Ricardo
Linhares Godinho nasceu no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1962.
Filho do militar Coaraciara Brício
Godinho e da dona de casa Eliana
Linhares Godinho, passou parte da adolescência em Brasília,
acompanhando a transferência do pai para a capital federal, experiência que
ampliou seu repertório cultural antes de retornar ao Rio. De volta à cidade
natal, prestou vestibular para jornalismo e ingressou na Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), período em que consolidou o gosto pela escrita e pela
observação do cotidiano, elementos que mais tarde marcariam sua obra como
roteirista.
Desde jovem, Linhares
sonhava em ser escritor, embora duvidasse da possibilidade de viver da
literatura. Mesmo assim, manteve uma produção constante durante a faculdade,
escrevendo contos e peças de teatro e participando de concursos literários, nos
quais chegou a conquistar alguns prêmios. No jornalismo, teve uma passagem
breve como estagiário, mas logo percebeu que sua vocação estava na dramaturgia.
Antes dos 20 anos, iniciou carreira na TV Educativa, escrevendo para o
telecurso “Qualificação
Profissional”, experiência que lhe deu disciplina narrativa e
contato com uma linguagem mais direta e didática.
Em 1983, um ponto de
virada aconteceu ao participar de um curso ministrado pelo roteirista Doc Comparato na Casa de Artes
de Laranjeiras (CAL), tradicional celeiro de talentos da dramaturgia
brasileira. Pouco depois, foi convidado a integrar a equipe de roteiristas do
programa “Caso Verdade”, marcando sua estreia profissional na televisão. O programa, baseado em
relatos enviados por telespectadores, explorava dramas humanos inspirados em
histórias reais, e Linhares assinou episódios como “Vencer a
Vida” (1983), “Amar a
Vida” (1983), “Começando
a Vida” (1984) e “O Amor
Acontece na Vida” (1986), exercitando uma escrita voltada para
conflitos emocionais e personagens populares.
Em 1984, Ricardo
Linhares assinou seu primeiro trabalho como colaborador na minissérie “A Máfia no Brasil”, adaptação do livro
de Edson Magalhães e escrita por Leopoldo Serran, que mergulha no submundo do crime organizado a partir da história de Lucien (Reginaldo
Faria), um dos principais líderes da máfia em território
nacional, dividido entre a lealdade à organização e a paixão por Heloísa (Márcia
Porto), uma jovem de classe média que sonha ascender
socialmente. O romance proibido entre os dois funciona como motor dramático da
narrativa, expondo o choque entre ambição, amor e códigos implacáveis de honra
que regem a hierarquia criminosa. À medida que Lucien se afasta das obrigações
impostas pela máfia, a trama se encaminha para um desfecho trágico, marcado
pela punição exemplar da chamada “Lei”, em uma abordagem que mistura melodrama
e crítica social ao explorar o preço da desobediência dentro de estruturas de
poder rígidas e violentas.
No ano seguinte, o
autor voltou a colaborar em minisséries com “O Tempo e
o Vento” (1985), de Doc
Comparato, adaptação de “O Continente”, de Erico Veríssimo, que acompanha
várias gerações da família Terra Cambará em uma narrativa épica ambientada no
sul do Brasil. A trama é estruturada a partir das memórias de Bibiana (interpretada em diferentes
fases por Louise Cardoso, Lílian Lemmertz e Lélia Abramo), que revisita a trajetória de seus antepassados, começando pela força
solitária de Ana Terra (Glória Pires), mulher que enfrenta um mundo dominado por homens, e avançando até a
figura mítica do Capitão Rodrigo Cambará (Tarcísio Meira), símbolo de bravura e paixão. Ao longo das décadas, a história
acompanha disputas por terra, guerras regionais e transformações políticas que
moldam o destino da família, incluindo personagens marcantes como Bolívar (Daniel
Dantas) e Luzia (Carla Camuratti). Com trilha original de Tom Jobim e forte dimensão histórica, a minissérie combina drama familiar e
reconstrução de época, articulando memória, identidade e a formação do Brasil
como pano de fundo de uma saga que atravessa gerações.
Ricardo Linhares
participou de uma oficina de redatores de humor promovida pelo SBT e coordenada
por Paulo José, experiência
decisiva para ampliar seu domínio de linguagem e experimentar uma escrita mais
ágil e popular. A partir desse contato, passou a colaborar com o humorístico “Viva o Gordo” (1986), estrelado
por Jô Soares e considerado
um dos grandes sucessos da televisão brasileira nos anos 1980. No programa,
teve a oportunidade de exercitar o timing cômico, a construção de personagens
caricaturais e a dinâmica de esquetes rápidas, convivendo com um formato que
exigia criatividade constante e precisão na piada. Paralelamente, integrou a
equipe do “Teletema”, atração que herdava a estrutura do “Caso
Verdade”, mas com foco em histórias ficcionais, mais livres
do realismo documental. Ali, assinou episódios como “O Sequestro de Lauro Corona” (1986), inspirado em eventos que dialogavam com o imaginário popular da
época; “Esse Tal de Rock n Roll” (1986), que refletia o impacto da cultura jovem e musical; e “O Mistério das Esmeraldas” (1986),
trama de suspense que já apontava sua habilidade para narrativas mais
folhetinescas. Essa fase inicial não apenas consolidou sua versatilidade entre
drama e humor, como também lhe deu domínio de diferentes registros narrativos,
preparando o terreno para sua futura atuação na teledramaturgia de longa
duração.
A primeira experiência de Ricardo Linhares em
novelas veio nos anos 1990, após participar de um curso para novos autores da Casa
de Criação Janete Clair, quando passou a colaborar com Walther Negrão
em “Fera Radical” (1991), trama livremente inspirada na peça “A
Visita da Velha Senhora”, de Friedrich Dürrenmatt. A história
acompanha Cláudia (Malu Mader), uma jovem marcada pela memória da
chacina que exterminou sua família em uma disputa de terras quinze anos antes,
e que retorna à cidade de Rio Novo disposta a se vingar. Criada por Marta
(Laura Cardoso), que na verdade guarda um passado ligado aos próprios
inimigos da protagonista, ela se infiltra na poderosa família Flores, ligada ao
frigorífico que sustenta a economia local. Sob o disfarce de funcionária,
Cláudia passa a manipular as tensões internas do clã, formado pelo patriarca Altino
(Paulo Goulart), preso a uma cadeira de rodas desde a tragédia, sua
esposa desconfiada Joana (Yara Amaral) e os filhos, entre eles o
rústico Fernando (José Mayer), por quem a vingadora acaba se
apaixonando.
No mesmo ano, Ricardo Linhares colaborou com Gilberto
Braga na minissérie “Anos Rebeldes” (1992), produção que acompanha a
trajetória de um grupo de jovens ao longo do período que vai do golpe militar
de 1964 até a anistia de 1979, tendo como eixo central o romance entre Maria
Lúcia (Malu Mader) e João Alfredo (Cássio Gabus Mendes).
Filha de um jornalista comunista marcado pela militância, Maria Lúcia cresce
traumatizada pela ausência paterna e resiste a se envolver com João, estudante
engajado nas causas sociais e cada vez mais envolvido com a luta contra a
ditadura. O relacionamento dos dois se complica quando ele decide aderir à
militância política mais radical, enquanto o amigo Edgar (Marcelo
Serrado), menos ideológico, disputa o amor da jovem e acaba se tornando seu
marido. Paralelamente, a narrativa acompanha outros estudantes do tradicional
Colégio Pedro II, como Heloísa (Cláudia Abreu), que rompe com a
origem burguesa e se engaja na luta armada, expondo os custos humanos do
período.
Pouco mais de um ano depois, Aguinaldo Silva
convidou Linhares para colaborar em “O Outro” (1993), novela centrada no
encontro improvável entre dois homens fisicamente idênticos, Paulo Della
Santa e Denizard de Matos (ambos vividos por Francisco Cuoco),
mas pertencentes a universos sociais opostos. Enquanto Paulo é um empresário
milionário cercado por crises familiares e um casamento interesseiro com Laura
(Natália do Valle), Denizard leva uma vida simples como dono de um
ferro-velho, viúvo e pai dedicado da adolescente Zezinha (Cláudia
Abreu), mantendo um romance com Índia do Brasil (Yoná Magalhães).
Após um encontro casual seguido de uma explosão, Denizard perde a memória e é
confundido com Paulo, passando a viver no lugar do empresário sem saber quem
realmente é, o que desencadeia uma rede de manipulações, sobretudo por parte de
Laura e do ambicioso João Silvério (Miguel Falabella), que
percebem a troca e tentam tirar vantagem da situação. Paralelamente, a história
acompanha Glorinha da Abolição (Malu Mader), jovem de espírito
livre que vive em conflito com a mãe, Vilma (Arlete Salles), e
acaba se envolvendo emocionalmente com o homem que acredita ser Paulo,
intensificando o jogo de identidades trocadas.
Em 1995, promovido a autor titular na faixa das
19h, Ricardo Linhares escreveu “Lua Cheia de Amor” em parceria com Ana
Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa, em uma releitura moderna de
“Dona Xepa” (1980). A trama acompanha Genu Miranda (Marília
Pêra), uma vendedora ambulante expansiva e generosa que dedica a vida aos
filhos Rodrigo (Roberto Bataglin) e Mercedes (Isabela
Garcia), mas sofre com o desprezo deles, envergonhados de sua origem
humilde. Rodrigo, aspirante a cineasta, conquista reconhecimento e se distancia
cada vez mais da mãe, envolvendo-se com a sofisticada Rutinha (Sílvia
Bandeira), enquanto Mercedes busca ascensão social a qualquer custo,
aproximando-se de Douglas (Rodolfo Bottino), herdeiro de uma
família falida, em um jogo de interesses em que ambos fingem ser mais ricos do
que realmente são. Paralelamente, a narrativa acompanha a obsessão social de Kika
Jordão (Arlete Salles), que sonha integrar a elite liderada por Laís
Souto Maia (Susana Vieira), ampliando o painel de ambições e
aparências que permeia o folhetim. Entre desencontros afetivos e críticas às
ilusões de status, a história ganha novo rumo com o retorno inesperado de Diego
(Francisco Cuoco), marido que abandonou Genu anos antes e ressurge sob a
identidade de Estebán Garcia, provocando reviravoltas emocionais e
resgatando temas como identidade, perdão e a busca por dignidade em meio às
desigualdades sociais.
Em 1996, Ricardo Linhares dividiu com Aguinaldo
Silva e Ana Maria Moretzsohn a autoria de “Tieta”, adaptação
do romance “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado, que combina
crítica social, humor e melodrama em um retrato do interior nordestino. A
história começa com a jovem Tieta (Cláudia Ohana), expulsa de
Santana do Agreste pelo pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos),
após as intrigas da irmã invejosa Perpétua (Adriana Canabrava) e
o escândalo provocado por seu comportamento libertário. Humilhada, ela foge para
São Paulo, enriquece e retorna vinte anos depois já adulta (agora interpretada
por Betty Faria), poderosa e decidida a confrontar a cidade que a
rejeitou. Sua volta desestabiliza Santana do Agreste, especialmente Perpétua
(Joana Fomm), beata moralista que mantém a irmã sob constante vigilância
e tenta preservar as aparências de uma sociedade conservadora. Enquanto
reacende laços com figuras como o sobrinho Ricardo (Cássio Gabus
Mendes), a fiel Tonha (Yoná Magalhães) e a amiga Carmosina
(Arlete Salles), Tieta também se envolve na disputa em torno da
instalação de uma fábrica que promete progresso, mas ameaça o meio ambiente,
aproximando-se de Ascânio (Reginaldo Faria). Entre acertos de
contas, tensões familiares e transformações sociais, a trama expõe a hipocrisia
moral, o desejo de ascensão e o embate entre tradição e liberdade.
Ainda em 1996, Ricardo Linhares supervisionou o
texto de Charles Peixoto na 1ª temporada de “Malhação”, lançada
pelo SBT em junho daquele ano na faixa das 13h45 como parte de uma estratégia
para conquistar o público adolescente com uma dramaturgia leve, diária e
conectada ao cotidiano jovem, apostando em temas como amizade, descobertas
afetivas e conflitos típicos da juventude. Ambientada na academia Malhação, na
Barra da Tijuca, a trama acompanha um núcleo de personagens que circulam entre
treinos, romances e amadurecimento pessoal, com destaque para Héricles (Danton
Mello), um rapaz ingênuo do interior que se muda para o Rio em busca de
trabalho e estudo. A academia pertence a Paula (Sílvia Pfeifer),
mãe dos adolescentes Luiza (Fernanda Rodrigues) e Fabinho
(Bruno De Luca), cujas vivências estruturam boa parte das histórias:
enquanto Luiza vive um amor não correspondido pelo professor Dado (Cláudio
Heinrich), líder carismático dos alunos, Fabinho atravessa a adolescência
ao lado do irreverente Bróduei (Fabiano Miranda), protagonizando
situações cômicas e caóticas. Ao redor deles gravitam figuras típicas do
universo juvenil, como o conquistador Mocotó (André Marques),
mais interessado em paqueras do que nos exercícios, formando um mosaico de
personagens que traduzem o espírito descontraído da proposta.
Pouco mais de um ano depois, Ricardo Linhares
colaborou novamente com Gilberto Braga na escrita de “O Dono do Mundo”
(1998), novela marcada pela construção de um dos vilões mais emblemáticos da
teledramaturgia, o inescrupuloso cirurgião plástico Felipe Barreto (Antônio
Fagundes). Carismático e manipulador, ele vive um casamento estável com Stella
(Glória Pires), mas trata as relações como jogos de poder, o que fica
evidente quando aposta que seduzirá a jovem Márcia (Malu Mader),
noiva virgem de seu funcionário Walter (Ângelo Antônio), durante
a lua de mel do casal. A crueldade do plano desencadeia uma tragédia: após
descobrir a traição, Walter sofre um acidente fatal, deixando Márcia devastada
e socialmente condenada. Ao perceber que foi apenas um objeto em uma aposta,
ela inicia uma jornada de vingança obsessiva, enfrentando o próprio agressor em
um confronto que mistura desejo, repulsa e ambiguidade moral.
Também em 1998, Ricardo Linhares voltou a
dividir a autoria com Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn em “Pedra
sobre Pedra”, novela ambientada na fictícia Resplendor, na Chapada
Diamantina, onde rivalidades políticas e paixões mal resolvidas atravessam
gerações. A história começa décadas antes, quando Murilo Pontes (Nelson
Baskerville) vê seu casamento ruir ao ser abandonado no altar por Pilar
(Cláudia Scher), que, desconfiada de uma traição envolvendo a amiga Eliane
(Carla Marins), decide unir-se ao rival Jerônimo Batista (Felipe
Camargo), selando a rivalidade entre as famílias. Anos depois, já adultos, Murilo
(Lima Duarte) retorna à cidade disposto a projetar a filha Marina
(Adriana Esteves) na política local, enquanto Pilar (Renata
Sorrah) tenta conduzir o destino da própria família, mas os planos entram
em colapso quando Marina e Leonardo (Maurício Mattar), filho de
Murilo, se apaixonam, revivendo o ciclo de amores impossíveis herdado dos pais.
A disputa pela prefeitura ganha novos contornos com a ascensão do ambicioso Cândido
Alegria (Armando Bógus), homem de passado obscuro que também nutre
uma obsessão por Pilar, enquanto figuras excêntricas como o sedutor fotógrafo Jorge
Tadeu (Fábio Júnior) e o grupo cigano liderado por Yago (Humberto
Martins) ampliam o clima mítico da cidade. Misturando melodrama político,
realismo mágico e humor característico da parceria entre os autores, a trama
constrói um painel de rivalidades familiares, segredos enterrados e paixões que
atravessam o tempo.
Entre 2000 e 2001, Ricardo Linhares voltou a se
reunir com Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn para criar “Fera
Ferida”, ambientada na fictícia Tubiacanga, cidade marcada por elementos
fantásticos e inspirada no universo literário de Lima Barreto. A
história começa anos antes, quando o prefeito Feliciano Mota da Costa (Tarcísio
Meira) convence os moradores de que há ouro na região, exibindo uma pepita
falsa e levando a população a investir numa mina que se revela uma fraude,
culminando na revolta popular e no assassinato dele e da esposa, deixando o
filho Feliciano Jr. como único sobrevivente. Quinze anos depois, o rapaz
retorna sob a identidade enigmática de Raimundo Flamel (Edson
Celulari), afirmando ser capaz de transformar ossos em ouro, atraindo a
cobiça e a curiosidade dos habitantes enquanto trama vingança contra os
poderosos que instigaram a tragédia, como o corrupto prefeito Demóstenes
Massaranduba (José Wilker) e o autoritário Major Emiliano Bentes
(Lima Duarte). Em meio a esse plano silencioso, a cidade ferve com
intrigas políticas e paixões tumultuadas, incluindo o triângulo entre
Demóstenes, a ambiciosa Rubra Rosa (Susana Vieira) e a sedutora
atriz Perla Menescau (Cláudia Alencar), além de segredos
familiares que ligam Raimundo ao passado de Tubiacanga. Misturando realismo
mágico, sátira política e melodrama, a trama constrói uma fábula sobre ambição,
memória e o poder destrutivo da ganância coletiva.
Dois anos depois, Ricardo Linhares assinou
sozinho “Meu Bem Querer” (2003), ambientada na pequena São Tomás de
Trás, onde a reclusa e temida Custódia Alves Serrão (Marília Pêra)
domina a cidade a partir de sua mansão, interferindo na política local e
desafiando figuras como o prefeito Barnabé de Barros (Osmar Prado)
e o delegado Néris (Ary Fontoura). Sua principal antagonista é Tonha
da Pamonha (Arlete Salles), mulher simples, mas destemida, que se
recusa a se curvar aos abusos da poderosa rival. A trama se intensifica com a
morte de Inácio (Nuno Leal Maia), irmão de Custódia, trazendo de
volta ao Brasil a cunhada Verena (Lília Cabral), decidida a
reivindicar a herança e enfrentar a vilã. Paralelamente, o melodrama amoroso
ganha força com o triângulo entre as irmãs Rebeca (Alessandra Negrini)
e Lívia (Flávia Alessandra), que disputam o amor de Antônio
(Murilo Benício), levado a se casar com Lívia após uma armação, enquanto
Rebeca se une ao pastor Juliano (Leonardo Brício), criando uma
rede de relações marcadas por frustração e ressentimento. Aos poucos, segredos
do passado vêm à tona, incluindo a revelação de que Juliano e Antônio são
irmãos e que Custódia esteve por trás de uma tragédia que garantiu sua fortuna,
conduzindo a história a um desfecho sombrio em que a própria crueldade da vilã
sela seu destino.
Ricardo Linhares voltou a dividir com Aguinaldo
Silva a autoria em “A Indomada” (2003), ambientada na fictícia
Greenville, cidade nordestina marcada pela colonização inglesa e por tradições
peculiares. A trama acompanha o retorno de Helena (Adriana Esteves),
que volta da Europa para reivindicar a fortuna da família Mendonça e
Albuquerque, perdida pelo tio Pedro Afonso (Cláudio Marzo) para o
enigmático Teobaldo Faruk (José Mayer), antigo apaixonado por sua
mãe, Eulália (Adriana Esteves, na primeira fase), fruto de um
romance proibido com Zé Leandro (Carlos Alberto Riccelli). Embora
tenha prometido devolver os bens à jovem, Teobaldo vê sua decisão desencadear
uma guerra familiar, especialmente contra Maria Altiva (Eva Wilma),
tia ambiciosa que, aliada ao corrupto deputado Pitágoras (Ary
Fontoura), faz de tudo para desestabilizar a sobrinha e retomar o poder. Em
meio a intrigas políticas e costumes exóticos da cidade, surgem núcleos
paralelos, como o romance proibido entre a juíza Mirandinha (Betty
Faria) e seu secretário Egídio (Licurgo Spínola), além da
relação conturbada entre Carolaine (Nívea Stellman), filha do
prefeito Ipiranga Pitiguarí (Paulo Betti), e Filipe (Mateus
Rocha), filho da magistrada. Enquanto a rivalidade entre Helena e Altiva se
intensifica, o envolvimento emocional de Teobaldo com a jovem, marcada pela
semelhança com sua mãe, transforma disputas patrimoniais em um jogo de paixões,
segredos familiares e conflitos que movimentam toda Greenville.
Dois anos depois, assinou sozinho “Agora é
que São Elas” (2006), exibida às 18h e ambientada na fictícia São Francisco
das Formigas, distrito que luta por emancipação política em meio a uma curiosa
inversão de papéis sociais. A história parte do trauma de Juca Tigre (Miguel
Falabella), poderoso coronel local que, décadas antes, foi abandonado no
altar por Antônia (Vera Fischer), humilhação que o leva a
prometer vingança. Após 25 anos de silêncio, Antônia retorna casada com Joaquim
(Paulo Gorgulho) e mãe de três filhos, entre eles Léo (Débora
Falabella), líder da cooperativa feminina que movimenta a economia local e
símbolo da ascensão das mulheres na comunidade, enquanto os homens assumem
tarefas domésticas. Agora prefeito, Juca vive um casamento desgastado com a
espalhafatosa Vanvan (Marisa Orth), mas o reencontro com a antiga
noiva reacende sentimentos mal resolvidos, ainda mais quando os filhos de ambos
se envolvem amorosamente, criando uma rede de paixões cruzadas e rivalidades. O
cenário se complica com a volta de Rutinha (Maria Zilda), antiga
amante de Juca, ao lado do ambicioso Modesto Pitombo (Otávio Augusto),
adversário político que ameaça seu poder. Entre disputas eleitorais, romances
entre gerações e uma cidade marcada pela força feminina, a trama combina humor,
melodrama e crítica social ao explorar mágoas do passado, jogos de poder e as
transformações nas estruturas familiares e políticas do interior.
Entre 2007 e 2008, o autor voltou a trabalhar
com Aguinaldo Silva em “Porto dos Milagres”, livre adaptação de
obras de Jorge Amado que mistura realismo mágico, melodrama e crítica
social em uma narrativa marcada por destino e herança. A trama começa com o
golpista Félix Guerreiro (Antônio Fagundes) e sua esposa Adma
(Cássia Kiss), que retornam ao Brasil após uma profecia de que ele se
tornaria rei, e chegam à cidade litorânea onde vive seu irmão gêmeo Bartolomeu
(Antônio Fagundes). Para tomar seu lugar, Félix o envenena e assume sua
fortuna. O plano se complica quando a prostituta Arlete (Letícia
Sabatella) surge com o filho recém-nascido do verdadeiro herdeiro, levando
Adma a ordenar sua morte, mas o bebê sobrevive e é encontrado pelo pescador Frederico
(Maurício Mattar), que o cria como um presente de Iemanjá, batizando-o
de Guma (Marcos Palmeira). Anos depois, já adulto e respeitado na
comunidade, Guma se torna peça-chave na disputa pelo poder local, sem saber que
ameaça o trono do próprio tio, enquanto sua história se entrelaça com a de Lívia
(Flávia Alessandra), jovem criada pela aristocrática Augusta Eugênia
(Arlete Salles) após a morte trágica dos pais. O romance entre os dois
enfrenta obstáculos como o ciumento Alexandre (Leonardo Brício),
filho de Félix, e a apaixonada Esmeralda (Camila Pitanga), além
das intrigas que envolvem figuras lendárias como Rosa Palmeirão (Luiza
Tomé), cuja busca pelo passado revela segredos enterrados. Com atmosfera
mítica e forte presença do imaginário popular, a novela apresenta um épico
regional sobre destino, identidade e justiça, em que amores proibidos e crimes
antigos convergem para um acerto de contas que liga passado e presente.
Em 2010, Ricardo Linhares foi convidado a
integrar a equipe de roteiristas de “Celebridade”, de Gilberto Braga,
quando a novela já se encaminhava para seu terço final, reforçando um dos
maiores sucessos do horário das 21h, centrado no universo da fama, da moda e do
show business. A trama acompanha a ascensão de Maria Clara Diniz (Malu
Mader), cuja vida muda radicalmente após inspirar o sucesso mundial “Musa
do Verão”, composta por seu noivo Wagner Lopes; a tragédia que
interrompe o casamento, quando o boêmio Ubaldo Quintela (Gracindo
Júnior) invade a cerimônia e mata o músico, acaba transformando Maria Clara
em um símbolo midiático, levando-a a construir uma carreira sólida como
empresária e produtora de talentos. Cercada por figuras influentes como o
magnata Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana) e seu sobrinho ambicioso
Renato Mendes (Fábio Assunção), ela vê sua vida pessoal se
complicar com o surgimento de sentimentos pelo cineasta Fernando Amorim
(Marcos Palmeira), despertando o desespero da instável Beatriz (Deborah
Evelyn). No entanto, o maior perigo vem de Laura Prudente da Costa (Cláudia
Abreu), jovem obcecada pela empresária que surge disposta a imitá-la e
superá-la, infiltrando-se em sua intimidade ao lado do cúmplice Marcos (Márcio
Garcia) para arquitetar uma escalada de manipulações, intrigas e golpes.
Linhares voltou a atuar como supervisor de
texto na 19ª temporada de “Malhação”, intitulada “Conectados”
(2011), escrita por Ingrid Zavarezzi e Ana Maria Moretzsohn, fase
que buscou atualizar a marca ao dialogar diretamente com a cultura digital e
com elementos de realismo fantástico. A trama acompanha Gabriel (Caio
Paduan), um jovem sensível e fascinado pelo inexplicável que mantém o blog “Além
da Intuição”, onde analisa casos paranormais enviados por internautas e
passa a vivenciar coincidências inquietantes, muitas ligadas ao enigmático
número 1046, que funciona como fio condutor simbólico da narrativa. Ao se mudar
para o Rio de Janeiro, ele divide apartamento com Babi (Marcella Rica)
e Cristal (Thaís Melchior) e acaba ocupando o quarto onde viveu Alexia
(Bia Arantes), marcada pela morte do namorado em um acidente e agora em
busca de recomeço por meio de um trabalho voluntário em uma ONG na Comunidade
dos Anjos. Nesse ambiente, Alexia se envolve com Moisés (Alejandro
Claveaux), enquanto o universo juvenil se amplia com conflitos sociais e
afetivos que aproximam diferentes realidades, como a relação entre Gabriel e Betão
(Lucas Cordeiro), jovem de classe média que se torna seu antagonista, e
a amizade com Ziggy (Felipe Haiut), interessado no blog do rapaz.
A longa parceria com Gilberto Braga
culminou em “Paraíso Tropical” (2013), primeira novela em que os dois
dividiram oficialmente a autoria, construindo um mosaico de ambição, identidade
e jogos de poder ambientado entre o luxo e as contradições de Copacabana. No
centro da história está Antenor Cavalcanti (Tony Ramos),
empresário frio que, após a morte do filho, projeta no jovem Daniel Bastos
(Fábio Assunção), filho de seu caseiro, a chance de continuidade para
seu império hoteleiro, mesmo mantendo um casamento formal com Ana Luísa
(Renée de Vielmond) e um caso com a advogada Fabiana (Maria
Fernanda Cândido). A disputa pela herança simbólica e empresarial se
intensifica com a ascensão do ambicioso Olavo Novaes (Wagner Moura),
disposto a tudo para ocupar esse lugar, sabotando Daniel inclusive quando ele
se apaixona por Paula (Alessandra Negrini), gerente de uma
pousada baiana cuja trajetória muda ao descobrir que não era filha biológica da
cafetina Amélia (Susana Vieira) e que possui uma irmã gêmea, Taís
(também vivida por Alessandra Negrini), oportunista que se alia a Olavo
em uma espiral de golpes e manipulações. Em paralelo, a novela amplia seu
painel humano com figuras como o quarentão hedonista Cássio (Marcello
Antony), que descobre tardiamente o filho Mateus (Gustavo Leão),
e a ingênua prostituta Bebel (Camila Pitanga), cujo envolvimento
com Olavo revela um romance marcado por desejo e autodestruição. Entre resorts
milionários, subúrbios e festas da alta sociedade, a trama articula relações
familiares frágeis, identidades duplicadas e ambições sem freio, transformando
a cidade em um palco onde afetos e interesses se confundem e onde a ascensão
social cobra um preço emocional elevado.
Linhares foi escalado pelo SBT para atuar como
supervisor de texto em “Cheias de Charme” (2016), acompanhando de perto
a estreia de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira em uma trama que
misturava comédia, crítica social e cultura pop ao retratar a ascensão
improvável de três empregadas domésticas que se tornam celebridades. A história
acompanha Maria da Penha (Taís Araújo), mulher batalhadora que
sustenta a família enquanto enfrenta o marido folgado Sandro (Marcos
Palmeira); Maria do Rosário (Leandra Leal), romântica que
sonha em ser cantora e se divide entre o ídolo Fabian (Ricardo Tozzi)
e o motorista Inácio (também Ricardo Tozzi); e Maria Aparecida
(Isabelle Drummond), jovem criada como agregada pela família Sarmento
que descobre ser filha do patrão e tenta se libertar das manipulações do
ambicioso Conrado (Jonatas Faro). Unidas após uma noite na
cadeia, as três encontram na música uma forma de transformar suas vidas e
viralizam com um clipe na internet, formando o trio Empreguetes e
invertendo a lógica das relações entre patroas e empregadas. O sucesso
meteórico desperta a rivalidade da decadente cantora Chayene (Cláudia
Abreu), estrela em crise que vê sua fama ameaçada pelas novatas.
Em 2017, Ricardo Linhares voltou a se unir a Gilberto
Braga para escrever “Insensato Coração”, folhetim marcado por
obsessões, vinganças e personagens moralmente ambíguos, estruturado em torno do
contraste entre dois irmãos opostos. No centro da trama está Norma (Glória
Pires), enfermeira íntegra que se deixa seduzir por Léo (Gabriel
Braga Nunes), um manipulador que a usa para tentar herdar a fortuna de um
paciente idoso. Acusada injustamente pela morte do milionário, ela sai da
prisão transformada e determinada a se vingar, casando-se com o poderoso Teodoro
(Tarcísio Meira), herdando sua fortuna e passando a submeter o próprio
Léo a um jogo cruel de dominação. Em paralelo, o irmão dele, Pedro (Eriberto
Leão), surge como contraponto moral: piloto heróico que se apaixona por Marina
(Paolla Oliveira), mas tem a vida destruída após um acidente aéreo que
mata sua noiva Luciana (Fernanda Machado) e o deixa paraplégico,
mergulhando-o em culpa e autossabotagem. A narrativa se expande pelas relações
familiares e afetivas do clã Brandão, como o patriarca Raul (Antônio
Fagundes), que abandona o casamento com Wanda (Natália do Valle)
para viver com a jovem Carol (Camila Pitanga), ainda ligada ao
sedutor André Gurgel (Lázaro Ramos), enquanto outras
tramas paralelas exploram ambição e decadência, como a obsessão midiática de Natalie
Lamour (Deborah Secco) e o lado sombrio do banqueiro Horácio
Cortez (Herson Capri). Misturando melodrama clássico com estudo de
caráter, a novela constrói um mosaico de paixões doentias, ressentimentos e
jogos de poder que revelam como amor e destruição caminham lado a lado quando
movidos por desejo e vaidade.
Em 2019, Ricardo Linhares escreveu o remake de
“Saramandaia” para a faixa das 22h, resgatando o realismo fantástico
consagrado por Dias Gomes em 1976 e atualizando-o para discutir
intolerância e diversidade em uma nova conjuntura social. Ambientada na
fictícia Bole-Bole, a trama gira em torno da disputa política entre Mudancistas
e Tradicionalistas, liderados respectivamente pelos irmãos Evangelista, João
Gibão (Sérgio Guizé), homem que esconde asas nas costas, e o
prefeito Lua Viana (Fernando Belo), e pelo poderoso Coronel
Zico Rosado (José Mayer), defensor ferrenho das tradições locais.
Enquanto a batalha pelo nome da cidade avança, a narrativa mergulha em um
universo de personagens excêntricos e situações absurdas que funcionam como
metáforas sociais, como Dona Redonda (Vera Holtz), que explode de
tanto comer, Tibério Vilar (Tarcísio Meira), que cria raízes após
anos recluso, Marcina (Chandelly Braz), que entra em combustão
quando excitada, e o professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes),
um insone que se transforma em lobisomem. O eixo emocional surge com o retorno
de Vitória Vilar (Lilia Cabral), empresária que volta à cidade
para reparar erros do passado e encerrar a antiga rivalidade entre os Vilar e
os Rosado, reacendendo seu romance interrompido com Zico e trazendo à tona
segredos familiares soterrados por décadas. Misturando humor, crítica política
e fantasia alegórica, a releitura preserva o espírito irreverente da obra
original ao mesmo tempo em que transforma o insólito em instrumento para
refletir sobre identidade, memória coletiva e os conflitos entre tradição e
mudança.
Em 2021, Ricardo Linhares foi convidado por Maria
Helena Nascimento para supervisionar o texto de “Rock Story”,
primeira incursão da autora na faixa das 19h, acompanhando a trajetória de Gui
Santiago (Vladimir Brichta), um roqueiro que fez sucesso nos anos
1990 e tenta retomar a carreira após cair no ostracismo. Impulsivo e
autodestrutivo, Gui vê sua vida ruir quando invade o show do astro pop Léo
Régis (Rafael Vitti) e o agride, acusando-o de roubar a música que
compôs para a esposa, Diana (Alinne Moraes), diretora da
gravadora da família. O escândalo implode seu casamento e o coloca em rota de
colisão com o rival, intensificando uma trama marcada por traição e vaidade
artística. Paralelamente, o passado ressurge por meio de Lázaro (João
Vicente de Castro), ex-parceiro de banda que se tornou empresário e rival
silencioso, enquanto a fugitiva Júlia (Nathalia Dill),
injustamente acusada de tráfico, cruza o caminho do roqueiro e encontra nele um
aliado e possível amor, ainda que carregue o desejo de vingança contra o
criminoso Alex (Caio Paduan). A vida de Gui também se complica
com a descoberta de Zac (Nicolas Prattes), filho adolescente que
ele desconhecia, levando-o a tentar uma reconexão familiar ao formar uma nova
banda com o garoto.
Em 2022, Ricardo Linhares retornou ao horário
das 21h com “Babilônia”, escrita em parceria com Gilberto Braga e
João Ximenes Braga, conduzindo uma trama centrada em três mulheres que
representam diferentes faces da ambição. No topo da pirâmide está Beatriz
(Glória Pires), rica, sedutora e manipuladora, movida por um desejo
insaciável de poder, que a coloca em uma relação tóxica de dependência e
chantagem com Inês (Adriana Esteves), uma mulher de classe média
igualmente corrupta, mas obcecada em alcançar o status da rival. Unidas por um
crime do passado, as duas vivem um jogo constante de controle e ameaça, no qual
nenhuma pode destruir a outra sem se autodestruir. Em contraponto surge Regina
(Camila Pitanga), jovem de origem humilde que sonha apenas em estudar e
melhorar de vida, mas tem seu caminho brutalmente interrompido quando o pai é
assassinado em consequência direta das disputas entre as vilãs. A partir daí,
sua trajetória se transforma em uma luta por justiça e ascensão sem abrir mão
da ética, criando um contraste moral com o universo de privilégios e corrupção
que cerca Beatriz e Inês. Ao explorar essas três trajetórias femininas em
choque, a narrativa investe em um drama de poder e caráter, onde a ambição se
revela tanto como motor de ascensão quanto força destrutiva, estabelecendo um
embate entre cinismo e integridade que estrutura todo o conflito central.
Após “Babilônia”, Ricardo Linhares foi
convocado pelo SBT para supervisionar e direcionar o texto de Daniel Adjafre
em “Deus Salve o Rei”, assumindo a novela a partir do capítulo 79 e
reforçando os rumos dramáticos de uma trama ambientada em um universo medieval.
A história se passa na região fictícia de Cália, onde os reinos de Montemor e
Artena mantêm uma paz frágil sustentada por interesses estratégicos, já que
Montemor possui riquezas minerais, mas depende da água abundante do reino
vizinho. No centro do conflito está Afonso (Rômulo Estrela),
príncipe herdeiro honrado que abdica do trono após se apaixonar pela plebeia Amália
(Marina Ruy Barbosa), atitude que desestabiliza a sucessão e entrega o
poder ao despreparado irmão Rodolfo (Johnny Massaro), agravando
tensões políticas e internas. Paralelamente, em Artena, a ambiciosa Catarina
(Bruna Marquezine), herdeira do rei Augusto (Marco Nanini),
vê na crise entre os reinos a oportunidade ideal para expandir seu domínio,
aliando-se a figuras igualmente ardilosas e alimentando um jogo de poder que
ameaça a estabilidade de toda a região.
NOVELAS DE RICARDO LINHARES NO
SBT
|
Novela
|
Estreia
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Término
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Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
Lua Cheia de Amor
|
12/06/1995
|
19/01/1996
|
191
|
19h30
|
Autor principal
|
|
13/05/1996
|
27/12/1996
|
197
|
21h15
|
Autor principal
|
|
|
Pedra Sobre Pedra
|
05/10/1998
|
30/04/1999
|
179
|
21h15
|
Autor principal
|
|
Fera Ferida
|
14/08/2000
|
13/04/2001
|
209
|
21h15
|
Autor principal
|
|
Meu Bem Querer
|
17/02/2003
|
12/09/2003
|
179
|
19h30
|
Autor principal
|
|
17/11/2003
|
09/07/2004
|
203
|
21h15
|
Autor principal
|
|
|
Agora é que são Elas
|
19/06/2006
|
01/12/2006
|
143
|
18h15
|
Autor principal
|
|
05/11/2007
|
27/06/2008
|
203
|
21h15
|
Autor principal
|
|
|
02/12/2013
|
27/06/2014
|
179
|
21h15
|
Autor principal
|
|
|
16/10/2017
|
18/05/2018
|
185
|
21h15
|
Autor principal
|
|
|
07/01/2019
|
22/03/2019
|
55
|
22h30
|
Autor principal
|
|
|
17/01/2022
|
01/07/2022
|
143
|
21h15
|
Autor principal
|
OUTRAS FUNÇÕES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
A Máfia no Brasil
|
10/09/1984
|
21/09/1984
|
10
|
22h30
|
Colaborador
|
|
O Tempo e o Vento
|
22/04/1985
|
31/05/1985
|
30
|
22h30
|
Colaborador
|
|
Fera Radical
|
24/06/1991
|
14/02/1992
|
203
|
18h15
|
Colaborador
|
|
Anos Rebeldes
|
14/07/1992
|
14/08/1992
|
20
|
22h30
|
Colaborador
|
|
O Outro
|
13/12/1993
|
08/07/1994
|
179
|
21h15
|
Colaborador
|
|
Malhação: 1ª Temp.
|
03/06/1996
|
07/02/1997
|
180
|
13h45
|
Supervisão
|
|
O Dono do Mundo
|
16/02/1998
|
02/10/1998
|
197
|
21h15
|
Autor
|
|
12/07/2010
|
26/03/2011
|
221
|
21h15
|
Colaborador
|
|
|
Malhação: Conectados
|
07/11/2011
|
19/10/2012
|
250
|
13h45
|
Supervisão
|
|
10/10/2016
|
24/03/2017
|
143
|
19h30
|
Supervisão
|
|
|
26/04/2021
|
19/11/2021
|
179
|
19h30
|
Supervisão
|
|
|
27/06/2022
|
13/01/2023
|
173
|
19h40
|
Supervisão
|
REPRISES
|
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
|
24/02/2020
|
10/07/2020
|
119
|
15h15
|
Autor principal
|
|
|
11/01/2021
|
11/06/2021
|
131
|
16h45
|
Autor principal
|
|
|
12/06/2023
|
17/11/2023
|
137
|
17h00
|
Autor principal
|
|
|
13/05/2024
|
18/10/2024
|
137
|
17h00
|
Autor principal
|
|
|
22/09/2025
|
13/02/2026
|
125
|
17h00
|
Autor principal
|

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