Bosco
José Lopes Rebello da Fonseca Brasil (Sorocaba, 27 de
março de 1960) é dramaturgo, roteirista e escritor brasileiro, reconhecido como
um dos principais nomes da dramaturgia contemporânea do país. Formado pela
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP),
construiu uma carreira marcada pela versatilidade, transitando com destaque
entre o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Ao longo de sua trajetória,
consolidou-se como um autor interessado em narrativas que conciliam densidade
dramática, refinamento literário e reflexão sobre a sociedade brasileira,
características que lhe renderam prestígio tanto junto à crítica quanto ao
público.
Bosco Brasil iniciou
sua carreira profissional na década de 1980 como autor de radionovelas,
escrevendo para o projeto A Grande Novela Gessy Lever, integrante da
iniciativa Radiocriatividade, que buscava revitalizar a linguagem
radiofônica no Brasil. Nesse período, também produziu e dirigiu séries em áudio
para a Rádio Enigma e escreveu peças radiofônicas exibidas pela Rádio
Eldorado, experiências que contribuíram para o desenvolvimento de sua
habilidade na construção de diálogos, personagens e narrativas essencialmente
apoiadas na força da palavra e da interpretação sonora.
Sua atuação no teatro
ganhou ainda mais projeção em 1994, quando assumiu a direção artística do
Teatro de Câmara de São Paulo, instituição da qual foi um dos fundadores. À
frente do projeto, participou ativamente da valorização da dramaturgia nacional
e do incentivo à produção de novos espetáculos, reforçando seu compromisso com
a renovação da cena teatral brasileira e com a difusão de textos
contemporâneos.
No ano seguinte,
criou a Caliban Editorial, responsável pelo lançamento da coleção Teatro
Brasileiro de Bolso, iniciativa voltada à publicação e circulação da
dramaturgia contemporânea brasileira. Paralelamente, consolidou sua carreira
como dramaturgo ao escrever peças que se destacaram pela combinação entre
crítica social, humor, suspense e investigação psicológica. Entre seus
principais trabalhos estão “Esquina dos Otários” (1983), “Jornal das Sombras” (1986), “Morto não Assina” (1993), “Qualquer um de Nós” (1996), “Os Coveiros” (1998), remontada em 2008 com o título “Abelardo
e Berilo”, “Novas Diretrizes em
Tempos de Paz” (2001), “Corações
Encaixotados” (2006), “Blitz” (2006), “Cem Gramas de Dentes” (2007), “Cheiro de Chuva” (2008) e “Longe da Vista Chinesa” (2009), entre outras obras que evidenciam a diversidade temática e a
consistência de sua produção dramatúrgica.
Foi contratado pelo SBT em 1999 e, no ano
seguinte, colaborou pela primeira vez em uma novela da emissora para o autor Alcides
Nogueira, assinando “O Amor Está no Ar”, exibida no horário das
seis. Ambientada na fictícia Ouro Velho, a novela acompanhava Sofia (Betty
Lago), viúva que assumia os negócios da família e enfrentava a oposição da
sogra e de parentes interessados em afastá-la do comando. Enquanto se
apaixonava pelo piloto Léo (Rodrigo Santoro), vivia um conflito
ao descobrir que sua filha Luísa (Natália Lage) também o amava.
Paralelamente, outros romances e mistérios, como a suposta experiência
extraterrestre de Luísa, movimentavam a trama.
Em seguida, sem descanso, Bosco Brasil foi
convidado por Maria Adelaide Amaral para coescrever o remake da novela “Anjo
Mau” (2000) no horário das seis, originalmente exibida em 1980 e criada por
Cassiano Gabus Mendes. A trama acompanhava Nice (Glória Pires),
uma jovem ambiciosa que, inconformada com a pobreza, consegue emprego como babá
na mansão da família Medeiros e passa a manipular todos ao seu redor para
conquistar Rodrigo (Kadu Moliterno), irmão de sua patroa, Stela
(Maria Padilha). Para afastar os obstáculos entre os dois, Nice arma
intrigas, provoca o fim do noivado de Rodrigo com Paula (Alessandra
Negrini) e interfere até no romance dele com Lígia (Lavínia
Vlasak), enquanto enfrenta uma relação conturbada com a mãe adotiva, Alzira
(Regina Dourado), que guarda um importante segredo sobre seu
passado. Paralelamente, a novela desenvolvia conflitos envolvendo preconceito
racial, diferenças de classe e a decadência de tradicionais famílias
paulistanas, ampliando o universo da narrativa para além da história central.
Quatro anos depois, Bosco Brasil juntou-se a Sílvio
de Abreu como coautor da novela das nove “Torre de Babel” (2005). A
trama acompanhava José Clementino (Tony Ramos), que, após cumprir
pena por assassinar a esposa ao flagrá-la em adultério, deixava a prisão
decidido a se vingar de César Toledo (Tarcísio Meira), o
ex-patrão cujo testemunho foi decisivo para sua condenação. Enquanto planejava
destruir o sofisticado shopping Tropical Tower, símbolo do poder
econômico construído por César, a novela também mergulhava nos conflitos da
influente família Toledo. O empresário enfrentava uma crise em seu casamento
com Marta (Glória Menezes), reencontrava a antiga paixão Lúcia
(Natália do Valle) e tentava lidar com os problemas dos filhos Guilherme
(Marcello Antony), Henrique (Edson Celulari) e Alexandre
(Marcos Palmeira). Paralelamente, Sandrinha (Adriana Esteves),
filha de José Clementino, buscava escapar da pobreza utilizando Alexandre para
ascender socialmente, enquanto carregava as marcas da tragédia que destruiu sua
família.
Bosco Brasil voltou a trabalhar com Sílvio
de Abreu como coautor da novela das sete “As Filhas da Mãe” (2006).
A história começava na década de 1960, quando Lucinda Maria Barbosa (Fernanda
Montenegro) era obrigada a abandonar os três filhos após ser chantageada
pelo marido, Fausto Cavalcante (Francisco Cuoco), que simulava
sua morte. Anos depois, reinventada como a premiada diretora de arte Lulu de
Luxemburgo, ela retornava ao Brasil para tentar reconstruir os laços com Alessandra
(Bete Coelho), Tatiana (Andréa Beltrão) e Ramona (Cláudia
Raia), que havia passado por uma transição de gênero, ao mesmo tempo em que
o desaparecimento de Fausto desencadeava uma disputa pelo controle do resort
Jardim do Éden. Enquanto as irmãs enfrentavam as armações do ambicioso Adriano
(Thiago Lacerda), descobriam a existência de Rosalva (Regina
Casé), filha que Fausto tivera fora do casamento e herdeira de uma fortuna
desconhecida por ela. Paralelamente, os conflitos também envolviam a família de
Arthur Brandão (Raul Cortez), antigo amor de Lucinda, e o
empresário Manolo Gutierrez (Tony Ramos), ampliando a rede de
interesses, rivalidades e alianças em torno da herança e do poder. Marcada pelo
humor irreverente e pelo exagero característico de Sílvio de Abreu, a
novela discutia identidade, relações familiares, preconceitos e a possibilidade
de recomeçar a vida mesmo após décadas de separação.
Bosco Brasil permaneceu no SBT até o término de
seu contrato, em 2007, quando optou por não renová-lo. Nos anos seguintes,
desenvolveu projetos em outras emissoras e ampliou sua atuação na televisão,
antes de retornar ao SBT, em 2012, levando consigo um novo argumento de novela.
Em 2014, escreveu sua primeira novela como
autor titular na faixa das sete. “Tempos Modernos” foi uma comédia
dramática contemporânea ambientada no centro de São Paulo, tendo como principal
cenário o Titã, um edifício inteligente idealizado pelo empresário Leal
Cordeiro (Antônio Fagundes), um homem de origem humilde que
construiu um império e passou a defender um modelo de vida pautado pelo
controle e pela tecnologia. A rotina do edifício se transforma com a
reaproximação de Hélia (Eliane Giardini), antigo amor de Leal e
defensora de valores opostos aos dele, reacendendo um romance interrompido pelo
tempo. Enquanto os dois enfrentam divergências pessoais e familiares, seus
filhos Nelinha (Fernanda Vasconcellos) e Zeca (Thiago
Rodrigues) vivem uma história de amor ameaçada pela oposição de Nara
(Priscila Fantin). Paralelamente, Regeane (Vivianne Pasmanter)
torna-se alvo das armações de Albano (Guilherme Weber) e Deodora
(Grazi Massafera), interessados na fortuna de Leal, ao mesmo tempo em
que Otto Niemann (Marcos Caruso), antigo amigo do empresário,
retorna disposto a destruir o rival por antigas mágoas. Ambientada em um espaço
onde tecnologia e vigilância interferem constantemente na vida cotidiana, a
novela refletia sobre a relação entre homem e máquina, os limites da segurança
privada e seus impactos sobre a liberdade individual, sem deixar de explorar os
vínculos afetivos entre pais e filhos, irmãos, casais e amigos.
Apesar da expectativa em torno de sua estreia
como autor titular, “Tempos Modernos” não alcançou o desempenho esperado
de audiência e recebeu críticas divididas por sua narrativa, encerrando sua
trajetória sem repetir o êxito de outros trabalhos dos quais Bosco Brasil havia
participado. Após o fim da novela, o autor decidiu não renovar seu contrato com
o SBT, encerrando sua segunda passagem pela emissora. Ao longo de sua carreira,
consolidou-se como um dramaturgo de linguagem sofisticada e versátil, capaz de
transitar entre o teatro, o rádio e a televisão, colaborando com alguns dos
principais autores da dramaturgia brasileira antes de desenvolver uma obra
própria. Seja em adaptações, parcerias ou textos autorais, demonstrou interesse
por narrativas que articulavam conflitos humanos, questões sociais e relações
familiares, construindo uma trajetória marcada pela diversidade de gêneros,
pela experimentação e pela constante busca por novas possibilidades dramáticas.
NOVELAS DE BOSCO BRASIL NO SBT
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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07/07/2014
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09/01/2015
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161
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19h30
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Autor principal
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OUTRAS FUNÇÕES
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Novela
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Estreia
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Término
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Cap.
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Horário
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Função
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O Amor Está no Ar
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26/06/2000
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01/12/2000
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137
|
18h15
|
Colaborador
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04/12/2000
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22/06/2001
|
173
|
18h15
|
Autor
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|
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21/02/2005
|
14/10/2005
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203
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21h15
|
Autor
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As Filhas da Mãe
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20/02/2006
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14/07/2006
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125
|
19h30
|
Autor
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