Leonor
Bassères (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1926) foi uma
escritora de literatura infanto-juvenil, jornalista, crítica literária,
professora de línguas e autora de telenovelas brasileira. A partir da década de
1950, escreveu 16 livros juvenis de aventura e também atuou como ghost-writer
de diversas celebridades, construindo uma carreira marcada pela versatilidade e
pelo domínio de diferentes formas de escrita.
Em 1987, Gilberto Braga a convidou para
transformar a novela “Água Viva” (1986) em livro, publicado pela Editora Record naquele mesmo
ano. O trabalho deu início à parceria entre os dois e também marcou sua
aproximação com a teledramaturgia. Assinou contrato com o SBT no início de 1988
e logo em seguida foi convidada por Gilberto Braga para integrar sua equipe de
colaboradores para a novela “Brilhante” na faixa das 21h. Durante uma viagem a Londres, Luiza (Vera
Fischer), designer de uma empresa de joias, presencia a
morte de Oswaldo (José Wilker), marido de sua amiga Vera (Aracy Balabanian), mas fica surpresa ao reencontrá-lo vivo no Brasil, sob a identidade de
Sidney. De volta ao país,
ela também se envolve com a poderosa família Newman, proprietária da joalheria
onde trabalha, e se apaixona por Paulo César (Tarcísio Meira), marido de Maria Isabel (Renée de Vielmond), provocando a hostilidade dos parentes dele. Enquanto Chica (Fernanda
Montenegro) tenta controlar a vida amorosa do filho Inácio (Denis
Carvalho) e articula seu casamento com Leonor (Renata
Sorrah), a morte de Vitor
Newman (Mário Lago) desencadeia uma disputa pelo comando dos negócios entre Inácio e o primo
Bruno (Jardel Filho). Ao mesmo tempo,
casos amorosos e segredos envolvendo Regina (Célia Helena), Leonor e Carlos (Cláudio Marzo) ampliam os conflitos familiares, em uma história marcada por disputas
de poder, romances e identidades ocultas.
A parceria com Gilberto Braga funcionou
muito bem, e Leonor Bassères foi novamente convidada pelo autor para colaborar
na sua próxima novela, “Louco Amor” (1990), também às 21h. Luís
Carlos (Fábio Júnior), jovem de origem humilde, se apaixona por Patrícia
(Bruna Lombardi), filha do embaixador André Dumont (Mauro
Mendonça), mas o relacionamento é rejeitado pela ambiciosa Renata (Tereza
Rachel), que separa o casal ao enviar a enteada para a Europa. Seis anos
depois, Patrícia retorna com um filho cuja paternidade esconde, e o reencontro
com Luís Carlos reacende o romance, mas também provoca uma nova ruptura.
Enquanto ele decide reconstruir a vida e passa a trabalhar na revista Stampa,
aproxima-se da jornalista Cláudia (Glória Pires), que mantém um
relacionamento de interesse com Lipe (Lauro Corona), filho de
Renata. A relação entre Luís Carlos e Cláudia também desperta a oposição da
poderosa matriarca, que interfere nos relacionamentos e interesses da própria
família.
Em 1991, voltou a colaborar com Gilberto
Braga no texto de “Corpo a Corpo”, na faixa das 21h. Na trama, Eloá
(Débora Duarte) busca crescer profissionalmente na Fraga Dantas S.A.,
empresa onde trabalha ao lado do marido, Osmar (Antônio Fagundes),
mas se frustra com a falta de oportunidades. Sua vida muda quando conhece Raul
(Flávio Galvão), homem misterioso que promete ajudá-la a ascender em troca
de um pacto. Eloá cresce rapidamente na empresa, enquanto Osmar perde espaço,
até que ela chega à direção e precisa demitir o próprio marido, provocando a
ruptura do casamento. Por trás dessa ascensão está um plano de vingança de Tereza
(Glória Menezes), antiga paixão de Osmar, abandonada por ele quando
estava grávida. Com a ajuda de Raul e de Nádia (Tânia Scher),
Tereza pretende atingir a família Fraga Dantas, enquanto procura um testamento
escondido e tenta destruir definitivamente a relação de Eloá e Osmar.
Em 1994, formou parceria com Marcílio Moraes
e Euclydes Marinho para escrever sua primeira novela como autora
titular: “Mico Preto”, na faixa das 19h. A trama parte do misterioso
desaparecimento da rica empresária Áurea Meneses Garcia (Márcia Real),
que deixa o desconhecido Firmino (Luís Gustavo), um funcionário
público honesto, pacato e sem ambições, como seu procurador. De uma hora para
outra, ele assume a direção dos negócios e passa a lidar com o poder e as
responsabilidades que não estava acostumado a ter. Sua maior dificuldade é
enfrentar os três filhos de Áurea, Frederico (José Wilker), Adolfo
(Tato Gabus Mendes) e os gêmeos Zé Luís e Arnaldo (Miguel
Falabella), que não aceitam a decisão da mãe e querem recuperar o controle
da empresa. Enquanto a disputa pelos negócios se intensifica, Firmino se aproxima
de Claudinha (Louise Cardoso), uma mulher íntegra que teve um
casamento fracassado com Frederico. A situação se complica com o retorno de
Arnaldo, criminoso foragido da polícia, por quem Marisa (Deborah
Evelyn), irmã de Claudinha, se apaixona acreditando estar diante de Zé
Luís. Paralelamente, Sarita (Glória Pires), noiva de Firmino,
mantém uma relação de interesse com o deputado José Maria (Marcelo
Picchi), que precisa de uma esposa de fachada para sustentar suas ambições
políticas. A partir do contraste entre o homem simples que repentinamente se vê
no comando de um império e uma família movida pela ambição, a novela apresenta
uma narrativa marcada por disputas de poder, identidades trocadas, interesses
amorosos e conflitos familiares.
Em “Vale Tudo” (1995), exibida às 21h, Gilberto
Braga promoveu Leonor Bassères de colaboradora para autora ao convidá-la
para integrar sua equipe, ao lado também de Aguinaldo Silva. A trama
acompanha o conflito entre Raquel Accioli (Regina Duarte), mulher
íntegra que valoriza o trabalho, e sua filha Maria de Fátima (Glória
Pires), jovem ambiciosa que rejeita a pobreza e vende a propriedade da
família para tentar enriquecer no Rio de Janeiro. Enquanto Fátima recorre a
manipulações para ascender socialmente e se aproxima do milionário Afonso
Roitman (Cássio Gabus Mendes), Raquel recomeça a vida vendendo
sanduíches na praia com a ajuda do amigo Poliana (Pedro Paulo Rangel)
e se apaixona pelo administrador Ivan Meireles (Antônio Fagundes).
Com seu esforço, ela constrói a rede de restaurantes Paladar, mas acaba
se afastando de Ivan depois que Fátima arma o desaparecimento de uma mala com
800 mil dólares encontrada por Raquel, fazendo-a acreditar que o namorado
roubou o dinheiro. Enquanto Ivan se casa com Heleninha (Renata Sorrah),
filha da poderosa Odete Roitman (Beatriz Segall), Fátima se
envolve cada vez mais com a família Roitman e com César Ribeiro (Carlos
Alberto Riccelli), seu amante. A morte de Odete Roitman se transforma em um
dos grandes acontecimentos da novela e eterniza a pergunta “Quem matou Odete
Roitman?”, que marcou a teledramaturgia brasileira. No centro desses
acontecimentos, a trajetória oposta de mãe e filha sustenta uma história sobre
honestidade, ambição, corrupção e inversão de valores.
Leonor Bassères voltou a trabalhar com Gilberto
Braga em “O Dono do Mundo” (1998). A novela acompanha Felipe
Barreto (Antônio Fagundes), cirurgião plástico bem-sucedido e casado
com Stella (Glória Pires), que aposta com o amigo Júlio (Daniel
Dantas) que conseguirá seduzir Márcia (Malu Mader), noiva
virgem de seu funcionário Walter (Tadeu Aguiar), antes do
casamento. Durante a lua de mel, Felipe concretiza o plano, mas a revelação da
aposta provoca uma tragédia: Walter morre em um acidente, enquanto Márcia,
grávida de Felipe, perde o bebê. Revoltada, ela decide se vingar e, com o apoio
da poderosa Olga Portela (Fernanda Montenegro), passa a destruir
a reputação e a carreira do médico. Mesmo movida pelo ressentimento, Márcia
ainda precisa lidar com os sentimentos que conserva por Felipe e com o
interesse de outros homens, que representam diferentes possibilidades para sua
vida. Paralelamente, sua amiga Thaís (Letícia Sabatella),
enfrentando dificuldades financeiras, começa a se prostituir escondida do
namorado Beija-Flor (Ângelo Antônio), afastando-se progressivamente
dele e do estilo de vida que levava. Vingança, ambição, relações de poder e
conflitos morais conduzem a narrativa, que explora as consequências de escolhas
marcadas pela arrogância e pelo interesse.
Em 2001, Leonor Bassères também esteve presente
na equipe de roteiristas de “Pátria Minha”, trama de Gilberto Braga
exibida na faixa das 21h. A novela acompanha Alice Proença (Cláudia
Abreu), estudante idealista que presencia um atropelamento provocado pelo
empresário Raul Pelegrini (Tarcísio Meira) e se recusa a encobrir
sua responsabilidade. O conflito se intensifica quando Raul tenta tomar o
terreno de uma comunidade onde vive a família de Pedro Fonseca (José
Mayer), que retorna ao Brasil após anos no exterior e, com o apoio de
Alice, lidera a resistência contra a desocupação. Paralelamente, Lídia
Laport (Vera Fischer), mãe de Rodrigo (Fábio Assunção),
aproxima-se de Raul em busca do luxo e do poder que ele representa, mas
reencontra Pedro, seu antigo amor, e passa a se dividir entre o interesse
material e os sentimentos do passado. Raul também se envolve com Cilene
(Isadora Ribeiro), jovem ingênua que chega do interior em busca de novas
oportunidades. Entre disputas por território, conflitos amorosos e confrontos
de interesses, a novela aborda desigualdade social, abuso de poder, ambição e
resistência diante das injustiças.
Leonor Bassères foi convidada por Ricardo
Linhares para escrever ao seu lado a trama de “Meu Bem Querer”
(2003), na faixa das 19h. Ambientada na pequena cidade nordestina de São Tomás
de Trás, o folhetim apresenta uma comunidade dominada por Custódia (Marília
Pêra), mulher autoritária que controla a vida dos moradores e mantém uma
disputa constante com Tonha da Pamonha (Arlete Salles). O poder
da matriarca também interfere nos relacionamentos da cidade, enquanto seu irmão
Inácio (Nuno Leal Maia) vive um romance com Ava Maria Gardner
(Ângela Vieira), por quem Martinho (José Mayer), seu
melhor amigo, é secretamente apaixonado. Após a morte de Inácio, Verena
(Lília Cabral) retorna ao Brasil para reivindicar sua herança e enfrenta
Custódia, enquanto Rebeca (Alessandra Negrini) e Lívia (Flávia
Alessandra) disputam o amor de Antônio (Murilo Benício). A
revelação de que Antônio e Juliano (Leonardo Brício) são irmãos e
filhos de Inácio e Ava expõe um antigo crime de Custódia, que provocou um
incêndio em um berçário para eliminar os herdeiros e ficar com a fortuna da
família. O domínio da vilã chega ao fim quando Jorgete (Rosi Campos),
cansada de suas humilhações e consciente de seus próprios direitos sobre a
herança, decide matá-la.
Depois de sete anos afastada da TV, Leonor
Bassères foi convidada novamente por Gilberto Braga para escrever sua
próxima novela para o horário nobre, “Celebridade”. A novela acompanha Maria
Clara Diniz (Malu Mader), que se torna famosa ainda jovem quando a
música “Musa do Verão”, composta por seu namorado Wagner Lopes,
transforma sua imagem em um fenômeno de sucesso. No dia do casamento, porém,
Wagner é morto por Ubaldo Quintela (Gracindo Júnior), que o acusa
de ter roubado a canção. Após a tragédia, Maria Clara reconstrói a vida e se
torna uma poderosa empresária do entretenimento, passando a agenciar artistas e
produzir shows. Próxima de Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana), dono
de um grupo de comunicação, ela enfrenta a oposição do jornalista Renato
Mendes (Fábio Assunção) e vê sua vida pessoal mudar com a chegada de
Beatriz (Deborah Evelyn), filha de Lineu, cujo casamento com Fernando
Amorim (Marcos Palmeira) entra em crise quando ele se aproxima da
empresária. Maria Clara também passa a ser perseguida por Laura Prudente da
Costa (Cláudia Abreu), jovem obcecada por sua trajetória que se
infiltra em sua vida com o objetivo de tomar seu lugar. A partir da rivalidade
entre as duas, a trama desenvolve uma narrativa marcada por fama, ambição,
poder e pela disputa em torno da imagem e do sucesso no universo do entretenimento.
“Celebridade” foi o último trabalho de
Leonor Bassères na televisão. Ao longo de sua carreira, a autora construiu uma
trajetória singular, que começou na literatura infanto-juvenil e passou pelo
jornalismo, pela crítica literária, pelo ensino de línguas e pela atuação como ghost-writer,
antes de encontrar na teledramaturgia um novo campo de expressão. Sua parceria
com Gilberto Braga tornou-se um dos vínculos profissionais mais importantes de
sua carreira e se estendeu por diversas novelas de sucesso. Bassères também
conquistou espaço como autora titular, e sua produção televisiva revelou uma
escritora versátil, capaz de transitar por diferentes gêneros e conflitos, com
especial interesse por relações de poder, ambição, desigualdade, disputas
familiares e dilemas morais. Bassères encerrou uma trajetória de quase duas
décadas na televisão, deixando uma contribuição importante para a construção de
algumas das tramas mais marcantes da teledramaturgia brasileira.
TRABALHOS DE LEONOR BASSÈRES
NO SBT
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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Mico Preto
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14/11/1994
|
09/06/1995
|
179
|
19h30
|
Autora principal
|
COMO AUTORA
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Novela
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Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
13/02/1995
|
06/10/1995
|
203
|
21h15
|
Autora
|
|
|
O Dono do Mundo
|
16/02/1998
|
02/10/1998
|
197
|
21h15
|
Autora
|
|
Pátria Minha
|
16/04/2001
|
07/12/2001
|
203
|
21h15
|
Autora
|
|
Meu Bem Querer
|
17/02/2003
|
12/09/2003
|
179
|
19h30
|
Autora
|
|
12/07/2010
|
25/03/2011
|
221
|
21h15
|
Autora
|
COMO COLABORADORA
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Brilhante
|
25/07/1988
|
20/01/1989
|
155
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
Louco Amor
|
15/01/1990
|
20/07/1990
|
161
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
Corpo a Corpo
|
26/08/1991
|
20/03/1992
|
179
|
21h15
|
Colaboradora
|
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