domingo, 28 de outubro de 2012

BENEDITO RUY BARBOSA


Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931, no município de Gália, no interior de São Paulo, e passou a infância na cidade vizinha Vera Cruz, região de cafezais marcada pela forte presença de imigrantes japoneses e italianos, experiência que mais tarde influenciaria decisivamente sua visão de mundo e sua escrita. Filho de Otávio Barbosa, fundador e diretor do jornal “A Voz de Vera Cruz”, Benedito teve contato precoce com o ambiente jornalístico e com o debate público, mas viu a estrutura familiar ruir em 1942, com a morte do pai. Primogênito de cinco irmãos, começou a trabalhar aos doze anos como auxiliar de guarda-livros na firma comercial Antônio Perez, contribuindo para o sustento da mãe, Aurora Medeiros Barbosa, e dos irmãos, ao mesmo tempo em que desenvolvia habilidades práticas ligadas à contabilidade e à observação do cotidiano popular.
 
Sem perspectivas no interior paulista, mudou-se sozinho para a capital São Paulo, onde conciliou estudos noturnos com o trabalho diurno no escritório da mesma firma Antônio Perez. Antes de reunir novamente a família, que passou a viver em um cortiço no bairro do Bom Retiro, Benedito acumulou diferentes ocupações para complementar a renda, atuando como vendedor de verduras em feiras livres e faxineiro em um banco, experiências que ampliaram seu contato direto com trabalhadores urbanos e realidades marginalizadas. Graças à formação autodidata em contabilidade, foi contratado pelo Banco de Boston, mas posteriormente deixou o cargo e retornou à firma Antônio Perez, onde trabalhou por dois anos em um escritório localizado em Maringá, no Paraná, ampliando sua vivência fora do eixo paulista.
 
Em 1954, ingressou definitivamente no campo da comunicação ao ser aprovado em concurso para revisor do jornal O Estado de S. Paulo. Sua estreia como repórter ocorreu na editoria de Esportes do Última Hora, seguindo depois para a Gazeta Esportiva, além de atuar como redator de publicidade na Radial Propaganda. Esse trânsito entre jornalismo, publicidade e escrita criativa foi decisivo para a formação de seu estilo narrativo. Em 1959, a convite de Oduvaldo Viana Filho, escreveu e encenou no Teatro de Arena a peça “Fogo Frio”, vencedora do prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte naquele ano. O reconhecimento da peça o levou ao cargo de script-editor na agência J.W. Thompson, onde passou a supervisionar todas as novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive. Contratado posteriormente como autor pela multinacional, escreveu “Somos Todos Irmãos” (1966), adaptação do romance “A Vingança do Judeu”, de J.W. Rochester, exibida pela TV Tupi, além de trabalhos para a Excelsior e a Record, até ser contratado, em 1977, como assessor especial da TV Cultura.
 
Ainda em 1977, escreveu “Meu Pedacinho de Chão”, novela produzida em parceria com o SBT e exibida simultaneamente pelas duas emissoras, inaugurando o horário das 18h e ambientada na fictícia vila rural de Santa Fé, dominada pelos desmandos do autoritário Coronel Epaminondas Napoleão, o Coronel Epa (Castro Gonzaga), que governa a região à base do grito e das armas. O equilíbrio local é abalado com a chegada da professora Juliana (Renée de Vielmond), que assume a escola e passa a enfrentar, direta ou indiretamente, o poder do coronel, ao mesmo tempo em que se envolve afetivamente com Fernando (Ênio de Carvalho), seu filho, recém-formado em Agronomia e em constante conflito com o pai, que desejava vê-lo advogado. Paralelamente, Juliana desperta o amor silencioso e altruísta de Zelão (Maurício do Valle), peão e capanga de Epaminondas, que começa a questionar as ordens do patrão ao se sensibilizar com a professora. O conflito central se intensifica quando Pedro Galvão (Xandó Batista), rival histórico do coronel, doa parte das terras compradas dele para a construção de uma igreja e de uma escola, desencadeando uma verdadeira guerra política e pessoal no vilarejo. À margem dessas disputas, as crianças Pituca (Patrícia Aires), filha do coronel com sua segunda mulher, Helena (Cacilda Lanuza), e Serelepe (Aires Pinto), um menino órfão sem lar, vivem aventuras em um universo próprio, marcado pela imaginação e pela amizade, vista com desconfiança por Epaminondas, funcionando como contraponto lírico e simbólico às tensões, violências e interesses do mundo adulto.
 
Contratado pelo SBT em 1978, Benedito Ruy Barbosa estreou como autor da emissora no ano seguinte com “O Feijão e o Sonho” (1979), adaptação do romance homônimo de Orígenes Lessa que marcou o início de sua trajetória bem-sucedida no horário das 18h ao propor uma reflexão sensível sobre o choque entre idealismo e sobrevivência material. A novela acompanha a trajetória de Juca (Cláudio Cavalcanti), um poeta obstinado que sonha dedicar-se integralmente à criação literária, em permanente conflito com a dura realidade econômica e com o pragmatismo da esposa, Rosinha (Nívea Maria), dona de casa abnegada, exausta pela luta diária contra a pobreza e pela instabilidade do marido. Ao longo de quatro fases históricas (de 1925, em Sorocaba, passando pelo Bixiga paulistano, por Capinzal, em Santa Catarina, e retornando a São Paulo no pós-guerra), a narrativa acompanha o percurso do casal desde o encontro romântico na juventude até o desgaste da vida adulta, marcado por dificuldades financeiras, mudanças constantes, frustrações profissionais de Juca e pelos desafios na criação dos filhos. O contraste entre sonho e realidade se aprofunda quando Creusa (Lúcia Alves), irmã de Rosinha, enriquece ao se casar com Gomes (Roberto Bonfim), homem simples, porém dotado de forte senso comercial, intensificando o ressentimento de Rosinha diante da pobreza e da “inutilidade prática” da vocação artística do marido. Pressionado, Juca abandona progressivamente seus ideais e se submete a trabalhos que despreza, enquanto a novela observa, com tom melancólico e crítico, o desgaste afetivo provocado pela miséria e pelas expectativas sociais. O ciclo se fecha de forma simbólica quando Joãozinho (Sebastian Archer), apesar de todos os esforços da mãe para afastá-lo desse destino, revela o mesmo impulso poético do pai, reafirmando o conflito central da obra entre o desejo de criação, a herança afetiva e as imposições concretas da vida.
 
Na sequência, escreveu “À Sombra dos Laranjais” (1980), novela inspirada na peça homônima de Viriato Corrêa e ambientada em 1947, que acompanha o retorno de Pedro Lemos (Herval Rossano) à fictícia cidade de Laranjais após quase três décadas afastado. Advogado criminalista de grande prestígio no Rio de Janeiro, Pedro deixa a capital em meio a fracassos na vida afetiva e reencontra uma cidade marcada por disputas políticas entre duas famílias tradicionais: os Lemos, representantes da situação, liderados pelo prefeito Perácio Lemos (Castro Gonzaga), irmão de Pedro, e os Caldas, na oposição, comandados pela severa Marta Caldas (Beatriz Lyra), irmã de Madalena (Aracy Cardoso), a noiva abandonada que, fiel à promessa de casamento, nunca deixou de esperá-lo. Alheia às rivalidades políticas, Madalena mantém viva a memória do amor interrompido, enquanto Pedro retorna trazendo consigo um passado contraditório, marcado por um casamento, a viuvez e sucessivas promessas feitas a outras mulheres, além do filho Cláudio (Lauro Góes). Paralelamente ao embate político e emocional, ganha destaque a figura de Tomé Caldas (Ary Fontoura), irmão de Madalena e Marta, um artista sensível e sonhador que rejeitou a carreira política do pai e se refugia no universo circense, apresentando-se como o palhaço Estopim. A chegada do Gran Circo Internacional à cidade reacende antigas feridas com o reaparecimento de Das Graças (Monah Delacy), antiga paixão de Tomé, que o abandonara no passado. Entre campanhas eleitorais, amores frustrados, promessas não cumpridas e a atmosfera poética do circo, a novela constrói um retrato melancólico das tensões entre passado e presente, tradição e desejo, expondo os conflitos íntimos e coletivos de uma cidade presa às próprias sombras.
 
Em “Cabocla” (1982), exibida no horário das 18h e inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto, Benedito Ruy Barbosa constrói uma narrativa ambientada nos anos 1920 que articula o melodrama amoroso à crítica da disputa de poder no meio rural. A trama tem início quando Joaquim (Milton Moraes) recebe o diagnóstico de que o filho, Luís Jerônimo (Fábio Júnior), sofre de uma grave lesão no pulmão, o que o leva a deixar o Rio de Janeiro em busca de tratamento no clima saudável de Vila da Mata, no interior do Espírito Santo, hospedando-se na fazenda do influente Coronel Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro), amigo da família. É nesse ambiente que Luís conhece a tímida cabocla Zuca (Glória Pires), afilhada do coronel e noiva do peão Tobias (Roberto Bonfim), iniciando um romance marcado por fortes obstáculos sociais e afetivos. O conflito amoroso se intensifica com a chegada da espanhola Pepa (Arlete Salles), antiga paixão de Luís, que passa a viver na fazenda vizinha, pertencente ao Coronel Justino (Gilberto Martinho), rival político de Boanerges. Paralelamente, a novela desenvolve o embate entre os dois coronéis pelo controle da região, refletindo as práticas coronelistas da época, enquanto apresenta histórias paralelas que espelham esse antagonismo, como o amor impossível entre Belinha (Simone Carvalho), filha de Boanerges, e Neco (Kadu Moliterno), filho de Justino, e a luta da família de Tobias para reaver terras tomadas pelo adversário político. Ao reunir conflitos íntimos e coletivos, “Cabocla” articula paixão, poder e injustiça social, compondo um painel crítico das estruturas políticas e afetivas que regiam a vida no Brasil rural do início do século XX.
 
Após uma breve passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu a novela “Os Imigrantes” (1984), Benedito Ruy Barbosa retornou ao SBT para desenvolver “Paraíso” (1986), obra que retomou com força o universo rural e o confronto entre religiosidade popular e racionalidade. Ambientada em uma pequena cidade do interior, a trama acompanha a trajetória de Zeca (Kadu Moliterno), estigmatizado desde o nascimento como o “filho do diabo” em razão da lenda que cerca seu pai, Eleutério (Cláudio Corrêa e Castro), suposto guardião de um diabinho preso em uma garrafa, crença alimentada pela morte de sua esposa Nena (Ilka Bournier) no parto. Adulto, formado no Rio de Janeiro e conhecido como “peão dotô”, Zeca retorna à fazenda paterna e se apaixona por Maria Rita (Cristina Mullins), a “Santinha”, jovem criada sob a rígida devoção da mãe Mariana (Eloísa Mafalda), que a prometera à vida religiosa após atribuir-lhe supostos milagres na infância. O amor entre os dois se desenvolve em meio às pressões morais e sociais da comunidade, intensificando-se quando Maria Rita acredita ter curado Zeca por intervenção divina e decide cumprir a promessa materna ingressando no convento, gesto que desencadeia novos conflitos ao ser raptada pelo peão, num enredo que articula fé, superstição, desejo e resistência às imposições coletivas.
 
Voltei pra Você” (1987), ambientada em São João del-Rei, Minas Gerais, retoma o universo de “Meu Pedacinho de Chão” (1977) ao acompanhar a trajetória de Liliane Napoleão, a Pituca (Cristina Mullins), e Pedro das Antas, o Serelepe (Paulo Castelli), amigos inseparáveis na infância que seguiram caminhos distintos com o passar dos anos: ela, filha do poderoso e temido Coronel Epaminondas Napoleão (Castro Gonzaga), viaja para a Europa com a mãe, enquanto ele, de origem desconhecida e envolto em lendas locais, é enviado para estudar em um colégio interno na capital. Já adultos, ambos retornam à cidade, e Pedro descobre que sua família foi assassinada no passado por ordem do Coronel Epa, que se apropriou ilegalmente das terras que lhe pertenciam, dando início a uma luta por justiça e reparação, amparado pelo Padre Santo (Percy Aires), pelos amigos Zelão (Nelson Xavier) e Tuim (Cosme dos Santos) e pelo advogado Dr. Camargo (Paulo Figueiredo). Paralelamente ao embate entre memória, poder e restituição de direitos, a narrativa desenvolve o reencontro amoroso entre Pedro e Liliane, atravessado pelo peso do passado, e incorpora personagens folclóricos da cidade, como Curió (Ruy Rezende), orador errante e alcoólatra, e sua esposa Paciência (Maria Alves), mulher simples que sustenta o lar como doméstica e tem sua vida transformada ao ganhar uma fortuna na loteria, compondo um retrato social marcado por desigualdades, afetos interrompidos e acertos de contas com a história.
 
Barbosa supervisionou o texto de Alcides Nogueira em “De Quina pra Lua” (1989), comédia fantástica centrada em Zezão (Milton Moraes), funcionário exemplar que, após ser aposentado compulsoriamente, morre logo depois de acertar a quina da loteria. O prêmio é enterrado com o corpo, desaparece após a exumação e desencadeia uma caótica busca envolvendo a viúva Angelina (Eva Wilma), os filhos Pedro (Buza Ferraz), Jésus (Taumaturgo Ferreira), André (Matheus Carrieri) e Fatinha (Isabela Garcia), além do excêntrico professor Dante Cagliosto (Agildo Ribeiro), amigo de Zezão que anotou os números do jogo. Do além, Zezão retorna à Terra com a ajuda do atrapalhado anjo Cróvis (José Dumont), tentando proteger a família enquanto enfrenta oportunistas como Silva (Hugo Carvana) e Bruno Scapelli (Paulo Betti), em uma narrativa que mistura humor, crítica social e elementos sobrenaturais.
 
No mesmo ano, Barbosa voltou a assinar novelas com “Sinhá Moça” (1989), exibida na faixa das 18h, ambientada em Araruna, no interior paulista de 1886, em pleno embate entre monarquistas e republicanos às vésperas da abolição da escravidão. A trama acompanha Sinhá Moça (Lucélia Santos), filha do poderoso e violento Coronel Ferreira, o Barão de Araruna (Rubens de Falco), e da submissa Cândida (Elaine Cristina), jovem idealista que retorna da capital após concluir os estudos e se apaixona pelo médico Rodolfo Fontes (Marcos Paulo), um republicano abolicionista que se infiltra entre os aliados do Barão para combater o regime escravocrata. Paralelamente, desenvolve-se o arco trágico de Rafael (Raymundo de Souza), mestiço alforriado e filho ilegítimo do Barão com a ex-escravizada Maria das Dores (Dhu Moraes), que volta à cidade sob a identidade de Dimas para se vingar do pai, aliando-se ao jornalista abolicionista Augusto (Luís Carlos Arutin) e despertando o amor de Juliana (Luciana Braga). Entre romances interditados, conflitos políticos e atos de resistência, como as ações secretas do Irmão do Quilombo, a novela apresenta um painel dramático da luta pela liberdade, expondo a violência do sistema escravocrata e o choque entre tradição, justiça e transformação social.
 
Um ano depois, Benedito Ruy Barbosa estreou fora da faixa das 18h com “Pantanal” (1991), exibida às 22h, inaugurando uma narrativa épica ambientada no Mato Grosso do Sul que acompanha a saga da família Leôncio desde a chegada de Joventino Leôncio (Cláudio Marzo) à região, ao lado do filho ainda menino, José Leôncio (Paulo Gorgulho, na primeira fase), para iniciar a criação de gado. Anos mais tarde, já adulto, Zé Leôncio (Cláudio Marzo) vê o pai desaparecer misteriosamente no Pantanal após sair sozinho para caçar bois, episódio que o marca profundamente e o impulsiona a se tornar um dos maiores criadores da região, alimentando a esperança de reencontrá-lo. Em uma viagem ao Rio de Janeiro, ele se casa com a mimada Madeleine Novaes (Ítala Nandi), união que salva a família dela da ruína financeira, mas que fracassa diante do choque entre a vida urbana e a rudeza pantaneira, levando Madeleine a fugir com o filho recém-nascido, Jove (Marcos Winter, na segunda fase). Anos depois, o reencontro entre pai e filho é atravessado por conflitos de identidade e pertencimento, agravados quando Jove se apaixona por Juma Marruá (Cristiana Oliveira), jovem criada de forma selvagem pela mãe, Maria Marruá (Cássia Kiss), e cercada pela lenda de que se transforma em onça-pintada. A trama se expande ao incorporar elementos míticos e sociais, como a figura enigmática do Velho do Rio (Cláudio Marzo), curandeiro associado à sucuri e possivelmente ao desaparecido Joventino, além da revelação de Zé Lucas de Nada (Paulo Gorgulho), filho mais velho de Zé Leôncio com a prostituta Generosa (Kátia D’Angelo), posteriormente reconhecido como José Lucas Leôncio. Entre disputas de terra, conflitos familiares, amores interditados e a forte relação entre homem e natureza, “Pantanal” aborda temas como herança, identidade e transformação, afirmando-se como um marco estético e narrativo da teledramaturgia brasileira.
 
Menos de um ano depois, escreveu “Vida Nova” (1992) para a faixa das 18h, ambientando a trama em São Paulo, em 1945, no pós-Segunda Guerra, a partir do cotidiano pulsante de um cortiço no bairro do Bixiga. No centro da história está Lalá (Yoná Magalhães), ex-prostituta alegre e sensual que ascendeu socialmente ao tornar-se amante de um senador da República, com quem teve a filha Marialina (Gabriela de Oliveira), passando a ser admirada pelos homens e alvo da inveja das mulheres do bairro, além de despertar o amor sincero do sonhador Antônio Sapateiro (Carlos Zara). Entre os moradores do cortiço, destaca-se ainda Gema (Nívea Maria), mulher trabalhadora que, julgando-se viúva, casa-se com o italiano Pietro (Osmar Prado), vivendo uma relação harmoniosa até a reaparição do primeiro marido, Sebastião, também chamado Zé Adhemar (Roberto Bonfim). A novela entrelaça outras histórias de imigração, preconceito e esperança, como o romance proibido entre o português Manoel Vitor (Lauro Corona) e a judia Ruth (Deborah Evelyn), sabotado por barreiras religiosas e pelas intrigas de Gracinha (Iara Jamra), filha do poderoso Coronel Antenor (Mauro Mendonça); o drama de Francesco (Paulo José), imigrante italiano que sonha em retornar à terra natal e se vê dividido quando o filho Bruno (Giuseppe Oristanio) chega ao Brasil; e a trajetória do incansável Antônio do Mercado (Antônio Petrin), que sacrifica tudo para garantir os estudos do filho Toninho (Marcos Winter), entrando em conflito ao vê-lo apaixonado por Marialina. Assim, “Vida Nova” apresenta um mosaico afetivo e social marcado por choques culturais, reconstruções pessoais e pela busca de pertencimento em um Brasil urbano em transformação.
 
Em 1992, Benedito Ruy Barbosa também atuou como diretor e reformulador dos episódios da série infantil “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida nas manhãs da emissora, revisitando o universo criado por Monteiro Lobato a partir do cotidiano fantástico vivido no sítio de Dona Benta (Zilka Salaberry), uma senhora que leva uma vida tranquila no campo ao lado da cozinheira Tia Nastácia (Jacyra Sampaio) e da neta Narizinho (Rosana Garcia). Solitária, a menina projeta sua imaginação na boneca Emília (Dirce Migliaccio), feita de pano por Tia Nastácia, que ganha voz própria após ingerir a pílula falante criada pelo Doutor Caramujo (José Luís Rodi), tornando-se a figura mais irreverente daquele mundo. As aventuras se ampliam quando Narizinho conhece o Príncipe Escamado (Cacá Silveira), soberano do Reino das Águas Claras, e passa a conviver com personagens como Dona Carochinha (Zezé Macedo), responsável pelos contos de fadas. Durante as férias, o primo Pedrinho (Júlio César) chega da cidade grande e se integra às brincadeiras ao lado do Visconde de Sabugosa (André Valli), um sabugo de milho criado por Tia Nastácia que ganha vida e se destaca por sua inteligência e vocação científica. Nesse espaço onde fantasia e realidade se misturam naturalmente, também circulam figuras como o Tio Barnabé (Samuel Santos), seus ajudantes Zé Carneiro (Tonico Pereira), Garnizé (Canarinho) e João Perfeito (Ivan Senna), além de seres lendários como o Saci Pererê (Romeu Evaristo) e a temida Cuca (Dorinha Duval), compondo um universo lúdico em que imaginação, folclore e aprendizado fazem parte do dia a dia das crianças.
 
Promovido em 1994, Barbosa passou quatro anos em preparação até assumir, pela primeira vez, uma novela no horário nobre, o que resultou em “Renascer” (1999), exibida às 21h e dividida em duas fases, ambientadas nas roças de cacau de Ilhéus, na Bahia. Na primeira, José Inocêncio (Leonardo Vieira) chega sozinho à região e finca o facão aos pés de um jequitibá, selando um pacto simbólico que sustenta a crença de que teria o corpo fechado para a morte. Valente e obstinado, enriquece como produtor de cacau e vive um amor absoluto com Maria Santa (Patrícia França), com quem tem quatro filhos: José Augusto (Marco Ricca), José Bento (Tarcísio Filho), José Venâncio (Taumaturgo Ferreira) e João Pedro (Marcos Palmeira), mas a morte da esposa no parto do caçula provoca uma ruptura definitiva, levando-o a rejeitar o menino, a quem passa a culpar pela tragédia. Na segunda fase, já como o poderoso coronel José Inocêncio (Antônio Fagundes), figura respeitada pelo senso de justiça e pela liderança sobre os trabalhadores, o conflito central se concentra na relação amarga com João Pedro, criado com afeto por Deocleciano (Leonardo Brício na primeira fase e Roberto Bonfim na segunda) e Morena (Regina Dourado). A tensão entre pai e filho se intensifica com a chegada de Mariana (Adriana Esteves), neta de Belarmino (José Wilker), antigo inimigo de José Inocêncio, despertando uma paixão que coloca ambos em rota de colisão. Paralelamente, a disputa de terras com o vizinho Teodoro (Herson Capri) amplia os embates familiares e políticos, culminando na decisão de João Pedro de se casar com Sandra (Luciana Braga), filha do rival, gesto interpretado pelo pai como afronta direta. Assim, “Renascer” articula poder, herança, paternidade ferida e destino, sustentando sua força dramática na relação mítica entre o homem, a terra e a ideia de renascimento que atravessa toda a narrativa.
 
Em “O Rei do Gado” (2003), Benedito Ruy Barbosa constrói uma saga marcada por amor, herança e disputa pela terra ao acompanhar o romance proibido entre Enrico Mezenga (Leonardo Brício) e Giovanna Berdinazzi (Letícia Spiller), filhos de duas famílias de imigrantes italianos rivais, os Mezenga e os Berdinazzi, que vivem em guerra por uma faixa de terra entre suas fazendas de café no interior paulista dos anos 1940, conflito liderado pelo obstinado Antônio Mezenga (Antônio Fagundes) e pelo igualmente passional Giuseppe Berdinazzi (Tarcísio Meira), marido de Marieta (Eva Wilma). Apesar da oposição familiar, Enrico e Giovanna se casam e fogem, dando origem, décadas depois, à segunda fase da trama, ambientada em 1996, quando o filho do casal, Bruno Berdinazzi Mezenga (Antônio Fagundes), torna-se um dos maiores pecuaristas do país, conhecido como o “Rei do Gado”. Marcado pelo ódio herdado entre as famílias e afastado dos parentes maternos, Bruno vive um casamento fracassado com Leia Mezenga (Sílvia Pfeifer) e enfrenta conflitos envolvendo seus filhos, Lia (Lavínia Vlasak) e Marcos (Fábio Assunção), enquanto se apaixona por Luana (Patrícia Pillar), uma boia-fria sem passado conhecido. Paralelamente, surge a figura solitária e atormentada de Geremias Berdinazzi (Raul Cortez), tio de Giovanna, um fazendeiro riquíssimo que rejeita os Mezenga, mas deseja reparar erros do passado deixando sua fortuna para a sobrinha desaparecida Marieta, sem saber que Luana é, na verdade, a herdeira legítima. Ao entrelaçar dramas familiares, romances trágicos e o debate sobre a concentração fundiária e a luta pela posse da terra, a novela amplia seu alcance para além do melodrama, refletindo tensões sociais históricas do Brasil rural.
 
Em “Terra Nostra” (2006), Benedito retornou ao horário das 21h com uma saga centrada na imigração italiana no fim do século XIX e início do XX, articulando esse processo histórico ao romance trágico entre Matteo (Thiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio). Em 1894, a jovem deixa a Itália com os pais, Giulio (Gianfrancesco Guarnieri) e Ana (Bete Mendes), a bordo do navio Andrea I, que transporta camponeses rumo ao Brasil para substituir a mão de obra escravizada nas lavouras de café. Durante a travessia, uma epidemia de peste mata seus pais, lançados ao mar, e aproxima Giuliana de Matteo, por quem se apaixona. Separados no desembarque em Santos, seguem destinos distintos: Giuliana é acolhida em São Paulo por Francesco Maglianno (Raul Cortez), imigrante bem-sucedido e amigo de seu pai, passando a viver sob a influência de seu filho, Marco Antônio (Marcello Antony), e a hostilidade de Janete (Ângela Vieira), enquanto Matteo vai trabalhar como colono na fazenda do coronel Gumercindo Aranha (Antônio Fagundes), casado com Maria do Socorro (Débora Duarte) e pai de Rosana (Carolina Kasting) e Angélica (Paloma Duarte). Enredada por convenções sociais e enganos, Rosana força Matteo a um casamento infeliz, ao passo que Giuliana, acreditando tê-lo perdido para sempre, casa-se com Marco Antônio e tem um filho, arrancado de seus braços por Janete na noite do parto. A partir dessas trajetórias cruzadas, a novela acompanha desencontros, ascensões e quedas pessoais, discutindo o choque cultural, as relações de poder no Brasil cafeeiro e o impacto humano da imigração na formação da sociedade brasileira.
 
Benedito Ruy Barbosa é um dos principais responsáveis pela abordagem de temas ligados ao meio rural e pela utilização massiva de cenas externas, fatos que transformaram a dramaturgia e abriram novas perspectivas para as telenovelas, sobretudo a partir de “Pantanal”. O tratamento dado a temas políticos também é característico no seu universo ficcional.
 
Em 2007, Edmara Barbosa, filha de Benedito, após ter colaborado com a irmã Edilene Barbosa nas duas últimas novelas do pai exibidas às 21h, assumiu como autora titular o remake de “Cabocla”, levado ao ar na faixa das seis sob a supervisão direta do pai, atualizando o clássico rural ao articular melodrama romântico, disputa política e conflitos fundiários no interior do Espírito Santo. A narrativa acompanha Luís Jerônimo (Daniel de Oliveira), jovem carioca que deixa o Rio de Janeiro para tratar uma pneumonia em Vila da Mata e acaba se apaixonando pela tímida Zuca (Vanessa Giacomo), afilhada do influente Coronel Boanerges (Tony Ramos), apesar de ela ser noiva do peão Tobias (Malvino Salvador) e da chegada da espanhola Pepa (Elena Toledo), antigo caso de Luís, que se instala na fazenda do rival político Coronel Justino (Mauro Mendonça). Paralelamente, a novela desenvolve a rivalidade entre Boanerges e Justino pelo poder local, espelhada no amor interditado entre Belinha (Regiane Alves), filha de Boanerges, e Neco (Danton Mello), filho do adversário, enquanto o núcleo popular, centrado na família de Tobias, com Felício (Sebastião Vasconcelos) e Generosa (Vera Holtz), expõe a luta pela retomada de terras usurpadas e o peso das tradições, retomando temas caros ao universo rural de Benedito, como coronelismo, injustiça social e afetos atravessados pela política.
 
Em 2009, Benedito Ruy Barbosa retornou ao horário nobre com “Esperança”, novela que, pouco mais de um ano antes de sua estreia, chegou a ser concebida como uma continuação explícita de “Terra Nostra” (2006), ambientada inicialmente na Segunda Guerra Mundial, mas que acabou reformulada para preservar os elementos dramáticos e temáticos que haviam garantido o êxito da produção anterior, especialmente no mercado internacional. Assim, o autor optou por situar a narrativa em outro momento decisivo do século XX: a crise econômica mundial desencadeada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, cujos reflexos atingiram duramente a Europa e o Brasil dos anos 1930, afetando os barões do café, impulsionando a imigração estrangeira e alimentando as tensões sociais e políticas que culminariam na Revolução Constitucionalista de 1932. Nesse contexto histórico se desenvolve a trajetória do italiano Toni (Reynaldo Gianecchini), filho do pianista Genaro (Raul Cortez) e de Rosa (Eva Wilma), que vive na cidade de Civita e se apaixona por Maria (Priscila Fantin), jovem igualmente apaixonada, mas impedida de viver esse amor pelo pai autoritário e fascista, Giuliano (Antônio Fagundes), inimigo declarado de Genaro e decidido a casar a filha com o abastado Martino (José Mayer). Após um duro conflito com o pai e incentivado pelas histórias sobre o Brasil contadas pelo tio comunista Giuseppe (Walmor Chagas), Toni decide emigrar para São Paulo em busca de uma nova vida e parte sozinho, sem saber que Maria está grávida, enquanto ela, consolada pela avó Luiza (Fernanda Montenegro), é forçada a se casar com Martino. Já no Brasil, em meio às dificuldades da imigração e às transformações sociais do período, Toni tenta se reerguer, envolve-se com a judia Camilli (Ana Paula Arósio) e reencontra seus únicos parentes, Dona Madalena (Laura Cardoso) e a prima Nina (Maria Fernanda Cândido), jovem operária engajada nas lutas trabalhistas, enquanto Genaro, após a morte da esposa, também atravessa o oceano em busca do filho. A morte de Martino abre caminho para o reencontro entre Toni e Maria, agora mãe de Martininho (Thiago Afonso), reacendendo um amor marcado por perdas, desencontros e conflitos ideológicos.
 
Durante a exibição, Benedito precisou se afastar da novela ao concluir o roteiro do capítulo 149, por problemas de saúde, sendo substituído por Walcyr Carrasco, responsável por redigir e reestruturar os 60 capítulos finais do folhetim.
 
Enquanto “Esperança” ainda estava no ar, Edmara Barbosa assumiu o remake de “Sinhá Moça” (2009), obra original de Benedito Ruy Barbosa, com supervisão do autor até seu afastamento das novelas. Ambientada em 1886, na fictícia Araruna, no interior paulista, a trama se desenvolve em meio ao confronto entre monarquistas e republicanos nos anos que antecedem a Lei Áurea. A história central acompanha o romance entre Sinhá Moça (Débora Falabella), filha do escravocrata Coronel Ferreira, o Barão de Araruna (Osmar Prado), e o advogado abolicionista Rodolfo Fontes (Danton Mello), que precisa se infiltrar entre os aliados do coronel para agir em favor da causa. Em paralelo, destaca-se a trajetória de Rafael (Eriberto Leão), filho ilegítimo do Barão com a escravizada Maria das Dores (Cris Vianna), que retorna à cidade sob o nome de Dimas, movido por vingança e envolvido com o movimento abolicionista ao lado do jornalista Augusto (Carlos Vereza), despertando o amor de Juliana (Vanessa Giacomo). A novela articula conflitos familiares, resistência escrava e embates ideológicos que expõem o esgotamento do regime escravocrata no Brasil do século XIX.
 
Em 2012, Edmara Barbosa assinou o remake de “Paraíso”, exibido no horário das 18h, com supervisão de Benedito Ruy Barbosa, retomando a fábula rural ambientada na cidade fictícia marcada por crenças populares e pelo embate entre fé e superstição. A trama acompanha Zeca, o “filho do diabo” (Eriberto Leão), criado em torno da lenda alimentada pelo pai, o fazendeiro Eleutério (Reginaldo Faria), acusado de pacto após a morte da esposa Nena (Luli Miller). De volta à fazenda após anos de estudo, Zeca se apaixona por Maria Rita, a “Santinha” (Nathalia Dill), jovem criada sob rígida devoção religiosa pela mãe Mariana (Cássia Kiss) e pelo pai Antero (Mauro Mendonça). O romance, rejeitado pela cidade e pelas crenças que cercam o casal, se intensifica após um suposto milagre atribuído à moça, levando-a ao convento e culminando no gesto impulsivo de Zeca ao raptar a futura freira, reafirmando a novela como uma obra romântica sobre amor, fé popular e destino no universo rural brasileiro.
 
Em 2017, oito anos após se afastar do comando de uma novela, Benedito Ruy Barbosa retornou ao horário das seis com a releitura de “Meu Pedacinho de Chão”, sua primeira novela escrita para o SBT, retomando a fábula rural ambientada na Vila de Santa Fé e centrada no choque entre tradição e modernidade. A narrativa se estrutura a partir do autoritarismo do poderoso Epaminondas Napoleão, o coronel Epa (Osmar Prado), um latifundiário avesso ao progresso que impõe sua vontade pela força e entra em constante conflito com Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi), defensor de ideias modernas e responsável por doar terras para a venda de seu Giácomo (Antônio Fagundes) e para a capela de Padre Santo (Emiliano Queiroz). Esse equilíbrio frágil é abalado com a chegada da jovem professora Juliana (Bruna Linzmeyer), que passa a ensinar as crianças da vila e desperta tanto a paixão de Ferdinando (Johnny Massaro), filho do coronel recém-formado em Agronomia e em desacordo com o pai, quanto o amor silencioso do peão Zelão (Irandhir Santos), capanga de Epa que começa a questionar as ordens do patrão ao se envolver com a professora. Paralelamente, em um universo mais lúdico e simbólico, as crianças Pituca (Geytsa Garcia), filha do coronel com sua exuberante segunda esposa Madame Catarina (Juliana Paes), e Serelepe (Tomás Sampaio), um menino órfão, vivem aventuras à margem dos conflitos adultos, amizade vista com desconfiança por Epa. Ao articular disputas de poder, afetos interditados e o olhar poético da infância, a novela reafirma o tom alegórico da obra, discutindo autoritarismo, transformação social e convivência em uma comunidade marcada por contrastes.
 
Após um intervalo de 14 anos longe da faixa das 21h, Benedito Ruy Barbosa retornou ao horário nobre em 2023 com “Velho Chico”, escrita em parceria com o neto Bruno Luperi, construindo uma saga familiar atravessada por disputas de poder, paixões interditadas e, sobretudo, pela relação simbólica com o rio São Francisco. Ambientada no final dos anos 1960, na fictícia Grotas de São Francisco, a trama se inicia com o embate entre o autoritário Jacinto de Sá Ribeiro, o Coronel Saruê (Tarcísio Meira), que controla a política e a economia da região, e o íntegro Capitão Ernesto Rosa (Rodrigo Lombardi), dono da fazenda Piatã, conflito que se perpetua ao longo das gerações. Após a morte de Jacinto, seu filho Afrânio (Rodrigo Santoro) retorna de Salvador, onde estudava Direito, abandona o amor pela cantora Iolanda (Carol Castro) e assume os negócios da família, tornando-se o novo Coronel Saruê sob a influência da mãe, Dona Encarnação (Selma Egrei). Forçado a se casar com Leonor (Marina Nery), Afrânio tem a filha Maria Tereza (Isabella Aguiar), criada sob rejeição pela avó. Paralelamente, o Capitão Ernesto e sua esposa Eulália (Fabiula Nascimento) acolhem os retirantes Belmiro dos Anjos (Chico Diaz) e Piedade (Cyria Coentro), cujos filhos Santo (Rogerinho Costa) e Bento (Vitor Aleixo) crescem como irmãos de leite de Luzia (Carla Fabiana), menina adotada pelo casal. Anos depois, o destino une Maria Tereza (Julia Dalavia) e Santo (Renato Góes) em um amor proibido, selado nas águas do Velho Chico, mas violentamente interrompido por Afrânio, que envia a filha para um internato e impede que Santo saiba da existência do filho dos dois, Miguel. Duas décadas mais tarde, o reencontro entre Maria Tereza (Camila Pitanga) e Santo (Domingos Montagner) reabre feridas antigas e reativa rivalidades históricas, agora em meio a disputas políticas, conflitos ambientais e familiares, reafirmando o rio São Francisco como força mítica e eixo central de uma narrativa sobre poder, memória, pertencimento e amor.
 
TRABALHOS DE BENEDITO RUY BARBOSA NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Meu Pedacinho de Chão
14/02/1977
16/09/1977
185
18h15
Autor principal
O Feijão e o Sonho
17/12/1979
28/03/1980
89
18h15
Autor principal
À Sombra dos Laranjais
28/07/1980
07/11/1980
89
18h15
Autor principal
Cabocla
13/12/1982
24/06/1983
167
18h15
Autor principal
Paraíso
27/01/1986
12/09/1986
197
18h15
Autor principal
Voltei pra Você
30/03/1987
04/09/1987
137
18h15
Autor principal
Sinhá Moça
23/10/1989
11/05/1990
173
18h15
Autor principal
Pantanal
18/03/1991
10/01/1992
215
22h30
Autor principal
Vida Nova
17/02/1992
31/07/1992
143
18h15
Autor principal
Renascer
06/12/1999
11/08/2000
215
21h15
Autor principal
O Rei do Gado
17/03/2003
14/11/2003
209
21h15
Autor principal
Terra Nostra
19/06/2006
02/03/2007
221
21h15
Autor principal
16/03/2009
13/11/2009
209
21h15
Autor principal
03/07/2017
20/10/2017
95
18h15
Autor principal
16/01/2023
04/08/2023
173
21h30
Autor principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
De Quina pra Lua
17/04/1989
20/10/1989
161
18h15
Supervisão
06/08/2007
15/02/2008
167
18h15
Supervisão
08/06/2009
08/01/2010
185
18h15
Supervisão
11/06/2012
27/12/2012
173
18h15
Supervisão

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