“Vai na Fé” é uma telenovela brasileira produzida e exibida pelo
SBT.
Autoria: Rosane
Svartman.
Colaboração: Mário
Viana, Pedro Alvarenga, Renata Corrêa, Renata Sofia, Sabrina
Rosa e Fabricio Santiago.
Direção: Isabella
Teixeira, Juh Almeida, Augusto Lana e Matheus Senra.
Direção-geral: Cristiano
Marques.
Direção artística: Paulo
Silvestrini.
Exibição original
Período: 9 de março –
2 de outubro de 2026.
Horário: 19h40 – 98ª
novela da faixa.
Duração: 179
capítulos.
TRAMA PRINCIPAL
Sol (Sheron Menezzes),
leva uma vida simples e feliz em Piedade ao lado do marido, Carlão (Che
Moais), das filhas Jenifer (Bella Campos) e Duda (Manu
Estevão) e da mãe, Marlene (Elisa Lucinda). Vendedora de
quentinhas no centro do Rio de Janeiro, religiosa e muito ligada à igreja do
bairro, Sol construiu sua identidade em torno da família, da fé e da capacidade
de encontrar alegria nas pequenas coisas. Mas existe uma parte de seu passado
que permaneceu escondida durante anos: na juventude, ela frequentava bailes funk
sem que os pais soubessem e ficou conhecida como a Princesa do Baile. É
justamente essa antiga paixão pela música e pela dança que volta à sua vida
quando, em meio às dificuldades financeiras, ela é convidada por Vitinho
(Luis Lobianco), conhecido de sua juventude, para trabalhar como
dançarina de Lui Lorenzo (José Loreto). O retorno aos palcos
provoca resistência dentro de casa. Carlão, que havia se apaixonado por Sol
quando a viu cantando no coral da igreja, passa a enfrentar dificuldades para
aceitar a nova exposição da mulher. Desempregado e tentando reconstruir a
própria vida profissional, ele se torna cada vez mais irritadiço e ciumento,
enquanto Duda, sua filha caçula e sua grande admiradora, também rejeita a ideia
de ver a mãe dançando. Marlene, mais moralista e conservadora que a filha,
inicialmente compartilha da preocupação. Sol, porém, percebe que cantar e
dançar não significa abandonar sua família ou sua fé, mas recuperar uma parte
de si mesma que havia deixado para trás.
A retomada da carreira
coloca Sol novamente diante de duas figuras que pertencem ao seu passado: Ben
(Samuel de Assis) e Théo (Emilio Dantas). Ben foi o grande
amor de sua juventude. Os dois viveram uma paixão intensa, mas a vida os
separou. Depois da morte do pai, Ben precisou abandonar parte dos ideais que
tinha quando jovem para assumir o escritório de advocacia da família e se
tornar responsável pelos negócios e pelos parentes. Tornou-se um advogado
pragmático e bem-sucedido e construiu uma vida estável ao lado de Lumiar
(Carolina Dieckmann), também advogada criminalista, sua colega desde a
faculdade. O reencontro com Sol, portanto, desperta sentimentos que Ben
acreditava estarem enterrados. Théo, por outro lado, encara Ben como uma
espécie de espelho invertido: vê nele tudo aquilo que gostaria de ter sido e,
ao mesmo tempo, tudo aquilo que despreza. Os dois se conheceram na faculdade,
embora Théo nunca tenha concluído o curso, e chegaram a frequentar juntos as
baladas da Zona Sul e os bailes funk da Zona Norte. Foi nesse ambiente que Théo
conheceu Sol e também Orfeu (Jonathan Haagensen), antigo
companheiro dos bailes que se tornou seu sócio oculto nos negócios ilícitos de
uma empresa de importação e exportação. A diferença fundamental entre os dois
homens aparece desde cedo: enquanto Ben ainda guarda alguma capacidade de rever
suas escolhas, Théo transforma suas frustrações em ressentimento, manipulação e
desejo de controle.
A nova vida de Sol
sofre um golpe brutal quando Carlão morre em um acidente de trânsito. O
caminhão conduzido por Romano, ligado às operações da empresa de Théo, provoca
a colisão que deixa Carlão gravemente ferido. Ben, que também estava na
estrada, presencia o acidente e tenta socorrê-lo. Carlão sobrevive inicialmente
à cirurgia, mas sofre uma parada cardíaca e morre. A tragédia transforma a
família de Sol. Duda, que era especialmente ligada ao pai, não consegue aceitar
a perda, enquanto Sol precisa lidar com o luto e, ao mesmo tempo, continuar
sustentando a casa. Jenifer também é atingida por uma segunda revelação:
descobre que Carlão não é seu pai biológico. A investigação sobre a morte de
Carlão e a busca de Jenifer por sua verdadeira origem passam a caminhar juntas,
porque Ben começa a recuperar lembranças do acidente e a desconfiar de que há
algo escondido por trás daquela tragédia. Lumiar, por sua vez, inicialmente
tenta investigar o acidente, sem saber que a investigação poderá atingir
diretamente Théo. O empresário entra em pânico com a possibilidade de Ben
recuperar a memória e descobrir sua participação nos acontecimentos.
A partir da morte de
Carlão, Jenifer passa a procurar respostas sobre o próprio nascimento. Sol e
Marlene tentam esconder informações sobre o passado, chegando a criar uma
versão falsa sobre o pai biológico da jovem. Jenifer, porém, não se conforma. A
busca a leva cada vez mais perto de Ben, que começa a perceber semelhanças e
coincidências entre sua história com Sol e a trajetória da jovem. O vínculo
entre os dois nasce antes mesmo da confirmação da paternidade: Ben passa a
enxergar em Jenifer uma filha possível, enquanto ela encontra nele uma
referência masculina muito diferente daquela que teve durante a maior parte da
vida. Lumiar percebe o que está acontecendo e tenta impedir a aproximação. Ela
sabe que Jenifer é filha de Sol antes que Ben descubra a verdade e usa essa
informação para proteger seu casamento. Sua postura, inicialmente motivada pelo
medo de perder a vida que construiu, a coloca progressivamente em conflito com
Sol, Jenifer e o próprio marido.
Ao mesmo tempo, Théo
passa a se aproximar de Sol de maneira cada vez mais ameaçadora. A obsessão que
ele demonstra não nasce apenas do reencontro com uma antiga conhecida. No
passado, quando Sol ainda era jovem, Théo a violentou sexualmente, e dessa violência
nasceu Jenifer. Durante muitos anos, esse crime permanece escondido. Théo sabe
que Jenifer é sua filha biológica e, quando percebe que a jovem está se
aproximando de Ben, passa a tentar controlar a situação. Sua obsessão por Sol
se mistura à necessidade de esconder o próprio passado e ao desejo de destruir
aquilo que Ben possui e ele não consegue ter. Ele tenta oferecer dinheiro a
Sol, aproxima-se de Kate (Clara Moneke) e chega a pedir que ela
mude o visual para se parecer com a Sol mais jovem. A atitude deixa evidente
que o empresário não vê as mulheres ao seu redor como indivíduos, mas como
objetos que pode manipular para satisfazer seus desejos. Orfeu, que conhece o
lado criminoso de Théo, percebe desde cedo que a obsessão do sócio por Sol
poderá trazer consequências para os dois.
A investigação de Ben
sobre o acidente de Carlão também ameaça diretamente os negócios clandestinos
de Théo e Orfeu. Por trás da aparência de empresário respeitável, Théo mantém
uma operação de importação e exportação que utiliza contêineres para trazer
mercadorias lícitas pagando menos impostos. Orfeu participa desse esquema e
funciona como o elo de Théo com o mundo criminoso. Dono de um bar-karaokê e
ex-integrante do tráfico, ele havia tentado abandonar a criminalidade depois de
cumprir pena, mas acaba retornando ao crime por causa da parceria com Théo. Os
dois se tornam dependentes um do outro e, ao mesmo tempo, cada vez mais
desconfiados. Théo utiliza Orfeu para intimidar pessoas, controlar testemunhas
e proteger seus interesses, enquanto Orfeu percebe que pode ser descartado a
qualquer momento. Essa relação acaba envolvendo Hugo (MC Cabelinho),
antigo namorado de Kate, que é pressionado por Orfeu a agir contra pessoas que
podem denunciar Théo.
Enquanto Jenifer avança
na descoberta de sua verdadeira origem, o casamento de Ben e Lumiar começa a
ruir. Lumiar é uma mulher extremamente racional, controladora e acostumada a
dominar as situações tanto na vida profissional quanto na pessoal. O
envolvimento de Ben com Sol ameaça a estrutura que ela acredita ter construído
de maneira perfeita. Sua ligação com os pais, Fábio (Zé Carlos
Machado) e Dora (Claudia Ohana), também revela o quanto ela
se afastou da vida simples e espiritual do Refúgio Paz de Lumiar. Fábio havia
sido cantor e ator e levado uma vida desregrada antes de encontrar em Dora,
terapeuta holística e profundamente ligada à natureza, uma possibilidade de
reconstrução. Juntos, os dois transformaram o Refúgio em um espaço de paz e
renovação, justamente o tipo de ambiente que Lumiar rejeita. A relação entre
mãe e filha é difícil, mas a crise no casamento faz Lumiar voltar várias vezes
ao Refúgio e se confrontar com uma parte de sua própria história que sempre
tentou rejeitar.
A confirmação da
paternidade de Jenifer se transforma em uma das maiores disputas da história.
Ben e Théo passam a disputar, ainda que de maneiras completamente diferentes, o
lugar de pai na vida da jovem. O primeiro exame de DNA é fraudado depois que
Ben, desesperado diante da possibilidade de descobrir que Théo é o pai, paga
Antônio para alterar o resultado. A fraude, entretanto, acaba descoberta e o
exame é invalidado. Um novo teste é determinado, colocando Sol, Jenifer, Ben e
Théo novamente diante da possibilidade de uma confirmação definitiva. Enquanto
isso, Lumiar percebe que Ben não está apenas investigando a própria
paternidade: ele está tentando reparar anos de omissões e proteger Jenifer. A
relação entre os dois chega ao limite quando Lumiar descobre que o marido
participou da fraude. Paralelamente, ela se aproxima de Théo e chega a se
envolver com ele, inicialmente acreditando que consegue controlar a situação e
compreender o empresário. A relação, porém, revela justamente o contrário: Théo
também tenta manipular Lumiar e utilizá-la como instrumento de proteção.
A grande revelação muda
completamente o significado de todos esses conflitos: Théo é o pai biológico de
Jenifer, e ela foi concebida em consequência do estupro que ele cometeu contra
Sol. A descoberta destrói qualquer possibilidade de Sol continuar escondendo o
passado para proteger a filha. Jenifer precisa lidar com a violência sofrida
pela mãe e com o fato de que o homem que passou a tentar se aproximar dela é
justamente seu agressor. A reação da jovem é transformar a dor em busca por
justiça. Ela começa a procurar outras possíveis vítimas de Théo, com a ajuda de
Yuri e de pessoas ligadas à faculdade, e chega a mulheres como Janaína e Grazi.
Sol, inicialmente apavorada com a exposição do trauma, percebe que a filha está
tentando impedir que outras mulheres passem pelo que ela passou. Ben também
assume uma posição cada vez mais firme e decide enfrentar Théo juridicamente. O
conflito entre os dois deixa de ser apenas pessoal e passa a envolver a
tentativa de responsabilizar o empresário por uma série de crimes.
O processo contra Théo
atinge também sua família. Clara, durante muito tempo, vive submetida ao marido
sem reconhecer a dimensão do abuso. Ela abandonou a carreira de modelo para
dedicar-se à família, sente-se culpada pelos problemas emocionais de Rafa e
acredita que precisa manter o casamento de pé. Aos poucos, porém, começa a
perceber o padrão de comportamento de Théo. Helena, sua personal trainer e
amiga, torna-se fundamental nessa transformação. A relação de confiança entre as
duas permite que Clara compreenda que sua vida não precisa continuar
subordinada ao marido. Rafa também começa a enxergar o pai de maneira
diferente. O adolescente, que já enfrentava dificuldades emocionais e
resistência à terapia, sofre com a forma como Théo trata Clara e com a
manipulação exercida sobre ele. O envolvimento de Kate com Théo aprofunda ainda
mais a crise, especialmente porque ela posteriormente se relaciona com Rafa.
Quando a verdade vem à tona, Clara precisa enfrentar o comportamento do marido,
enquanto Rafa se vê obrigado a confrontar a realidade de que o pai que admirava
também é responsável por grande parte do sofrimento dentro de casa.
A trajetória de Sol com
Lui funciona como parte importante de sua reconstrução pessoal. Depois da morte
de Carlão, a carreira artística deixa de ser apenas uma fonte de renda e passa
a representar a possibilidade de Sol retomar um sonho que havia abandonado. Lui
se apaixona por ela e, apesar de inicialmente agir como um astro acostumado a
conquistar mulheres, desenvolve um sentimento verdadeiro. Sol chega a viver um
relacionamento com ele, mas sua ligação com Ben continua mais profunda. Lui,
então, precisa compreender que o amor que sente por Sol não será correspondido
da maneira que deseja. Sua própria trajetória acaba se cruzando novamente com a
de Lumiar, e os dois desenvolvem uma aproximação que só se consolida depois que
ela rompe definitivamente com Théo. A presença de Lui também é importante para
a carreira de Sol: por meio dos shows, das aulas de dança e das apresentações,
ela deixa de ser apenas a mulher de Piedade que voltou a dançar por necessidade
e passa a construir uma identidade artística própria.
Sol também encontra
força na própria comunidade. Bruna (Carla Cristina Cardoso), sua
melhor amiga e parceira nas quentinhas, permanece ao seu lado durante as fases
mais difíceis, enquanto Marlene passa gradualmente da reprovação à aceitação da
nova vida da filha. Duda, que inicialmente rejeita a carreira da mãe e
permanece muito ligada à memória do pai, também amadurece com as perdas e
mudanças familiares. Jenifer, por sua vez, transforma sua experiência em
motivação para seguir o Direito e passa a participar ativamente das
investigações contra Théo. Sua vida afetiva também se desenvolve entre Hugo e Eduardo
(Matheus Abreu), jovem missionário que retorna a Piedade depois de anos
na África. Hugo, vindo de uma trajetória marcada pelo crime e pela influência
de Orfeu, tenta mudar de vida e se aproximar novamente de Jenifer. Eduardo
representa uma possibilidade diferente para ela, ligada à igreja e aos valores
que sempre fizeram parte de sua formação. Essa disputa afetiva, porém,
permanece subordinada ao conflito maior de Jenifer com o próprio pai biológico.
A situação de Théo se
complica ainda mais quando suas vítimas começam a se manifestar. Janaína decide
denunciar o empresário, e Ben passa a reunir depoimentos e evidências. Grazi
também surge como uma nova testemunha, mas sofre ameaças e desaparece por
determinado período. Orfeu utiliza Hugo para tentar impedir que as mulheres
falem. Jenifer, entretanto, insiste na investigação e passa a procurar cada vez
mais informações sobre o passado do pai. Clara também começa a se afastar
definitivamente de Théo. Mesmo quando tenta manter a aparência de família perfeita,
o empresário perde progressivamente o controle sobre as pessoas que antes
conseguia manipular. Lumiar, que havia permanecido ao lado dele durante parte
do processo, começa a perceber que defender Théo significa também enfrentar
provas cada vez mais graves. Sua própria experiência ao lado dele passa a
servir como demonstração de que o comportamento manipulador do empresário não
se limita a Sol.
A investigação
finalmente chega à empresa. A Polícia Federal começa a examinar os contêineres
e as operações de importação, enquanto Ben busca provas que relacionem Théo ao
contrabando. Orfeu, percebendo que pode ser condenado junto com o sócio, começa
a ameaçá-lo e tenta negociar informações. O conflito entre os dois chega ao
ponto de ruptura. Orfeu tenta atacar Théo, que consegue escapar e o atropela.
Mais tarde, os dois voltam a se enfrentar, desta vez no porto, e Théo mata o
antigo parceiro. Antes disso, porém, Orfeu deixa para Ben informações que
ajudam a comprovar os crimes da empresa. Ao mesmo tempo, Jenifer e Ben
descobrem que o caminhão que provocou o acidente de Carlão transportava
mercadorias ligadas à empresa de Théo. Assim, a morte que havia dado início à
grande transformação de Sol deixa de ser apenas uma tragédia familiar e passa a
fazer parte das provas que ajudam a desmascarar o empresário.
Sol e Ben, depois de
tantos obstáculos, conseguem finalmente assumir a relação. A aproximação entre
os dois passa por lembranças da juventude, pelo envolvimento de Sol com Lui,
pela crise no casamento de Ben e pela descoberta da verdadeira paternidade de
Jenifer. Quando Ben se declara novamente, Sol precisa decidir se está pronta
para deixar o passado definitivamente para trás e construir uma nova vida. Ela
aceita esse caminho, mas Théo não admite perder o controle. O empresário
continua utilizando Jenifer, ameaças e informações pessoais para tentar separar
o casal. Em determinado momento, chega a fazer Sol acreditar que a única
maneira de proteger a filha é afastar-se de Ben. Sol termina o relacionamento
para atender à chantagem, mas a separação não resolve o problema: apenas
demonstra que Théo continua tentando decidir o destino das pessoas ao seu
redor.
Jenifer também decide
agir por conta própria. Ao perceber que Théo guarda documentos importantes, ela
aceita morar temporariamente na casa dele ao lado de Rafa. A estratégia permite
que ela tenha acesso ao computador e aos arquivos do empresário. Com a ajuda de
Yuri, tenta descobrir informações que possam ser usadas contra o pai. Jenifer e
Rafa chegam a investigar documentos antigos ligados aos negócios da empresa e
aos lotes utilizados nas operações de Orfeu. Théo percebe que os dois estão
escondendo alguma coisa e tenta mantê-los sob controle. Mesmo quando consegue
resgatá-los de uma situação perigosa no galpão, continua manipulando os dois.
Para Jenifer, entretanto, aquela convivência deixa cada vez mais clara a
natureza do homem que é seu pai biológico. Ela já não procura uma figura
paterna em Théo; procura provas para derrubá-lo. Ao mesmo tempo, sua relação
com Ben se fortalece, e ele passa a representar cada vez mais o pai que ela
escolheu ter.
Quando as provas contra
Théo se acumulam, ele percebe que não poderá sustentar para sempre a imagem de
empresário exemplar. As denúncias de abuso, os depoimentos das vítimas, os
crimes envolvendo a empresa, as informações deixadas por Orfeu e a ligação com
o acidente de Carlão formam um conjunto de evidências que ameaça tudo o que
construiu. Clara também se afasta definitivamente e passa a reconstruir a vida
com Helena. Rafa, apesar das dificuldades emocionais, começa a se libertar da
influência do pai. Lumiar deixa de defendê-lo e passa a atuar em favor da verdade
em diferentes situações. Até Sheila (Renata Miryanova), sua
secretária e cúmplice de longa data, começa a temer que seja responsabilizada
pelas operações criminosas e passa a esconder informações do próprio chefe.
Théo, que durante toda a história acreditou conseguir controlar as pessoas por
meio do medo, percebe que seu círculo de proteção está desaparecendo.
Paralelamente, Sol
enfrenta uma última batalha pela própria carreira. Depois de tantos conflitos
para conseguir cantar e dançar novamente, ela precisa lidar com produtores que
tentam controlar sua imagem e impedir suas apresentações. Mauro interfere em
seu trabalho e chega a afirmar que ela não pode subir ao palco. Sol, porém,
decide não recuar. Ao enfrentar o produtor diante do público, recebe o apoio
das pessoas e reafirma que sua carreira pertence a ela. Com Vitinho e Cidão,
começa a preparar uma nova música, mostrando que a mulher que inicialmente
precisava voltar aos palcos para conseguir pagar as contas agora compreende a
dimensão de seu próprio talento. A carreira de Sol deixa de ser uma concessão
feita à necessidade financeira e passa a ser uma conquista pessoal.
Théo, finalmente
acuado, tenta fugir do país. A Polícia Federal passa a monitorar seus
movimentos e Érika acaba envolvida em uma tentativa de ajudá-lo. Ele muda o
visual e tenta desaparecer, mas antes decide resolver sua maior ameaça: Ben.
Théo marca um encontro com o advogado em um galpão, fingindo que pretende se
entregar. O objetivo verdadeiro é provocar a morte do rival. O local é
incendiado com os dois dentro e uma grande explosão acontece. Ben consegue
sobreviver, enquanto Sol entra em desespero ao descobrir o que aconteceu.
Quando ele retorna, ela o acolhe e os dois percebem que, depois de tudo o que
viveram, não querem mais adiar a decisão de construir uma vida juntos. Algumas
semanas depois, a família se prepara para uma nova fase. Clara e Rafa recebem
uma proposta pela empresa, Helena e Clara se reconciliam, e Jenifer consolida
definitivamente seu vínculo com Ben, reconhecendo que, apesar de Théo ser seu
pai biológico, é Ben quem ocupa o lugar de pai em sua vida.
Ainda assim, Théo não
desaparece definitivamente. No dia do casamento de Sol e Ben, ele reaparece
para ameaçar Sol uma última vez. A perseguição que começou quando ele voltou a
vê-la dançando chega, finalmente, ao fim. Théo é preso durante a cerimônia,
encerrando a sequência de ameaças, manipulações e crimes que atingiu Sol, Ben,
Jenifer, Clara, Rafa, Orfeu e tantas outras pessoas. Sol e Ben conseguem se
casar depois de atravessar décadas de distância, segredos, perdas e
interferências. Jenifer termina ao lado do homem que reconhece como seu
verdadeiro pai afetivo, enquanto Sol finalmente pode viver sem precisar
esconder seu passado, sua carreira ou seus sentimentos. Marlene e Duda
acompanham a felicidade da família, Clara encontra em Helena uma nova
possibilidade de vida, Lui e Lumiar assumem o relacionamento e Théo termina
sozinho, preso e incapaz de exercer o controle que manteve sobre todos durante
tanto tempo. A história de Sol, Ben e Théo se encerra, assim, com destinos
opostos: enquanto Théo perde a liberdade justamente por não conseguir abrir mão
do poder sobre a vida dos outros, Sol conquista a liberdade de ser quem sempre
quis ser e, ao lado de Ben, transforma finalmente o amor interrompido da
juventude em uma vida compartilhada.
TRAMAS PARALELAS
Entre a fama, a
dependência da mãe e a descoberta do amor
Lui Lorenzo (José Loreto)
construiu uma carreira de cantor pop baseada muito mais em sua imagem do que em
qualquer pretensão artística. Bonito, sedutor e acostumado a conquistar
mulheres com facilidade, ele se tornou famoso depois de participar de um
programa de calouros e passou a viver sob o comando de sua mãe, Wilma Campos
(Renata Sorrah). A relação entre os dois é intensa e contraditória:
Wilma criou o filho praticamente sozinha, sempre reforçando a ausência de
Fábio, e transformou a carreira de Lui em sua principal fonte de sustento. Ao
mesmo tempo em que administra cada detalhe da vida profissional do cantor, ela
não esconde o quanto considera o filho brega, limitado e artisticamente
inferior. Lui, por sua vez, cresceu carente e dependente da aprovação materna,
embora também se ressinta do controle exercido por ela. A chegada de Sol à
banda rompe o equilíbrio dessa relação. Vitinho (Luis Lobianco),
braço direito de Lui e antigo amigo de Sol dos bailes funk, percebe que ela tem
talento e sugere sua contratação como dançarina. A princípio, Lui se interessa
por Sol como se fosse mais uma conquista, mas a resistência dela desperta algo
diferente. Acostumado a mulheres que se rendem rapidamente ao seu charme, ele
encontra em Sol alguém que não se impressiona com sua fama e que está muito
mais preocupada em trabalhar e sustentar a família. A paixão cresce justamente
porque Sol não facilita sua conquista.
A entrada de Sol na
equipe provoca uma série de conflitos. Ivy (Azzy), uma das
dançarinas e backing vocals, sente-se ameaçada pela nova colega e passa a agir
para preservar seu emprego, enquanto Érika (Leticia Salles), que
já havia tido um affair com Lui, perde espaço e acaba deixando a banda. A saída
de Érika não significa seu desaparecimento. Ambiciosa e sem qualquer
preocupação com limites éticos, ela encontra nas fofocas sobre celebridades uma
nova maneira de permanecer próxima do universo de Lui. Ao lado de Anthony
Verão (Orlando Caldeira), colunista interessado em notícias capazes
de gerar cliques, começa a explorar a vida pessoal do cantor e, principalmente,
seu envolvimento com Sol. O relacionamento dos dois passa a ser alvo constante
de especulações, fotografias e matérias. Érika chega a publicar conteúdos para
provocar Lui e Sol, além de usar informações obtidas dentro da própria equipe.
Anthony, inicialmente interessado apenas no potencial jornalístico das fofocas,
também vai ultrapassando gradualmente os limites profissionais conforme percebe
o quanto o público se interessa pela vida de Lui.
Vitinho é fundamental
para a transformação de Lui. Além de compositor e assistente, ele se torna o
amigo que tenta fazê-lo enxergar Sol como uma mulher que merece ser conquistada
com respeito, e não como mais uma aventura. É Vitinho quem organiza surpresas,
ajuda nas tentativas românticas do cantor e acompanha a evolução do relacionamento.
Sua ligação com Sol também faz com que ele se torne alvo de Théo. Em
determinado momento, homens ligados a Orfeu atacam e sequestram Vitinho,
deixando-o machucado. O episódio evidencia que o universo artístico de Lui
começa a ser atingido pelos conflitos criminosos que cercam Sol. Anthony chega
a acolher Vitinho depois do ataque, mas o rapaz pede que o episódio não vire
fofoca, mostrando que, apesar de trabalhar no meio das celebridades, ele
entende os limites entre notícia e exploração da vida alheia.
O relacionamento entre
Lui e Sol evolui em meio a sucessivas tentativas de aproximação. Ele a leva
para passeios, tenta criar momentos românticos, compõe e chega a preparar uma
grande surpresa em um show com a participação de Ludmilla. Sol, entretanto,
permanece dividida. Ela gosta de Lui e chega a namorá-lo, mas sua história com
Ben e os sentimentos que ainda existem entre os dois tornam o relacionamento
mais complicado. Em determinado momento, Lui acredita que finalmente conseguiu
conquistar Sol, mas percebe que ela continua emocionalmente ligada a Ben. A
situação se agrava quando Érika volta a trabalhar com a banda e começa a
explorar ainda mais a vida do casal. Lui tenta proteger Sol da exposição,
enquanto ela também precisa lidar com as consequências de ter se tornado uma
figura pública. O relacionamento termina sem que Lui consiga transformar sua
paixão em uma relação definitiva, mas a experiência representa uma mudança
importante em sua personalidade: pela primeira vez, ele precisa aceitar que
amar alguém também significa respeitar a escolha dessa pessoa.
A crise entre Lui e
Wilma chega ao limite quando ele percebe o quanto a mãe interfere em suas
relações e em sua carreira. Wilma tenta controlar sua imagem pública, interfere
na aproximação com Sol e chega a criar situações para fazer parecer que Lui e
Ivy estão juntos. Quando Sol assina um contrato que a prende à banda e descobre
as condições impostas por Wilma, Lui se revolta. Ele enfrenta a mãe e decide
romper profissionalmente com ela. Pela primeira vez, passa a administrar sua
carreira sem aceitar que Wilma escolha por ele. A mudança é simbólica: o cantor
que passou a vida sendo tratado como um filho incapaz de tomar decisões começa
finalmente a construir autonomia. Wilma sofre com a decisão porque, embora
despreze muitos aspectos da carreira do filho, é justamente o sucesso de Lui
que sustenta a vida confortável que ela construiu.
A relação de Lui com o
pai também é reaberta ao longo da trama. Fábio Lorenzo (Zé Carlos
Machado), que teve um passado de excessos como cantor e ator, afastou-se do
filho depois da separação de Wilma. Com Dora (Claudia Ohana),
construiu uma nova vida no Refúgio Paz de Lumiar, dedicada à natureza e à
espiritualidade. Lui cresceu acreditando que o pai o abandonara e carregou
ressentimento durante anos. Quando os dois finalmente se reencontram, Fábio
tenta recuperar o tempo perdido, mas Lui não consegue simplesmente esquecer a
ausência paterna. Ele despeja sobre o pai todas as mágoas acumuladas, obrigando
Fábio a reconhecer seus erros. Dora funciona como mediadora dessa relação,
tentando aproximar os dois sem forçar uma reconciliação imediata. A
reaproximação com Fábio também faz Lui perceber que sua própria dependência
emocional de Wilma está relacionada à ausência que sofreu durante a infância.
Wilma, por sua vez,
ganha uma segunda oportunidade profissional quando Érika demonstra interesse em
atuar. A antiga atriz volta a se aproximar dos estúdios, participa de testes e
recupera gradualmente o prazer de representar. Seu reencontro com Fábio também
reabre sentimentos do passado. Os dois voltam a frequentar lugares que marcaram
sua história e acabam se aproximando novamente. Wilma, inicialmente presa ao
ressentimento, começa a olhar para o passado de maneira menos amarga. Mais
tarde, ela e Fábio chegam a trabalhar juntos novamente em uma produção
televisiva, sendo recebidos com entusiasmo nos estúdios. O retorno à atuação
funciona como uma espécie de recuperação da identidade que Wilma havia perdido
enquanto se dedicava quase exclusivamente à carreira do filho.
Depois de tudo o que
viveu, Lui não termina a novela ao lado de Sol. Sua trajetória desemboca em uma
relação inesperada com Lumiar. Os dois descobrem e aprofundam a condição de
irmãos por parte de Fábio e, depois que Lumiar rompe definitivamente com Théo,
passam a se aproximar. A convivência entre eles permite que Lui construa um
vínculo familiar que nunca teve de maneira plena. No fim, Lui e Lumiar ficam
juntos, enquanto ele deixa para trás a postura do homem que precisava estar
constantemente cercado por mulheres e pela aprovação da mãe. Seu arco paralelo,
portanto, é menos sobre conquistar Sol e mais sobre aprender a amadurecer,
romper a dependência materna, enfrentar a ausência do pai e descobrir que
relações verdadeiras exigem muito mais do que sedução e fama.
Bolsistas, herdeiros e
jovens tentando descobrir quem querem ser
A rotina do ICAES,
faculdade de Direito onde Jenifer estuda e Lumiar leciona, é marcada desde o
início pelo choque entre estudantes de origens sociais muito diferentes.
Jenifer entra na instituição como bolsista e encontra um ambiente muito
distante da realidade de Piedade. Bela (Clara Serrão), também
bolsista, torna-se sua amiga e companheira, enquanto Yuri (Jean Paulo
Campos), igualmente bolsista, aproxima-se das duas. O trio precisa
enfrentar a hostilidade de parte dos alunos mais ricos, especialmente no início
do curso, quando Fred (Henrique Barreira) e seu grupo tratam os
bolsistas como integrantes de um universo inferior. A convivência, entretanto,
transforma gradualmente essas relações. Jenifer passa de uma jovem que se sente
deslocada a uma estudante que encontra sua própria voz dentro da faculdade,
assume posições firmes e aprende a defender seus argumentos sem deixar de ouvir
perspectivas diferentes das suas.
Yuri tem uma trajetória
particularmente ligada aos dilemas de identidade e pertencimento. Introvertido
e muito mais reservado que os colegas, ele desenvolve uma amizade profunda com
Jenifer e Bela e acaba envolvido em diversas situações que exigem que tome
decisões morais. Sua aproximação com Vini (Guthierry Sotero),
rapaz gay que demonstra interesse por ele, provoca confusão. Yuri precisa lidar
com sentimentos que não sabe nomear e com a necessidade de compreender a
própria sexualidade e os próprios limites. Ao mesmo tempo, permanece envolvido
nos conflitos de Jenifer e chega a ajudá-la em diferentes momentos. Sua amizade
com Guiga também cresce, principalmente quando ela passa por dificuldades
financeiras depois dos problemas envolvendo o pai. Yuri, que inicialmente
parece viver à margem das grandes decisões, termina se tornando uma das pessoas
mais presentes na vida dos colegas.
Tatá (Gabriel Contente)
surge como um dos jovens que conseguem transitar entre realidades sociais
diferentes. Filho da periferia, mas estudante de colégio particular, ele se
identifica com os bolsistas e começa a namorar Jenifer. O relacionamento
inicialmente funciona, mas entra em crise conforme Jenifer passa a dedicar cada
vez mais energia à descoberta de sua origem e aos conflitos envolvendo Ben e
Théo. O principal problema de Tatá, entretanto, surge quando é descoberto que
ele fraudou uma bolsa de estudos. Yuri descobre a irregularidade e decide
denunciá-lo. Tatá tenta convencer Jenifer a não seguir adiante, mas ela se vê
diante de uma escolha ética: proteger alguém de quem gosta ou defender a
justiça que acredita ser correta. Yuri e Bela procuram os estudantes que
estavam na lista de espera da bolsa, mostrando que o problema não diz respeito
apenas a uma fraude individual, mas também às oportunidades que outros alunos
perderam.
Fred, inicialmente um
dos representantes do grupo privilegiado da faculdade, também passa por um
processo de amadurecimento. Rico e acostumado a circular entre jovens que
possuem oportunidades muito diferentes das dos bolsistas, ele começa a enxergar
os próprios privilégios quando se aproxima de Rafa e de Jenifer. Sua relação
com Guiga é marcada por provocações, festas e conflitos, mas os dois acabam
envolvidos em uma experiência de justiça restaurativa que os obriga a refletir
sobre suas atitudes. Fred também se envolve com Bia, escondendo o relacionamento
de Simas, o que provoca uma crise no núcleo dos adultos. Em outro momento,
durante uma aula sobre assédio e violência contra a mulher, percebe que o
comportamento de Théo com Clara reproduz exatamente os padrões discutidos em
sala. A descoberta muda sua percepção sobre o pai do amigo Rafa e faz com que
passe a enxergar problemas que antes não compreendia.
Guiga (Mel Maia)
representa o lado mais superficial e privilegiado do ICAES. Influenciadora
digital, rica e acostumada a transformar tudo em conteúdo, ela começa a
história tratando a própria vida como uma sequência de oportunidades para
conseguir seguidores. Faz publicidade disfarçada, recomenda produtos de
procedência duvidosa e raramente se preocupa com as consequências de suas
ações. Essa bolha começa a se romper quando seu pai, Emílio, é envolvido em um
crime financeiro e acaba preso. O dinheiro da família é bloqueado e Guiga perde
o acesso à vida confortável que sempre conheceu. Obrigada a encontrar formas de
conseguir dinheiro, passa a vender brigadeiros no ICAES e organiza um bazar com
a ajuda de Yuri. A experiência faz com que perceba que sua identidade não pode
depender apenas do dinheiro e da imagem que construiu nas redes.
A crise de Guiga a leva
também ao Refúgio Paz de Lumiar. Acostumada ao celular, ela inicialmente se
desespera com a falta de conexão e a necessidade de conviver com a natureza. A
convivência com Fábio e Dora, porém, começa a produzir mudanças. Ao mesmo
tempo, sua relação com Yuri se transforma. Depois de conflitos, ciúmes e
aproximações, os dois chegam a se beijar e desenvolvem uma relação afetiva que
permanece marcada pelas inseguranças de ambos. Guiga também enfrenta problemas
quando suas publicações ultrapassam os limites e prejudicam outras pessoas. Aos
poucos, deixa de ser apenas a influencer fútil do começo da história e passa a
experimentar responsabilidades que nunca precisou assumir. No final, já
grávida, entra em trabalho de parto, encerrando sua trajetória com uma mudança
radical em relação à jovem que se preocupava quase exclusivamente com
seguidores e aparências.
Alice (Laiza Santos),
melhor amiga de Guiga, funciona muitas vezes como contraponto à amiga. É quem
consegue perceber quando Guiga está exagerando e tenta trazê-la de volta à
realidade. Sua participação se torna especialmente importante quando Guiga
enfrenta os problemas provocados pelo pai e quando os conflitos envolvendo Yuri
e Vini começam a se intensificar. Vicente (Théo Parizzi),
integrante do mesmo grupo social de Guiga e Fred, permanece mais ligado ao
cotidiano dos jovens ricos e às situações que envolvem festas, relacionamentos
e disputas dentro da faculdade. Juntos, esses personagens ajudam a construir o
ambiente universitário em que Jenifer passa a circular, mostrando que o ICAES
não é dividido simplesmente entre mocinhos e vilões, mas entre jovens que
precisam aprender a conviver com diferenças sociais e pessoais.
Bia (Flora Camolese),
por sua vez, vive uma história mais ligada aos conflitos amorosos. Ela começa
um relacionamento com Simas, homem mais velho e amigo de Ben e Théo, para
desespero de sua mãe, Sabrina (Cris Werson). Sabrina considera o
namorado da filha velho demais e não aceita a relação, criando uma guerra
constante entre os dois. Bia acaba se envolvendo com Fred enquanto ainda está
com Simas e tenta esconder a traição. Quando a verdade vem à tona, Simas
termina o namoro. Posteriormente, Bia também enfrenta situações de ciúmes e
conflitos com o ex, enquanto Sabrina permanece interferindo na vida amorosa da
filha. A diferença de idade, a interferência materna e a infidelidade
transformam a relação em uma das tramas românticas mais movimentadas do núcleo.
Simas (Marcos Veras),
amigo de juventude de Ben e Théo, representa outra geração dentro desse
universo. Artista frustrado, investiu suas economias em um bar próximo ao ICAES
e tenta transformar o estabelecimento em uma nova oportunidade profissional. O
bar torna-se ponto de encontro dos estudantes e acaba funcionando como elo
entre as histórias dos adultos e dos jovens. O relacionamento com Bia é
constantemente questionado por Sabrina e termina depois que ele descobre a
traição da namorada com Fred. Mesmo assim, Simas permanece ligado ao cotidiano
dos amigos e continua sendo uma figura importante na vida de Ben.
A faculdade também se
torna palco dos conflitos profissionais de Lumiar. Como professora, ela precisa
lidar com Jenifer diariamente, justamente enquanto esconde informações sobre a
investigação de paternidade e tenta controlar a aproximação entre a jovem e
Ben. Jenifer passa a questioná-la diretamente, desconfiando de suas omissões. O
ambiente acadêmico, que deveria representar o espaço profissional em que Lumiar
se sente mais segura, acaba se tornando o local onde seus conflitos pessoais
mais aparecem. No final, depois de tudo o que viveu com Ben, Théo e sua
família, Lumiar decide se despedir da turma de Direito Penal. Sua saída
representa o encerramento de uma fase em que sua identidade estava
completamente ligada ao exercício da advocacia e à universidade.
Amizade, ambição e a
luta para escapar da vida que parecia determinada
Bruna (Carla Cristina
Cardoso) é a pessoa que melhor conhece Sol fora da própria família. Amiga
desde a juventude, parceira nas quentinhas e companheira de praticamente todas
as fases da vida da protagonista, ela funciona como uma espécie de irmã para
Sol. Enquanto acompanha a transformação da amiga depois da entrada no mundo
artístico, Bruna também precisa enfrentar os próprios problemas dentro de casa.
Sua filha, Kate, cresceu observando as dificuldades financeiras da família e
desenvolveu uma ambição muito maior do que a mãe esperava. Bruna tenta
transmitir à filha os valores que considera importantes, mas percebe
progressivamente que Kate está disposta a fazer escolhas que ela jamais faria
para conseguir uma vida melhor.
Kate (Clara Moneke)
começa como a melhor amiga de Jenifer e uma jovem cheia de energia,
inteligência e vontade de vencer. Ela acompanhou toda a luta de Bruna para
sustentar a casa e concluiu que não queria repetir aquela trajetória. Seu
desejo de ascensão, porém, faz com que comece a ultrapassar limites. A
oportunidade de se aproximar de Théo parece inicialmente uma maneira de obter
vantagens, mas ela rapidamente percebe que está lidando com um homem perigoso.
Bruna tenta alertá-la e chega a descobrir que a filha está envolvida com um
homem casado. Mesmo depois de ouvir os avisos da mãe, Kate permanece próxima de
Théo, convencida de que consegue manipulá-lo. Quando Orfeu aparece no apartamento
e a ameaça, ela percebe o tamanho do risco em que se colocou. Depois de ser
expulsa do local, volta para casa destruída e finalmente aceita o acolhimento
de Bruna.
A experiência com Théo
deixa marcas em Kate, mas não encerra sua trajetória. Ela passa a se aproximar
de Rafa e ajuda o rapaz a retomar os estudos e a se aproximar de Jenifer. A
amizade com Jenifer continua sendo uma das relações mais importantes de sua
vida, e Kate tenta protegê-la quando percebe o perigo representado por Orfeu e
Théo. Em determinado momento, ela e Rafa elaboram um plano para tentar
pressionar Théo por meio de um falso sequestro. A ideia, entretanto, sai do
controle, envolve a polícia e termina com Kate presa e Hugo baleado. Ben assume
a defesa da jovem e consegue sua liberdade. Depois de tudo, Kate começa a
compreender que sua ambição não pode justificar qualquer escolha e que o desejo
de mudar de vida não precisa significar abandonar completamente seus valores.
Hugo (MC Cabelinho)
é outro personagem de Piedade cuja trajetória está diretamente ligada à
possibilidade de transformação. Ele abandonou os estudos quando entrou para o
crime e passou a trabalhar para pessoas como Orfeu. Ex-namorado de Kate, começa
a se aproximar de Jenifer e encontra nela uma pessoa que acredita que ele pode
mudar. O problema é que Hugo continua preso às obrigações do mundo criminoso.
Orfeu o pressiona a cumprir missões e chega a exigir que impeça testemunhas de
denunciar Théo. Hugo tenta romper com esse passado, mas não consegue
simplesmente abandonar as pessoas que o controlam. A relação com Jenifer se
torna justamente o principal motivo para tentar mudar. Ela o incentiva a
estudar, questiona suas escolhas e não aceita tratá-lo como alguém condenado a
permanecer no crime.
A redenção de Hugo
ganha força quando ele começa a enfrentar as consequências de suas escolhas.
Ele se aproxima novamente de Jenifer, enquanto Kate passa a se relacionar com
Rafa. O sentimento de Hugo por Jenifer cresce e os dois vivem uma relação
marcada por afastamentos e reencontros. Quando Hugo é baleado durante a
confusão provocada pelo plano de Kate e Rafa, Jenifer fica desesperada e passa
a acompanhar sua recuperação. No hospital, ele ouve a declaração de amor da jovem.
O processo de transformação não apaga seu passado, mas mostra que Hugo pode
construir outra vida. O rapaz que abandonou a escola e entrou para o crime
termina a história muito mais próximo da possibilidade de reconstrução que
Jenifer enxergou nele desde o começo.
Eduardo (Matheus Abreu)
retorna a Piedade depois de quatro anos como missionário na África e passa a
trabalhar com música e ensino de inglês na igreja. Sua chegada cria uma
alternativa ao relacionamento de Jenifer com Hugo. Eduardo é ligado à religião,
à música e ao trabalho comunitário e representa uma vida mais próxima daquela
que Jenifer sempre conheceu em casa. Os dois se aproximam e chegam perto de
iniciar um relacionamento, mas a presença de Hugo continua interferindo.
Eduardo percebe que Jenifer tem sentimentos pelo rapaz e, em determinado
momento, chega a conversar com ele sobre a disputa pela jovem. Apesar de
representar uma possibilidade mais estável, Eduardo não consegue apagar a
ligação emocional que se desenvolveu entre Jenifer e Hugo.
Dona Neide (Neyde Braga)
representa o lado mais fofoqueiro e moralista da comunidade. Vizinha de Sol e
frequentadora da mesma igreja, acompanha cada movimento da família e está
sempre pronta para emitir um julgamento. A carreira de Sol como dançarina se
transforma em um de seus assuntos favoritos, principalmente porque Dona Neide
enxerga a atividade artística da vizinha a partir de uma perspectiva
extremamente conservadora. Sua curiosidade sobre o entra e sai da casa de Sol
faz com que ela frequentemente descubra informações antes dos demais moradores,
transformando acontecimentos particulares em comentários pela vizinhança. No
momento em que Sol passa por crises amorosas e profissionais, Dona Neide
contribui para aumentar a pressão social que a protagonista enfrenta.
Joel (Waldo Piano),
filho de Dona Neide, tenta constantemente amenizar os danos causados pela mãe.
Motorista de aplicativo e antigo amigo de Carlão, mantém uma relação de amizade
com a família de Sol e conhece as dificuldades vividas por ela. Depois da morte
de Carlão, sua presença também serve como ligação com o passado do falecido.
Joel acaba ainda envolvido em uma disputa amorosa por Bruna, já que Jairo
também demonstra interesse pela empresária das quentinhas. A situação cria um
pequeno triângulo romântico dentro do bairro, enquanto Joel tenta equilibrar
sua própria vida com a necessidade de impedir que as fofocas da mãe destruam os
relacionamentos dos vizinhos.
Bryan Lucas (Felipe Rodrigues),
filho de Joel e neto de Dona Neide, é amigo de Duda e participa das aventuras
do grupo de crianças de Piedade. Gil (Nêgo Ney), neto de Horácio,
também se junta ao grupo, criando uma pequena rede de amizades que reproduz, em
escala infantil, a convivência comunitária do bairro. Duda ainda enfrenta a
rivalidade com Meire (Nathalia Costa), garota popular da escola
que implica constantemente com ela. Como Duda herdou do pai uma personalidade
combativa e costuma reagir agressivamente quando contrariada, esses conflitos
acabam servindo para mostrar seu processo de amadurecimento. Aos poucos, a
menina precisa aprender a lidar com frustrações sem transformar toda
discordância em uma briga.
O Pastor Miguel
(Adriano Canider) é uma das figuras de maior autoridade moral da
comunidade. Responsável pela igreja frequentada por Sol e Dona Neide, participa
de trabalhos sociais e está sempre disposto a orientar os moradores. Sua
importância aumenta quando os problemas de Piedade deixam de ser apenas
questões familiares e passam a envolver violência, criminalidade e escolhas
difíceis. Jenifer procura Miguel para falar sobre Hugo, enquanto Sol recorre a
ele em momentos de crise. O pastor procura oferecer acolhimento sem abandonar a
importância da fé na vida daquela comunidade, tornando-se uma referência para
personagens que precisam tomar decisões difíceis.
Marlene também encontra
espaço para reconstruir a própria vida afetiva. Depois da morte de Gonzaga e de
anos dedicados à família e ao trabalho com Sol, ela conhece Horácio (Francisco
Salgado), que se interessa por ela. Os dois iniciam um relacionamento e
Marlene passa a experimentar uma fase diferente de sua vida. Mais séria e
moralista que Sol, ela havia se acostumado a colocar a família sempre em
primeiro lugar. O namoro com Horácio mostra que também pode existir uma vida
para além das responsabilidades familiares. Gil, neto de Horácio, aproxima-se
de Duda e Bryan Lucas, fortalecendo a ligação entre as duas famílias.
O cotidiano de Piedade
ainda acompanha a transformação profissional de Bruna e Sol. As quentinhas, que
inicialmente representam apenas uma forma de sobrevivência, começam a ganhar
espaço como negócio. Bruna consegue fechar um contrato para fornecimento das
refeições, dando às duas uma perspectiva de independência financeira. Mais
tarde, Sol e Marlene também avançam para uma nova fase profissional ao abrirem
um restaurante. Dessa forma, enquanto Sol conquista espaço como cantora e
dançarina, Bruna constrói seu próprio caminho empresarial. O bairro continua
sendo o lugar onde as duas se apoiam, mas suas vidas já não estão limitadas às
dificuldades financeiras que marcaram o início da novela.
No fim, Piedade
permanece como o espaço de pertencimento que sustenta boa parte das
transformações da novela. É ali que Bruna continua ao lado de Sol, que Kate
precisa aprender com os próprios erros, que Hugo tenta abandonar o crime, que
Eduardo exerce sua missão, que Dona Neide continua observando a vida alheia e
que Duda, Bryan Lucas e Gil crescem juntos. As histórias do bairro não dependem
diretamente do conflito entre Ben e Théo para existir, mas são constantemente
atravessadas por ele. O que acontece com Sol repercute em toda a comunidade, e
as mudanças vividas pelos moradores mostram que a transformação não está
restrita aos protagonistas: cada personagem precisa, à sua maneira, decidir se
continuará preso à vida que recebeu ou se terá coragem de construir outra.
AUDIÊNCIA
A novela “Vai na Fé”
registrou uma média geral de 27,9 pontos durante sua exibição no SBT. Ao
analisar esse resultado no contexto da década, a produção apresentou um
desempenho superior ao de suas antecessoras imediatas, como “Cara e Coragem”
(25,7) e “Quanto Mais Vida, Melhor!” (25,5). Contudo, o folhetim
posicionou-se em um patamar intermediário se comparado aos índices mais
robustos alcançados em anos anteriores do mesmo período, a exemplo de “Pega
Pega” (31,3) e “Bom Sucesso” (30,5).
O comportamento da
audiência ao longo da exibição foi marcado por uma trajetória de crescimento
consistente. Nas semanas iniciais, a trama manteve uma estabilidade moderada,
oscilando predominantemente na faixa dos 25 a 27 pontos nos dias úteis, apresentando
as tradicionais variações de queda aos sábados. A partir de maio, a obra
iniciou uma curva ascendente, firmando-se com frequência na casa dos 28 e 29
pontos. O engajamento do telespectador intensificou-se de forma mais evidente
no último trimestre de exibição, período em que a novela passou a superar
rotineiramente a marca dos 30 e 31 pontos em seus dias de maior consumo.
Os marcos de desempenho
corroboram a evolução positiva da trama ao longo dos meses. A produção estreou
com 27,3 pontos, um número contido quando alinhado a outras aberturas da
década, como as de “O Tempo Não Para” (32,6) e “Bom Sucesso”
(32,1). Entretanto, a capacidade de retenção de público garantiu um
encerramento em alta. O último capítulo registrou 31,6 de média com 35 de pico,
índice que não apenas fechou o ciclo da atração de forma expressiva, mas que
também se configurou como a maior audiência diária obtida pela obra em toda a
sua permanência no ar.
O percurso de “Vai
na Fé” demonstra uma exibição pautada pela conquista gradativa de
telespectadores. Com um desempenho que operou confortavelmente acima das
referências estabelecidas para a faixa horária, a novela conseguiu estancar a
tendência de baixa deixada pelas produções exibidas imediatamente antes dela. O
resultado final evidencia o fôlego da narrativa na reta final e consolida a
produção como um título de recuperação importante no histórico recente da
emissora.
CONCEPÇÃO
Mais do que contar a
história de uma mulher que precisa reconstruir a própria vida, “Vai na Fé”
nasceu com a proposta de falar sobre esperança, recomeços e a capacidade de
seguir adiante mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis. O próprio
título resume a ideia que Rosane Svartman queria colocar no centro da
novela: a crença de que as coisas podem melhorar, de que é possível se
reinventar e continuar acreditando em um futuro diferente. A trama combina
conflitos, humor e romance com situações presentes na sociedade contemporânea e
acompanha personagens que não são definidos simplesmente como bons ou maus. São
pessoas que acertam, erram, aprendem, voltam a errar e tentam novamente. Para a
autora, são personagens humanos, cheios de contradições e imperfeições,
justamente porque “se enrolam, enfim, como nós”. A história, portanto,
parte das adversidades sem transformar seus personagens em vítimas permanentes
delas, mantendo como horizonte a possibilidade de mudança.
Essa aproximação com a
vida real também determina os assuntos que atravessam a novela. A Justiça é um
dos temas recorrentes, principalmente por meio de Ben (Samuel de
Assis) e Lumiar (Carolina Dieckmann), dois advogados cuja
rotina permite apresentar o ambiente dos tribunais e diferentes situações
relacionadas ao exercício da profissão. Paralelamente, o núcleo universitário
coloca em discussão questões que fazem parte da experiência de muitos jovens,
como as cotas, as diferenças sociais e a ideia de meritocracia. A intenção,
porém, não é transformar esses temas em discursos isolados. Eles aparecem
incorporados às trajetórias dos personagens, que entram em conflito a partir de
suas próprias experiências, valores e histórias de vida. Como explica Rosane,
os assuntos são apresentados a partir de “perspectivas diferentes”,
porque cada personagem atravessa essas questões de uma maneira particular.
A construção dessas
histórias exigiu uma equipe de roteiristas e uma estrutura de pesquisa capaz de
ampliar os diferentes pontos de vista presentes na novela. Rosane Svartman
trabalhou ao lado de Mário Viana, Pedro Alvarenga, Renata
Corrêa, Renata Sofia, Fabrício Santiago e Sabrina Rosa.
A produção também contou com a pesquisadora Paula Teixeira, responsável
por aproximar a equipe de pessoas e realidades relacionadas aos temas
abordados, além dos consultores César Belieny e Dr. Carlos Lube.
Para Rosane, o trabalho de um roteirista consiste, em grande medida, em
construir “pontes de empatia”. Mesmo com uma equipe formada por
profissionais de diferentes idades, experiências e trajetórias, seria
impossível reunir, apenas a partir das próprias vivências, conhecimento suficiente
para representar todos os universos presentes em uma novela. A pesquisa e a
escuta de pessoas que vivem determinadas situações diariamente tornam-se,
assim, ferramentas fundamentais para ampliar esse olhar.
Essa preocupação com
diferentes experiências está relacionada a uma transformação na própria maneira
de construir personagens. Rosane identifica um público cada vez mais
interessado em figuras com as quais possa se reconhecer, inclusive quando elas
erram ou apresentam comportamentos contraditórios. A autora entende que o
melodrama passou a comportar personagens menos maniqueístas, nos quais a
divisão tradicional entre mocinho e vilão se torna menos rígida. A mocinha não
precisa existir exclusivamente em função da busca por um par romântico, assim
como o antagonista não precisa passar a história inteira praticando maldades.
Em “Vai na Fé”, cada personagem possui diferentes camadas e pode agir de
maneira contraditória dependendo das circunstâncias.
Théo (Emilio Dantas)
representa de maneira particularmente evidente essa escolha. Em vez de surgir
como alguém que sempre foi perverso, ele é apresentado como um homem que, na
juventude, era visto como simpático, habilidoso e capaz de resolver problemas.
Gostava de fazer favores e tinha jogo de cintura, mas frequentemente agia
movido por interesses próprios. Com o passar dos anos, porém, seus limites
foram sendo progressivamente ultrapassados. Rosane explica essa transformação a
partir de uma comparação simples: “Uma coisa é colar na prova da escola, a outra
é falsificar um documento”. Pequenas transgressões vão dando lugar a crimes
cada vez mais graves, enquanto seu limite ético e moral se torna
progressivamente mais frágil. O resultado é um homem egoísta, com traços
narcisistas e capaz de cometer atrocidades. A trajetória de Théo, portanto,
está relacionada à ideia de que uma pessoa pode construir gradualmente sua
própria degradação moral a partir das escolhas que faz.
O espaço onde essa
história começa também foi escolhido com uma intenção específica. Piedade, na
Zona Norte do Rio de Janeiro, funciona como um dos principais territórios da
novela e estabelece um contraste com a Zona Sul, onde está localizada a
universidade, além dos demais ambientes frequentados pelos personagens. Rosane
procurava um bairro tradicional e operário, com clubes e uma relação com os
bailes funk dos anos 2000, e encontrou em Piedade características que
dialogavam diretamente com o universo da trama. Até mesmo o nome do bairro
tinha importância para a autora, por sua relação simbólica com a história. É
também de Piedade que Sol e Bruna se deslocam diariamente para trabalhar no
Centro da cidade, criando uma ligação entre diferentes regiões do Rio. Para
Rosane, a vida cotidiana retratada ali ultrapassa os limites da cidade e representa
“muitos lugares do nosso Brasil”.
A construção desse
universo também ganhou novas camadas no encontro entre o roteiro e a direção.
Rosane Svartman e o diretor artístico Paulo Silvestrini já haviam cogitado
trabalhar juntos anteriormente, mas a parceria finalmente aconteceu em “Vai
na Fé”. A autora destaca a capacidade do diretor de apresentar soluções que
não haviam sido discutidas na sala de roteiro, ao mesmo tempo em que mantém uma
escuta atenta para compreender como figurinos e cenários participam da
construção dos personagens e da narrativa. O processo também envolveu uma troca
constante com Mari Pinheiro, produtora da novela, formando um diálogo entre
autoria, direção e produção. Rosane conta que, ao assistir às primeiras cenas,
percebeu o resultado dessa parceria e se emocionou especialmente com o
equilíbrio alcançado entre humor e drama: as cenas cômicas ficaram ainda mais
engraçadas, enquanto as dramáticas conseguiram emocioná-la.
O resultado pretendido
é uma novela que não precise escolher entre divertir e provocar reflexão. Para
Rosane, assistir a uma novela envolve necessariamente uma parcela de
entretenimento, fantasia e escapismo, e “Vai na Fé” deveria oferecer
isso ao público. Ao mesmo tempo, a televisão também pode ajudar a refletir sobre
o cotidiano, apresentar assuntos atuais e criar conversas dentro e fora de
casa. Essa combinação ganha importância especial no horário das sete, que reúne
um público bastante diverso. Por isso, a novela aposta na mistura de gêneros,
como humor, drama, romance e aventura, além de personagens de diferentes
gerações. No fim das contas, a expectativa da autora é que a história consiga
emocionar e divertir sem se afastar das questões do presente, mantendo a mesma
ideia que orientou seu título desde o início: mesmo quando a vida impõe
obstáculos, ainda existe a possibilidade de recomeçar, mudar de caminho e
acreditar que pode dar certo.

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