Ana Maria
Coelho Moretzsohn (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1947) é uma
escritora e autora de telenovelas brasileira, mãe do ator Guga Coelho, da escritora Patrícia Moretzsohn e do ator e diretor Alexandre Moretzsohn. Em 1989, foi
contratada pelo SBT para atuar como colaboradora.
“Direito de Amar” (1990) marcou o
primeiro contato da autora com o universo das telenovelas, como colaboradora de
Walther Negrão na faixa das 18h, em um melodrama de época ambientado no
início do século XX que explora casamento por interesse, honra familiar e
segredos ocultos. A trama gira em torno de Rosália Medeiros (Glória
Pires), jovem obrigada pelo pai, Augusto (Edney Giovenazzi),
a se casar para saldar uma dívida com o poderoso banqueiro Francisco de
Montserrat (Carlos Vereza), decisão que provoca o conflito moral de Leonor
(Esther Góes) e leva Rosália a se apaixonar por Adriano de Montserrat
(Lauro Corona), médico idealista que desconhece ser filho do próprio
noivo imposto. O romance proibido se entrelaça a um mistério central envolvendo
Bárbara Cavalcanti de Montserrat (Ítala Nandi), dada como morta,
e Joana Cavalcanti (Ítala Nandi), supostamente louca e mantida em
reclusão, farsa que começa a ruir com a investigação do Dr. Jorge Ramos
(Carlos Zara), antigo rival de Francisco. Entre jogos de poder, identidade
trocada, chantagens e disputas amorosas, a novela constrói um retrato crítico
da elite autoritária, contrapondo desejo individual, ética médica e opressão
social em um enredo marcado por revelações tardias e consequências
irreversíveis.
Na sequência, a autora colaborou em “Bambolê”
(1990), novela de Daniel Más também exibida às 18h, que desloca o foco
para o Rio de Janeiro de 1958 e observa transformações de costumes a partir de
uma estrutura familiar em choque com valores conservadores. No centro está Álvaro
Galhardo (Cláudio Marzo), viúvo falido, boêmio e afetuoso com as
filhas Ana (Myrian Rios), Yolanda (Thaís de Campos)
e Cristina (Carla Marins), cuja educação liberal desperta a
hostilidade da cunhada Fausta (Joana Fomm). A chegada de Marta
Ribeiro (Susana Vieira), mulher desquitada e mãe de Murilo (Maurício
Mattar) e do pequeno Tavinho (Felipe Fonseca), intensifica os
conflitos de classe, moral e desejo, ao mesmo tempo em que romances cruzados,
rivalidades femininas e ambições sociais redesenham o destino dos personagens.
Enquanto Ana vive um triângulo entre Luís Fernando (Paulo Castelli)
e o empreiteiro Nestor (Rubens de Falco), Cristina manipula
situações para satisfazer sua inveja, e Yolanda se envolve com Murilo, a
narrativa discute liberdade feminina, hipocrisia social e a fragilidade das
relações afetivas em um Brasil que ensaia modernidade, mas ainda carrega
estruturas patriarcais rígidas.
Após um afastamento pessoal, a autora retornou
como colaboradora em “O Salvador da Pátria” (1995), primeira experiência
na faixa das 21h, ao lado de Lauro César Muniz, em uma novela que
mistura sátira política, drama social e thriller policial. A história acompanha
a ascensão improvável de Sassá Mutema, (Lima Duarte), boia-fria
ingênuo transformado em bode expiatório por uma armação do deputado Severo
Blanco (Francisco Cuoco), que tenta ocultar seu adultério com Marlene
(Tássia Camargo). Acusado injustamente de assassinato, Sassá ganha apoio
popular, especialmente da professora Clotilde (Maitê Proença), e
acaba manipulado por diferentes forças políticas até conquistar uma posição
própria de poder. Paralelamente, a trama expõe uma complexa rede de corrupção,
narcotráfico e disputas de influência envolvendo figuras como o radialista Juca
Pirama (Luis Gustavo), a fazendeira Marina Sintra (Betty
Faria), a ambígua Bárbara Telles (Lúcia Veríssimo) e o piloto
João Matos, depois Miro Ferraz (José Wilker), vítima de
uma conspiração criminosa. Ao acompanhar a trajetória de um homem comum lançado
ao centro do jogo político, a novela questiona moralismo, populismo e a
fabricação de heróis, revelando como poder e violência se articulam nos
bastidores da vida pública brasileira.
Enquanto ainda colaborava em “O Salvador da
Pátria”, Ana Maria estreou como autora titular ao lado de Ricardo
Linhares e Maria Carmem Barbosa no horário das 19h com “Lua Cheia
de Amor” (1995), releitura de “Dona Xepa” (1980), que desloca o foco
para o melodrama popular urbano e para o retrato das desigualdades sociais a
partir de Genuína Miranda, a Dona Genu (Marília Pêra),
ambulante batalhadora abandonada pelo marido Diego (Francisco Cuoco),
mas que insiste em esperar seu retorno enquanto sustenta sozinha os filhos Rodrigo
(Roberto Battaglin) e Mercedes (Isabela Garcia). A
dedicação absoluta da mãe contrasta com a vergonha que ambos sentem de sua
origem humilde: Rodrigo, aspirante a cineasta, afasta-se ainda mais de Genu ao
iniciar uma ascensão profissional e se envolve com mulheres que representam
status e liberdade, como Rutinha (Silvia Bandeira), enquanto
Mercedes revela ambição extrema ao tentar ascender socialmente por meio de um
casamento de conveniência com Douglas Jordão (Rodolfo Bottino),
sem saber que ele também esconde a própria falência. O núcleo dos Souto Maia
amplia o debate sobre aparência, dinheiro e hipocrisia social, com Laís (Susana
Vieira), obcecada por prestígio; Conrado (Cláudio Cavalcanti)
à frente de uma poderosa agência de publicidade; o inconformismo de Augusto (Maurício
Mattar) diante do destino de herdeiro; e o drama íntimo de Isabela (Drica
Moraes), marcada por baixa autoestima e chantagem. Em paralelo, o amor
silencioso de Túlio (Geraldo Del Rey) por Genu passa
despercebido, até que o reaparecimento de Diego sob a identidade de Estebán
Garcia reconfigura afetos, expõe feridas antigas e coloca em xeque o ideal
de sacrifício materno, fazendo da novela um estudo sobre dignidade, ilusão
social e o custo emocional da ascensão em um mundo que valoriza mais as
aparências do que os vínculos afetivos.
Em 1996, Ana Maria emplacou sua primeira novela
no horário das 21h ao lado de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares
com “Tieta” (1996), livre adaptação do romance “Tieta do Agreste”,
de Jorge Amado, que mistura melodrama, sátira social e erotismo para
desmontar o moralismo do interior nordestino. A história parte da expulsão de Tieta
(Claudia Ohana) de Santana do Agreste, escorraçada pelo pai autoritário Zé
Esteves (Sebastião Vasconcelos) sob a influência da filha mais
velha, a amarga Perpétua (Adriana Canabrava), episódio que a leva
a fugir para São Paulo e a reconstruir a própria vida longe da hipocrisia
local. Vinte e cinco anos depois, ela retorna transformada em Antonieta
Esteves (Betty Faria), rica, exuberante e decidida a confrontar os
fantasmas do passado, desestabilizando uma cidade que chega a celebrar uma
missa em sua memória por acreditá-la morta. Sua presença expõe interesses
ocultos, recalca desejos e inverte hierarquias, sobretudo na relação com a
própria Perpétua (Joana Fomm), símbolo do conservadorismo
repressivo. O reencontro com figuras como Osnar (José Mayer),
sedutor que nunca a esqueceu, Ascânio Trindade (Reginaldo Faria),
idealista que aposta no progresso, e Tonha (Yoná Magalhães),
mulher simples marcada pela violência doméstica, amplia o retrato de uma
comunidade presa entre tradição e modernização, tema reforçado pela polêmica
instalação de uma fábrica poluidora na região. Entre vingança íntima, desejo
feminino, crítica ambiental e exposição das elites locais, a novela transforma
o retorno da protagonista em um acerto de contas coletivo, usando humor ácido e
personagens caricatos para revelar contradições sociais profundas.
Escrita novamente em parceria com Aguinaldo
Silva e Ricardo Linhares, “Pedra Sobre Pedra” (1998) se passa
na fictícia Resplendor, na Chapada Diamantina, onde a rivalidade histórica
entre as famílias Pontes e Batista estrutura um melodrama atravessado por
disputas políticas, paixões interditadas e elementos de realismo fantástico. A
trama tem início com o rompimento traumático do casamento de Murilo Pontes
(Nelson Baskerville) e Pilar Farias (Cláudia Scher),
quando ela abandona o noivo no altar ao acreditar que ele engravidara sua
melhor amiga, Eliane (Carla Marins), decisão que desencadeia uma
cadeia de vinganças e alianças cruzadas. Pilar se casa com o rival Jerônimo
Batista (Felipe Camargo) e tem Marina (Adriana Esteves),
enquanto Murilo se une a Hilda (Andréa Murucci), com quem tem Leonardo
(Maurício Mattar), seguindo carreira política em Brasília. Com a morte
de Eliane no parto, Pilar cria a filha da amiga, rebatizando-a com o mesmo
nome, gesto que reforça temas de culpa, reparação e identidade. Vinte e cinco
anos depois, o retorno de Murilo (Lima Duarte) a Resplendor
reaquece o embate ao tentar lançar Leonardo como prefeito, plano que colide com
a ascensão de Marina e com o romance secreto entre os dois jovens, herdeiros de
um amor mal resolvido do passado. Esse conflito central se amplia com a
presença de Cândido Alegria (Armando Bógus), personagem ambíguo
que ascendeu socialmente por meio do crime, nutre obsessão por Pilar (Renata
Sorrah) e disputa o poder local com o apoio da ambiciosa Eliane, sem saber
que é seu pai, além de núcleos paralelos marcados por desejo, fanatismo
religioso e transgressão, como o do fotógrafo Jorge Tadeu (Fábio
Júnior), dos ciganos liderados por Yago (Humberto Martins) e
da beata Gioconda Pontes (Eloísa Mafalda). Ao articular
rivalidade familiar, amor interditado, ambição política e sobrenatural, a
novela constrói um retrato simbólico de um sertão onde passado e presente se
chocam, transformando ressentimentos íntimos em disputas públicas pelo controle
da memória e do poder.
Em “Fera Ferida” (2000), escrita para o
horário das 21h novamente em parceria com Aguinaldo Silva e Ricardo
Linhares, a vingança e a cobiça estruturam uma fábula política inspirada no
universo de Lima Barreto, ambientada na fictícia Tubiacanga. A trama se
inicia quando o prefeito Feliciano Mota da Costa (Tarcísio Meira)
convence a população da existência de ouro na cidade ao exibir uma falsa
pepita, contando com o apoio do Major Emiliano Bentes (Lima Duarte),
do Professor Praxedes (Juca de Oliveira) e de Numa Pompílio de
Castro (Hugo Carvana), golpe que leva os moradores a entregarem suas
economias e termina em revolta popular, fuga e assassinato do casal Feliciano,
enterrado pelo próprio filho, Feliciano Júnior (Diogo Bandeira).
Quinze anos depois, o sobrevivente retorna sob a identidade de Raimundo
Flamel (Edson Celulari), figura enigmática que promete transformar
ossos humanos em ouro e desperta a ambição coletiva, usando essa farsa
alquímica como instrumento para destruir os poderosos responsáveis pela
tragédia familiar, em especial o prefeito corrupto Demóstenes Massaranduba
(José Wilker) e o autoritário Major Bentes. Nesse jogo de manipulação e
acerto de contas, cruzam-se intrigas políticas e afetivas, como o triângulo
entre Demóstenes, a fogosa redatora de discursos Rubra Rosa (Susana
Vieira) e o vereador traído Numa Pompílio, além do romance entre Linda
Inês (Giulia Gam), filha do prefeito, e Raimundo, sem que ela saiba
que ele é o antigo namorado de infância dado como morto. O passado retorna
ainda na figura de Salustiana Maria (Joana Fomm), que chantageia
o Major exigindo o reconhecimento do filho Cassi Jones (Marcos Winter),
enquanto rivalidades, farsas públicas e desejos privados expõem uma cidade
movida pela ganância e pela hipocrisia, na qual a vingança se transforma em
espetáculo e a crença no ouro revela menos uma promessa de riqueza do que a
fragilidade moral de Tubiacanga.
Em “Esplendor” (2003), sua estreia como
autora solo no horário das 18h, Ana Maria ambienta a trama no fim dos anos 1950
e constrói um melodrama de inspiração gótica, dialogando com “A Bela e a Fera” ao articular
identidade trocada, culpa, desejo e redenção. Na fictícia cidade sulista de
Esplendor, o industrial milionário Frederico Berger (Floriano Peixoto)
vive recluso na Vivenda do Sombrio, marcado pela morte da esposa Elisa (Ângela
Figueiredo) em um acidente aéreo ocorrido após uma discussão do casal,
tragédia que lhe deixou uma cicatriz no rosto, pesadelos constantes e um
temperamento autoritário que intimida todos ao redor, inclusive o filho pequeno
Gui (Thiago de Los Reyes), menino silencioso que diz ver o
espírito da mãe. É nesse ambiente opressivo que chega Flávia Cristina (Letícia
Spiller), jovem determinada que foge do Rio de Janeiro após acreditar ter
cometido um crime para proteger o irmão Bruno (Caio Blat) e acaba
assumindo a identidade de Flávia Regina (Christine Fernandes),
moça idêntica a ela que entra em coma depois de um acidente de ônibus a caminho
do emprego como governanta na mansão. Enquanto tenta sobreviver à farsa e ao
assédio do ambicioso Cristóvão Rocha (Murilo Benício), Flávia
Cristina se aproxima da frágil Adelaide Berger (Cássia Kiss),
irmã afetuosa de Frederico, e conquista a confiança da família, despertando no
industrial um amor que o confronta com o luto e a dureza que o definem.
Paralelamente, ressentimentos antigos alimentam a intriga, como o ódio de Olga
Norman (Joana Fomm), professora de piano dos Berger, que
responsabiliza Frederico pela morte do filho e se alia a Cristóvão em um plano
de vingança, tensão que se intensifica quando Flávia Regina desperta do coma
disposta a desmascarar a usurpadora. Entre fantasmas do passado, paixões
obsessivas e jogos de identidade, a novela investiga como o amor pode tanto
revelar feridas profundas quanto oferecer a possibilidade de transformação.
Em “Estrela-Guia” (2004), Ana Maria
propõe uma trama contemporânea e curta, concebida como experimento narrativo,
que contrapõe a lógica competitiva da vida urbana aos valores coletivos de uma
comunidade alternativa, apostando na conciliação entre esses dois mundos. A história
gira em torno do reencontro entre Tony (Guilherme Fontes), um
executivo workaholic moldado pelo mercado financeiro, e Cristal (Sandy),
jovem criada na comunidade Arco da Aliança, fundada no interior de Goiás por
seus pais, Hanuman (Marcos Winter) e Kalinda (Maitê
Proença), ex-hippies que renunciaram ao consumo e às posses em nome do
altruísmo e da harmonia espiritual. Órfã aos 17 anos, Cristal vai morar no Rio
de Janeiro sob a tutela do padrinho, que não via havia quinze anos, e o choque
entre a sensibilidade idealista da menina, vista como “estrela-guia” do grupo,
e o pragmatismo exausto de Tony desencadeia um romance inesperado, marcado por
culpa, diferença de idade e questionamentos morais. O conflito se amplia com a
presença da fútil e possessiva Vanessa (Carolina Ferraz),
namorada de Tony, disposta a usar dinheiro e influência para afastar a rival,
aliando-se à ambiciosa Daphne Pimenta (Lília Cabral), que deseja
expulsar a comunidade de Jagatah para explorar economicamente as terras,
utilizando o próprio filho, Carlos Charles (Rodrigo Santoro),
como instrumento de manipulação. Entre disputas afetivas, interesses econômicos
e debates sobre espiritualidade, tecnologia e egoísmo, a novela defende a
possibilidade de um novo modelo de convivência, sintetizado no projeto de Tony
e Cristal de transformar Jagatah em uma fazenda moderna sem abrir mão dos
princípios coletivos, em uma narrativa de apenas 83 capítulos que buscou
dialogar com temas geracionais e utópicos às vésperas do novo milênio.
“Sabor da Paixão” (2005), sétima novela
de Ana Maria Moretzsohn como autora titular, é uma comédia romântica de tom
realista ambientada entre o Rio de Janeiro e Portugal, que estrutura sua
narrativa como um conto de fadas contemporâneo em que gastronomia, música e
dança funcionam como elementos dramáticos centrais. A trama acompanha Diana
Coelho (Letícia Spiller), jovem ligada à rotina familiar do bar Flor
do Douro, na Lapa, que, após a morte trágica do pai, Miguel (Lima
Duarte), assume responsabilidades adultas e parte em busca de terras
herdadas em Portugal como única saída para a crise financeira da família. Nesse
percurso, ela conhece Alexandre Paixão (Luigi Baricelli), um bon
vivant ligado a um vinhedo português, por quem se apaixona intensamente,
rompendo com o noivado estável que mantinha no Brasil. O romance é atravessado
por um conflito clássico, já que as terras reivindicadas por Diana estão
ocupadas por Zenilda Paixão (Arlete Salles), mãe de Alexandre,
figura autoritária que concentra o antagonismo da história. A partir de
disputas familiares, choques culturais, segredos domésticos e personagens
pitorescos da Lapa e do interior português, a novela articula temas como
herança, pertencimento, amadurecimento e conciliação entre tradição e desejo
individual, usando o universo sensorial da comida e do vinho como metáfora para
afeto, memória e identidade.
Após uma passagem de cinco anos por outras
emissoras, Ana Maria Moretzsohn retornou ao SBT em 2011 para escrever a 19ª
temporada de “Malhação”, intitulada “Conectados”, que introduziu
o realismo fantástico como eixo dramático ao acompanhar Gabriel (Caio
Paduan), jovem intuitivo que mantém o blog “Além da Intuição” e
passa a vivenciar coincidências inquietantes ligadas ao número 1046,
tensionando os limites entre razão, pressentimento e acaso. Recém-chegado ao
Rio de Janeiro, ele divide apartamento com Babi (Marcella Rica) e
Cristal (Thaís Melchior), ocupando o antigo quarto de Alexia
(Bia Arantes), estudante marcada pela morte do namorado Douglas (Pierre
Baitelli) e que encontra novo sentido ao atuar como voluntária na
Comunidade dos Anjos, onde se envolve afetivamente com Moisés (Alejandro
Claveaux), gerente da ONG. As tramas juvenis se entrelaçam a conflitos de
classe, preconceito e ética quando Gabriel entra em choque com Betão (Lucas
Cordeiro), jovem de classe média ligado a uma rede de relações que inclui Ziggy
(Felipe Haiut) e Natália (Carla Salle), enquanto o blog se
torna catalisador de encontros, rivalidades e ameaças reais. Ao incorporar
espiritualidade, vida digital e engajamento social, a temporada amplia o
universo da novela para além do colégio, tratando de luto, responsabilidade
coletiva e do impacto das escolhas individuais em um mundo hiperconectado.
Em 2012, foi escalada pelo SBT para
supervisionar o texto de Rosane Svartman e Glória Barreto na 20ª
temporada de “Malhação”, intitulada “Intensa como a Vida”, um
recorte vibrante da juventude que usa o cotidiano escolar como ponto de partida
para discutir amizade, amor, identidade e escolhas morais. No centro da trama
está o triângulo afetivo entre Lia (Alice Wegmann), Ju (Agatha
Moreira) e Dinho (Guilherme Prattes), três vizinhos e alunos
do Colégio Quadrante que veem a amizade ser colocada à prova quando o desejo
entra em cena. Ao redor deles surgem personagens que evidenciam as contradições
desse universo, como Orelha (David Lucas), que transforma a
intimidade dos colegas em espetáculo por meio de um diário virtual, e Fatinha
(Juliana Paiva), que usa o próprio carisma para ganhar popularidade e
vantagens, trazendo à tona temas como exposição, ética e pertencimento. Fora da
escola, o Misturama funciona como ponto de encontro e espaço de transição
geracional, comandado por Nando (Léo Jaime), um roqueiro dos anos
80 que precisa rever seu estilo de vida ao enfrentar uma doença. Seus conflitos
com a ex-mulher Tizinha (Vanessa Lóes), a namorada Bárbara
(Maria Paula) e a vizinha Marcela (Danielle Winits)
ampliam o alcance da narrativa. Tramas paralelas, como o romance secreto entre Mário
(Eduardo Galvão) e Alice (Carla Marins), pais de Dinho,
reforçam o olhar para além do universo adolescente. O resultado é um retrato
intenso das relações humanas, em que amadurecer significa lidar com
frustrações, consequências e escolhas difíceis.
Em 2013, Ana Maria Moretzsohn retornou como
autora titular em “Malhação: Casa Cheia”, escrita em parceria com sua
filha, Patrícia Moretzsohn, cuja trama gira em torno da união de duas
famílias em um casarão no Grajaú, onde Ronaldo (Tuca Andrada) e Vera
(Isabela Garcia) buscam realizar o sonho de reunir seus filhos de
relacionamentos anteriores. Anita (Bianca Salgueiro) apoia a mãe
na nova fase, enquanto Sofia (Hanna Romanazzi), filha também de
Vera, resiste à mudança, criando conflitos que se intensificam com a
interferência da vizinha Maura (Alexandra Richter), interessada
em tomar o imóvel. A juventude se destaca no foco dado à ambiciosa Giovana
(Bruna Griphao), aspirante a rock star que divide a paixão pela música
com o amigo Guilherme (Matheus Costa), enquanto seu pai João
Luiz (Erom Cordeiro) tenta controlá-lo. Paralelamente, Benjamim
(Gabriel Falcão), que cresceu nos Estados Unidos, retorna ao Brasil em
busca de seus objetivos, despertando interesse em Anita e Sofia, sem que eles
possam se conhecer a fundo inicialmente. A narrativa explora temas como a
reconstrução familiar, os desafios das relações afetivas e a luta por
identidade entre gerações, inserida em um cenário que mescla tensões sociais e
aspirações pessoais no contexto carioca.
Ana Maria passou cinco anos afastada das
novelas até ser convidada por Ricardo Linhares para integrar sua equipe
de roteiristas em “Saramandaia” (2019), releitura da obra clássica de Dias
Gomes exibida originalmente em 1976, que transforma a fictícia cidade de
Bole-Bole em palco de uma disputa política tão absurda quanto simbólica,
centrada no desejo de parte da população de mudar o nome do município, liderada
pelos irmãos João Gibão (Sérgio Guizé), um homem que guarda asas,
e o prefeito Lua Viana (Fernando Belo), contra os
Tradicionalistas comandados pelo conservador Coronel Zico Rosado (José
Mayer), defensor ferrenho da memória local. Enquanto esse embate expõe
temas como identidade, poder, tradição e progresso, a narrativa mergulha de vez
no realismo fantástico ao apresentar figuras como Dona Redonda (Vera
Holtz), que explode de tanto comer, Tibério Vilar (Tarcísio Meira),
que criou raízes ao se isolar do mundo, Seu Cazuza (Marcos Palmeira),
prestes a cuspir o próprio coração quando se emociona, Marcina (Chandelly
Braz), que entra em combustão ao sentir desejo, e o Professor Aristóbulo
(Gabriel Braga Nunes), um lobisomem insone, usando o exagero como
ferramenta crítica. Nesse cenário retorna Vitória Vilar (Lilia Cabral),
empresária bem-sucedida que volta à cidade após ficar viúva para reparar erros
do passado e tentar pôr fim à rivalidade entre os Vilar e os Rosado, conflito
marcado por perdas irreparáveis e pela figura de Candinha Rosado (Fernanda
Montenegro). O reencontro entre Vitória e Zico reabre uma paixão
interrompida pela herança de ódio entre as famílias, fazendo com que
sentimentos soterrados, segredos antigos e ressentimentos mal resolvidos venham
à tona, reforçando a proposta da obra de usar o insólito para falar, de forma
mordaz e política, sobre afetos, intolerância e os ciclos de violência que
atravessam gerações.
Em 2020, Ana Maria Moretzsohn optou por não
renovar seu contrato com o SBT, encerrando um vínculo profissional iniciado em
1989 e marcado por diferentes fases de atuação na emissora, como colaboradora,
autora titular e supervisora de texto. Ao longo dessa trajetória, contribuiu de
forma consistente para a teledramaturgia brasileira, participando de obras que
dialogaram com o melodrama clássico, a sátira política, o realismo fantástico e
o retrato social, tanto em produções voltadas ao público adulto quanto juvenil.
Sua escrita destacou-se pela atenção aos conflitos morais, às relações
familiares, às disputas de poder e às tensões entre tradição e transformação,
colaborando para a diversidade temática e estética das novelas exibidas pelo
SBT. A decisão de não renovar o contrato representou o encerramento de um ciclo
profissional relevante, consolidando uma participação duradoura e plural na
história da emissora e da televisão brasileira.
NOVELAS DE ANA
MARIA MORETZSOHN NO SBT
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Lua Cheia de Amor
|
12/06/1995
|
19/01/1996
|
191
|
19h30
|
Autora principal
|
|
13/05/1996
|
27/12/1996
|
197
|
21h15
|
Autora principal
|
|
|
Pedra Sobre Pedra
|
05/10/1998
|
30/04/1999
|
179
|
21h15
|
Autora principal
|
|
Fera Ferida
|
14/08/2000
|
13/04/2001
|
209
|
21h15
|
Autora principal
|
|
Esplendor
|
28/04/2003
|
19/09/2003
|
125
|
18h15
|
Autora principal
|
|
Estrela-Guia
|
07/06/2004
|
10/09/2004
|
83
|
18h15
|
Autora principal
|
|
Sabor da Paixão
|
26/12/2005
|
16/06/2006
|
149
|
18h15
|
Autora principal
|
|
Malhação: Conectados
|
07/11/2011
|
19/10/2012
|
250
|
13h45
|
Autora principal
|
|
Malhação: Casa Cheia
|
09/09/2013
|
15/08/2014
|
245
|
13h45
|
Autora principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Direito de Amar
|
14/05/1990
|
30/11/1990
|
173
|
18h15
|
Colaboradora
|
|
Bambolê
|
03/12/1990
|
21/06/1991
|
173
|
18h15
|
Colaboradora
|
|
O Salvador da Pátria
|
09/10/1995
|
10/05/1996
|
185
|
21h15
|
Colaboradora
|
|
Malhação: Intensa
|
22/10/2012
|
06/09/2013
|
230
|
13h45
|
Supervisora
|
|
07/01/2019
|
22/03/2019
|
55
|
22h30
|
Autora
|
REPRISES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
11/01/2021
|
11/06/2021
|
131
|
16h45
|
Autora principal
|

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.