domingo, 28 de outubro de 2012

LEONOR BASSÈRES


Leonor Bassères (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1926) foi uma escritora de literatura infanto-juvenil, jornalista, crítica literária, professora de línguas e autora de telenovelas brasileira. A partir da década de 1950, escreveu 16 livros juvenis de aventura e também atuou como ghost-writer de diversas celebridades, construindo uma carreira marcada pela versatilidade e pelo domínio de diferentes formas de escrita.
 
Em 1987, Gilberto Braga a convidou para transformar a novela “Água Viva” (1986) em livro, publicado pela Editora Record naquele mesmo ano. O trabalho deu início à parceria entre os dois e também marcou sua aproximação com a teledramaturgia. Assinou contrato com o SBT no início de 1988 e logo em seguida foi convidada por Gilberto Braga para integrar sua equipe de colaboradores para a novela “Brilhante” na faixa das 21h. Durante uma viagem a Londres, Luiza (Vera Fischer), designer de uma empresa de joias, presencia a morte de Oswaldo (José Wilker), marido de sua amiga Vera (Aracy Balabanian), mas fica surpresa ao reencontrá-lo vivo no Brasil, sob a identidade de Sidney. De volta ao país, ela também se envolve com a poderosa família Newman, proprietária da joalheria onde trabalha, e se apaixona por Paulo César (Tarcísio Meira), marido de Maria Isabel (Renée de Vielmond), provocando a hostilidade dos parentes dele. Enquanto Chica (Fernanda Montenegro) tenta controlar a vida amorosa do filho Inácio (Denis Carvalho) e articula seu casamento com Leonor (Renata Sorrah), a morte de Vitor Newman (Mário Lago) desencadeia uma disputa pelo comando dos negócios entre Inácio e o primo Bruno (Jardel Filho). Ao mesmo tempo, casos amorosos e segredos envolvendo Regina (Célia Helena), Leonor e Carlos (Cláudio Marzo) ampliam os conflitos familiares, em uma história marcada por disputas de poder, romances e identidades ocultas.
 
A parceria com Gilberto Braga funcionou muito bem, e Leonor Bassères foi novamente convidada pelo autor para colaborar na sua próxima novela, “Louco Amor” (1990), também às 21h. Luís Carlos (Fábio Júnior), jovem de origem humilde, se apaixona por Patrícia (Bruna Lombardi), filha do embaixador André Dumont (Mauro Mendonça), mas o relacionamento é rejeitado pela ambiciosa Renata (Tereza Rachel), que separa o casal ao enviar a enteada para a Europa. Seis anos depois, Patrícia retorna com um filho cuja paternidade esconde, e o reencontro com Luís Carlos reacende o romance, mas também provoca uma nova ruptura. Enquanto ele decide reconstruir a vida e passa a trabalhar na revista Stampa, aproxima-se da jornalista Cláudia (Glória Pires), que mantém um relacionamento de interesse com Lipe (Lauro Corona), filho de Renata. A relação entre Luís Carlos e Cláudia também desperta a oposição da poderosa matriarca, que interfere nos relacionamentos e interesses da própria família.
 
Em 1991, voltou a colaborar com Gilberto Braga no texto de “Corpo a Corpo”, na faixa das 21h. Na trama, Eloá (Débora Duarte) busca crescer profissionalmente na Fraga Dantas S.A., empresa onde trabalha ao lado do marido, Osmar (Antônio Fagundes), mas se frustra com a falta de oportunidades. Sua vida muda quando conhece Raul (Flávio Galvão), homem misterioso que promete ajudá-la a ascender em troca de um pacto. Eloá cresce rapidamente na empresa, enquanto Osmar perde espaço, até que ela chega à direção e precisa demitir o próprio marido, provocando a ruptura do casamento. Por trás dessa ascensão está um plano de vingança de Tereza (Glória Menezes), antiga paixão de Osmar, abandonada por ele quando estava grávida. Com a ajuda de Raul e de Nádia (Tânia Scher), Tereza pretende atingir a família Fraga Dantas, enquanto procura um testamento escondido e tenta destruir definitivamente a relação de Eloá e Osmar.
 
Em 1994, formou parceria com Marcílio Moraes e Euclydes Marinho para escrever sua primeira novela como autora titular: “Mico Preto”, na faixa das 19h. A trama parte do misterioso desaparecimento da rica empresária Áurea Meneses Garcia (Márcia Real), que deixa o desconhecido Firmino (Luís Gustavo), um funcionário público honesto, pacato e sem ambições, como seu procurador. De uma hora para outra, ele assume a direção dos negócios e passa a lidar com o poder e as responsabilidades que não estava acostumado a ter. Sua maior dificuldade é enfrentar os três filhos de Áurea, Frederico (José Wilker), Adolfo (Tato Gabus Mendes) e os gêmeos Zé Luís e Arnaldo (Miguel Falabella), que não aceitam a decisão da mãe e querem recuperar o controle da empresa. Enquanto a disputa pelos negócios se intensifica, Firmino se aproxima de Claudinha (Louise Cardoso), uma mulher íntegra que teve um casamento fracassado com Frederico. A situação se complica com o retorno de Arnaldo, criminoso foragido da polícia, por quem Marisa (Deborah Evelyn), irmã de Claudinha, se apaixona acreditando estar diante de Zé Luís. Paralelamente, Sarita (Glória Pires), noiva de Firmino, mantém uma relação de interesse com o deputado José Maria (Marcelo Picchi), que precisa de uma esposa de fachada para sustentar suas ambições políticas. A partir do contraste entre o homem simples que repentinamente se vê no comando de um império e uma família movida pela ambição, a novela apresenta uma narrativa marcada por disputas de poder, identidades trocadas, interesses amorosos e conflitos familiares.
 
Em “Vale Tudo” (1995), exibida às 21h, Gilberto Braga promoveu Leonor Bassères de colaboradora para autora ao convidá-la para integrar sua equipe, ao lado também de Aguinaldo Silva. A trama acompanha o conflito entre Raquel Accioli (Regina Duarte), mulher íntegra que valoriza o trabalho, e sua filha Maria de Fátima (Glória Pires), jovem ambiciosa que rejeita a pobreza e vende a propriedade da família para tentar enriquecer no Rio de Janeiro. Enquanto Fátima recorre a manipulações para ascender socialmente e se aproxima do milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), Raquel recomeça a vida vendendo sanduíches na praia com a ajuda do amigo Poliana (Pedro Paulo Rangel) e se apaixona pelo administrador Ivan Meireles (Antônio Fagundes). Com seu esforço, ela constrói a rede de restaurantes Paladar, mas acaba se afastando de Ivan depois que Fátima arma o desaparecimento de uma mala com 800 mil dólares encontrada por Raquel, fazendo-a acreditar que o namorado roubou o dinheiro. Enquanto Ivan se casa com Heleninha (Renata Sorrah), filha da poderosa Odete Roitman (Beatriz Segall), Fátima se envolve cada vez mais com a família Roitman e com César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli), seu amante. A morte de Odete Roitman se transforma em um dos grandes acontecimentos da novela e eterniza a pergunta “Quem matou Odete Roitman?”, que marcou a teledramaturgia brasileira. No centro desses acontecimentos, a trajetória oposta de mãe e filha sustenta uma história sobre honestidade, ambição, corrupção e inversão de valores.
 
Leonor Bassères voltou a trabalhar com Gilberto Braga em “O Dono do Mundo” (1998). A novela acompanha Felipe Barreto (Antônio Fagundes), cirurgião plástico bem-sucedido e casado com Stella (Glória Pires), que aposta com o amigo Júlio (Daniel Dantas) que conseguirá seduzir Márcia (Malu Mader), noiva virgem de seu funcionário Walter (Tadeu Aguiar), antes do casamento. Durante a lua de mel, Felipe concretiza o plano, mas a revelação da aposta provoca uma tragédia: Walter morre em um acidente, enquanto Márcia, grávida de Felipe, perde o bebê. Revoltada, ela decide se vingar e, com o apoio da poderosa Olga Portela (Fernanda Montenegro), passa a destruir a reputação e a carreira do médico. Mesmo movida pelo ressentimento, Márcia ainda precisa lidar com os sentimentos que conserva por Felipe e com o interesse de outros homens, que representam diferentes possibilidades para sua vida. Paralelamente, sua amiga Thaís (Letícia Sabatella), enfrentando dificuldades financeiras, começa a se prostituir escondida do namorado Beija-Flor (Ângelo Antônio), afastando-se progressivamente dele e do estilo de vida que levava. Vingança, ambição, relações de poder e conflitos morais conduzem a narrativa, que explora as consequências de escolhas marcadas pela arrogância e pelo interesse.
 
Em 2001, Leonor Bassères também esteve presente na equipe de roteiristas de “Pátria Minha”, trama de Gilberto Braga exibida na faixa das 21h. A novela acompanha Alice Proença (Cláudia Abreu), estudante idealista que presencia um atropelamento provocado pelo empresário Raul Pelegrini (Tarcísio Meira) e se recusa a encobrir sua responsabilidade. O conflito se intensifica quando Raul tenta tomar o terreno de uma comunidade onde vive a família de Pedro Fonseca (José Mayer), que retorna ao Brasil após anos no exterior e, com o apoio de Alice, lidera a resistência contra a desocupação. Paralelamente, Lídia Laport (Vera Fischer), mãe de Rodrigo (Fábio Assunção), aproxima-se de Raul em busca do luxo e do poder que ele representa, mas reencontra Pedro, seu antigo amor, e passa a se dividir entre o interesse material e os sentimentos do passado. Raul também se envolve com Cilene (Isadora Ribeiro), jovem ingênua que chega do interior em busca de novas oportunidades. Entre disputas por território, conflitos amorosos e confrontos de interesses, a novela aborda desigualdade social, abuso de poder, ambição e resistência diante das injustiças.
 
Leonor Bassères foi convidada por Ricardo Linhares para escrever ao seu lado a trama de “Meu Bem Querer” (2003), na faixa das 19h. Ambientada na pequena cidade nordestina de São Tomás de Trás, o folhetim apresenta uma comunidade dominada por Custódia (Marília Pêra), mulher autoritária que controla a vida dos moradores e mantém uma disputa constante com Tonha da Pamonha (Arlete Salles). O poder da matriarca também interfere nos relacionamentos da cidade, enquanto seu irmão Inácio (Nuno Leal Maia) vive um romance com Ava Maria Gardner (Ângela Vieira), por quem Martinho (José Mayer), seu melhor amigo, é secretamente apaixonado. Após a morte de Inácio, Verena (Lília Cabral) retorna ao Brasil para reivindicar sua herança e enfrenta Custódia, enquanto Rebeca (Alessandra Negrini) e Lívia (Flávia Alessandra) disputam o amor de Antônio (Murilo Benício). A revelação de que Antônio e Juliano (Leonardo Brício) são irmãos e filhos de Inácio e Ava expõe um antigo crime de Custódia, que provocou um incêndio em um berçário para eliminar os herdeiros e ficar com a fortuna da família. O domínio da vilã chega ao fim quando Jorgete (Rosi Campos), cansada de suas humilhações e consciente de seus próprios direitos sobre a herança, decide matá-la.
 
Depois de sete anos afastada da TV, Leonor Bassères foi convidada novamente por Gilberto Braga para escrever sua próxima novela para o horário nobre, “Celebridade”. A novela acompanha Maria Clara Diniz (Malu Mader), que se torna famosa ainda jovem quando a música “Musa do Verão”, composta por seu namorado Wagner Lopes, transforma sua imagem em um fenômeno de sucesso. No dia do casamento, porém, Wagner é morto por Ubaldo Quintela (Gracindo Júnior), que o acusa de ter roubado a canção. Após a tragédia, Maria Clara reconstrói a vida e se torna uma poderosa empresária do entretenimento, passando a agenciar artistas e produzir shows. Próxima de Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana), dono de um grupo de comunicação, ela enfrenta a oposição do jornalista Renato Mendes (Fábio Assunção) e vê sua vida pessoal mudar com a chegada de Beatriz (Deborah Evelyn), filha de Lineu, cujo casamento com Fernando Amorim (Marcos Palmeira) entra em crise quando ele se aproxima da empresária. Maria Clara também passa a ser perseguida por Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), jovem obcecada por sua trajetória que se infiltra em sua vida com o objetivo de tomar seu lugar. A partir da rivalidade entre as duas, a trama desenvolve uma narrativa marcada por fama, ambição, poder e pela disputa em torno da imagem e do sucesso no universo do entretenimento.
 
Celebridade” foi o último trabalho de Leonor Bassères na televisão. Ao longo de sua carreira, a autora construiu uma trajetória singular, que começou na literatura infanto-juvenil e passou pelo jornalismo, pela crítica literária, pelo ensino de línguas e pela atuação como ghost-writer, antes de encontrar na teledramaturgia um novo campo de expressão. Sua parceria com Gilberto Braga tornou-se um dos vínculos profissionais mais importantes de sua carreira e se estendeu por diversas novelas de sucesso. Bassères também conquistou espaço como autora titular, e sua produção televisiva revelou uma escritora versátil, capaz de transitar por diferentes gêneros e conflitos, com especial interesse por relações de poder, ambição, desigualdade, disputas familiares e dilemas morais. Bassères encerrou uma trajetória de quase duas décadas na televisão, deixando uma contribuição importante para a construção de algumas das tramas mais marcantes da teledramaturgia brasileira.
 
TRABALHOS DE LEONOR BASSÈRES NO SBT
 
Novela        
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Mico Preto
14/11/1994
09/06/1995
179
19h30
Autora principal
 
 
COMO AUTORA
 
Novela        
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
13/02/1995
06/10/1995
203
21h15
Autora
O Dono do Mundo
16/02/1998
02/10/1998
197
21h15
Autora
Pátria Minha
16/04/2001
07/12/2001
203
21h15
Autora
Meu Bem Querer
17/02/2003
12/09/2003
179
19h30
Autora
12/07/2010
25/03/2011
221
21h15
Autora
 
 
COMO COLABORADORA
 
Novela        
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Brilhante
25/07/1988
20/01/1989
155
21h15
Colaboradora
Louco Amor
15/01/1990
20/07/1990
161
21h15
Colaboradora
Corpo a Corpo
26/08/1991
20/03/1992
179
21h15
Colaboradora

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