domingo, 28 de outubro de 2012

MARIA ADELAIDE AMARAL


Maria Adelaide Almeida Santos do Amaral nasceu em 1º de julho de 1942, na cidade do Porto, em Portugal. Aos 12 anos, em 1954, mudou-se com a família para o Brasil e passou a viver em São Paulo, cidade que se tornaria fundamental em sua trajetória pessoal e profissional. A chegada ao país foi acompanhada por uma realidade de dificuldades econômicas que a levou a trabalhar ainda muito jovem. Para contribuir com as despesas familiares, atuou em uma fábrica de roupas e, posteriormente, exerceu diferentes atividades profissionais, entre elas as de escriturária e bancária. Essas experiências em diferentes ambientes de trabalho proporcionaram à futura escritora um contato direto com pessoas de diferentes origens e condições sociais, contribuindo para a formação de um olhar atento às relações humanas e às situações cotidianas. Antes de se dedicar integralmente à literatura e à dramaturgia, também buscou espaço no jornalismo, área que se aproximava de seu crescente interesse pela escrita e pela observação da realidade. Em 1970, ingressou na Editora Abril, onde trabalhou como redatora até 1986. O período na editora foi importante para sua formação profissional, permitindo-lhe desenvolver ainda mais o domínio da linguagem escrita e ampliar seu contato com diferentes temas, estilos e formas de comunicação.
 
Sua estreia como dramaturga ocorreu em meados da década de 1970, com “Resistência”, peça inspirada no episódio de demissão de funcionários de uma empresa em São Paulo. Desde esse primeiro trabalho, Maria Adelaide Amaral demonstrava interesse por situações concretas da vida social e profissional, transformando acontecimentos aparentemente cotidianos em matéria dramática. A peça evidencia uma preocupação com os conflitos provocados pelas relações de trabalho e pelas mudanças que interferem diretamente na vida dos indivíduos, característica que se tornaria recorrente em sua produção. Em 1976, escreveu “Bodas de Papel”, obra que representou um importante momento de afirmação de sua carreira teatral. A peça recebeu amplo reconhecimento da crítica e foi contemplada com diversos prêmios, entre eles o Molière, o Ziembinski, o Governador do Estado e o da Associação Paulista de Críticos de Arte, na categoria de melhor autor nacional. O reconhecimento obtido por “Bodas de Papel” consolidou Maria Adelaide Amaral como uma dramaturga de destaque e demonstrou sua capacidade de construir textos em que os conflitos pessoais se relacionam com questões mais amplas da sociedade.
 
Em 1978, Maria Adelaide Amaral concluiu o curso de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, formalizando uma formação que dialogava diretamente com sua experiência profissional e com sua vocação para a escrita. Paralelamente ao trabalho jornalístico e à produção literária, continuou desenvolvendo uma expressiva carreira no teatro, tornando-se autora de mais de 14 obras. Entre seus trabalhos destacam-se “Chiquinha Gonzaga”, “De Braços Abertos” e “Querida Mamãe”, peças que receberam reconhecimento e importantes premiações, incluindo o Prêmio Molière de melhor autor nacional. Sua dramaturgia caracteriza-se pela atenção às relações afetivas, familiares e sociais, frequentemente colocando em primeiro plano personagens atravessados por conflitos, desejos, frustrações e transformações. Ao explorar essas experiências individuais, a autora também constrói um retrato de seu tempo, observando as mudanças de comportamento e os diferentes modos de relacionamento presentes na sociedade.
 
Em meados da década de 1980, Maria Adelaide Amaral ampliou sua atuação para a literatura com a publicação de seu primeiro romance, “Luísa: Quase uma História de Amor”. A obra marcou sua estreia como romancista e reafirmou seu interesse pela construção de personagens complexos e pela exploração das relações humanas. O livro alcançou reconhecimento da crítica e recebeu o Prêmio Jabuti de 1986, uma das mais importantes distinções da literatura brasileira. A conquista representou um momento significativo em sua trajetória, demonstrando que sua capacidade de criação não estava restrita ao palco e que sua escrita também encontrava força e expressividade na narrativa literária. A partir dessa estreia, Maria Adelaide Amaral passou a transitar com maior amplitude entre diferentes formas de criação, mantendo, contudo, uma característica central de sua produção: o interesse pela experiência humana e pela maneira como indivíduos e relações são transformados pelo tempo e pelas circunstâncias.
 
Após “Luísa: Quase uma História de Amor”, a autora continuou desenvolvendo sua produção literária e publicou obras como “Aos Meus Amigos”, “Dercy de Cabo a Rabo”, “O Bruxo” e “Coração Solitário”, este último voltado ao público infantojuvenil. A diversidade desses trabalhos evidencia sua versatilidade como escritora e sua capacidade de explorar diferentes personagens, temas e registros narrativos. Ao longo dessa primeira etapa de sua carreira, marcada pelo jornalismo, pelo teatro e pela literatura, Maria Adelaide Amaral construiu uma obra profundamente ligada à observação da realidade e às relações entre os indivíduos. Sua experiência profissional, desde os trabalhos exercidos ainda jovem até sua atuação na Editora Abril, somada à formação jornalística e à experiência como dramaturga, contribuiu para a construção de uma autora cuja escrita encontra nas experiências humanas, nos conflitos cotidianos e nas transformações sociais uma fonte permanente de inspiração.
 
Começou a escrever para a televisão no SBT, em 1986, como colaboradora de Lauro César Muniz na novela “Os Gigantes”, com direção de Jardel Mello. Na trama, a jornalista Paloma Gurgel (Dina Sfat) retorna à sua cidade natal, Pilar, para acompanhar o irmão gêmeo Fred (Pádua Moreira), que entra em coma após uma cirurgia cerebral. Antes da operação, ele pede que Paloma interrompa seu tratamento caso sua recuperação se torne impossível. Diante do agravamento de seu estado, ela desliga um dos aparelhos que o mantêm vivo e passa a responder por eutanásia, provocando uma batalha judicial com a cunhada Veridiana (Susana Vieira), que perde o marido e o filho que esperava. O caso também interfere na vida amorosa dos envolvidos: Paloma reencontra os antigos amigos Fernando Lucas (Tarcísio Meira) e Chico Rubião (Francisco Cuoco), ambos apaixonados por ela, enquanto Fernando vive uma crise no casamento com Vânia (Joana Fomm) e Chico rompe o noivado com Helena (Vera Fischer). A repercussão do caso aumenta com a chegada do repórter Polaco (Lauro Corona), que vai a Pilar investigar a denúncia acompanhado da veterinária Renata (Lídia Brondi), cuja aproximação com Fernando acrescenta novos conflitos. A decisão de Paloma transforma uma questão familiar em um intenso debate moral e judicial sobre eutanásia, compaixão e direito à vida, afetando também os relacionamentos daqueles envolvidos no caso.
 
Apenas dez anos depois Maria Adelaide Amaral retornou aos roteiros para TV, ao ser convidada por Marcílio Moraes para escrever junto com ele os capítulos de “Sonho Meu” (1996), na faixa das 18h. A novela acompanha Cláudia Lins (Patrícia França), que se muda para Curitiba para escapar do marido violento, Geraldo (José de Abreu), e reconstruir a própria vida. Depois de perder a guarda da filha, Maria Carolina (Carolina Pavanelli), a menina é deixada em um orfanato e encontra proteção no artesão Roman Mazurgski, o Tio Zé (Elias Gleizer), que se afeiçoa a ela sem saber que sofre de uma grave doença. Enquanto tenta recuperar a filha e garantir seu tratamento, Cláudia se envolve com os irmãos Lucas (Leonardo Vieira) e Jorge (Fábio Assunção). O amor de Lucas por ela desperta o ciúme de Jorge, que passa a agir para separá-los. Para garantir os cuidados de Maria Carolina, Cláudia oficializa a união com Lucas ainda casada com Geraldo e acaba acusada de bigamia, além de continuar sendo perseguida pelo ex-marido. Ao mesmo tempo, Jorge descobre que não é um legítimo Candeias de Sá, mas foi colocado no lugar do neto morto da família, revelação que o aproxima de sua mãe biológica, Mariana (Débora Duarte). Entre a luta pela filha, as disputas amorosas e os segredos que envolvem a família Candeias de Sá, a novela desenvolve conflitos de identidade, pertencimento, ciúme e ambição.
 
Maria Adelaide Amaral se dedicou a dois projetos ao mesmo tempo quando, três meses após a estreia de “Sonho Meu”, também passou a escrever ao lado de Sílvio de Abreu a novela “Deus nos Acuda” (1997), exibida às 19h. Celestina (Dercy Gonçalves), o anjo responsável pelo Brasil, recebe de Deus a missão de transformar, sem interferir no livre-arbítrio, um cidadão brasileiro em alguém mais honesto, digno e trabalhador. Para cumprir a tarefa, ela escolhe Maria Escandalosa (Cláudia Raia), uma jovem trambiqueira que vive na pensão de Dona Armênia (Aracy Balabanian) e é filha de Tomás (Jorge Dória). Depois de salvá-la de uma explosão, Celestina passa a acompanhar sua vida na Terra, sem que Maria saiba que está sendo vigiada. A jovem se envolve com o milionário Ricardo (Edson Celulari), filho de Otto Bismark (Francisco Cuoco), um homem acusado de matar as próprias esposas. A suspeita leva Baby Bueno (Glória Menezes), cunhada de Otto, a retornar ao Brasil para investigar as acusações contra ele, mas ela encontra a oposição de Elvira (Marieta Severo), secretária do milionário e secretamente apaixonada por ele. Com sua premissa fantástica e seu núcleo marcado por trapaças, relações amorosas e conflitos familiares, a novela desenvolve uma narrativa que coloca a missão de Celestina em choque com as escolhas e contradições de seus personagens, especialmente com a tentativa de transformar Maria sem violar sua liberdade de decidir o próprio destino.
 
Quatro meses depois, foi convidada por Cassiano Gabus Mendes para escrever “Meu Bem, Meu Mal” (1997) às 21h. O rico empresário Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte), sócio majoritário da Venturini Designers, é obrigado a conviver com Ricardo (José Mayer), filho de sua falecida mulher com outro homem e dono de trinta por cento das ações da empresa. A relação entre os dois é marcada pela hostilidade, mas Ricardo mantém um romance secreto com Isadora (Silvia Pfeifer), viúva de Cláudio (Herson Capri), filho de Dom Lázaro. A situação ganha novos conflitos quando Patrícia (Adriana Esteves), filha de Felipe (Armando Bógus), decide se aproximar de Ricardo para vingar a ruína do pai, embora acabe apaixonada por ele. Isadora também se torna alvo de Mimi Toledo (Ísis de Oliveira), antiga paixão de Cláudio, e de Berenice (Nívea Maria), que pretende vingá-la pela humilhação sofrida por sua filha Fernanda (Lídia Brondi). Para atingir Isadora, Berenice recorre a Doca (Cássio Gabus Mendes), um homem pobre que assume a identidade do falso milionário Eduardo Costabrava e se infiltra na alta sociedade para seduzir Vitória Venturini (Lizandra Souto), filha de Isadora. A partir dessas relações, o folhetim constrói seus conflitos sobre heranças, ressentimentos, vinganças e segredos familiares, fazendo com que interesses econômicos e sentimentos amorosos se misturem continuamente.
 
No mesmo ano, decidiu embarcar novamente com Cassiano Gabus Mendes em “O Mapa da Mina” (1997), às 19h, apenas dois meses após a estreia da última novela. A história parte do roubo de dez milhões de dólares em diamantes no Uruguai, após o qual Ivo Simeoni (Paulo José) esconde as pedras preciosas em São Paulo e tatua um mapa do esconderijo nas costas de uma menina para não esquecer o local. Anos depois, pouco antes de morrer, Ivo revela o segredo ao filho Rodrigo (Cássio Gabus Mendes), que segue a pista e descobre que a jovem é Elisa (Carla Marins), uma noviça prestes a fazer os votos perpétuos. Quando ela deixa o convento, os dois se aproximam, mas passam a ser perseguidos por diferentes interessados nas pedras, incluindo Rodolfo (Mauro Mendonça), antigo comparsa de Ivo e agora um industrial falido, e o policial Raul (Tato Gabus Mendes). A disputa também envolve Wanda (Malu Mader), uma mulher ardilosa que se apaixona por Rodrigo e precisa decidir a quem entregará os diamantes caso consiga encontrá-los, ao mesmo tempo em que enfrenta a influência de seus irmãos, Toni (Luís Gustavo) e Joe (Pedro Paulo Rangel), dois mafiosos atrapalhados. A busca pelas pedras movimenta uma sucessão de interesses, alianças e disputas amorosas, fazendo do segredo escondido no corpo de Elisa o ponto de convergência de personagens movidos pela ambição, pela paixão e pelo desejo de colocar as mãos na fortuna desaparecida.
 
Em 1999, Maria Adelaide Amaral desenvolveu a sinopse de uma minissérie adaptando o livro “A Muralha”, romance histórico ufanista escrito por Dinah Silveira de Queiroz, lançado em 1954 em comemoração aos 400 anos da cidade de São Paulo. Sua trama celebra a coragem e a valentia de bandeirantes que desbravaram as fronteiras do país. A minissérie, de mesmo nome, estreou em janeiro de 2000, e foi escrita com o auxílio de João Emanuel Carneiro e Vincent Villari. Ambientada cerca de cem anos após a chegada de Pedro Álvares Cabral, a história se passa em meio ao conflito entre os bandeirantes paulistas, que avançam sobre novas terras e riquezas, e os indígenas e religiosos que resistem à sua expansão. Em Lagoa Serena, o bandeirante Dom Braz Olinto (Mauro Mendonça) vive com a família, entre eles Isabel (Alessandra Negrini), sua sobrinha criada junto aos indígenas e companheira nas expedições. Apaixonada pelo primo Tiago (Leonardo Brício), ela vê sua relação ameaçada pela chegada de Beatriz (Leandra Leal), que veio de Portugal para se casar com ele. Enquanto Rosália (Regiane Alves) desafia a família ao fugir com o aventureiro Bento Coutinho (Caco Ciocler), outro conflito se forma quando Don’Ana (Letícia Sabatella), judia refugiada da perseguição religiosa, é obrigada a se casar com o cruel Dom Jerônimo Taveira (Tarcísio Meira). A disputa por um veio de ouro e o assassinato do indígena Apingorá (André Gonçalves) ainda provocam uma violenta reação contra os Olinto, fazendo da luta por território, riqueza e sobrevivência o centro dos conflitos da minissérie.
 
Como autora principal, seu primeiro trabalho em novelas foi o remake de “Anjo Mau” (2000), exibido no horário das 18h e baseado na novela homônima escrita por Cassiano Gabus Mendes e transmitida pelo SBT em 1980. A história tem como protagonista Nice (Gloria Pires), babá ambiciosa e dissimulada que, apesar de ser vista pelos demais personagens como uma jovem humilde e ingênua, utiliza informações e intrigas para alcançar a ascensão social. Filha adotiva de Augusto (Cláudio Corrêa e Castro) e Alzira (Regina Dourado), ela se apaixona por Rodrigo (Kadu Moliterno), irmão de sua patroa Stela (Maria Padilha), e arma para afastá-lo da noiva Paula (Alessandra Negrini), que o trai com Ricardo (Leonardo Brício). A disputa pelo rapaz ainda envolve Lígia (Lavínia Vlasak), enquanto Nice enfrenta conflitos familiares relacionados ao passado de Alzira. A novela também desenvolve histórias sobre preconceito racial, como a de Cida (Léa Garcia), cuja filha Tereza (Luiza Brunet) esconde sua origem e vê o filho Bruno (Emílio Orciollo Netto) se envolver com Vivian (Taís Araújo), filha de criação de Cida. Em outro núcleo, as irmãs Clotilde (Beatriz Segall) e Elisinha (Ariclé Perez) tentam manter as aparências diante da decadência financeira da família, enquanto a costureira Goretti (Lília Cabral) cria sozinha a filha Simone (Samara Felippo) e reencontra Tadeu (Daniel Dantas), seu antigo companheiro e pai da menina. Ao colocar a trajetória de Nice em meio a diferentes conflitos familiares e sociais, a novela aborda ambição, preconceito, desigualdade e hipocrisia, mostrando como o desejo de ascensão pode ser alimentado pelas próprias estruturas de poder e pelas aparências da sociedade.
 
Em janeiro de 2001, o SBT lançou a segunda minissérie de Maria Adelaide Amaral, escrita e produzida no anterior: “Os Maias”, também escrita com João Emanuel Carneiro e Vincent Villari. Ambientada em Lisboa e tendo o tradicional Ramalhete como principal cenário, a história acompanha a trajetória de uma família marcada por amores frustrados, conflitos e tragédias. Pedro da Maia (Leonardo Vieira), filho de Afonso (Walmor Chagas), desafia a vontade do pai ao se casar com Maria Monforte (Simone Spoladore), mas o casamento desmorona quando ela foge com outro homem, levando a filha e deixando o pequeno Carlos Eduardo aos cuidados do pai. Após o suicídio de Pedro, Afonso cria o neto e o envia para estudar Medicina em Coimbra. Já adulto, Carlos (Fábio Assunção) retorna a Lisboa e se apaixona por Maria Eduarda (Ana Paula Arósio), uma mulher recém-chegada à cidade e envolta em mistérios sobre sua origem. O romance ganha a oposição de Afonso, que teme que o neto repita o destino trágico do pai. Paralelamente, João da Ega (Selton Mello) torna-se seu grande amigo, enquanto Teodorico Raposo (Matheus Nachtergaele), conhecido por sua devoção religiosa, leva uma vida dupla para tentar garantir a herança da tia Titi (Myrian Muniz). Conforme os segredos do passado vêm à tona, o amor de Carlos e Maria Eduarda passa a ameaçar a própria estrutura familiar, fazendo da minissérie um drama marcado por paixões proibidas, aparências sociais e tragédias que parecem atravessar gerações.
 
No final de 2001, voltou a escrever ao lado de Sílvio de Abreu para a novela “A Próxima Vítima”. No centro da história está Ana Carvalho (Susana Vieira), dona de uma pizzaria na Mooca e amante há vinte anos de Marcelo Rossi (José Wilker), com quem tem três filhos. Casado por interesse com a rica Francesca Ferreto (Tereza Rachel), Marcelo também mantém um caso com Isabela (Cláudia Ohana), sobrinha de sua mulher e noiva de Diego (Marcos Frota). A descoberta desse triângulo ganha contornos trágicos quando Francesca é assassinada antes de conseguir flagrar o marido com a amante. Paralelamente, a estudante Irene (Vivianne Pasmanter) começa a investigar as mortes do pai, Hélio (Francisco Cuoco), e da tia Júlia (Glória Menezes). Os crimes parecem não ter relação, mas todas as vítimas recebem uma lista de horóscopo chinês antes de morrer. Enquanto o detetive Olavo (Paulo Betti) tenta desvendar a sequência de assassinatos, Irene percebe que existe uma ligação entre eles e passa a procurar não apenas o responsável pelos crimes, mas também quem será a próxima vítima. A investigação ainda se cruza com os conflitos da família Ferreto, marcada por disputas de poder, ressentimentos e segredos antigos. No fim, descobre-se que os assassinatos remontam à morte de Gigio di Angelis (Carlos Eduardo Dolabella), primeiro marido de Francesca, assassinado em 1968. Com diferentes relações pessoais convergindo para uma mesma cadeia de crimes, o folhetim transforma a investigação sobre o assassino em um retrato de famílias corroídas por interesses, traições e acontecimentos do passado que continuam produzindo consequências no presente.
 
Em 2003, Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão levaram para a televisão “A Casa das Sete Mulheres”, minissérie baseada no romance homônimo de Letícia Wierzchowski. Ambientada durante a Revolução Farroupilha, iniciada em 1835, a história se passa em meio à guerra entre os revolucionários rio-grandenses e o Império Brasileiro. Com a partida de Bento Gonçalves (Werner Schünemann) para o campo de batalha, sua família se refugia na Estância da Barra, onde Caetana (Eliane Giardini), sua mulher, permanece com os filhos e outras mulheres da família, entre elas Dona Maria (Nívea Maria) e suas três filhas, Rosário (Mariana Ximenes), Manuela (Camila Morgado) e Mariana (Samara Felippo). Longe dos combates, elas enfrentam a espera, o medo e as dificuldades provocadas pelo conflito, enquanto tentam manter vivos os vínculos com os homens que partiram para lutar. Manuela vive ainda o conflito entre seus sentimentos e a longa espera por Giuseppe Garibaldi (Thiago Lacerda), enquanto Rosário se envolve com o Capitão Estevão (Thiago Fragoso). A própria guerra também aproxima Garibaldi de Anita (Giovanna Antonelli), que abandona o casamento e decide acompanhá-lo em busca de uma vida de aventuras. Quando ataques e ameaças chegam à estância, o refúgio deixa de ser sinônimo de segurança e coloca aquelas mulheres diante dos perigos que seus homens enfrentam no campo de batalha. Vista a partir de suas experiências, a Revolução Farroupilha ganha uma dimensão íntima, marcada não apenas pelas disputas políticas e militares, mas também pelas privações, pelos afetos, pelas perdas e pela resistência de mulheres que precisam sustentar suas próprias vidas enquanto aguardam o desfecho de uma guerra que parece não ter fim.
 
Em 2004, Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, junto de Lúcio Manfredi, realizaram “Um Só Coração”, minissérie ambientada em São Paulo a partir da década de 1920. Em meio à transformação social e cultural da cidade, Yolanda Penteado (Ana Paula Arósio), uma jovem da elite cafeeira, apaixona-se por Martim (Erik Marmo), estudante de Medicina e simpatizante do movimento anarquista. A oposição de sua mãe, Guiomar (Cássia Kis), que deseja casá-la com o primo Fernão (Herson Capri), acaba afastando o casal. Mais tarde, depois de romper um casamento marcado pela traição, Yolanda conhece Ciccillo (Edson Celulari), com quem estabelece uma relação de admiração e parceria, especialmente no campo das artes. Paralelamente, a decadência da família Sousa Borba após a crise de 1929 conduz Maria Luísa (Letícia Sabatella) a um romance com o pintor anarquista Madiano Mattei (Ângelo Antônio), enquanto o conservador Coronel Totonho (Tarcísio Meira) tenta controlar os destinos dos filhos. A história ainda se entrelaça com nomes fundamentais da cultura brasileira, como Oswald de Andrade (José Rubens Chachá), Mário de Andrade (Pascoal da Conceição), Tarsila do Amaral (Eliane Giardini), Anita Malfatti (Betty Gofman) e Pagu (Míriam Freeland), acompanhando a efervescência artística que culminou na Semana de Arte Moderna de 1922. Assim, a minissérie articula romances, conflitos familiares e transformações políticas e culturais para retratar uma São Paulo em plena mudança, na qual as trajetórias pessoais de seus personagens se encontram com momentos decisivos da história brasileira.
 
A trajetória de Juscelino Kubitschek ganhou uma versão dramatizada em “JK” (2006), minissérie de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, escrita em parceria com Geraldo Carneiro. Filho de uma professora e de um caixeiro-viajante, Juscelino (Wagner Moura) cresceu em Diamantina enfrentando dificuldades financeiras depois da morte precoce do pai, João César (Fábio Assunção), vítima de tuberculose. Já em Belo Horizonte, o jovem estudante de Medicina conhece Sarah Lemos (Débora Falabella), moça de família tradicional por quem se apaixona, e os dois se casam depois que ele conclui uma especialização em Urologia em Paris. Médico dedicado, Juscelino atende pacientes ricos em seu consultório, mas mantém o compromisso com os mais pobres na Santa Casa. Sua carreira ganha novo impulso quando é nomeado chefe do Serviço de Urologia do Hospital Militar, com a patente de capitão-médico. É justamente nesse momento que decide entrar para a política, contrariando os planos de Sarah, que sempre temeu se tornar mulher de político. Na segunda fase, Juscelino (José Wilker) já aparece consolidado na vida pública, acompanhado por Sarah (Marília Pêra), enquanto sua trajetória se cruza com figuras e acontecimentos decisivos da política brasileira. Partindo de uma infância marcada pela dificuldade financeira até sua ascensão ao centro do poder, a minissérie transforma a trajetória pessoal de Juscelino em um retrato de sua formação política e do projeto de país que viria a defender.
 
Vinte anos depois de construírem uma amizade marcada por vínculos quase familiares, um grupo de amigos volta a se reunir em “Queridos Amigos” (2008), minissérie de Maria Adelaide Amaral baseada em seu romance “Aos Meus Amigos”. Ambientada em novembro de 1989, em um Brasil atravessado pela inflação e pela instabilidade econômica, a história acompanha Léo (Dan Stulbach), Flora (Aída Leiner), Lena (Débora Bloch), Ivan (Luiz Carlos Vasconcelos), Bia (Denise Fraga), Pedro (Bruno Garcia), Benny (Guilherme Weber), Vânia (Drica Moraes), Tito (Matheus Nachtergaele), Raquel (Maria Luísa Mendonça), Pingo (Joelson Medeiros), Rui (Tarcísio Filho) e Lúcia (Malu Galli), que se conheceram nos anos 1970, durante a ditadura militar, e construíram uma amizade intensa antes de se afastarem por causa de relacionamentos, divergências políticas e ressentimentos. O último encontro havia ocorrido no réveillon de 1980, e, quase uma década depois, Léo, enfrentando uma doença e a possibilidade da morte, decide reunir novamente os antigos amigos. O reencontro faz com que eles confrontem as mudanças ocorridas em suas vidas, as frustrações acumuladas e os ideais que compartilhavam na juventude, enquanto antigas paixões e afetos voltam à tona. A minissérie usa essa reunião para refletir sobre a passagem do tempo, a força dos vínculos construídos no passado e a dificuldade de preservar sonhos e convicções diante das transformações pessoais e sociais.
 
Somente doze anos depois, a autora decidiu retornar às novelas com o remake de “Ti Ti Ti” (2015) para o horário das 19h. A trama misturou núcleos da primeira versão, exibida em 1990, com duas tramas de “Plumas e Paetês”, de 1985, ambas novelas de Cassiano Gabus Mendes. De um lado, Ari (Murilo Benício) é um malandro que sonha enriquecer e encontra nos figurinos criados por Titia (Regina Braga), uma mulher desmemoriada que vive nas ruas, a oportunidade de assumir a identidade do espanhol Victor Valentim e ingressar no mundo da moda. Do outro, André Spina (Alexandre Borges) constrói uma carreira como o estilista Jacques Leclair e se torna seu principal rival. Os dois passam a disputar espaço, prestígio e reconhecimento no mercado da moda, em uma guerra de egos que também envolve seus filhos. Luti (Humberto Carrão), filho de Ari, e Walquíria (Juliana Paiva), filha de André, se apaixonam e precisam lidar com a rivalidade dos pais. Jaqueline (Cláudia Raia), por sua vez, torna-se assessora de Jacques e se apaixona por ele, mas encontra uma concorrente em Clotilde (Juliana Alves). Paralelamente, Marcela (Ísis Valverde) deixa Belo Horizonte grávida após ser acusada pelo namorado Renato (Guilherme Winter) de tentar aplicar um golpe. Em São Paulo, um acidente faz com que ela seja acolhida pela família de Osmar (Gustavo Leão), enquanto Edgar (Caio Castro), irmão do rapaz, inicialmente desconfia de suas intenções e depois se apaixona por ela. A disputa pelo domínio da moda e os conflitos sentimentais dos personagens dão à trama um movimento marcado por rivalidades, ambição, romances e diferentes formas de reinvenção pessoal.
 
Em 2017, formou parceria com Vincent Villari, seu colaborador em obras anteriores, para escrever sua primeira novela original na faixa das 19h. O desejo de se manter em evidência, de conquistar fama a qualquer custo, sem mérito e com o mínimo esforço, foi o tema central de “Sangue Bom”, trama que reuniu seis jovens ligados por diferentes relações amorosas: Bento (Marco Pigossi), florista por quem Giane (Isabelle Drummond) é apaixonada, mas que está interessado na it-girl Amora (Sophie Charlotte), noiva de Maurício (Jayme Matarazzo), por quem Malu (Fernanda Vasconcellos) nutre uma paixão. Já Fabinho (Humberto Carrão), marcado pela ambição e pelo egoísmo, retorna à capital depois de uma infância difícil em busca de seus pais biológicos e dos amigos que deixou para trás. A ligação entre os seis remonta à infância, quando Amora, Bento e Fabinho viveram juntos no lar de Gilson (Daniel Dantas) e Salma (Louise Cardoso), antes de seguirem caminhos diferentes. Adotada pela atriz Bárbara Ellen (Giulia Gam), Amora cresceu cercada pela fama e tornou-se apresentadora de TV e referência no mundo das tendências. Bento, por sua vez, construiu uma cooperativa de flores e manteve a vida distante do universo de celebridades que fascina Amora. A aproximação entre Malu e Bento muda o rumo dessas relações. Ao tentar ajudá-lo a reconquistar Amora, ela acaba se apaixonando por ele e passa a disputar seu amor com a própria irmã de criação. A partir desses encontros e desencontros, a narrativa contrapõe a busca incessante por reconhecimento à necessidade de afeto e pertencimento, colocando em choque aqueles que vivem para serem admirados e os que procuram encontrar valor nas relações que estabelecem.
 
Em 2022, Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari entregaram ao SBT a sinopse de uma novela a ser produzida para a faixa das 21h. A direção de dramaturgia da emissora aprovou a história, e ambos os atores foram promovidos ao horário mais nobre da TV. Em “A Lei do Amor”, Pedro (Chay Suede), filho do ambicioso empresário Fausto Leitão (Tarcísio Meira), apaixona-se por Helô (Isabelle Drummond), uma jovem pobre que sustenta os pais e enfrenta uma vida marcada por dificuldades. O romance, porém, nasce sob circunstâncias adversas. Fausto demite Jorge (Daniel Ribeiro), pai de Helô, que, desesperado, tenta assaltar a tecelagem e acaba preso e morto na prisão. O episódio desperta na jovem um profundo ressentimento contra Fausto, colocando seu amor por Pedro em conflito com o ódio que sente pelo pai dele. Magnólia (Vera Holtz), esposa de Fausto, percebe a aproximação dos dois e passa a manipular situações para separá-los, até conseguir afastar Pedro da cidade. Vinte anos depois, Pedro (Reynaldo Gianecchini) retorna a pedido do pai, que pretende revelar um segredo. Nesse intervalo, Helô (Cláudia Abreu) se casou com o poderoso empresário Tião Bezerra (José Mayer), enquanto Fausto chegou ao topo dos negócios, mas se tornou prisioneiro das próprias fraudes, alianças políticas e práticas corruptas. Arrependido do caminho que tomou, ele decide mudar de vida justamente quando seus inimigos passam a ameaçar sua sobrevivência. O reencontro com Helô reacende sentimentos que nunca desapareceram e coloca Pedro diante de uma tarefa ainda maior: recuperar o amor perdido e impedir que a corrupção de seu pai e de Magnólia continue afetando sua família e a própria cidade.
 
TRABALHOS DE MARIA ADELAIDE AMARAL NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
04/12/2000
22/06/2001
173
18h15
Autora principal
12/01/2015
11/09/2015
209
19h30
Autora principal
23/10/2017
27/04/2018
161
19h30
Autora principal
07/08/2023
02/02/2024
155
21h30
Autora principal
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Os Gigantes
30/06/1986
19/12/1986
149
21h15
Colaboradora
Sonho Meu
23/12/1996
08/08/1997
197
18h15
Autora
Deus nos Acuda
10/03/1997
03/10/1997
179
19h30
Autora
28/07/1997
13/02/1998
173
21h15
Autora
O Mapa da Mina
06/10/1997
13/03/1998
137
19h30
Autora
A Próxima Vítima
10/12/2001
02/08/2002
203
21h15
Autora
 
MINISSÉRIES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
A Muralha
04/01/2000
31/03/2000
52
23h00
Autora principal
Os Mais
09/01/2001
23/03/2001
44
23h00
Autora principal
A Casa das Sete Mulheres
07/01/2003
04/04/2003
52
23h00
Autora principal
Um Só Coração
06/01/2004
09/04/2004
56
23h00
Autora principal
JK
03/01/2006
24/03/2006
48
23h00
Autora principal
Queridos Amigos
19/02/2008
28/03/2008
24
23h00
Autora principal
 
REPRISES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
01/10/2018
15/02/2019
119
16h45
Autora principal
07/03/2022
19/08/2022
143
15h15
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2 comentários:

  1. gostaria de saber se foi escrito o 3 livro de o estudane pois tenho os dois primeiro egostaria muito de ler o terceiro

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  2. foi na epoca da minha adlescencia mas fico a parte final muito interessante agro dei pra minha neta e como fico maria adelaide do amaral a hisoria terminou no 3 livro

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