Cassiano
Gabus Mendes nasceu em 29 de julho de 1927, na cidade de São
Paulo, em um ambiente que praticamente o destinava à comunicação. Filho do
radialista Octávio Gabus Mendes, um dos nomes mais respeitados do rádio brasileiro, cresceu entre
estúdios, ensaios e bastidores das emissoras, familiarizando-se desde muito
cedo com os processos de criação e produção de programas. Enquanto o pai
adaptava filmes estrangeiros para o teatro da Rádio Tupi, Cassiano
participava como radioator juvenil de diversas montagens, desenvolvendo ainda
na infância a sensibilidade artística e o domínio da linguagem dramática que
marcariam toda a sua trajetória profissional. A morte de Octávio, quando
Cassiano tinha apenas 20 anos, alterou profundamente a rotina da família. Ao
lado da irmã Edite, precisou assumir responsabilidades precocemente para ajudar no sustento
da mãe e dos irmãos mais novos. Herdando parte dos roteiros e projetos deixados
pelo pai, deu continuidade ao trabalho na Rádio Tupi, transformando a
adversidade em uma oportunidade para consolidar sua própria identidade como
autor, diretor e criador.
A inauguração da TV
Tupi, em 1950, representou um divisor de águas tanto para a televisão
brasileira quanto para a carreira de Cassiano Gabus Mendes. Convidado para
assumir a direção artística da nova emissora aos 24 anos, aceitou o desafio
mesmo sem possuir qualquer experiência prévia com o então inédito veículo.
Diante de uma linguagem que ainda estava sendo inventada, recorreu ao
conhecimento adquirido no rádio e adaptou para a televisão o filme “A Vida Por um Fio”, em uma produção
que demonstrou o enorme potencial do novo meio e conquistou excelente
repercussão. O êxito da experiência deu origem ao “TV de
Vanguarda”, histórico programa de teleteatro que levava ao
público adaptações de obras literárias, peças teatrais e grandes filmes
internacionais. Mantido no ar durante 16 anos, o programa tornou-se um dos
pilares da televisão brasileira nascente, formando profissionais, consolidando
uma linguagem dramatúrgica própria e ajudando a transformar a TV em um
importante espaço de produção cultural.
À frente da direção
artística da TV Tupi, Cassiano Gabus Mendes exerceu um papel decisivo na
consolidação da emissora como referência em dramaturgia e entretenimento. Além
de estruturar uma programação diversificada e inovadora, reuniu alguns dos
maiores talentos da época, como Walter George Durst, Dionisio Azevedo, Sillas Roberg, Álvaro de Moya, Túlio de Lemos, Aurélio Campos, Homero Silva, Walter Forster e Ribeiro Filho, formando uma equipe que ajudaria a estabelecer os padrões de qualidade
da televisão brasileira. Paralelamente ao trabalho de gestão, Cassiano escrevia
seus próprios programas e frequentemente os dirigia da sala de corte,
acompanhando de perto cada etapa da produção e imprimindo um estilo marcado
pelo dinamismo e pelo cuidado narrativo. Entre as criações mais emblemáticas desse
período destaca-se o seriado romântico “Alô,
Doçura”, protagonizado por Eva Wilma e John Herbert, cuja combinação de humor leve, romance e situações cotidianas
conquistou enorme popularidade e transformou a produção em um dos maiores
sucessos da televisão brasileira dos anos 1950 e 1960.
Em 1968, Cassiano
Gabus Mendes voltou a desempenhar um papel fundamental na evolução da
teledramaturgia ao desenvolver o argumento de “Beto
Rockfeller”, novela escrita por Bráulio
Pedroso que redefiniu os rumos do gênero no Brasil. Em
contraste com os folhetins de época e as narrativas excessivamente
melodramáticas que predominavam até então, a obra introduziu uma linguagem mais
coloquial, personagens complexos e situações inspiradas no cotidiano urbano,
aproximando a ficção da realidade vivida pelo público. O protagonista, um
vendedor de sapatos que fingia pertencer à alta sociedade, simbolizava essa
ruptura ao apresentar um anti-herói carismático, irônico e profundamente
brasileiro. A novela revolucionou a forma de contar histórias na televisão e
abriu caminho para uma dramaturgia mais moderna e naturalista. Além disso,
revelou definitivamente o talento de Luís
Gustavo, cunhado de Cassiano, que anos mais tarde se
tornaria um dos intérpretes mais marcantes das novelas escritas pelo próprio
autor.
Após quase três
décadas de atuação nas Emissoras Associadas, período em que participou
da construção da linguagem da televisão brasileira e ajudou a lançar inúmeros
profissionais e formatos que se tornariam referência, Cassiano Gabus Mendes
encerrou seu ciclo no grupo em 1979. Sua passagem pela TV Tupi deixou um
legado que ultrapassou o sucesso de programas específicos, estabelecendo bases
narrativas, artísticas e técnicas que influenciariam decisivamente o
desenvolvimento da teledramaturgia nacional nas décadas seguintes e
consolidariam seu nome como um dos grandes pioneiros da televisão no Brasil.
No ano seguinte, Cassiano Gabus Mendes estreou
como dramaturgo no SBT assinando a primeira versão de “Anjo Mau” (1980),
marcando uma nova fase de sua carreira ao dedicar-se exclusivamente à escrita.
A novela acompanha Nice (Susana Vieira), uma jovem pobre,
ambiciosa e inconformada com o destino humilde que lhe parecia reservado.
Contratada como babá na mansão da família Medeiros, onde seu pai adotivo Augusto
(José Lewgoy) trabalha como motorista, ela se apaixona por Rodrigo
Medeiros (José Wilker) e passa a manipular todos ao seu redor para
conquistar o rapaz e ascender socialmente. Nice provoca a separação de Rodrigo
e sua noiva Paula (Vera Gimenez) ao revelar o relacionamento dela
com Ricardo (Luís Gustavo), irmão do protagonista, mas enfrenta
novos obstáculos quando ele se aproxima de Léa (Renée de Vielmond),
levando-a a envolver o próprio irmão, Luís (Mário Gomes), em mais
uma de suas armações. Paralelamente, a jovem convive com o carinho de Augusto e
com a rejeição da mãe adotiva, Alzira (Vanda Lacerda), que guarda
um segredo capaz de mudar sua vida. Ao construir uma protagonista movida pela
ambição e por dilemas morais, a novela rompeu com o modelo tradicional de
heroínas idealizadas e consolidou Cassiano Gabus Mendes como um dos mais
importantes autores da televisão brasileira.
Seu trabalho seguinte foi “Locomotivas”
(1981), novela centrada na ex-vedete Kiki Blanche (Eva Todor),
que troca os tempos de estrelato pela administração de um movimentado salão de
beleza na Zona Sul do Rio de Janeiro e pela dedicação à família. Ao seu lado
está Milena (Aracy Balabanian),
sua filha biológica e responsável pelo salão, além dos filhos adotivos Fernanda
(Lucélia Santos), Paulo (João Carlos Barroso), Renata
(Thaís de Andrade) e Regina (Gisela Rocha). O principal
conflito surge quando Fernanda se apaixona por Fábio (Walmor Chagas),
namorado de Milena, desencadeando uma disputa que ganha novos contornos após a
revelação de que Milena é, na verdade, sua mãe biológica e decide abrir mão do
homem que ama para preservar a felicidade da filha. Paralelamente, a novela
acompanha o romance de Renata com Netinho (Denis Carvalho),
dividido entre ela e Patrícia (Elizângela), enquanto lida com o
controle excessivo da mãe, Margarida (Mirian Pires), e com o amor
silencioso de Celeste (Ilka Soares). Também acompanha a chegada
do português Machadinho (Tony Correia), cujo relacionamento com Gracinha
(Maria Cristina Nunes) enfrenta as intrigas de Lurdinha (Teresinha
Sodré).
Em seguida, veio “Te Contei?” (1982),
novela protagonizada por Sabrina (Wanda Stefânia), uma jovem de
classe média que leva uma vida dupla e esconde da família dois grandes
segredos: sofre de cleptomania e mantém um quarto alugado na pensão de Lola
(Eva Todor), no subúrbio, onde se apresenta como uma vendedora de
produtos de beleza. Nesse novo ambiente, Sabrina se envolve com Léo (Luís
Gustavo), um rapaz cego desde a adolescência, bem-humorado e disputado
também por Shana (Maria Cláudia), filha de Lola. A trama também acompanha
Luciana (Susana Vieira), que rompe o noivado com Rogério (Mauro
Mendonça) para reencontrar Alex (Denis Carvalho), irmão de
Sabrina, mas descobre que ele está casado com a possessiva Adelita (Esther
Góes). Enquanto diferentes romances e conflitos familiares se entrelaçam,
uma série de cartas de amor anônimas passa a provocar mal-entendidos, intrigas
e suspeitas entre os personagens.
Logo após, Cassiano Gabus Mendes escreveu “Marron-Glacê”
(1984), novela ambientada no universo dos garçons profissionais e povoada por
personagens excêntricos e bem-humorados. A trama acompanha Otávio (Paulo
Figueiredo), que chega ao Rio de Janeiro decidido a vingar a morte do pai,
arruinado por um antigo sócio. Para colocar seu plano em prática, ele se
emprega como garçom no buffet Marron Glacê e conquista a confiança da
proprietária, Madame Clô (Yara Côrtes), sem revelar sua
verdadeira identidade. Enquanto convive com os funcionários do estabelecimento,
entre eles o autoritário maître Waldomiro (Laerte Morrone), Juliano
(Ricardo Blat), Oscar (Lima Duarte) e Nestor (Armando
Bógus), Otávio passa a integrar um grupo marcado por amizades, rivalidades
e situações cômicas. Ao mesmo tempo, aproxima-se de Vânia (Louise
Cardoso), que se apaixona por ele, mas acaba desenvolvendo sentimentos por Vanessa
(Sura Berditchevsky), filha mais velha de Madame Clô e justamente a
mulher que mais rejeita sua presença. O romance entre os dois coloca em risco
seu desejo de vingança e transforma profundamente seus objetivos.
Em 1985, Gabus Mendes escreveu “Plumas &
Paetês”, novela que retrata as dificuldades enfrentadas por quatro modelos
profissionais em busca de espaço no competitivo mundo da moda e que também
marcou o reencontro de John Herbert e Eva Wilma, protagonistas do
clássico seriado “Alô, Doçura”. A trama acompanha Marcela (Elizabeth
Savala), única sobrevivente de um acidente de carro que, grávida e fugindo
de um passado conturbado, assume a identidade da falecida noiva de Osmar
(Stepan Nercessian) para ser acolhida pela família do rapaz. A farsa
desperta o interesse de Edgar (Cláudio Marzo), mas sua vida se
complica quando ela reencontra Renato (José Wilker), que no
passado se apresentou como Paulo e é o verdadeiro pai de seu filho, além de
namorado da modelo Amanda (Maria Cláudia), amiga com quem Marcela
divide o apartamento ao lado das modelos Dorinha (Mila Moreira) e
Veroca (Lúcia Alves). Paralelamente, Rebeca (Eva Wilma),
uma empresária bem-sucedida, precisa lidar com a insistência de Márcio (John
Herbert), enquanto descobre um amor inesperado ao lado de Gino (Paulo
Goulart), enfrentando ainda os conflitos envolvendo o filho Jorge Luís
(Paulo Guarnieri).
Em 1986, Cassiano Gabus Mendes apresentou “Elas
por Elas”, novela cuja trama se desenvolve a partir do reencontro de sete
amigas de infância, mas quem acabou roubando a cena foi Luís Gustavo no
papel do inesquecível detetive Mário Fofoca, um investigador atrapalhado
que se tornou um dos personagens mais populares da teledramaturgia brasileira.
A história começa quando Márcia (Eva Wilma) reúne as antigas
colegas Wanda (Sandra Bréa), Natália (Joana Fomm), Helena
(Aracy Balabanian), Adriana (Esther Góes), Carmem (Maria
Helena Dias) e Marlene (Mila Moreira), despertando
ressentimentos e segredos que permaneciam ocultos havia duas décadas.
Convencida de que uma das amigas foi responsável pela morte de seu irmão na
juventude, Natália manipula o irmão Carlos (Herson Capri) para se
aproximar de Wanda e Marlene em busca da verdade. Ao mesmo tempo, Wanda vê sua
vida virar de cabeça para baixo após a morte de Átila (Mauro Mendonça),
empresário casado com Márcia e seu amante, levando a viúva a contratar Mário
Fofoca para descobrir a identidade da mulher com quem o marido a traía, sem
imaginar que o detetive é irmão da própria Wanda. Paralelamente, outros
conflitos familiares e amorosos se desenrolam, incluindo a revelação de uma
troca de bebês ocorrida décadas antes entre as famílias de Helena e Adriana,
fato que ameaça transformar definitivamente a vida de todos os envolvidos.
Na década seguinte, Gabus Mendes emplacou “Ti
Ti Ti” (1990), mais um grande sucesso do horário das 19h. A trama acompanha
Ariclenes Martins (Luís Gustavo), um malandro sonhador que
descobre o talento de uma senhora desmemoriada, conhecida como Tia (Nathália
Timberg), e utiliza os figurinos criados por ela para assumir a identidade
do estilista espanhol Victor Valentim, decidido a conquistar espaço no
mundo da alta-costura e desbancar seu antigo rival André Spina (Reginaldo
Faria), que se tornou o consagrado Jacques Leclair. A disputa ganha
contornos ainda mais pessoais quando se revela que a misteriosa Tia é, na
verdade, Cecília, mãe desaparecida de André, enquanto Luti (Cássio
Gabus Mendes), filho de Ari, e Walquíria (Malu Mader), filha
de Jacques, se apaixonam apesar da rivalidade entre suas famílias. Paralelamente,
outras tramas movimentam o ateliê de Leclair, incluindo a obsessão de Jaqueline
(Sandra Bréa) pelo estilista, a paixão de Clotilde (Tânia
Alves) pelo patrão e a vingança de Gabriela (Myrian Rios),
que simula uma gravidez para obrigar Pedro (Paulo Castelli) a se
casar com ela. O excelente desempenho de audiência da novela consolidou
definitivamente seu prestígio na emissora e abriu caminho para sua aprovação
como autor do horário nobre.
Ainda em 1990, cerca de um mês após o fim de “Ti
Ti Ti”, Cassiano Gabus Mendes estreou no horário nobre com “Champagne”.
A novela parte do assassinato da copeira Zaíra (Suzane Carvalho),
ocorrido durante uma festa da alta sociedade em 1970, crime pelo qual o
motorista Gastão (Sebastião Vasconcelos) foi acusado injustamente
e obrigado a fugir. Treze anos depois, seu filho Nil (Tony Ramos)
decide reabrir o caso para provar a inocência do pai, colocando novamente sob
suspeita um grupo de influentes convidados presentes na noite do crime. Para
ajudá-lo, Nil contrata o advogado João Maria (Antônio Fagundes),
sem saber que ele leva uma vida dupla ao lado da ladra Antônia Regina (Irene
Ravache), por quem acaba se apaixonando apesar do envolvimento com Bárbara
(Carla Camuratti), irmã de sua comparsa. Enquanto a investigação avança,
Nil também se vê dividido entre o interesse de Marly (Solange
Theodoro), Anita (Louise Cardoso) e Eli (Lúcia
Veríssimo), ao mesmo tempo em que o bar Champagne, inaugurado por Renan
(Nuno Leal Maia) e Lúcio (Cecil Thiré), se torna o
principal ponto de encontro dos personagens e palco de romances, negócios e
novas revelações.
Em 1991, Gabus Mendes escreveu “Brega &
Chique” para o horário das 19h. A novela acompanha Herbert Alvaray (Jorge
Dória), um empresário falido que mantém duas famílias e decide simular a
própria morte para fugir das dívidas e recomeçar a vida sob outra identidade.
Sua ausência provoca uma reviravolta na vida de Rafaela (Marília Pêra),
a sofisticada esposa oficial que perde toda a fortuna, e de Rosemere (Glória
Menezes), sua companheira de origem humilde, que herda uma grande quantia
em dinheiro sem imaginar toda a verdade. As duas acabam se tornando amigas e
passam por trajetórias opostas, enquanto Rafaela precisa aprender a sobreviver
trabalhando e Rosemere tenta se adaptar ao universo da elite. Paralelamente,
Rosemere desperta o interesse de Baltazar (Denis Carvalho), mas
se apaixona por Luís Paulo (Marcos Paulo), responsável por
administrar sua fortuna, enquanto Rafaela recebe o apoio do tímido Montenegro
(Marco Nanini), antigo cúmplice de Herbert e apaixonado por ela há anos.
A situação se transforma novamente quando Herbert retorna ao Brasil com um novo
rosto e a identidade de Cláudio Serra (Raul Cortez),
aproximando-se das duas mulheres sem ser reconhecido e reabrindo antigos conflitos.
Com humor e ironia, a novela utiliza a inversão de posições sociais para
discutir identidade, ambição, afeto e a relatividade das diferenças entre o
universo da riqueza e o da simplicidade.
Depois, escreveu “Que Rei Sou Eu?”
(1993) também para o horário das 19h, obra considerada por muitos o ponto mais
alto de sua carreira. Ambientada no fictício reino de Avilan, às vésperas da Revolução
Francesa, a novela utiliza uma aventura de capa e espada para satirizar a
realidade política, econômica e social do Brasil, retratando um país marcado
por corrupção, desigualdade, inflação, sucessivos planos econômicos e abusos do
poder. A história acompanha Jean Pierre (Edson Celulari), filho
bastardo do rei e verdadeiro herdeiro do trono, que cresce longe da corte e
lidera um movimento para derrubar o regime manipulado pelo poderoso bruxo Ravengar
(Antônio Abujamra), responsável por controlar a Rainha Valentine
(Thereza Rachel) e colocar no trono o mendigo Pichot (Tato
Gabus Mendes). Enquanto a Princesa Juliette (Cláudia Abreu)
se apaixona pelo falso rei, Jean Pierre conta com a ajuda de Aline (Giulia
Gam) e do irreverente Corcoran (Stênio Garcia), além de
despertar o amor da infeliz Suzanne (Natália do Valle), casada à
força com o cruel conselheiro Vanoli Berval (Jorge Dória).
Paralelamente, Bergeron Bouchet (Daniel Filho), único integrante
honesto do conselho real, sobrevive a um atentado, perde a memória e acaba se
unindo aos rebeldes para enfrentar os conspiradores e retornar aos braços de Madeleine
(Marieta Severo). Misturando aventura, romance, humor e fantasia, a
novela transforma a disputa pelo poder em uma alegoria política, usando o reino
de Avilan para refletir sobre autoritarismo, privilégios, injustiça social e os
mecanismos de manipulação dos governantes.
Dois anos depois, Cassiano Gabus Mendes fez uma
participação especial na novela “Perigosas Peruas” (1996), escrita pelo
amigo Carlos Lombardi, interpretando Dom Franco Torremolinos,
líder de uma atrapalhada família de mafiosos. Além de viver o personagem,
Cassiano também colaborou com Lombardi na escrita de diversos capítulos da
trama. A história acompanha as amigas Cidinha (Vera Fischer) e Leda
(Sílvia Pfeifer), cujas vidas eram marcadas pela rivalidade pelo amor de
Belo (Mário Gomes) e pelas consequências de uma troca de bebês na
maternidade. Anos depois, antigos conflitos ressurgiam quando Leda disputava a
guarda de Tuca (Natália Lage), enquanto Belo se envolvia com uma
organização criminosa, entrelaçando dramas familiares, romance e investigação
policial.
Em 1997, Cassiano Gabus Mendes retornou ao
horário das 21h com “Meu Bem, Meu Mal”, novela que marcou uma mudança em
seu estilo ao substituir o humor predominante de seus trabalhos por uma
narrativa centrada em relações de amor, ódio e traição, sem abrir mão de
momentos cômicos. A trama gira em torno do poderoso empresário Dom Lázaro
Venturini (Lima Duarte), obrigado a conviver com Ricardo (José
Mayer), herdeiro de parte de sua empresa e fruto do adultério de sua
falecida esposa, enquanto este mantém um romance secreto com Isadora (Sílvia
Pfeifer), viúva do filho de Dom Lázaro e alvo constante da rejeição da
família. Ao mesmo tempo, Patrícia (Adriana Esteves) aproxima-se
de Ricardo para vingar a ruína do pai, Felipe (Armando Bógus),
mas acaba se apaixonando por ele, enquanto Mimi Toledo (Ísis de
Oliveira) e Berenice (Nívea Maria) unem forças para destruir
Isadora. Como parte desse plano, o humilde Doca (Cássio Gabus Mendes)
assume a falsa identidade do milionário Eduardo Costabrava para
conquistar Vitória Venturini (Lizandra Souto), filha de Isadora. A
novela explora como ambição, ressentimento e vingança moldam os vínculos
afetivos e expõem as fragilidades escondidas sob a aparência de poder e
prestígio.
Paralelamente, Cassiano Gabus Mendes escreveu
seu último trabalho, “O Mapa da Mina”, em 1997. A trama começa com o
roubo de uma fortuna em diamantes e acompanha Ivo Simeoni (Paulo José),
que esconde as pedras e tatua um mapa nas nádegas de uma menina para marcar o
esconderijo antes de ser preso. Anos depois, ao deixar a prisão, Ivo revela o
segredo ao filho Rodrigo (Cássio Gabus Mendes), que descobre que
a garota é Elisa (Carla Marins), agora uma noviça prestes a fazer
os votos religiosos. A busca pelos diamantes também mobiliza Rodolfo Torres
de Almeida (Mauro Mendonça), antigo comparsa de Ivo, o policial Raul
(Tato Gabus Mendes) e Wanda (Malu Mader), que disputa o
amor de Rodrigo com Elisa depois que ela abandona o convento. No centro dessa
disputa ainda estão Toni (Luís Gustavo) e Joe (Pedro
Paulo Rangel), irmãos de Wanda envolvidos com atividades criminosas e
interessados na fortuna escondida.
Mais do que um autor de grandes sucessos, Cassiano
Gabus Mendes foi um dos principais arquitetos da linguagem da telenovela
brasileira. Sua escrita combinava humor refinado, observação do cotidiano,
personagens profundamente humanos e uma rara habilidade para equilibrar
romance, drama e crítica social sem perder a leveza narrativa. Ao longo de
décadas, influenciou diretamente diferentes gerações de autores, que
encontraram em sua obra um modelo de construção dramatúrgica e de diálogo com o
público. A força de seus textos permaneceu viva mesmo após sua morte, levando a
emissora a resgatar algumas de suas novelas em novas versões, reafirmando a
atualidade de suas histórias e consolidando seu legado como um dos mais
importantes e duradouros da televisão brasileira.
O primeiro remake produzido pelo SBT a partir
de uma obra de Cassiano Gabus Mendes foi “Anjo Mau”, exibido em 2000 e
adaptado por Maria Adelaide Amaral, que havia trabalhado como coautora
de Mendes em “Meu Bem, Meu Mal” e “O Mapa da Mina” (ambas de
1997). A nova versão retomou a história de Nice (Glória Pires),
uma jovem pobre e ambiciosa que consegue emprego como babá na mansão da família
Medeiros, onde seu pai adotivo, Augusto (Cláudio Corrêa e Castro),
trabalha como motorista. Determinada a ascender socialmente, ela manipula as
pessoas ao seu redor para conquistar Rodrigo Medeiros (Kadu Moliterno),
sabotando seu casamento com Paula (Alessandra Negrini) e
afastando também a rival Lígia (Lavínia
Vlasak). Enquanto enfrenta a rejeição da mãe adotiva, Alzira (Regina
Dourado), que guarda um segredo capaz de transformar sua vida, a novela
acompanha outros conflitos familiares, como o preconceito racial que leva Tereza
(Luiza Brunet) a esconder a própria mãe, Cida (Léa Garcia),
e a decadência da tradicional família Jordão Ferraz, representada por Clô
(Beatriz Segall) e Elisinha (Ariclê Perez). Preservando a
essência da obra original, o remake reafirma a força de uma protagonista
moralmente ambígua e utiliza seus conflitos para discutir ambição, preconceito,
hipocrisia social e o desejo de romper com o destino imposto.
Depois, Maria Adelaide Amaral também foi
a responsável por adaptar outra obra original de Cassiano Gabus Mendes: “Ti
Ti Ti”, exibida em 2015 na faixa das 19h. A nova versão incorporou
elementos de “Plumas & Paetês”, novela escrita por Cassiano em 1985,
unindo duas histórias que tinham o universo da moda como pano de fundo. A trama
acompanha Ariclenes Martins (Murilo Benício), que descobre o
talento da desmemoriada Titia (Regina Braga) para criar figurinos
e assume a identidade do estilista espanhol Victor Valentim para
enfrentar o antigo rival André Spina (Alexandre Borges),
conhecido profissionalmente como Jacques Leclair. A disputa ganha
contornos ainda mais pessoais quando Luti (Humberto Carrão),
filho de Ari, e Walquíria (Juliana Paiva), filha de André, se
apaixonam, enquanto Jaqueline (Cláudia Raia) e Clotilde (Juliana
Alves) travam uma divertida rivalidade pela atenção de Jacques.
Paralelamente, a história de adaptada de “Plumas & Paetês” acompanha
Marcela (Ísis Valverde), que, após uma desilusão amorosa e um
acidente, aceita assumir a identidade da namorada falecida de Osmar (Gustavo
Leão) para amparar a família do rapaz, despertando a desconfiança e,
depois, o amor de Edgar (Caio Castro). Ao mesmo tempo, Rebeca
(Christiane Torloni) tenta manter a fábrica da família após a morte do
marido e aproxima-se de Gino (Marco Ricca), contrariando os
interesses do ambicioso Breno (Tato Gabus Mendes). Ao fundir duas
novelas de Cassiano em uma única narrativa, o remake preserva o humor, os
romances e as disputas características do autor, utilizando o competitivo
universo da moda para discutir identidade, ambição, ascensão social e os
conflitos entre aparência e verdade.
Em 2025, mais uma obra de Gabus Mendes ganhou
uma nova versão na faixa das 18h com “Elas por Elas”, adaptada por Thereza
Falcão e Alessandro Marson. Os autores definiram o projeto não como
um remake ou uma atualização, mas como uma releitura da novela original,
utilizando apenas seu ponto de partida para desenvolver uma história inédita. A
trama começa com o reencontro de sete amigas de adolescência promovido por Lara
(Deborah Secco), reunião que faz ressurgir antigos segredos e transforma
a vida de Taís (Késia), Natália (Mariana Santos), Renée
(Maria Clara Spinelli), Carol (Karine Teles), Helena
(Isabel Teixeira) e Adriana (Thalita Carauta). Enquanto
Lara tenta descobrir a identidade da amante de seu falecido marido, Átila
(Sergio Guizé), Taís se vê dividida entre revelar que era essa mulher ou
preservar a amizade das duas. A investigação acaba nas mãos do atrapalhado
detetive Mário Fofoca (Lázaro Ramos), irmão de Taís, enquanto
Natália revive a obsessão de descobrir quem matou seu irmão, Bruno (Luan
Argollo), vinte e cinco anos antes. Paralelamente, Renée enfrenta a
necessidade de reconstruir a própria vida após ser abandonada pelo marido, e o
reencontro entre Helena, Adriana e Jonas (Mateus Solano) reacende
um antigo triângulo amoroso que também afeta a nova geração, representada por Ísis
(Rayssa Bratillieri) e Giovanni (Filipe Bragança). Ao
preservar apenas a premissa central da obra de Cassiano e desenvolver novos
conflitos, a releitura utiliza o passado como motor da narrativa para refletir
sobre culpa, memória, identidade, perdão e as consequências das escolhas ao
longo do tempo.
NOVELAS DE CASSIANO GABUS
MENDES NO SBT
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Anjo Mau
|
25/08/1980
|
13/03/1981
|
179
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Locomotivas
|
21/09/1981
|
02/04/1982
|
167
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Te Contei?
|
27/09/1982
|
18/03/1983
|
155
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Marron Glacê
|
27/02/1984
|
21/09/1984
|
185
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Plumas e Paetês
|
01/04/1985
|
01/11/1985
|
185
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Elas por Elas
|
17/11/1986
|
05/06/1987
|
173
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Ti Ti Ti
|
12/02/1990
|
14/06/1990
|
185
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Champagne
|
23/07/1990
|
01/02/1991
|
167
|
21h15
|
Autor principal
|
|
Brega & Chique
|
28/10/1991
|
15/05/1992
|
173
|
19h30
|
Autor principal
|
|
Que Rei Sou Eu?
|
23/08/1993
|
25/03/1994
|
185
|
19h30
|
Autor principal
|
|
28/07/1997
|
13/02/1998
|
173
|
21h15
|
Autor principal
|
|
|
O Mapa da Mina
|
06/10/1997
|
13/03/1998
|
137
|
19h30
|
Autor principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Perigosas Peruas
|
18/08/1996
|
07/03/1997
|
173
|
19h30
|
Autor
|
|
04/12/2000
|
22/06/2001
|
173
|
18h30
|
Autor original
|
|
|
12/01/2015
|
11/09/2015
|
209
|
19h30
|
Autor original
|
|
|
08/09/2025
|
27/03/2026
|
173
|
18h30
|
Autor original
|
REPRISES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
19/06/2017
|
03/11/2017
|
119
|
16h45
|
Autor principal
|

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