matar Vivi. Criado desde a infância para atuar como justiceiro, ele deveria cumprir a missão e retornar para Rio Vermelho, mas o encontro com o alvo transforma completamente seus planos. Chiclete se apaixona por Vivi e decide protegê-la em vez de assassiná-la. O romance também faz com que ele rompa gradualmente com o destino que sua família havia escolhido para ele.
 
O relacionamento desperta a obsessão de Camilo. Incapaz de aceitar que Vivi o deixou por outro homem, o investigador passa a controlar seus movimentos e, com a ajuda de Berta (Ana Lúcia Torre), transforma a vida da influenciadora em um cárcere. A situação se torna ainda mais complicada quando Leandro (Guilherme Leicam), filho adotivo de Adão, é enviado para substituir Chiclete na missão. Assim como o primo, ele não consegue cumprir a encomenda e acaba se apaixonando por Agno, levando o empresário a romper definitivamente com Lyris (Deborah Evelyn). Cássia (Mel Maia), filha do casal, sofre com a separação e precisa aprender a lidar com a nova configuração familiar.
 
Enquanto os conflitos em torno de Vivi se intensificam, Josiane começa a ser cercada pelas próprias ações. Téo (Rainer Cadete), fotógrafo que trabalha com as influenciadoras digitais e se apaixona por ela, descobre parte de seus crimes e se transforma em uma ameaça. A jovem tenta silenciá-lo, atacando-o em um motel, mas ele sobrevive. Yohana (Monique Alfradique), parceira de Camilo na polícia, assume a investigação e começa a reunir as provas que ligam Josiane aos acontecimentos. Aos poucos, o cerco se fecha, e a jovem percebe que já não consegue controlar todas as pessoas que poderiam denunciá-la.
 
A tentativa de fuga para Rio Vermelho termina com a prisão de Josiane. Amadeu inicialmente assume a defesa da filha, mas abandona o caso depois de ouvir suas confissões e perceber que ela continua tentando manipular a situação. Maria da Paz precisa então enfrentar uma das maiores dores de sua vida: testemunhar contra a própria filha e aceitar que a menina que criou com tanto amor tornou-se responsável por crimes graves. O julgamento termina com a condenação a trinta anos de prisão, encerrando a fase mais sombria da trajetória de Josiane e deixando a mãe dividida entre a dor e o amor que ainda sente por ela.
 
Na prisão, Josiane começa a demonstrar arrependimento e aproxima-se da religião, enquanto Régis também abandona gradualmente a antiga vida e passa a se dedicar a uma trajetória de transformação. Fabiana, por sua vez, perde a fortuna que havia conquistado e retorna ao convento, mas não permanece ali por muito tempo. Rael (Rafael Queiroz) reaparece e a convence a abandonar novamente a vida religiosa para atuar como justiceira. Assim, enquanto Vivi utiliza a descoberta de suas origens para reconstruir os vínculos familiares, Fabiana escolhe alimentar o ressentimento e voltar ao universo de violência do qual havia tentado escapar.
 
A situação de Vivi chega ao extremo quando Camilo a mantém presa e passa a controlar completamente sua vida. Chiclete descobre onde ela está e parte para resgatá-la. O confronto termina com a morte do investigador e a libertação da influenciadora, que decide abandonar o Brasil ao lado do homem que deveria tê-la matado. Longe das câmeras e da exposição, os dois escolhem uma vida mais simples, encerrando o ciclo que começou com uma encomenda de assassinato e terminou em amor. Com isso, Chiclete também rompe definitivamente com o legado de violência dos Ramirez.
 
De volta ao centro da história, Maria da Paz consegue recuperar a Bolos da Paz e reconstruir a estabilidade que havia perdido. Depois da morte de Gilda, Amadeu finalmente está livre para assumir o amor que continua sentindo, e a relação entre os dois amadurece depois de tantos anos de separação. Régis ainda tenta reconquistar a empresária, mas ela percebe que seu coração continua pertencendo ao homem que amou em Rio Vermelho. Quando Amadeu se declara novamente, Maria da Paz decide dar uma nova oportunidade àquele amor interrompido diante do altar. Grávida, ela aceita se casar com ele e finalmente realiza o casamento que a violência das famílias havia impedido duas décadas antes.
 
A união representa também o rompimento definitivo com o passado. Dessa vez, nenhuma vingança interrompe a cerimônia, e os dois conseguem construir a família que sempre desejaram. Maria da Paz dá à luz uma menina, encerrando sua trajetória ao lado de Amadeu e iniciando uma nova geração longe da guerra entre Ramirez e Matheus. Enquanto isso, os demais personagens seguem caminhos determinados pelas próprias escolhas: Vivi e Chiclete partem juntos para uma nova vida, Fabiana retorna ao mundo dos justiceiros, e Régis, depois de acreditar na redenção de Josiane, acaba assassinado por ela. Téo e Kim seguem adiante, Yohana encerra a investigação dos crimes e Camilo deixa como legado uma história marcada pela obsessão.
 
No fim, a trajetória de Maria da Paz se distingue justamente pela capacidade de recomeçar. A jovem que recusou o destino de justiceira encontrou nos bolos uma forma de construir a própria independência; a mulher que acreditou ter perdido Amadeu para sempre conseguiu reencontrá-lo; a mãe que foi traída pela própria filha perdeu tudo o que havia conquistado, mas teve forças para reconstruir sua vida; e a empresária que precisou voltar às ruas conseguiu recuperar seu negócio e sua dignidade. Ao lado de Amadeu e com a filha recém-nascida, Maria da Paz finalmente encerra a longa história de violência que marcou sua família, provando que seu destino não precisaria ser determinado pela herança dos Ramirez, mas pelas escolhas que fez ao longo da vida.
 
TRAMAS PARALELAS
 
Otávio, Beatriz e as consequências das traições
Otávio (José de Abreu) e Beatriz (Natália do Valle) vivem em uma relação marcada por anos de casamento e pelas constantes infidelidades dele. Rico, refinado e acostumado a seduzir outras mulheres, o empresário não demonstra grande preocupação com as consequências de seus casos, enquanto a esposa prefere preservar a família e suportar as traições. Linda (Rosamaria Murtinho), mãe de Beatriz, contribui para essa postura ao aconselhar a filha a fazer vista grossa para as aventuras do marido, temendo que uma separação destrua o casamento. A própria Vivi (Paolla Oliveira), entretanto, começa a perceber que o comportamento do pai ultrapassa os limites e passa a confrontá-lo, sobretudo quando suas atitudes ameaçam diretamente a estabilidade da família.
 
A situação ganha contornos trágicos quando Edilene (Cynthia Senek), jovem que trabalha como copeira na casa, se envolve com Otávio. Filha de Cosme (Osvaldo Mil), motorista da família, ela acredita que o casamento do patrão está acabado e que basta engravidar para fazê-lo assumir a relação. Quando descobre a gravidez, porém, encontra uma reação violenta: Otávio exige que interrompa a gestação. O procedimento dá errado, Edilene sofre uma hemorragia e acaba morrendo no hospital, não sem antes revelar ao pai que o empresário foi responsável pelo que aconteceu. Devastado pela perda da filha, Cosme decide se vingar e procura Adão (César Ferrario) em Rio Vermelho para encomendar a morte de Vivi Guedes. A vingança acaba desencadeando uma história completamente diferente daquela imaginada pelo motorista, pois Chiclete (Sérgio Guizé), enviado para executar o serviço, apaixona-se pela própria vítima e abandona a missão.
 
Depois da morte de Edilene, Otávio continua levando uma vida de aventuras e se envolve com Sabrina (Carol Garcia), amiga da jovem. Inicialmente resistente, ela logo se deixa seduzir pelo dinheiro e pelo conforto oferecidos pelo empresário, que lhe dá um flat e passa a sustentá-la. Sabrina mantém da família o fato de trabalhar como garota de programa e encara Otávio como seu Sugar Daddy, acreditando que poderá transformar o caso em uma relação mais duradoura. A situação se complica quando Beatriz descobre a dimensão das traições do marido e percebe que até mesmo sua própria mãe vinha minimizando o comportamento dele. Diante da pressão de Vivi Guedes e do sofrimento provocado pelas revelações, ela finalmente decide se separar.
 
Livre do casamento, Beatriz começa a reconstruir a própria vida e se aproxima de Zé Hélio (Bruno Bevan), funcionário da fábrica de Maria da Paz (Juliana Paes). A diferença de idade inicialmente a faz acreditar que o relacionamento não terá futuro, mas a sinceridade do rapaz e o sentimento que nasce entre os dois acabam vencendo suas inseguranças. Linda tenta interferir novamente, enquanto Otávio também demonstra resistência, mas Beatriz já não está disposta a permitir que outras pessoas decidam por ela. O casal enfrenta as dificuldades, oficializa a união e encontra uma nova oportunidade de felicidade. Otávio, depois de resistir à separação, termina aceitando a nova fase da ex-mulher e passa a respeitar sua escolha.
 
A família de Eusébio
Eusébio (Marco Nanini) vive em São Paulo depois de perder o emprego e passar um período como morador de rua. Sem muita disposição para trabalhar e sempre procurando uma maneira mais fácil de conseguir dinheiro, instala-se com a família em um casarão vizinho à casa de Marlene (Suely Franco). A proximidade faz com que os dois grupos convivam constantemente, e Dodô (Rosi Campos) torna-se amiga de Maria da Paz (Juliana Paes) e participa dos primeiros momentos de sua vida na cidade. Entre os filhos, Rock (Caio Castro) concentra suas esperanças no boxe, Zé Hélio (Bruno Bevan) demonstra ser o mais responsável e dedicado ao trabalho, enquanto Rarisson (Theo Almeida), que passa um período longe para concluir a formação em Ciências Contábeis, mantém contato principalmente com o irmão. Sabrina (Carol Garcia), por sua vez, esconde da família a atividade que exerce à noite.
 
A rotina da família muda quando Eusébio decide procurar o pai biológico depois de acreditar que pode ter direito a uma herança. O plano começa de maneira atrapalhada, especialmente depois que ele aposta o dinheiro de Cornélia (Betty Faria) na loteria e perde a quantia. Com a ajuda de Antero (Ary Fontoura), consegue levantar informações sobre o possível pai e chega até Dinorá (Berta Loran), que havia sido casada com o homem procurado. O encontro provoca uma surpresa: Juninho (Marco Nanini) é praticamente idêntico a Eusébio. A semelhança faz com que a família desconfie de um parentesco, mas o rapaz inicialmente se recusa a fornecer material para o exame de DNA. A disputa entre os dois chega a um ponto absurdo quando eles brigam no cemitério e acabam no hospital. Depois da exumação do corpo do possível pai, a paternidade é confirmada, e Eusébio consegue negociar sua parte na herança.
 
A chegada de Juninho e Dinorá à vida da família provoca novas confusões. Os dois acabam perdendo a casa onde viviam e passam a pressionar Eusébio para que os receba. Mesmo contrariado, ele permite que os dois se instalem com a família. Enquanto isso, Cornélia continua no centro das disputas por dinheiro, especialmente por causa de Chico (Tonico Pereira), seu marido, que só pensa em aproveitar-se da fortuna dela. A situação muda completamente quando Cornélia ganha na loteria e se torna milionária. A nova riqueza altera o padrão de vida de todos, e a família passa a morar em uma mansão, mas o dinheiro também aumenta a cobiça dos parentes e cria novas brigas. Cornélia, pouco acostumada ao universo da elite, procura até Gladys (Nathalia Timberg) para aprender etiqueta e tentar se adaptar ao novo círculo social.
 
Rock, entretanto, está mais interessado em transformar o boxe em profissão. O sonho do rapaz ganha força quando Agno (Malvino Salvador) decide investir em sua carreira e contrata Abdias (Felipe Tito) para treiná-lo. A preparação coloca Rock em contato com Paixão (Duda Nagle), lutador que se torna seu principal rival e é treinado por Coruja (Breno Guimarães). Depois de provocações e desafios, os dois chegam a se enfrentar em uma luta equilibrada, que termina empatada. A rivalidade continua e dá origem a uma nova disputa, enquanto Rock também vive uma vida amorosa movimentada. Depois de se envolver com Fabiana (Nathalia Dill), acaba se apaixonando por Joana (Bruna Hamu), cuja personalidade doce faz com que ele passe a desejar uma relação mais estável. Aos poucos, deixa o relacionamento anterior para trás e decide construir um futuro ao lado dela.
 
Zé Hélio segue uma trajetória mais tranquila. Responsável e dedicado aos estudos, consegue uma oportunidade na área de tecnologia da fábrica de Maria da Paz e começa a construir uma carreira própria. É nesse ambiente que se aproxima de Beatriz e se apaixona por ela. A diferença de idade preocupa a empresária, que inicialmente tenta resistir ao envolvimento, mas o relacionamento amadurece e se transforma em uma união definitiva. A resistência da família não impede que os dois sigam juntos, e Zé Hélio acaba se tornando uma figura importante na vida de Beatriz.
 
O retorno de Rarisson provoca uma transformação ainda maior. Depois de passar anos longe, ele reaparece como Britney (Glamour Garcia), revelando à família que realizou sua transição de gênero e agora vive oficialmente como mulher. A notícia inicialmente causa estranhamento, mas Britney encontra apoio principalmente em Zé Hélio e começa a construir uma nova vida em São Paulo. Seu caminho profissional a leva até a fábrica de Maria da Paz, onde conhece Abel (Pedro Carvalho), confeiteiro responsável pela produção dos bolos. O envolvimento entre os dois cresce rapidamente, mas Abel desconhece que Britney é uma mulher trans. Quando ela revela a verdade, ele reage com preconceito e rompe a relação, provocando grande sofrimento.
 
A separação, porém, não encerra o sentimento. Abel passa a refletir sobre sua própria atitude e recebe o apoio de Márcio (Anderson Di Rizzi) e Zé Hélio para compreender que precisa enfrentar o preconceito que o afastou de Britney. Cornélia, entretanto, interfere ao fazer a jovem acreditar que Abel está interessado apenas na fortuna que ela poderá receber. O mal-entendido provoca um novo afastamento, mas a verdade acaba prevalecendo. Abel demonstra que seus sentimentos são genuínos, reconquista a confiança de Britney e chega a pedir a jovem em casamento. Depois de tantas dificuldades, os dois conseguem reconstruir a relação.
 
Sabrina segue uma trajetória mais turbulenta. Enquanto mantém escondida da família sua profissão, envolve-se com Otávio e passa a desfrutar do dinheiro que ele lhe oferece. Quando o empresário decide terminar o relacionamento, ela se recusa a aceitar o fim e começa a ameaçá-lo com um escândalo. Cornélia torna-se uma de suas confidentes e tenta ajudá-la a recuperar o empresário, mas Otávio permanece decidido a encerrar a relação. Aos poucos, Sabrina perde espaço na vida dele e precisa seguir seu próprio caminho, enquanto o restante da família passa por transformações provocadas pela herança, pelo boxe, pelos novos relacionamentos e pela chegada de Britney.
 
A fábrica e as confeitarias
Maria da Paz (Juliana Paes) conta com Márcio (Anderson Di Rizzi) na administração de sua fábrica de bolos. Sério e responsável, o gerente é um dos homens de confiança da empresária e procura manter o negócio funcionando mesmo diante das constantes interferências externas. Na vida pessoal, mantém um relacionamento com Sílvia (Lucy Ramos) e sonha em se casar com ela, mas a situação muda quando Kim (Mônica Iozzi), cada vez mais próxima da rotina profissional da fábrica, passa a investir em sua sedução. O interesse dela transforma a relação em uma sucessão de conflitos, principalmente porque Márcio continua dividido entre a atração por Kim e os sentimentos que mantém por Sílvia.
 
Na produção, Abel (Pedro Carvalho) é responsável por executar as receitas criadas por Maria da Paz, testar os produtos e acompanhar a qualidade dos bolos. Seu trabalho ganha importância quando a fábrica passa a enfrentar concorrência direta e novas disputas pelo mercado. Sueli (Samira Lochter), secretária, e os vendedores Jenifer (Luciana Fernandes) e Tonho (Betto Marque) completam a equipe e acompanham as mudanças provocadas pela chegada de Fabiana (Nathalia Dill), que assume o controle da fábrica e decide transformá-la em instrumento de sua rivalidade com Maria da Paz.
 
Fabiana passa a exigir que os funcionários produzam versões dos bolos de Maria da Paz para tentar superar a concorrência. Como Abel não consegue reproduzir exatamente os sabores, Jenifer fotografa as receitas e entrega as informações a Rael (Rafael Queiroz), que as repassa à nova dona da fábrica. A fraude é descoberta quando Britney reconhece a letra de Maria da Paz nas anotações e percebe que as receitas foram roubadas. Jenifer admite o que fez e acaba demitida, enquanto Márcio começa a questionar abertamente as decisões de Fabiana. A situação fica ainda mais delicada quando ela impõe regras rígidas aos funcionários e tenta obrigar Britney a abandonar sua identidade feminina, exigindo que volte a se apresentar como Rarisson.
 
Britney se recusa a aceitar a imposição e enfrenta Fabiana. Ao descobrir que a jovem contou a Maria da Paz sobre o roubo das receitas, a empresária tenta intimidá-la, mas Britney ameaça recorrer à Justiça caso seja demitida por sua identidade de gênero. Paralelamente, Márcio alerta Sueli sobre a maneira como Fabiana vem conduzindo o negócio e percebe que a fábrica está sendo utilizada muito mais como instrumento de vingança do que como uma empresa. A situação se agrava quando Fabiana decide competir diretamente com a nova confeitaria de Maria da Paz, ordenando que sua equipe descubra maneiras de reproduzir os produtos da antiga proprietária.
 
Depois de ser demitida, Jenifer decide voltar para sua família na Bahia, enquanto Tonho permanece ligado ao negócio e acompanha as mudanças provocadas pela disputa. Mais tarde, Maria da Paz volta a contratar antigos funcionários e reorganiza a equipe quando consegue recuperar seu espaço no mercado. A fábrica, que começou como símbolo do sucesso construído por ela, passa por diferentes mãos e transforma-se em cenário de disputas empresariais, traições e tentativas de sabotagem, mas também de reencontros e novas oportunidades profissionais.
 
A academia e o universo do boxe
Rock (Caio Castro) encontra na academia o espaço para transformar o sonho de ser boxeador em profissão. O local é administrado por Adriano (Thiago Tomé), enquanto André (Fernando Zilli) e Lígia (Dani Guimarães) participam da rotina como professores. Quando Agno (Malvino Salvador) decide apostar no talento do rapaz, contrata Abdias (Felipe Tito) para acompanhá-lo nos treinamentos e prepará-lo para as lutas profissionais. O investimento dá a Rock a estrutura que faltava, mas também coloca sobre ele a responsabilidade de provar que pode realmente construir uma carreira no esporte.
 
O treinamento aproxima Rock de Paixão (Duda Nagle), lutador que se torna seu principal rival. Orientado por Coruja (Breno Guimarães), ele passa a provocar o adversário e transforma a disputa em uma questão pessoal. O primeiro confronto entre os dois é marcado pelo equilíbrio: Rock chega a ser derrubado, mas consegue reagir e evita a derrota, terminando a luta empatado com o rival. Paixão não aceita o resultado e promete uma revanche, mantendo a rivalidade viva enquanto ambos se preparam para novos combates.
 
A trajetória de Abdias também ganha um conflito próprio. O treinador enfrenta problemas com o alcoolismo, que começam a interferir tanto em sua vida profissional quanto no relacionamento com Sílvia. Depois de episódios em que aparece embriagado e provoca situações constrangedoras, percebe que precisa mudar e procura ajuda em um grupo de Alcoólicos Anônimos. O processo de recuperação permite que ele retome o controle da própria vida e reconstrua a relação, enquanto continua acompanhando a evolução de Rock.
 
A academia também se transforma em cenário para as confusões amorosas de Kim (Mônica Iozzi). Depois de se envolver com Márcio, ela se aproxima de Paixão e passa a dividir sua atenção entre os dois. Márcio descobre o relacionamento e decide terminar, enquanto Paixão acredita que pode transformar a aventura em algo mais sério e chega a pedir Kim em casamento. Ela, porém, rejeita a ideia de ficar presa a qualquer homem e afirma sua independência. A disputa entre os dois chega a um ponto absurdo durante uma cerimônia, quando Márcio aparece e acaba sendo nocauteado por Paixão. Depois do incidente, Yohana (Monique Alfradique) acompanha o gerente, enquanto Kim segue sua vida sem assumir compromisso com nenhum dos dois.
 
Leandro (Guilherme Leicam) também passa a frequentar o espaço quando chega a São Paulo para substituir Chiclete em uma missão. Sem dinheiro e sem lugar para morar, recebe ajuda de Marlene e começa a treinar com Rock, que o ensina a lutar. Agno observa a aproximação dos dois e também passa a demonstrar interesse por Leandro. A academia, assim, deixa de ser apenas o cenário da carreira de Rock e passa a concentrar diferentes relações e conflitos, conectando as histórias de boxe, negócios e romances.
 
Para Rock, porém, o esporte continua sendo o grande objetivo. Depois de se envolver com Fabiana e perceber que a relação não corresponde ao que deseja, encontra em Joana (Bruna Hamu) uma possibilidade de construir uma vida mais equilibrada. O romance amadurece paralelamente à carreira no boxe, e ele decide assumir definitivamente os sentimentos pela jovem. Entre treinos, lutas e novos desafios, Rock mantém o sonho de se tornar campeão e encontra no esporte uma maneira de conquistar independência e dar um novo rumo à própria vida.
 
PROPOSTA
 
No centro de “A Dona do Pedaço” está a trajetória de Maria da Paz (Juliana Paes), uma mulher que atravessa perdas, conflitos e grandes transformações sem abandonar a capacidade de recomeçar. Para Walcyr Carrasco, sua história representa justamente uma mensagem de “superação, coragem, esperança, amor e muita emoção”, acompanhando uma personagem que começa vendendo pedaços de bolo na rua e, movida pela própria força de trabalho, constrói uma fábrica e uma rede de confeitarias. Mais do que uma história de ascensão social, a novela procura mostrar uma mulher que, apesar da determinação para enfrentar as dificuldades, também carrega fragilidades afetivas e se permite viver intensamente suas paixões. É nessa combinação entre força e vulnerabilidade que Maria da Paz se aproxima de tantas mulheres brasileiras, funcionando como uma heroína popular cuja trajetória é marcada pela capacidade de cair e se levantar. O autor resume sua intenção ao afirmar que deseja fazer uma novela “com uma mensagem positiva que faça bem ao público”, capaz de se tornar um momento de alento diante das dificuldades da vida cotidiana.
 
A relação de Walcyr com a culinária também está diretamente ligada à construção da protagonista. O autor conta que cresceu cercado pelos doces preparados por sua avó paterna, Rosa, uma grande cozinheira, e revela seu próprio prazer em fazer e comer bolos. A comida, porém, ultrapassa o aspecto afetivo e se transforma em elemento fundamental da história de Maria da Paz, representando um conhecimento que pode ser convertido em trabalho, independência e realização pessoal. A ideia de que alguém pode “subir na vida utilizando aquilo que já sabe, um dom, e a vontade de lutar e trabalhar” reforça o caráter esperançoso da novela e sua defesa da possibilidade de cada pessoa encontrar um lugar no mundo por meio de seus próprios talentos e esforços.
 
A força feminina é outro dos pilares da narrativa. Walcyr Carrasco afirma que a maioria de suas obras destaca mulheres fortes e, em “A Dona do Pedaço”, esse aspecto ganha uma dimensão ainda mais evidente. São personagens que precisam se impor em ambientes marcados pela violência, pelas disputas familiares, pelo poder e pelas relações de dominação. Amora Mautner também define a produção como uma novela “especialmente feminina, com força, com potência”, destacando uma heroína que vai atrás do que deseja sem abrir mão de seus valores e de sua bondade. Esse protagonismo feminino aparece não apenas em Maria da Paz, mas em diferentes mulheres que ocupam posições centrais na trama e conduzem suas próprias escolhas, conflitos e transformações.
 
A novela também procura dialogar diretamente com transformações contemporâneas, incorporando ao folhetim temas ligados à internet, às redes sociais e à cultura dos influenciadores digitais. O universo de Vivi Guedes (Paolla Oliveira) e Josiane (Agatha Moreira) permite abordar a busca por visibilidade, a construção de uma imagem pública e as estratégias utilizadas para conquistar seguidores. Walcyr conta que pesquisou pessoalmente esse universo, tratando o processo quase como um trabalho jornalístico, e decidiu incorporar à narrativa práticas que fazem parte da realidade das redes, como a compra de seguidores. Dessa maneira, a novela combina estruturas tradicionais do melodrama com comportamentos e fenômenos próprios da sociedade contemporânea.
 
Na direção, essa combinação entre tradição e contemporaneidade também orienta a linguagem visual. Amora Mautner explica que buscou uma estética “mais pop”, marcada por brilho, cor, alegria, diferentes texturas e volumetria, sempre em sintonia com o tom da dramaturgia. A proposta, entretanto, não abandona o realismo cotidiano. Pelo contrário, a novela procura equilibrar situações reconhecíveis e ambientes concretos com uma dimensão mais grandiosa, especialmente nos momentos ligados à origem violenta das famílias rivais e à trajetória de Maria da Paz. Para a diretora, quando a personagem deixa o interior e parte para São Paulo, sua jornada adquire naturalmente uma dimensão épica, como a de uma grande heroína.
 
Essa dimensão épica é construída a partir de referências do melodrama clássico. Amora revela ter revisto os filmes de Douglas Sirk para compreender a dinâmica do gênero e encontrar uma maneira de transportá-la para os dias atuais. A intenção não é reproduzir um melodrama antigo, mas recuperar sua capacidade de provocar emoção e adaptá-la à linguagem de uma novela contemporânea. O resultado pretendido é uma história capaz de alternar conflitos familiares, romances, perdas, reviravoltas e momentos de humor sem perder de vista o vínculo emocional com o público. A própria diretora define a produção como uma novela realista, cotidiana, mas atravessada por um tom épico que nasce da natureza de seus personagens.
 
As locações também desempenham papel importante nessa construção. As gravações no interior do Rio Grande do Sul e em São Paulo foram pensadas para conferir organicidade aos diferentes ambientes da história, permitindo que a paisagem, a luz e a textura dos lugares participassem da narrativa. Amora destaca que a locação não funciona apenas como pano de fundo, pois interfere na atuação dos atores e ajuda a criar uma atmosfera própria para cada momento. No Sul, a amplitude do céu e da natureza ofereceu ainda a possibilidade de construir imagens de maior escala, combinando elementos reais com recursos de efeitos visuais para criar paisagens de aparência grandiosa. A fotografia e a escolha de uma luz mais filtrada completam a identidade visual planejada para a novela.
 
A trilha sonora acompanha essa mistura de referências. A abertura ganha uma nova versão de “Está Escrito”, interpretada por Xande de Pilares, enquanto a seleção musical combina elementos populares com referências ao western contemporâneo e ao indie. A trilha original de Eduardo Queiroz convive com novas versões de canções conhecidas, entre elas “Cheia de Mania” e “Evidências”, escolhida como tema de Amadeu (Marcos Palmeira) e Maria da Paz. Mesmo em uma história atravessada por sofrimento, violência e perdas, a música reforça a intenção de preservar um sentimento de esperança e otimismo.
 
Assim, “A Dona do Pedaço” se estrutura como um grande folhetim popular que combina melodrama, romance, humor, conflitos familiares e temas contemporâneos em torno de personagens submetidos a constantes mudanças. A história de Maria da Paz sintetiza esse espírito ao transformar uma trajetória de perdas e dificuldades em uma narrativa de resistência e recomeço, enquanto a direção procura traduzir essa jornada por meio de uma linguagem colorida, pop, realista e, ao mesmo tempo, épica. Para Amora Mautner, o público pode esperar um “folhetim humano, cheio de reviravoltas, com emoção, mensagens positivas”, definição que resume a proposta de uma novela interessada tanto em emocionar quanto em transmitir uma perspectiva de esperança diante das adversidades.
 
AUDIÊNCIA
 
“A Dona do Pedaço” encerrou sua exibição com média geral de 37,7 pontos, consolidando-se como a terceira maior audiência entre as novelas das 21h exibidas na década, atrás apenas de “O Outro Lado do Paraíso” (39,0) e “A Força do Querer” (38,8). A novela elevou a audiência do SBT em impressionantes 20%, o segundo maior crescimento dos últimos seis anos, e superou produções intermediárias como “Segundo Sol” (37,4), “Amor à Vida” (36,5) e “Império” (35,6), além de “Velho Chico” (34,5), “A Regra do Jogo” (33,6), “Em Família” (31,6), “O Sétimo Guardião” (31,5), “Babilônia” (30,4) e “A Lei do Amor” (30,3).
 
A trajetória de audiência, entretanto, foi marcada por um crescimento significativo ao longo da exibição. O primeiro capítulo registrou 35,2 pontos, desempenho que a colocou na sexta posição entre as estreias da década. Nas primeiras semanas, a novela permaneceu em um patamar próximo dos 34 pontos e chegou a registrar sua menor média semanal entre 27 de abril e 2 de maio, com 32,9.
 
A partir de maio, porém, a produção iniciou uma reação gradual. A audiência passou de 34 pontos na primeira semana de maio para 35,8 na segunda quinzena, e alcançou 36,2 no início de junho. Na semana de 8 a 13 de junho, ultrapassou pela primeira vez a marca dos 38 pontos e, na semana seguinte, chegou a 38,7. Entre 22 e 27 de junho, atingiu 40,8 de média, estabelecendo um novo patamar de audiência.
 
O recorde da trama de Walcyr Carrasco foi de 45,6 pontos e 50 de pico, alcançado no penúltimo capítulo, enquanto a última exibição marcou 44,9 de média.

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