domingo, 8 de março de 2026

VAI NA FÉ (2026)


“Vai na Fé” é uma telenovela brasileira produzida e exibida pelo SBT.
 
Autoria: Rosane Svartman.
Colaboração: Mário Viana, Pedro Alvarenga, Renata Corrêa, Renata Sofia, Sabrina Rosa e Fabricio Santiago.
Direção: Isabella Teixeira, Juh Almeida, Augusto Lana e Matheus Senra.
Direção-geral: Cristiano Marques.
Direção artística: Paulo Silvestrini.
 
Exibição original
Período: 9 de março – 2 de outubro de 2026.
Horário: 19h40 – 98ª novela da faixa.
Duração: 179 capítulos.
 
TRAMA PRINCIPAL
 
Sol (Sheron Menezzes), leva uma vida simples e feliz em Piedade ao lado do marido, Carlão (Che Moais), das filhas Jenifer (Bella Campos) e Duda (Manu Estevão) e da mãe, Marlene (Elisa Lucinda). Vendedora de quentinhas no centro do Rio de Janeiro, religiosa e muito ligada à igreja do bairro, Sol construiu sua identidade em torno da família, da fé e da capacidade de encontrar alegria nas pequenas coisas. Mas existe uma parte de seu passado que permaneceu escondida durante anos: na juventude, ela frequentava bailes funk sem que os pais soubessem e ficou conhecida como a Princesa do Baile. É justamente essa antiga paixão pela música e pela dança que volta à sua vida quando, em meio às dificuldades financeiras, ela é convidada por Vitinho (Luis Lobianco), conhecido de sua juventude, para trabalhar como dançarina de Lui Lorenzo (José Loreto). O retorno aos palcos provoca resistência dentro de casa. Carlão, que havia se apaixonado por Sol quando a viu cantando no coral da igreja, passa a enfrentar dificuldades para aceitar a nova exposição da mulher. Desempregado e tentando reconstruir a própria vida profissional, ele se torna cada vez mais irritadiço e ciumento, enquanto Duda, sua filha caçula e sua grande admiradora, também rejeita a ideia de ver a mãe dançando. Marlene, mais moralista e conservadora que a filha, inicialmente compartilha da preocupação. Sol, porém, percebe que cantar e dançar não significa abandonar sua família ou sua fé, mas recuperar uma parte de si mesma que havia deixado para trás.
 
A retomada da carreira coloca Sol novamente diante de duas figuras que pertencem ao seu passado: Ben (Samuel de Assis) e Théo (Emilio Dantas). Ben foi o grande amor de sua juventude. Os dois viveram uma paixão intensa, mas a vida os separou. Depois da morte do pai, Ben precisou abandonar parte dos ideais que tinha quando jovem para assumir o escritório de advocacia da família e se tornar responsável pelos negócios e pelos parentes. Tornou-se um advogado pragmático e bem-sucedido e construiu uma vida estável ao lado de Lumiar (Carolina Dieckmann), também advogada criminalista, sua colega desde a faculdade. O reencontro com Sol, portanto, desperta sentimentos que Ben acreditava estarem enterrados. Théo, por outro lado, encara Ben como uma espécie de espelho invertido: vê nele tudo aquilo que gostaria de ter sido e, ao mesmo tempo, tudo aquilo que despreza. Os dois se conheceram na faculdade, embora Théo nunca tenha concluído o curso, e chegaram a frequentar juntos as baladas da Zona Sul e os bailes funk da Zona Norte. Foi nesse ambiente que Théo conheceu Sol e também Orfeu (Jonathan Haagensen), antigo companheiro dos bailes que se tornou seu sócio oculto nos negócios ilícitos de uma empresa de importação e exportação. A diferença fundamental entre os dois homens aparece desde cedo: enquanto Ben ainda guarda alguma capacidade de rever suas escolhas, Théo transforma suas frustrações em ressentimento, manipulação e desejo de controle.
 
A nova vida de Sol sofre um golpe brutal quando Carlão morre em um acidente de trânsito. O caminhão conduzido por Romano, ligado às operações da empresa de Théo, provoca a colisão que deixa Carlão gravemente ferido. Ben, que também estava na estrada, presencia o acidente e tenta socorrê-lo. Carlão sobrevive inicialmente à cirurgia, mas sofre uma parada cardíaca e morre. A tragédia transforma a família de Sol. Duda, que era especialmente ligada ao pai, não consegue aceitar a perda, enquanto Sol precisa lidar com o luto e, ao mesmo tempo, continuar sustentando a casa. Jenifer também é atingida por uma segunda revelação: descobre que Carlão não é seu pai biológico. A investigação sobre a morte de Carlão e a busca de Jenifer por sua verdadeira origem passam a caminhar juntas, porque Ben começa a recuperar lembranças do acidente e a desconfiar de que há algo escondido por trás daquela tragédia. Lumiar, por sua vez, inicialmente tenta investigar o acidente, sem saber que a investigação poderá atingir diretamente Théo. O empresário entra em pânico com a possibilidade de Ben recuperar a memória e descobrir sua participação nos acontecimentos.
 
A partir da morte de Carlão, Jenifer passa a procurar respostas sobre o próprio nascimento. Sol e Marlene tentam esconder informações sobre o passado, chegando a criar uma versão falsa sobre o pai biológico da jovem. Jenifer, porém, não se conforma. A busca a leva cada vez mais perto de Ben, que começa a perceber semelhanças e coincidências entre sua história com Sol e a trajetória da jovem. O vínculo entre os dois nasce antes mesmo da confirmação da paternidade: Ben passa a enxergar em Jenifer uma filha possível, enquanto ela encontra nele uma referência masculina muito diferente daquela que teve durante a maior parte da vida. Lumiar percebe o que está acontecendo e tenta impedir a aproximação. Ela sabe que Jenifer é filha de Sol antes que Ben descubra a verdade e usa essa informação para proteger seu casamento. Sua postura, inicialmente motivada pelo medo de perder a vida que construiu, a coloca progressivamente em conflito com Sol, Jenifer e o próprio marido.
 
Ao mesmo tempo, Théo passa a se aproximar de Sol de maneira cada vez mais ameaçadora. A obsessão que ele demonstra não nasce apenas do reencontro com uma antiga conhecida. No passado, quando Sol ainda era jovem, Théo a violentou sexualmente, e dessa violência nasceu Jenifer. Durante muitos anos, esse crime permanece escondido. Théo sabe que Jenifer é sua filha biológica e, quando percebe que a jovem está se aproximando de Ben, passa a tentar controlar a situação. Sua obsessão por Sol se mistura à necessidade de esconder o próprio passado e ao desejo de destruir aquilo que Ben possui e ele não consegue ter. Ele tenta oferecer dinheiro a Sol, aproxima-se de Kate (Clara Moneke) e chega a pedir que ela mude o visual para se parecer com a Sol mais jovem. A atitude deixa evidente que o empresário não vê as mulheres ao seu redor como indivíduos, mas como objetos que pode manipular para satisfazer seus desejos. Orfeu, que conhece o lado criminoso de Théo, percebe desde cedo que a obsessão do sócio por Sol poderá trazer consequências para os dois.
 
A investigação de Ben sobre o acidente de Carlão também ameaça diretamente os negócios clandestinos de Théo e Orfeu. Por trás da aparência de empresário respeitável, Théo mantém uma operação de importação e exportação que utiliza contêineres para trazer mercadorias lícitas pagando menos impostos. Orfeu participa desse esquema e funciona como o elo de Théo com o mundo criminoso. Dono de um bar-karaokê e ex-integrante do tráfico, ele havia tentado abandonar a criminalidade depois de cumprir pena, mas acaba retornando ao crime por causa da parceria com Théo. Os dois se tornam dependentes um do outro e, ao mesmo tempo, cada vez mais desconfiados. Théo utiliza Orfeu para intimidar pessoas, controlar testemunhas e proteger seus interesses, enquanto Orfeu percebe que pode ser descartado a qualquer momento. Essa relação acaba envolvendo Hugo (MC Cabelinho), antigo namorado de Kate, que é pressionado por Orfeu a agir contra pessoas que podem denunciar Théo.
 
Enquanto Jenifer avança na descoberta de sua verdadeira origem, o casamento de Ben e Lumiar começa a ruir. Lumiar é uma mulher extremamente racional, controladora e acostumada a dominar as situações tanto na vida profissional quanto na pessoal. O envolvimento de Ben com Sol ameaça a estrutura que ela acredita ter construído de maneira perfeita. Sua ligação com os pais, Fábio (Zé Carlos Machado) e Dora (Claudia Ohana), também revela o quanto ela se afastou da vida simples e espiritual do Refúgio Paz de Lumiar. Fábio havia sido cantor e ator e levado uma vida desregrada antes de encontrar em Dora, terapeuta holística e profundamente ligada à natureza, uma possibilidade de reconstrução. Juntos, os dois transformaram o Refúgio em um espaço de paz e renovação, justamente o tipo de ambiente que Lumiar rejeita. A relação entre mãe e filha é difícil, mas a crise no casamento faz Lumiar voltar várias vezes ao Refúgio e se confrontar com uma parte de sua própria história que sempre tentou rejeitar.
 
A confirmação da paternidade de Jenifer se transforma em uma das maiores disputas da história. Ben e Théo passam a disputar, ainda que de maneiras completamente diferentes, o lugar de pai na vida da jovem. O primeiro exame de DNA é fraudado depois que Ben, desesperado diante da possibilidade de descobrir que Théo é o pai, paga Antônio para alterar o resultado. A fraude, entretanto, acaba descoberta e o exame é invalidado. Um novo teste é determinado, colocando Sol, Jenifer, Ben e Théo novamente diante da possibilidade de uma confirmação definitiva. Enquanto isso, Lumiar percebe que Ben não está apenas investigando a própria paternidade: ele está tentando reparar anos de omissões e proteger Jenifer. A relação entre os dois chega ao limite quando Lumiar descobre que o marido participou da fraude. Paralelamente, ela se aproxima de Théo e chega a se envolver com ele, inicialmente acreditando que consegue controlar a situação e compreender o empresário. A relação, porém, revela justamente o contrário: Théo também tenta manipular Lumiar e utilizá-la como instrumento de proteção.
 
A grande revelação muda completamente o significado de todos esses conflitos: Théo é o pai biológico de Jenifer, e ela foi concebida em consequência do estupro que ele cometeu contra Sol. A descoberta destrói qualquer possibilidade de Sol continuar escondendo o passado para proteger a filha. Jenifer precisa lidar com a violência sofrida pela mãe e com o fato de que o homem que passou a tentar se aproximar dela é justamente seu agressor. A reação da jovem é transformar a dor em busca por justiça. Ela começa a procurar outras possíveis vítimas de Théo, com a ajuda de Yuri e de pessoas ligadas à faculdade, e chega a mulheres como Janaína e Grazi. Sol, inicialmente apavorada com a exposição do trauma, percebe que a filha está tentando impedir que outras mulheres passem pelo que ela passou. Ben também assume uma posição cada vez mais firme e decide enfrentar Théo juridicamente. O conflito entre os dois deixa de ser apenas pessoal e passa a envolver a tentativa de responsabilizar o empresário por uma série de crimes.
 
O processo contra Théo atinge também sua família. Clara, durante muito tempo, vive submetida ao marido sem reconhecer a dimensão do abuso. Ela abandonou a carreira de modelo para dedicar-se à família, sente-se culpada pelos problemas emocionais de Rafa e acredita que precisa manter o casamento de pé. Aos poucos, porém, começa a perceber o padrão de comportamento de Théo. Helena, sua personal trainer e amiga, torna-se fundamental nessa transformação. A relação de confiança entre as duas permite que Clara compreenda que sua vida não precisa continuar subordinada ao marido. Rafa também começa a enxergar o pai de maneira diferente. O adolescente, que já enfrentava dificuldades emocionais e resistência à terapia, sofre com a forma como Théo trata Clara e com a manipulação exercida sobre ele. O envolvimento de Kate com Théo aprofunda ainda mais a crise, especialmente porque ela posteriormente se relaciona com Rafa. Quando a verdade vem à tona, Clara precisa enfrentar o comportamento do marido, enquanto Rafa se vê obrigado a confrontar a realidade de que o pai que admirava também é responsável por grande parte do sofrimento dentro de casa.
 
A trajetória de Sol com Lui funciona como parte importante de sua reconstrução pessoal. Depois da morte de Carlão, a carreira artística deixa de ser apenas uma fonte de renda e passa a representar a possibilidade de Sol retomar um sonho que havia abandonado. Lui se apaixona por ela e, apesar de inicialmente agir como um astro acostumado a conquistar mulheres, desenvolve um sentimento verdadeiro. Sol chega a viver um relacionamento com ele, mas sua ligação com Ben continua mais profunda. Lui, então, precisa compreender que o amor que sente por Sol não será correspondido da maneira que deseja. Sua própria trajetória acaba se cruzando novamente com a de Lumiar, e os dois desenvolvem uma aproximação que só se consolida depois que ela rompe definitivamente com Théo. A presença de Lui também é importante para a carreira de Sol: por meio dos shows, das aulas de dança e das apresentações, ela deixa de ser apenas a mulher de Piedade que voltou a dançar por necessidade e passa a construir uma identidade artística própria.
 
Sol também encontra força na própria comunidade. Bruna (Carla Cristina Cardoso), sua melhor amiga e parceira nas quentinhas, permanece ao seu lado durante as fases mais difíceis, enquanto Marlene passa gradualmente da reprovação à aceitação da nova vida da filha. Duda, que inicialmente rejeita a carreira da mãe e permanece muito ligada à memória do pai, também amadurece com as perdas e mudanças familiares. Jenifer, por sua vez, transforma sua experiência em motivação para seguir o Direito e passa a participar ativamente das investigações contra Théo. Sua vida afetiva também se desenvolve entre Hugo e Eduardo (Matheus Abreu), jovem missionário que retorna a Piedade depois de anos na África. Hugo, vindo de uma trajetória marcada pelo crime e pela influência de Orfeu, tenta mudar de vida e se aproximar novamente de Jenifer. Eduardo representa uma possibilidade diferente para ela, ligada à igreja e aos valores que sempre fizeram parte de sua formação. Essa disputa afetiva, porém, permanece subordinada ao conflito maior de Jenifer com o próprio pai biológico.
 
A situação de Théo se complica ainda mais quando suas vítimas começam a se manifestar. Janaína decide denunciar o empresário, e Ben passa a reunir depoimentos e evidências. Grazi também surge como uma nova testemunha, mas sofre ameaças e desaparece por determinado período. Orfeu utiliza Hugo para tentar impedir que as mulheres falem. Jenifer, entretanto, insiste na investigação e passa a procurar cada vez mais informações sobre o passado do pai. Clara também começa a se afastar definitivamente de Théo. Mesmo quando tenta manter a aparência de família perfeita, o empresário perde progressivamente o controle sobre as pessoas que antes conseguia manipular. Lumiar, que havia permanecido ao lado dele durante parte do processo, começa a perceber que defender Théo significa também enfrentar provas cada vez mais graves. Sua própria experiência ao lado dele passa a servir como demonstração de que o comportamento manipulador do empresário não se limita a Sol.
 
A investigação finalmente chega à empresa. A Polícia Federal começa a examinar os contêineres e as operações de importação, enquanto Ben busca provas que relacionem Théo ao contrabando. Orfeu, percebendo que pode ser condenado junto com o sócio, começa a ameaçá-lo e tenta negociar informações. O conflito entre os dois chega ao ponto de ruptura. Orfeu tenta atacar Théo, que consegue escapar e o atropela. Mais tarde, os dois voltam a se enfrentar, desta vez no porto, e Théo mata o antigo parceiro. Antes disso, porém, Orfeu deixa para Ben informações que ajudam a comprovar os crimes da empresa. Ao mesmo tempo, Jenifer e Ben descobrem que o caminhão que provocou o acidente de Carlão transportava mercadorias ligadas à empresa de Théo. Assim, a morte que havia dado início à grande transformação de Sol deixa de ser apenas uma tragédia familiar e passa a fazer parte das provas que ajudam a desmascarar o empresário.
 
Sol e Ben, depois de tantos obstáculos, conseguem finalmente assumir a relação. A aproximação entre os dois passa por lembranças da juventude, pelo envolvimento de Sol com Lui, pela crise no casamento de Ben e pela descoberta da verdadeira paternidade de Jenifer. Quando Ben se declara novamente, Sol precisa decidir se está pronta para deixar o passado definitivamente para trás e construir uma nova vida. Ela aceita esse caminho, mas Théo não admite perder o controle. O empresário continua utilizando Jenifer, ameaças e informações pessoais para tentar separar o casal. Em determinado momento, chega a fazer Sol acreditar que a única maneira de proteger a filha é afastar-se de Ben. Sol termina o relacionamento para atender à chantagem, mas a separação não resolve o problema: apenas demonstra que Théo continua tentando decidir o destino das pessoas ao seu redor.
 
Jenifer também decide agir por conta própria. Ao perceber que Théo guarda documentos importantes, ela aceita morar temporariamente na casa dele ao lado de Rafa. A estratégia permite que ela tenha acesso ao computador e aos arquivos do empresário. Com a ajuda de Yuri, tenta descobrir informações que possam ser usadas contra o pai. Jenifer e Rafa chegam a investigar documentos antigos ligados aos negócios da empresa e aos lotes utilizados nas operações de Orfeu. Théo percebe que os dois estão escondendo alguma coisa e tenta mantê-los sob controle. Mesmo quando consegue resgatá-los de uma situação perigosa no galpão, continua manipulando os dois. Para Jenifer, entretanto, aquela convivência deixa cada vez mais clara a natureza do homem que é seu pai biológico. Ela já não procura uma figura paterna em Théo; procura provas para derrubá-lo. Ao mesmo tempo, sua relação com Ben se fortalece, e ele passa a representar cada vez mais o pai que ela escolheu ter.
 
Quando as provas contra Théo se acumulam, ele percebe que não poderá sustentar para sempre a imagem de empresário exemplar. As denúncias de abuso, os depoimentos das vítimas, os crimes envolvendo a empresa, as informações deixadas por Orfeu e a ligação com o acidente de Carlão formam um conjunto de evidências que ameaça tudo o que construiu. Clara também se afasta definitivamente e passa a reconstruir a vida com Helena. Rafa, apesar das dificuldades emocionais, começa a se libertar da influência do pai. Lumiar deixa de defendê-lo e passa a atuar em favor da verdade em diferentes situações. Até Sheila (Renata Miryanova), sua secretária e cúmplice de longa data, começa a temer que seja responsabilizada pelas operações criminosas e passa a esconder informações do próprio chefe. Théo, que durante toda a história acreditou conseguir controlar as pessoas por meio do medo, percebe que seu círculo de proteção está desaparecendo.
 
Paralelamente, Sol enfrenta uma última batalha pela própria carreira. Depois de tantos conflitos para conseguir cantar e dançar novamente, ela precisa lidar com produtores que tentam controlar sua imagem e impedir suas apresentações. Mauro interfere em seu trabalho e chega a afirmar que ela não pode subir ao palco. Sol, porém, decide não recuar. Ao enfrentar o produtor diante do público, recebe o apoio das pessoas e reafirma que sua carreira pertence a ela. Com Vitinho e Cidão, começa a preparar uma nova música, mostrando que a mulher que inicialmente precisava voltar aos palcos para conseguir pagar as contas agora compreende a dimensão de seu próprio talento. A carreira de Sol deixa de ser uma concessão feita à necessidade financeira e passa a ser uma conquista pessoal.
 
Théo, finalmente acuado, tenta fugir do país. A Polícia Federal passa a monitorar seus movimentos e Érika acaba envolvida em uma tentativa de ajudá-lo. Ele muda o visual e tenta desaparecer, mas antes decide resolver sua maior ameaça: Ben. Théo marca um encontro com o advogado em um galpão, fingindo que pretende se entregar. O objetivo verdadeiro é provocar a morte do rival. O local é incendiado com os dois dentro e uma grande explosão acontece. Ben consegue sobreviver, enquanto Sol entra em desespero ao descobrir o que aconteceu. Quando ele retorna, ela o acolhe e os dois percebem que, depois de tudo o que viveram, não querem mais adiar a decisão de construir uma vida juntos. Algumas semanas depois, a família se prepara para uma nova fase. Clara e Rafa recebem uma proposta pela empresa, Helena e Clara se reconciliam, e Jenifer consolida definitivamente seu vínculo com Ben, reconhecendo que, apesar de Théo ser seu pai biológico, é Ben quem ocupa o lugar de pai em sua vida.
 
Ainda assim, Théo não desaparece definitivamente. No dia do casamento de Sol e Ben, ele reaparece para ameaçar Sol uma última vez. A perseguição que começou quando ele voltou a vê-la dançando chega, finalmente, ao fim. Théo é preso durante a cerimônia, encerrando a sequência de ameaças, manipulações e crimes que atingiu Sol, Ben, Jenifer, Clara, Rafa, Orfeu e tantas outras pessoas. Sol e Ben conseguem se casar depois de atravessar décadas de distância, segredos, perdas e interferências. Jenifer termina ao lado do homem que reconhece como seu verdadeiro pai afetivo, enquanto Sol finalmente pode viver sem precisar esconder seu passado, sua carreira ou seus sentimentos. Marlene e Duda acompanham a felicidade da família, Clara encontra em Helena uma nova possibilidade de vida, Lui e Lumiar assumem o relacionamento e Théo termina sozinho, preso e incapaz de exercer o controle que manteve sobre todos durante tanto tempo. A história de Sol, Ben e Théo se encerra, assim, com destinos opostos: enquanto Théo perde a liberdade justamente por não conseguir abrir mão do poder sobre a vida dos outros, Sol conquista a liberdade de ser quem sempre quis ser e, ao lado de Ben, transforma finalmente o amor interrompido da juventude em uma vida compartilhada.
 
TRAMAS PARALELAS
 
Entre a fama, a dependência da mãe e a descoberta do amor
Lui Lorenzo (José Loreto) construiu uma carreira de cantor pop baseada muito mais em sua imagem do que em qualquer pretensão artística. Bonito, sedutor e acostumado a conquistar mulheres com facilidade, ele se tornou famoso depois de participar de um programa de calouros e passou a viver sob o comando de sua mãe, Wilma Campos (Renata Sorrah). A relação entre os dois é intensa e contraditória: Wilma criou o filho praticamente sozinha, sempre reforçando a ausência de Fábio, e transformou a carreira de Lui em sua principal fonte de sustento. Ao mesmo tempo em que administra cada detalhe da vida profissional do cantor, ela não esconde o quanto considera o filho brega, limitado e artisticamente inferior. Lui, por sua vez, cresceu carente e dependente da aprovação materna, embora também se ressinta do controle exercido por ela. A chegada de Sol à banda rompe o equilíbrio dessa relação. Vitinho (Luis Lobianco), braço direito de Lui e antigo amigo de Sol dos bailes funk, percebe que ela tem talento e sugere sua contratação como dançarina. A princípio, Lui se interessa por Sol como se fosse mais uma conquista, mas a resistência dela desperta algo diferente. Acostumado a mulheres que se rendem rapidamente ao seu charme, ele encontra em Sol alguém que não se impressiona com sua fama e que está muito mais preocupada em trabalhar e sustentar a família. A paixão cresce justamente porque Sol não facilita sua conquista.
 
A entrada de Sol na equipe provoca uma série de conflitos. Ivy (Azzy), uma das dançarinas e backing vocals, sente-se ameaçada pela nova colega e passa a agir para preservar seu emprego, enquanto Érika (Leticia Salles), que já havia tido um affair com Lui, perde espaço e acaba deixando a banda. A saída de Érika não significa seu desaparecimento. Ambiciosa e sem qualquer preocupação com limites éticos, ela encontra nas fofocas sobre celebridades uma nova maneira de permanecer próxima do universo de Lui. Ao lado de Anthony Verão (Orlando Caldeira), colunista interessado em notícias capazes de gerar cliques, começa a explorar a vida pessoal do cantor e, principalmente, seu envolvimento com Sol. O relacionamento dos dois passa a ser alvo constante de especulações, fotografias e matérias. Érika chega a publicar conteúdos para provocar Lui e Sol, além de usar informações obtidas dentro da própria equipe. Anthony, inicialmente interessado apenas no potencial jornalístico das fofocas, também vai ultrapassando gradualmente os limites profissionais conforme percebe o quanto o público se interessa pela vida de Lui.
 
Vitinho é fundamental para a transformação de Lui. Além de compositor e assistente, ele se torna o amigo que tenta fazê-lo enxergar Sol como uma mulher que merece ser conquistada com respeito, e não como mais uma aventura. É Vitinho quem organiza surpresas, ajuda nas tentativas românticas do cantor e acompanha a evolução do relacionamento. Sua ligação com Sol também faz com que ele se torne alvo de Théo. Em determinado momento, homens ligados a Orfeu atacam e sequestram Vitinho, deixando-o machucado. O episódio evidencia que o universo artístico de Lui começa a ser atingido pelos conflitos criminosos que cercam Sol. Anthony chega a acolher Vitinho depois do ataque, mas o rapaz pede que o episódio não vire fofoca, mostrando que, apesar de trabalhar no meio das celebridades, ele entende os limites entre notícia e exploração da vida alheia.
 
O relacionamento entre Lui e Sol evolui em meio a sucessivas tentativas de aproximação. Ele a leva para passeios, tenta criar momentos românticos, compõe e chega a preparar uma grande surpresa em um show com a participação de Ludmilla. Sol, entretanto, permanece dividida. Ela gosta de Lui e chega a namorá-lo, mas sua história com Ben e os sentimentos que ainda existem entre os dois tornam o relacionamento mais complicado. Em determinado momento, Lui acredita que finalmente conseguiu conquistar Sol, mas percebe que ela continua emocionalmente ligada a Ben. A situação se agrava quando Érika volta a trabalhar com a banda e começa a explorar ainda mais a vida do casal. Lui tenta proteger Sol da exposição, enquanto ela também precisa lidar com as consequências de ter se tornado uma figura pública. O relacionamento termina sem que Lui consiga transformar sua paixão em uma relação definitiva, mas a experiência representa uma mudança importante em sua personalidade: pela primeira vez, ele precisa aceitar que amar alguém também significa respeitar a escolha dessa pessoa.
 
A crise entre Lui e Wilma chega ao limite quando ele percebe o quanto a mãe interfere em suas relações e em sua carreira. Wilma tenta controlar sua imagem pública, interfere na aproximação com Sol e chega a criar situações para fazer parecer que Lui e Ivy estão juntos. Quando Sol assina um contrato que a prende à banda e descobre as condições impostas por Wilma, Lui se revolta. Ele enfrenta a mãe e decide romper profissionalmente com ela. Pela primeira vez, passa a administrar sua carreira sem aceitar que Wilma escolha por ele. A mudança é simbólica: o cantor que passou a vida sendo tratado como um filho incapaz de tomar decisões começa finalmente a construir autonomia. Wilma sofre com a decisão porque, embora despreze muitos aspectos da carreira do filho, é justamente o sucesso de Lui que sustenta a vida confortável que ela construiu.
 
A relação de Lui com o pai também é reaberta ao longo da trama. Fábio Lorenzo (Zé Carlos Machado), que teve um passado de excessos como cantor e ator, afastou-se do filho depois da separação de Wilma. Com Dora (Claudia Ohana), construiu uma nova vida no Refúgio Paz de Lumiar, dedicada à natureza e à espiritualidade. Lui cresceu acreditando que o pai o abandonara e carregou ressentimento durante anos. Quando os dois finalmente se reencontram, Fábio tenta recuperar o tempo perdido, mas Lui não consegue simplesmente esquecer a ausência paterna. Ele despeja sobre o pai todas as mágoas acumuladas, obrigando Fábio a reconhecer seus erros. Dora funciona como mediadora dessa relação, tentando aproximar os dois sem forçar uma reconciliação imediata. A reaproximação com Fábio também faz Lui perceber que sua própria dependência emocional de Wilma está relacionada à ausência que sofreu durante a infância.
 
Wilma, por sua vez, ganha uma segunda oportunidade profissional quando Érika demonstra interesse em atuar. A antiga atriz volta a se aproximar dos estúdios, participa de testes e recupera gradualmente o prazer de representar. Seu reencontro com Fábio também reabre sentimentos do passado. Os dois voltam a frequentar lugares que marcaram sua história e acabam se aproximando novamente. Wilma, inicialmente presa ao ressentimento, começa a olhar para o passado de maneira menos amarga. Mais tarde, ela e Fábio chegam a trabalhar juntos novamente em uma produção televisiva, sendo recebidos com entusiasmo nos estúdios. O retorno à atuação funciona como uma espécie de recuperação da identidade que Wilma havia perdido enquanto se dedicava quase exclusivamente à carreira do filho.
 
Depois de tudo o que viveu, Lui não termina a novela ao lado de Sol. Sua trajetória desemboca em uma relação inesperada com Lumiar. Os dois descobrem e aprofundam a condição de irmãos por parte de Fábio e, depois que Lumiar rompe definitivamente com Théo, passam a se aproximar. A convivência entre eles permite que Lui construa um vínculo familiar que nunca teve de maneira plena. No fim, Lui e Lumiar ficam juntos, enquanto ele deixa para trás a postura do homem que precisava estar constantemente cercado por mulheres e pela aprovação da mãe. Seu arco paralelo, portanto, é menos sobre conquistar Sol e mais sobre aprender a amadurecer, romper a dependência materna, enfrentar a ausência do pai e descobrir que relações verdadeiras exigem muito mais do que sedução e fama.
 
Bolsistas, herdeiros e jovens tentando descobrir quem querem ser
A rotina do ICAES, faculdade de Direito onde Jenifer estuda e Lumiar leciona, é marcada desde o início pelo choque entre estudantes de origens sociais muito diferentes. Jenifer entra na instituição como bolsista e encontra um ambiente muito distante da realidade de Piedade. Bela (Clara Serrão), também bolsista, torna-se sua amiga e companheira, enquanto Yuri (Jean Paulo Campos), igualmente bolsista, aproxima-se das duas. O trio precisa enfrentar a hostilidade de parte dos alunos mais ricos, especialmente no início do curso, quando Fred (Henrique Barreira) e seu grupo tratam os bolsistas como integrantes de um universo inferior. A convivência, entretanto, transforma gradualmente essas relações. Jenifer passa de uma jovem que se sente deslocada a uma estudante que encontra sua própria voz dentro da faculdade, assume posições firmes e aprende a defender seus argumentos sem deixar de ouvir perspectivas diferentes das suas.
 
Yuri tem uma trajetória particularmente ligada aos dilemas de identidade e pertencimento. Introvertido e muito mais reservado que os colegas, ele desenvolve uma amizade profunda com Jenifer e Bela e acaba envolvido em diversas situações que exigem que tome decisões morais. Sua aproximação com Vini (Guthierry Sotero), rapaz gay que demonstra interesse por ele, provoca confusão. Yuri precisa lidar com sentimentos que não sabe nomear e com a necessidade de compreender a própria sexualidade e os próprios limites. Ao mesmo tempo, permanece envolvido nos conflitos de Jenifer e chega a ajudá-la em diferentes momentos. Sua amizade com Guiga também cresce, principalmente quando ela passa por dificuldades financeiras depois dos problemas envolvendo o pai. Yuri, que inicialmente parece viver à margem das grandes decisões, termina se tornando uma das pessoas mais presentes na vida dos colegas.
 
Tatá (Gabriel Contente) surge como um dos jovens que conseguem transitar entre realidades sociais diferentes. Filho da periferia, mas estudante de colégio particular, ele se identifica com os bolsistas e começa a namorar Jenifer. O relacionamento inicialmente funciona, mas entra em crise conforme Jenifer passa a dedicar cada vez mais energia à descoberta de sua origem e aos conflitos envolvendo Ben e Théo. O principal problema de Tatá, entretanto, surge quando é descoberto que ele fraudou uma bolsa de estudos. Yuri descobre a irregularidade e decide denunciá-lo. Tatá tenta convencer Jenifer a não seguir adiante, mas ela se vê diante de uma escolha ética: proteger alguém de quem gosta ou defender a justiça que acredita ser correta. Yuri e Bela procuram os estudantes que estavam na lista de espera da bolsa, mostrando que o problema não diz respeito apenas a uma fraude individual, mas também às oportunidades que outros alunos perderam.
 
Fred, inicialmente um dos representantes do grupo privilegiado da faculdade, também passa por um processo de amadurecimento. Rico e acostumado a circular entre jovens que possuem oportunidades muito diferentes das dos bolsistas, ele começa a enxergar os próprios privilégios quando se aproxima de Rafa e de Jenifer. Sua relação com Guiga é marcada por provocações, festas e conflitos, mas os dois acabam envolvidos em uma experiência de justiça restaurativa que os obriga a refletir sobre suas atitudes. Fred também se envolve com Bia, escondendo o relacionamento de Simas, o que provoca uma crise no núcleo dos adultos. Em outro momento, durante uma aula sobre assédio e violência contra a mulher, percebe que o comportamento de Théo com Clara reproduz exatamente os padrões discutidos em sala. A descoberta muda sua percepção sobre o pai do amigo Rafa e faz com que passe a enxergar problemas que antes não compreendia.
 
Guiga (Mel Maia) representa o lado mais superficial e privilegiado do ICAES. Influenciadora digital, rica e acostumada a transformar tudo em conteúdo, ela começa a história tratando a própria vida como uma sequência de oportunidades para conseguir seguidores. Faz publicidade disfarçada, recomenda produtos de procedência duvidosa e raramente se preocupa com as consequências de suas ações. Essa bolha começa a se romper quando seu pai, Emílio, é envolvido em um crime financeiro e acaba preso. O dinheiro da família é bloqueado e Guiga perde o acesso à vida confortável que sempre conheceu. Obrigada a encontrar formas de conseguir dinheiro, passa a vender brigadeiros no ICAES e organiza um bazar com a ajuda de Yuri. A experiência faz com que perceba que sua identidade não pode depender apenas do dinheiro e da imagem que construiu nas redes.
 
A crise de Guiga a leva também ao Refúgio Paz de Lumiar. Acostumada ao celular, ela inicialmente se desespera com a falta de conexão e a necessidade de conviver com a natureza. A convivência com Fábio e Dora, porém, começa a produzir mudanças. Ao mesmo tempo, sua relação com Yuri se transforma. Depois de conflitos, ciúmes e aproximações, os dois chegam a se beijar e desenvolvem uma relação afetiva que permanece marcada pelas inseguranças de ambos. Guiga também enfrenta problemas quando suas publicações ultrapassam os limites e prejudicam outras pessoas. Aos poucos, deixa de ser apenas a influencer fútil do começo da história e passa a experimentar responsabilidades que nunca precisou assumir. No final, já grávida, entra em trabalho de parto, encerrando sua trajetória com uma mudança radical em relação à jovem que se preocupava quase exclusivamente com seguidores e aparências.
 
Alice (Laiza Santos), melhor amiga de Guiga, funciona muitas vezes como contraponto à amiga. É quem consegue perceber quando Guiga está exagerando e tenta trazê-la de volta à realidade. Sua participação se torna especialmente importante quando Guiga enfrenta os problemas provocados pelo pai e quando os conflitos envolvendo Yuri e Vini começam a se intensificar. Vicente (Théo Parizzi), integrante do mesmo grupo social de Guiga e Fred, permanece mais ligado ao cotidiano dos jovens ricos e às situações que envolvem festas, relacionamentos e disputas dentro da faculdade. Juntos, esses personagens ajudam a construir o ambiente universitário em que Jenifer passa a circular, mostrando que o ICAES não é dividido simplesmente entre mocinhos e vilões, mas entre jovens que precisam aprender a conviver com diferenças sociais e pessoais.
 
Bia (Flora Camolese), por sua vez, vive uma história mais ligada aos conflitos amorosos. Ela começa um relacionamento com Simas, homem mais velho e amigo de Ben e Théo, para desespero de sua mãe, Sabrina (Cris Werson). Sabrina considera o namorado da filha velho demais e não aceita a relação, criando uma guerra constante entre os dois. Bia acaba se envolvendo com Fred enquanto ainda está com Simas e tenta esconder a traição. Quando a verdade vem à tona, Simas termina o namoro. Posteriormente, Bia também enfrenta situações de ciúmes e conflitos com o ex, enquanto Sabrina permanece interferindo na vida amorosa da filha. A diferença de idade, a interferência materna e a infidelidade transformam a relação em uma das tramas românticas mais movimentadas do núcleo.
 
Simas (Marcos Veras), amigo de juventude de Ben e Théo, representa outra geração dentro desse universo. Artista frustrado, investiu suas economias em um bar próximo ao ICAES e tenta transformar o estabelecimento em uma nova oportunidade profissional. O bar torna-se ponto de encontro dos estudantes e acaba funcionando como elo entre as histórias dos adultos e dos jovens. O relacionamento com Bia é constantemente questionado por Sabrina e termina depois que ele descobre a traição da namorada com Fred. Mesmo assim, Simas permanece ligado ao cotidiano dos amigos e continua sendo uma figura importante na vida de Ben.
 
A faculdade também se torna palco dos conflitos profissionais de Lumiar. Como professora, ela precisa lidar com Jenifer diariamente, justamente enquanto esconde informações sobre a investigação de paternidade e tenta controlar a aproximação entre a jovem e Ben. Jenifer passa a questioná-la diretamente, desconfiando de suas omissões. O ambiente acadêmico, que deveria representar o espaço profissional em que Lumiar se sente mais segura, acaba se tornando o local onde seus conflitos pessoais mais aparecem. No final, depois de tudo o que viveu com Ben, Théo e sua família, Lumiar decide se despedir da turma de Direito Penal. Sua saída representa o encerramento de uma fase em que sua identidade estava completamente ligada ao exercício da advocacia e à universidade.
 
Amizade, ambição e a luta para escapar da vida que parecia determinada
Bruna (Carla Cristina Cardoso) é a pessoa que melhor conhece Sol fora da própria família. Amiga desde a juventude, parceira nas quentinhas e companheira de praticamente todas as fases da vida da protagonista, ela funciona como uma espécie de irmã para Sol. Enquanto acompanha a transformação da amiga depois da entrada no mundo artístico, Bruna também precisa enfrentar os próprios problemas dentro de casa. Sua filha, Kate, cresceu observando as dificuldades financeiras da família e desenvolveu uma ambição muito maior do que a mãe esperava. Bruna tenta transmitir à filha os valores que considera importantes, mas percebe progressivamente que Kate está disposta a fazer escolhas que ela jamais faria para conseguir uma vida melhor.
 
Kate (Clara Moneke) começa como a melhor amiga de Jenifer e uma jovem cheia de energia, inteligência e vontade de vencer. Ela acompanhou toda a luta de Bruna para sustentar a casa e concluiu que não queria repetir aquela trajetória. Seu desejo de ascensão, porém, faz com que comece a ultrapassar limites. A oportunidade de se aproximar de Théo parece inicialmente uma maneira de obter vantagens, mas ela rapidamente percebe que está lidando com um homem perigoso. Bruna tenta alertá-la e chega a descobrir que a filha está envolvida com um homem casado. Mesmo depois de ouvir os avisos da mãe, Kate permanece próxima de Théo, convencida de que consegue manipulá-lo. Quando Orfeu aparece no apartamento e a ameaça, ela percebe o tamanho do risco em que se colocou. Depois de ser expulsa do local, volta para casa destruída e finalmente aceita o acolhimento de Bruna.
 
A experiência com Théo deixa marcas em Kate, mas não encerra sua trajetória. Ela passa a se aproximar de Rafa e ajuda o rapaz a retomar os estudos e a se aproximar de Jenifer. A amizade com Jenifer continua sendo uma das relações mais importantes de sua vida, e Kate tenta protegê-la quando percebe o perigo representado por Orfeu e Théo. Em determinado momento, ela e Rafa elaboram um plano para tentar pressionar Théo por meio de um falso sequestro. A ideia, entretanto, sai do controle, envolve a polícia e termina com Kate presa e Hugo baleado. Ben assume a defesa da jovem e consegue sua liberdade. Depois de tudo, Kate começa a compreender que sua ambição não pode justificar qualquer escolha e que o desejo de mudar de vida não precisa significar abandonar completamente seus valores.
 
Hugo (MC Cabelinho) é outro personagem de Piedade cuja trajetória está diretamente ligada à possibilidade de transformação. Ele abandonou os estudos quando entrou para o crime e passou a trabalhar para pessoas como Orfeu. Ex-namorado de Kate, começa a se aproximar de Jenifer e encontra nela uma pessoa que acredita que ele pode mudar. O problema é que Hugo continua preso às obrigações do mundo criminoso. Orfeu o pressiona a cumprir missões e chega a exigir que impeça testemunhas de denunciar Théo. Hugo tenta romper com esse passado, mas não consegue simplesmente abandonar as pessoas que o controlam. A relação com Jenifer se torna justamente o principal motivo para tentar mudar. Ela o incentiva a estudar, questiona suas escolhas e não aceita tratá-lo como alguém condenado a permanecer no crime.
 
A redenção de Hugo ganha força quando ele começa a enfrentar as consequências de suas escolhas. Ele se aproxima novamente de Jenifer, enquanto Kate passa a se relacionar com Rafa. O sentimento de Hugo por Jenifer cresce e os dois vivem uma relação marcada por afastamentos e reencontros. Quando Hugo é baleado durante a confusão provocada pelo plano de Kate e Rafa, Jenifer fica desesperada e passa a acompanhar sua recuperação. No hospital, ele ouve a declaração de amor da jovem. O processo de transformação não apaga seu passado, mas mostra que Hugo pode construir outra vida. O rapaz que abandonou a escola e entrou para o crime termina a história muito mais próximo da possibilidade de reconstrução que Jenifer enxergou nele desde o começo.
 
Eduardo (Matheus Abreu) retorna a Piedade depois de quatro anos como missionário na África e passa a trabalhar com música e ensino de inglês na igreja. Sua chegada cria uma alternativa ao relacionamento de Jenifer com Hugo. Eduardo é ligado à religião, à música e ao trabalho comunitário e representa uma vida mais próxima daquela que Jenifer sempre conheceu em casa. Os dois se aproximam e chegam perto de iniciar um relacionamento, mas a presença de Hugo continua interferindo. Eduardo percebe que Jenifer tem sentimentos pelo rapaz e, em determinado momento, chega a conversar com ele sobre a disputa pela jovem. Apesar de representar uma possibilidade mais estável, Eduardo não consegue apagar a ligação emocional que se desenvolveu entre Jenifer e Hugo.
 
Dona Neide (Neyde Braga) representa o lado mais fofoqueiro e moralista da comunidade. Vizinha de Sol e frequentadora da mesma igreja, acompanha cada movimento da família e está sempre pronta para emitir um julgamento. A carreira de Sol como dançarina se transforma em um de seus assuntos favoritos, principalmente porque Dona Neide enxerga a atividade artística da vizinha a partir de uma perspectiva extremamente conservadora. Sua curiosidade sobre o entra e sai da casa de Sol faz com que ela frequentemente descubra informações antes dos demais moradores, transformando acontecimentos particulares em comentários pela vizinhança. No momento em que Sol passa por crises amorosas e profissionais, Dona Neide contribui para aumentar a pressão social que a protagonista enfrenta.
 
Joel (Waldo Piano), filho de Dona Neide, tenta constantemente amenizar os danos causados pela mãe. Motorista de aplicativo e antigo amigo de Carlão, mantém uma relação de amizade com a família de Sol e conhece as dificuldades vividas por ela. Depois da morte de Carlão, sua presença também serve como ligação com o passado do falecido. Joel acaba ainda envolvido em uma disputa amorosa por Bruna, já que Jairo também demonstra interesse pela empresária das quentinhas. A situação cria um pequeno triângulo romântico dentro do bairro, enquanto Joel tenta equilibrar sua própria vida com a necessidade de impedir que as fofocas da mãe destruam os relacionamentos dos vizinhos.
 
Bryan Lucas (Felipe Rodrigues), filho de Joel e neto de Dona Neide, é amigo de Duda e participa das aventuras do grupo de crianças de Piedade. Gil (Nêgo Ney), neto de Horácio, também se junta ao grupo, criando uma pequena rede de amizades que reproduz, em escala infantil, a convivência comunitária do bairro. Duda ainda enfrenta a rivalidade com Meire (Nathalia Costa), garota popular da escola que implica constantemente com ela. Como Duda herdou do pai uma personalidade combativa e costuma reagir agressivamente quando contrariada, esses conflitos acabam servindo para mostrar seu processo de amadurecimento. Aos poucos, a menina precisa aprender a lidar com frustrações sem transformar toda discordância em uma briga.
 
O Pastor Miguel (Adriano Canider) é uma das figuras de maior autoridade moral da comunidade. Responsável pela igreja frequentada por Sol e Dona Neide, participa de trabalhos sociais e está sempre disposto a orientar os moradores. Sua importância aumenta quando os problemas de Piedade deixam de ser apenas questões familiares e passam a envolver violência, criminalidade e escolhas difíceis. Jenifer procura Miguel para falar sobre Hugo, enquanto Sol recorre a ele em momentos de crise. O pastor procura oferecer acolhimento sem abandonar a importância da fé na vida daquela comunidade, tornando-se uma referência para personagens que precisam tomar decisões difíceis.
 
Marlene também encontra espaço para reconstruir a própria vida afetiva. Depois da morte de Gonzaga e de anos dedicados à família e ao trabalho com Sol, ela conhece Horácio (Francisco Salgado), que se interessa por ela. Os dois iniciam um relacionamento e Marlene passa a experimentar uma fase diferente de sua vida. Mais séria e moralista que Sol, ela havia se acostumado a colocar a família sempre em primeiro lugar. O namoro com Horácio mostra que também pode existir uma vida para além das responsabilidades familiares. Gil, neto de Horácio, aproxima-se de Duda e Bryan Lucas, fortalecendo a ligação entre as duas famílias.
 
O cotidiano de Piedade ainda acompanha a transformação profissional de Bruna e Sol. As quentinhas, que inicialmente representam apenas uma forma de sobrevivência, começam a ganhar espaço como negócio. Bruna consegue fechar um contrato para fornecimento das refeições, dando às duas uma perspectiva de independência financeira. Mais tarde, Sol e Marlene também avançam para uma nova fase profissional ao abrirem um restaurante. Dessa forma, enquanto Sol conquista espaço como cantora e dançarina, Bruna constrói seu próprio caminho empresarial. O bairro continua sendo o lugar onde as duas se apoiam, mas suas vidas já não estão limitadas às dificuldades financeiras que marcaram o início da novela.
 
No fim, Piedade permanece como o espaço de pertencimento que sustenta boa parte das transformações da novela. É ali que Bruna continua ao lado de Sol, que Kate precisa aprender com os próprios erros, que Hugo tenta abandonar o crime, que Eduardo exerce sua missão, que Dona Neide continua observando a vida alheia e que Duda, Bryan Lucas e Gil crescem juntos. As histórias do bairro não dependem diretamente do conflito entre Ben e Théo para existir, mas são constantemente atravessadas por ele. O que acontece com Sol repercute em toda a comunidade, e as mudanças vividas pelos moradores mostram que a transformação não está restrita aos protagonistas: cada personagem precisa, à sua maneira, decidir se continuará preso à vida que recebeu ou se terá coragem de construir outra.
 
AUDIÊNCIA
 
A novela “Vai na Fé” registrou uma média geral de 27,9 pontos durante sua exibição no SBT. Ao analisar esse resultado no contexto da década, a produção apresentou um desempenho superior ao de suas antecessoras imediatas, como “Cara e Coragem” (25,7) e “Quanto Mais Vida, Melhor!” (25,5). Contudo, o folhetim posicionou-se em um patamar intermediário se comparado aos índices mais robustos alcançados em anos anteriores do mesmo período, a exemplo de “Pega Pega” (31,3) e “Bom Sucesso” (30,5).
 
O comportamento da audiência ao longo da exibição foi marcado por uma trajetória de crescimento consistente. Nas semanas iniciais, a trama manteve uma estabilidade moderada, oscilando predominantemente na faixa dos 25 a 27 pontos nos dias úteis, apresentando as tradicionais variações de queda aos sábados. A partir de maio, a obra iniciou uma curva ascendente, firmando-se com frequência na casa dos 28 e 29 pontos. O engajamento do telespectador intensificou-se de forma mais evidente no último trimestre de exibição, período em que a novela passou a superar rotineiramente a marca dos 30 e 31 pontos em seus dias de maior consumo.
 
Os marcos de desempenho corroboram a evolução positiva da trama ao longo dos meses. A produção estreou com 27,3 pontos, um número contido quando alinhado a outras aberturas da década, como as de “O Tempo Não Para” (32,6) e “Bom Sucesso” (32,1). Entretanto, a capacidade de retenção de público garantiu um encerramento em alta. O último capítulo registrou 31,6 de média com 35 de pico, índice que não apenas fechou o ciclo da atração de forma expressiva, mas que também se configurou como a maior audiência diária obtida pela obra em toda a sua permanência no ar.
 
O percurso de “Vai na Fé” demonstra uma exibição pautada pela conquista gradativa de telespectadores. Com um desempenho que operou confortavelmente acima das referências estabelecidas para a faixa horária, a novela conseguiu estancar a tendência de baixa deixada pelas produções exibidas imediatamente antes dela. O resultado final evidencia o fôlego da narrativa na reta final e consolida a produção como um título de recuperação importante no histórico recente da emissora.
 
CONCEPÇÃO
 
Mais do que contar a história de uma mulher que precisa reconstruir a própria vida, “Vai na Fé” nasceu com a proposta de falar sobre esperança, recomeços e a capacidade de seguir adiante mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis. O próprio título resume a ideia que Rosane Svartman queria colocar no centro da novela: a crença de que as coisas podem melhorar, de que é possível se reinventar e continuar acreditando em um futuro diferente. A trama combina conflitos, humor e romance com situações presentes na sociedade contemporânea e acompanha personagens que não são definidos simplesmente como bons ou maus. São pessoas que acertam, erram, aprendem, voltam a errar e tentam novamente. Para a autora, são personagens humanos, cheios de contradições e imperfeições, justamente porque “se enrolam, enfim, como nós”. A história, portanto, parte das adversidades sem transformar seus personagens em vítimas permanentes delas, mantendo como horizonte a possibilidade de mudança.
 
Essa aproximação com a vida real também determina os assuntos que atravessam a novela. A Justiça é um dos temas recorrentes, principalmente por meio de Ben (Samuel de Assis) e Lumiar (Carolina Dieckmann), dois advogados cuja rotina permite apresentar o ambiente dos tribunais e diferentes situações relacionadas ao exercício da profissão. Paralelamente, o núcleo universitário coloca em discussão questões que fazem parte da experiência de muitos jovens, como as cotas, as diferenças sociais e a ideia de meritocracia. A intenção, porém, não é transformar esses temas em discursos isolados. Eles aparecem incorporados às trajetórias dos personagens, que entram em conflito a partir de suas próprias experiências, valores e histórias de vida. Como explica Rosane, os assuntos são apresentados a partir de “perspectivas diferentes”, porque cada personagem atravessa essas questões de uma maneira particular.
 
A construção dessas histórias exigiu uma equipe de roteiristas e uma estrutura de pesquisa capaz de ampliar os diferentes pontos de vista presentes na novela. Rosane Svartman trabalhou ao lado de Mário Viana, Pedro Alvarenga, Renata Corrêa, Renata Sofia, Fabrício Santiago e Sabrina Rosa. A produção também contou com a pesquisadora Paula Teixeira, responsável por aproximar a equipe de pessoas e realidades relacionadas aos temas abordados, além dos consultores César Belieny e Dr. Carlos Lube. Para Rosane, o trabalho de um roteirista consiste, em grande medida, em construir “pontes de empatia”. Mesmo com uma equipe formada por profissionais de diferentes idades, experiências e trajetórias, seria impossível reunir, apenas a partir das próprias vivências, conhecimento suficiente para representar todos os universos presentes em uma novela. A pesquisa e a escuta de pessoas que vivem determinadas situações diariamente tornam-se, assim, ferramentas fundamentais para ampliar esse olhar.
 
Essa preocupação com diferentes experiências está relacionada a uma transformação na própria maneira de construir personagens. Rosane identifica um público cada vez mais interessado em figuras com as quais possa se reconhecer, inclusive quando elas erram ou apresentam comportamentos contraditórios. A autora entende que o melodrama passou a comportar personagens menos maniqueístas, nos quais a divisão tradicional entre mocinho e vilão se torna menos rígida. A mocinha não precisa existir exclusivamente em função da busca por um par romântico, assim como o antagonista não precisa passar a história inteira praticando maldades. Em “Vai na Fé”, cada personagem possui diferentes camadas e pode agir de maneira contraditória dependendo das circunstâncias.
 
Théo (Emilio Dantas) representa de maneira particularmente evidente essa escolha. Em vez de surgir como alguém que sempre foi perverso, ele é apresentado como um homem que, na juventude, era visto como simpático, habilidoso e capaz de resolver problemas. Gostava de fazer favores e tinha jogo de cintura, mas frequentemente agia movido por interesses próprios. Com o passar dos anos, porém, seus limites foram sendo progressivamente ultrapassados. Rosane explica essa transformação a partir de uma comparação simples: “Uma coisa é colar na prova da escola, a outra é falsificar um documento”. Pequenas transgressões vão dando lugar a crimes cada vez mais graves, enquanto seu limite ético e moral se torna progressivamente mais frágil. O resultado é um homem egoísta, com traços narcisistas e capaz de cometer atrocidades. A trajetória de Théo, portanto, está relacionada à ideia de que uma pessoa pode construir gradualmente sua própria degradação moral a partir das escolhas que faz.
 
O espaço onde essa história começa também foi escolhido com uma intenção específica. Piedade, na Zona Norte do Rio de Janeiro, funciona como um dos principais territórios da novela e estabelece um contraste com a Zona Sul, onde está localizada a universidade, além dos demais ambientes frequentados pelos personagens. Rosane procurava um bairro tradicional e operário, com clubes e uma relação com os bailes funk dos anos 2000, e encontrou em Piedade características que dialogavam diretamente com o universo da trama. Até mesmo o nome do bairro tinha importância para a autora, por sua relação simbólica com a história. É também de Piedade que Sol e Bruna se deslocam diariamente para trabalhar no Centro da cidade, criando uma ligação entre diferentes regiões do Rio. Para Rosane, a vida cotidiana retratada ali ultrapassa os limites da cidade e representa “muitos lugares do nosso Brasil”.
 
A construção desse universo também ganhou novas camadas no encontro entre o roteiro e a direção. Rosane Svartman e o diretor artístico Paulo Silvestrini já haviam cogitado trabalhar juntos anteriormente, mas a parceria finalmente aconteceu em “Vai na Fé”. A autora destaca a capacidade do diretor de apresentar soluções que não haviam sido discutidas na sala de roteiro, ao mesmo tempo em que mantém uma escuta atenta para compreender como figurinos e cenários participam da construção dos personagens e da narrativa. O processo também envolveu uma troca constante com Mari Pinheiro, produtora da novela, formando um diálogo entre autoria, direção e produção. Rosane conta que, ao assistir às primeiras cenas, percebeu o resultado dessa parceria e se emocionou especialmente com o equilíbrio alcançado entre humor e drama: as cenas cômicas ficaram ainda mais engraçadas, enquanto as dramáticas conseguiram emocioná-la.
 
O resultado pretendido é uma novela que não precise escolher entre divertir e provocar reflexão. Para Rosane, assistir a uma novela envolve necessariamente uma parcela de entretenimento, fantasia e escapismo, e “Vai na Fé” deveria oferecer isso ao público. Ao mesmo tempo, a televisão também pode ajudar a refletir sobre o cotidiano, apresentar assuntos atuais e criar conversas dentro e fora de casa. Essa combinação ganha importância especial no horário das sete, que reúne um público bastante diverso. Por isso, a novela aposta na mistura de gêneros, como humor, drama, romance e aventura, além de personagens de diferentes gerações. No fim das contas, a expectativa da autora é que a história consiga emocionar e divertir sem se afastar das questões do presente, mantendo a mesma ideia que orientou seu título desde o início: mesmo quando a vida impõe obstáculos, ainda existe a possibilidade de recomeçar, mudar de caminho e acreditar que pode dar certo.

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