domingo, 28 de outubro de 2012

BOSCO BRASIL


Bosco José Lopes Rebello da Fonseca Brasil (Sorocaba, 27 de março de 1960) é dramaturgo, roteirista e escritor brasileiro, reconhecido como um dos principais nomes da dramaturgia contemporânea do país. Formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), construiu uma carreira marcada pela versatilidade, transitando com destaque entre o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um autor interessado em narrativas que conciliam densidade dramática, refinamento literário e reflexão sobre a sociedade brasileira, características que lhe renderam prestígio tanto junto à crítica quanto ao público.
 
Bosco Brasil iniciou sua carreira profissional na década de 1980 como autor de radionovelas, escrevendo para o projeto A Grande Novela Gessy Lever, integrante da iniciativa Radiocriatividade, que buscava revitalizar a linguagem radiofônica no Brasil. Nesse período, também produziu e dirigiu séries em áudio para a Rádio Enigma e escreveu peças radiofônicas exibidas pela Rádio Eldorado, experiências que contribuíram para o desenvolvimento de sua habilidade na construção de diálogos, personagens e narrativas essencialmente apoiadas na força da palavra e da interpretação sonora.
 
Sua atuação no teatro ganhou ainda mais projeção em 1994, quando assumiu a direção artística do Teatro de Câmara de São Paulo, instituição da qual foi um dos fundadores. À frente do projeto, participou ativamente da valorização da dramaturgia nacional e do incentivo à produção de novos espetáculos, reforçando seu compromisso com a renovação da cena teatral brasileira e com a difusão de textos contemporâneos.
 
No ano seguinte, criou a Caliban Editorial, responsável pelo lançamento da coleção Teatro Brasileiro de Bolso, iniciativa voltada à publicação e circulação da dramaturgia contemporânea brasileira. Paralelamente, consolidou sua carreira como dramaturgo ao escrever peças que se destacaram pela combinação entre crítica social, humor, suspense e investigação psicológica. Entre seus principais trabalhos estão “Esquina dos Otários” (1983), “Jornal das Sombras” (1986), “Morto não Assina” (1993), “Qualquer um de Nós” (1996), “Os Coveiros” (1998), remontada em 2008 com o título “Abelardo e Berilo”, “Novas Diretrizes em Tempos de Paz” (2001), “Corações Encaixotados” (2006), “Blitz” (2006), “Cem Gramas de Dentes” (2007), “Cheiro de Chuva” (2008) e “Longe da Vista Chinesa” (2009), entre outras obras que evidenciam a diversidade temática e a consistência de sua produção dramatúrgica.
 
Foi contratado pelo SBT em 1999 e, no ano seguinte, colaborou pela primeira vez em uma novela da emissora para o autor Alcides Nogueira, assinando “O Amor Está no Ar”, exibida no horário das seis. Ambientada na fictícia Ouro Velho, a novela acompanhava Sofia (Betty Lago), viúva que assumia os negócios da família e enfrentava a oposição da sogra e de parentes interessados em afastá-la do comando. Enquanto se apaixonava pelo piloto Léo (Rodrigo Santoro), vivia um conflito ao descobrir que sua filha Luísa (Natália Lage) também o amava. Paralelamente, outros romances e mistérios, como a suposta experiência extraterrestre de Luísa, movimentavam a trama.
 
Em seguida, sem descanso, Bosco Brasil foi convidado por Maria Adelaide Amaral para coescrever o remake da novela “Anjo Mau” (2000) no horário das seis, originalmente exibida em 1980 e criada por Cassiano Gabus Mendes. A trama acompanhava Nice (Glória Pires), uma jovem ambiciosa que, inconformada com a pobreza, consegue emprego como babá na mansão da família Medeiros e passa a manipular todos ao seu redor para conquistar Rodrigo (Kadu Moliterno), irmão de sua patroa, Stela (Maria Padilha). Para afastar os obstáculos entre os dois, Nice arma intrigas, provoca o fim do noivado de Rodrigo com Paula (Alessandra Negrini) e interfere até no romance dele com Lígia (Lavínia Vlasak), enquanto enfrenta uma relação conturbada com a mãe adotiva, Alzira (Regina Dourado), que guarda um importante segredo sobre seu passado. Paralelamente, a novela desenvolvia conflitos envolvendo preconceito racial, diferenças de classe e a decadência de tradicionais famílias paulistanas, ampliando o universo da narrativa para além da história central.
 
Quatro anos depois, Bosco Brasil juntou-se a Sílvio de Abreu como coautor da novela das nove “Torre de Babel” (2005). A trama acompanhava José Clementino (Tony Ramos), que, após cumprir pena por assassinar a esposa ao flagrá-la em adultério, deixava a prisão decidido a se vingar de César Toledo (Tarcísio Meira), o ex-patrão cujo testemunho foi decisivo para sua condenação. Enquanto planejava destruir o sofisticado shopping Tropical Tower, símbolo do poder econômico construído por César, a novela também mergulhava nos conflitos da influente família Toledo. O empresário enfrentava uma crise em seu casamento com Marta (Glória Menezes), reencontrava a antiga paixão Lúcia (Natália do Valle) e tentava lidar com os problemas dos filhos Guilherme (Marcello Antony), Henrique (Edson Celulari) e Alexandre (Marcos Palmeira). Paralelamente, Sandrinha (Adriana Esteves), filha de José Clementino, buscava escapar da pobreza utilizando Alexandre para ascender socialmente, enquanto carregava as marcas da tragédia que destruiu sua família.
 
Bosco Brasil voltou a trabalhar com Sílvio de Abreu como coautor da novela das sete “As Filhas da Mãe” (2006). A história começava na década de 1960, quando Lucinda Maria Barbosa (Fernanda Montenegro) era obrigada a abandonar os três filhos após ser chantageada pelo marido, Fausto Cavalcante (Francisco Cuoco), que simulava sua morte. Anos depois, reinventada como a premiada diretora de arte Lulu de Luxemburgo, ela retornava ao Brasil para tentar reconstruir os laços com Alessandra (Bete Coelho), Tatiana (Andréa Beltrão) e Ramona (Cláudia Raia), que havia passado por uma transição de gênero, ao mesmo tempo em que o desaparecimento de Fausto desencadeava uma disputa pelo controle do resort Jardim do Éden. Enquanto as irmãs enfrentavam as armações do ambicioso Adriano (Thiago Lacerda), descobriam a existência de Rosalva (Regina Casé), filha que Fausto tivera fora do casamento e herdeira de uma fortuna desconhecida por ela. Paralelamente, os conflitos também envolviam a família de Arthur Brandão (Raul Cortez), antigo amor de Lucinda, e o empresário Manolo Gutierrez (Tony Ramos), ampliando a rede de interesses, rivalidades e alianças em torno da herança e do poder. Marcada pelo humor irreverente e pelo exagero característico de Sílvio de Abreu, a novela discutia identidade, relações familiares, preconceitos e a possibilidade de recomeçar a vida mesmo após décadas de separação.
 
Bosco Brasil permaneceu no SBT até o término de seu contrato, em 2007, quando optou por não renová-lo. Nos anos seguintes, desenvolveu projetos em outras emissoras e ampliou sua atuação na televisão, antes de retornar ao SBT, em 2012, levando consigo um novo argumento de novela.
 
Em 2014, escreveu sua primeira novela como autor titular na faixa das sete. “Tempos Modernos” foi uma comédia dramática contemporânea ambientada no centro de São Paulo, tendo como principal cenário o Titã, um edifício inteligente idealizado pelo empresário Leal Cordeiro (Antônio Fagundes), um homem de origem humilde que construiu um império e passou a defender um modelo de vida pautado pelo controle e pela tecnologia. A rotina do edifício se transforma com a reaproximação de Hélia (Eliane Giardini), antigo amor de Leal e defensora de valores opostos aos dele, reacendendo um romance interrompido pelo tempo. Enquanto os dois enfrentam divergências pessoais e familiares, seus filhos Nelinha (Fernanda Vasconcellos) e Zeca (Thiago Rodrigues) vivem uma história de amor ameaçada pela oposição de Nara (Priscila Fantin). Paralelamente, Regeane (Vivianne Pasmanter) torna-se alvo das armações de Albano (Guilherme Weber) e Deodora (Grazi Massafera), interessados na fortuna de Leal, ao mesmo tempo em que Otto Niemann (Marcos Caruso), antigo amigo do empresário, retorna disposto a destruir o rival por antigas mágoas. Ambientada em um espaço onde tecnologia e vigilância interferem constantemente na vida cotidiana, a novela refletia sobre a relação entre homem e máquina, os limites da segurança privada e seus impactos sobre a liberdade individual, sem deixar de explorar os vínculos afetivos entre pais e filhos, irmãos, casais e amigos.
 
Apesar da expectativa em torno de sua estreia como autor titular, “Tempos Modernos” não alcançou o desempenho esperado de audiência e recebeu críticas divididas por sua narrativa, encerrando sua trajetória sem repetir o êxito de outros trabalhos dos quais Bosco Brasil havia participado. Após o fim da novela, o autor decidiu não renovar seu contrato com o SBT, encerrando sua segunda passagem pela emissora. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como um dramaturgo de linguagem sofisticada e versátil, capaz de transitar entre o teatro, o rádio e a televisão, colaborando com alguns dos principais autores da dramaturgia brasileira antes de desenvolver uma obra própria. Seja em adaptações, parcerias ou textos autorais, demonstrou interesse por narrativas que articulavam conflitos humanos, questões sociais e relações familiares, construindo uma trajetória marcada pela diversidade de gêneros, pela experimentação e pela constante busca por novas possibilidades dramáticas.
 
NOVELAS DE BOSCO BRASIL NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
07/07/2014
09/01/2015
161
19h30
Autor principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
O Amor Está no Ar
26/06/2000
01/12/2000
137
18h15
Colaborador
04/12/2000
22/06/2001
173
18h15
Autor
21/02/2005
14/10/2005
203
21h15
Autor
As Filhas da Mãe
20/02/2006
14/07/2006
125
19h30
Autor

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