domingo, 28 de outubro de 2012

RICARDO LINHARES


Ricardo Linhares Godinho nasceu no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1962. Filho do militar Coaraciara Brício Godinho e da dona de casa Eliana Linhares Godinho, passou parte da adolescência em Brasília, acompanhando a transferência do pai para a capital federal, experiência que ampliou seu repertório cultural antes de retornar ao Rio. De volta à cidade natal, prestou vestibular para jornalismo e ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período em que consolidou o gosto pela escrita e pela observação do cotidiano, elementos que mais tarde marcariam sua obra como roteirista.
 
Desde jovem, Linhares sonhava em ser escritor, embora duvidasse da possibilidade de viver da literatura. Mesmo assim, manteve uma produção constante durante a faculdade, escrevendo contos e peças de teatro e participando de concursos literários, nos quais chegou a conquistar alguns prêmios. No jornalismo, teve uma passagem breve como estagiário, mas logo percebeu que sua vocação estava na dramaturgia. Antes dos 20 anos, iniciou carreira na TV Educativa, escrevendo para o telecurso “Qualificação Profissional”, experiência que lhe deu disciplina narrativa e contato com uma linguagem mais direta e didática.
 
Em 1983, um ponto de virada aconteceu ao participar de um curso ministrado pelo roteirista Doc Comparato na Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), tradicional celeiro de talentos da dramaturgia brasileira. Pouco depois, foi convidado a integrar a equipe de roteiristas do programa “Caso Verdade”, marcando sua estreia profissional na televisão. O programa, baseado em relatos enviados por telespectadores, explorava dramas humanos inspirados em histórias reais, e Linhares assinou episódios como “Vencer a Vida” (1983), “Amar a Vida” (1983), “Começando a Vida” (1984) e “O Amor Acontece na Vida” (1986), exercitando uma escrita voltada para conflitos emocionais e personagens populares.
 
Em 1984, Ricardo Linhares assinou seu primeiro trabalho como colaborador na minissérie “A Máfia no Brasil”, adaptação do livro de Edson Magalhães e escrita por Leopoldo Serran, que mergulha no submundo do crime organizado a partir da história de Lucien (Reginaldo Faria), um dos principais líderes da máfia em território nacional, dividido entre a lealdade à organização e a paixão por Heloísa (Márcia Porto), uma jovem de classe média que sonha ascender socialmente. O romance proibido entre os dois funciona como motor dramático da narrativa, expondo o choque entre ambição, amor e códigos implacáveis de honra que regem a hierarquia criminosa. À medida que Lucien se afasta das obrigações impostas pela máfia, a trama se encaminha para um desfecho trágico, marcado pela punição exemplar da chamada “Lei”, em uma abordagem que mistura melodrama e crítica social ao explorar o preço da desobediência dentro de estruturas de poder rígidas e violentas.
 
No ano seguinte, o autor voltou a colaborar em minisséries com “O Tempo e o Vento” (1985), de Doc Comparato, adaptação de “O Continente”, de Erico Veríssimo, que acompanha várias gerações da família Terra Cambará em uma narrativa épica ambientada no sul do Brasil. A trama é estruturada a partir das memórias de Bibiana (interpretada em diferentes fases por Louise Cardoso, Lílian Lemmertz e Lélia Abramo), que revisita a trajetória de seus antepassados, começando pela força solitária de Ana Terra (Glória Pires), mulher que enfrenta um mundo dominado por homens, e avançando até a figura mítica do Capitão Rodrigo Cambará (Tarcísio Meira), símbolo de bravura e paixão. Ao longo das décadas, a história acompanha disputas por terra, guerras regionais e transformações políticas que moldam o destino da família, incluindo personagens marcantes como Bolívar (Daniel Dantas) e Luzia (Carla Camuratti). Com trilha original de Tom Jobim e forte dimensão histórica, a minissérie combina drama familiar e reconstrução de época, articulando memória, identidade e a formação do Brasil como pano de fundo de uma saga que atravessa gerações.
 
Ricardo Linhares participou de uma oficina de redatores de humor promovida pelo SBT e coordenada por Paulo José, experiência decisiva para ampliar seu domínio de linguagem e experimentar uma escrita mais ágil e popular. A partir desse contato, passou a colaborar com o humorístico “Viva o Gordo” (1986), estrelado por Jô Soares e considerado um dos grandes sucessos da televisão brasileira nos anos 1980. No programa, teve a oportunidade de exercitar o timing cômico, a construção de personagens caricaturais e a dinâmica de esquetes rápidas, convivendo com um formato que exigia criatividade constante e precisão na piada. Paralelamente, integrou a equipe do “Teletema”, atração que herdava a estrutura do “Caso Verdade”, mas com foco em histórias ficcionais, mais livres do realismo documental. Ali, assinou episódios como “O Sequestro de Lauro Corona” (1986), inspirado em eventos que dialogavam com o imaginário popular da época; “Esse Tal de Rock n Roll” (1986), que refletia o impacto da cultura jovem e musical; e “O Mistério das Esmeraldas” (1986), trama de suspense que já apontava sua habilidade para narrativas mais folhetinescas. Essa fase inicial não apenas consolidou sua versatilidade entre drama e humor, como também lhe deu domínio de diferentes registros narrativos, preparando o terreno para sua futura atuação na teledramaturgia de longa duração.
 
A primeira experiência de Ricardo Linhares em novelas veio nos anos 1990, após participar de um curso para novos autores da Casa de Criação Janete Clair, quando passou a colaborar com Walther Negrão em “Fera Radical” (1991), trama livremente inspirada na peça “A Visita da Velha Senhora”, de Friedrich Dürrenmatt. A história acompanha Cláudia (Malu Mader), uma jovem marcada pela memória da chacina que exterminou sua família em uma disputa de terras quinze anos antes, e que retorna à cidade de Rio Novo disposta a se vingar. Criada por Marta (Laura Cardoso), que na verdade guarda um passado ligado aos próprios inimigos da protagonista, ela se infiltra na poderosa família Flores, ligada ao frigorífico que sustenta a economia local. Sob o disfarce de funcionária, Cláudia passa a manipular as tensões internas do clã, formado pelo patriarca Altino (Paulo Goulart), preso a uma cadeira de rodas desde a tragédia, sua esposa desconfiada Joana (Yara Amaral) e os filhos, entre eles o rústico Fernando (José Mayer), por quem a vingadora acaba se apaixonando.
 
No mesmo ano, Ricardo Linhares colaborou com Gilberto Braga na minissérie “Anos Rebeldes” (1992), produção que acompanha a trajetória de um grupo de jovens ao longo do período que vai do golpe militar de 1964 até a anistia de 1979, tendo como eixo central o romance entre Maria Lúcia (Malu Mader) e João Alfredo (Cássio Gabus Mendes). Filha de um jornalista comunista marcado pela militância, Maria Lúcia cresce traumatizada pela ausência paterna e resiste a se envolver com João, estudante engajado nas causas sociais e cada vez mais envolvido com a luta contra a ditadura. O relacionamento dos dois se complica quando ele decide aderir à militância política mais radical, enquanto o amigo Edgar (Marcelo Serrado), menos ideológico, disputa o amor da jovem e acaba se tornando seu marido. Paralelamente, a narrativa acompanha outros estudantes do tradicional Colégio Pedro II, como Heloísa (Cláudia Abreu), que rompe com a origem burguesa e se engaja na luta armada, expondo os custos humanos do período.
 
Pouco mais de um ano depois, Aguinaldo Silva convidou Linhares para colaborar em “O Outro” (1993), novela centrada no encontro improvável entre dois homens fisicamente idênticos, Paulo Della Santa e Denizard de Matos (ambos vividos por Francisco Cuoco), mas pertencentes a universos sociais opostos. Enquanto Paulo é um empresário milionário cercado por crises familiares e um casamento interesseiro com Laura (Natália do Valle), Denizard leva uma vida simples como dono de um ferro-velho, viúvo e pai dedicado da adolescente Zezinha (Cláudia Abreu), mantendo um romance com Índia do Brasil (Yoná Magalhães). Após um encontro casual seguido de uma explosão, Denizard perde a memória e é confundido com Paulo, passando a viver no lugar do empresário sem saber quem realmente é, o que desencadeia uma rede de manipulações, sobretudo por parte de Laura e do ambicioso João Silvério (Miguel Falabella), que percebem a troca e tentam tirar vantagem da situação. Paralelamente, a história acompanha Glorinha da Abolição (Malu Mader), jovem de espírito livre que vive em conflito com a mãe, Vilma (Arlete Salles), e acaba se envolvendo emocionalmente com o homem que acredita ser Paulo, intensificando o jogo de identidades trocadas.
 
Em 1995, promovido a autor titular na faixa das 19h, Ricardo Linhares escreveu “Lua Cheia de Amor” em parceria com Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa, em uma releitura moderna de “Dona Xepa” (1980). A trama acompanha Genu Miranda (Marília Pêra), uma vendedora ambulante expansiva e generosa que dedica a vida aos filhos Rodrigo (Roberto Bataglin) e Mercedes (Isabela Garcia), mas sofre com o desprezo deles, envergonhados de sua origem humilde. Rodrigo, aspirante a cineasta, conquista reconhecimento e se distancia cada vez mais da mãe, envolvendo-se com a sofisticada Rutinha (Sílvia Bandeira), enquanto Mercedes busca ascensão social a qualquer custo, aproximando-se de Douglas (Rodolfo Bottino), herdeiro de uma família falida, em um jogo de interesses em que ambos fingem ser mais ricos do que realmente são. Paralelamente, a narrativa acompanha a obsessão social de Kika Jordão (Arlete Salles), que sonha integrar a elite liderada por Laís Souto Maia (Susana Vieira), ampliando o painel de ambições e aparências que permeia o folhetim. Entre desencontros afetivos e críticas às ilusões de status, a história ganha novo rumo com o retorno inesperado de Diego (Francisco Cuoco), marido que abandonou Genu anos antes e ressurge sob a identidade de Estebán Garcia, provocando reviravoltas emocionais e resgatando temas como identidade, perdão e a busca por dignidade em meio às desigualdades sociais.
 
Em 1996, Ricardo Linhares dividiu com Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn a autoria de “Tieta”, adaptação do romance “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado, que combina crítica social, humor e melodrama em um retrato do interior nordestino. A história começa com a jovem Tieta (Cláudia Ohana), expulsa de Santana do Agreste pelo pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos), após as intrigas da irmã invejosa Perpétua (Adriana Canabrava) e o escândalo provocado por seu comportamento libertário. Humilhada, ela foge para São Paulo, enriquece e retorna vinte anos depois já adulta (agora interpretada por Betty Faria), poderosa e decidida a confrontar a cidade que a rejeitou. Sua volta desestabiliza Santana do Agreste, especialmente Perpétua (Joana Fomm), beata moralista que mantém a irmã sob constante vigilância e tenta preservar as aparências de uma sociedade conservadora. Enquanto reacende laços com figuras como o sobrinho Ricardo (Cássio Gabus Mendes), a fiel Tonha (Yoná Magalhães) e a amiga Carmosina (Arlete Salles), Tieta também se envolve na disputa em torno da instalação de uma fábrica que promete progresso, mas ameaça o meio ambiente, aproximando-se de Ascânio (Reginaldo Faria). Entre acertos de contas, tensões familiares e transformações sociais, a trama expõe a hipocrisia moral, o desejo de ascensão e o embate entre tradição e liberdade.
 
Ainda em 1996, Ricardo Linhares supervisionou o texto de Charles Peixoto na 1ª temporada de “Malhação”, lançada pelo SBT em junho daquele ano na faixa das 13h45 como parte de uma estratégia para conquistar o público adolescente com uma dramaturgia leve, diária e conectada ao cotidiano jovem, apostando em temas como amizade, descobertas afetivas e conflitos típicos da juventude. Ambientada na academia Malhação, na Barra da Tijuca, a trama acompanha um núcleo de personagens que circulam entre treinos, romances e amadurecimento pessoal, com destaque para Héricles (Danton Mello), um rapaz ingênuo do interior que se muda para o Rio em busca de trabalho e estudo. A academia pertence a Paula (Sílvia Pfeifer), mãe dos adolescentes Luiza (Fernanda Rodrigues) e Fabinho (Bruno De Luca), cujas vivências estruturam boa parte das histórias: enquanto Luiza vive um amor não correspondido pelo professor Dado (Cláudio Heinrich), líder carismático dos alunos, Fabinho atravessa a adolescência ao lado do irreverente Bróduei (Fabiano Miranda), protagonizando situações cômicas e caóticas. Ao redor deles gravitam figuras típicas do universo juvenil, como o conquistador Mocotó (André Marques), mais interessado em paqueras do que nos exercícios, formando um mosaico de personagens que traduzem o espírito descontraído da proposta.
 
Pouco mais de um ano depois, Ricardo Linhares colaborou novamente com Gilberto Braga na escrita de “O Dono do Mundo” (1998), novela marcada pela construção de um dos vilões mais emblemáticos da teledramaturgia, o inescrupuloso cirurgião plástico Felipe Barreto (Antônio Fagundes). Carismático e manipulador, ele vive um casamento estável com Stella (Glória Pires), mas trata as relações como jogos de poder, o que fica evidente quando aposta que seduzirá a jovem Márcia (Malu Mader), noiva virgem de seu funcionário Walter (Ângelo Antônio), durante a lua de mel do casal. A crueldade do plano desencadeia uma tragédia: após descobrir a traição, Walter sofre um acidente fatal, deixando Márcia devastada e socialmente condenada. Ao perceber que foi apenas um objeto em uma aposta, ela inicia uma jornada de vingança obsessiva, enfrentando o próprio agressor em um confronto que mistura desejo, repulsa e ambiguidade moral.
 
Também em 1998, Ricardo Linhares voltou a dividir a autoria com Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn em “Pedra sobre Pedra”, novela ambientada na fictícia Resplendor, na Chapada Diamantina, onde rivalidades políticas e paixões mal resolvidas atravessam gerações. A história começa décadas antes, quando Murilo Pontes (Nelson Baskerville) vê seu casamento ruir ao ser abandonado no altar por Pilar (Cláudia Scher), que, desconfiada de uma traição envolvendo a amiga Eliane (Carla Marins), decide unir-se ao rival Jerônimo Batista (Felipe Camargo), selando a rivalidade entre as famílias. Anos depois, já adultos, Murilo (Lima Duarte) retorna à cidade disposto a projetar a filha Marina (Adriana Esteves) na política local, enquanto Pilar (Renata Sorrah) tenta conduzir o destino da própria família, mas os planos entram em colapso quando Marina e Leonardo (Maurício Mattar), filho de Murilo, se apaixonam, revivendo o ciclo de amores impossíveis herdado dos pais. A disputa pela prefeitura ganha novos contornos com a ascensão do ambicioso Cândido Alegria (Armando Bógus), homem de passado obscuro que também nutre uma obsessão por Pilar, enquanto figuras excêntricas como o sedutor fotógrafo Jorge Tadeu (Fábio Júnior) e o grupo cigano liderado por Yago (Humberto Martins) ampliam o clima mítico da cidade. Misturando melodrama político, realismo mágico e humor característico da parceria entre os autores, a trama constrói um painel de rivalidades familiares, segredos enterrados e paixões que atravessam o tempo.
 
Entre 2000 e 2001, Ricardo Linhares voltou a se reunir com Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn para criar “Fera Ferida”, ambientada na fictícia Tubiacanga, cidade marcada por elementos fantásticos e inspirada no universo literário de Lima Barreto. A história começa anos antes, quando o prefeito Feliciano Mota da Costa (Tarcísio Meira) convence os moradores de que há ouro na região, exibindo uma pepita falsa e levando a população a investir numa mina que se revela uma fraude, culminando na revolta popular e no assassinato dele e da esposa, deixando o filho Feliciano Jr. como único sobrevivente. Quinze anos depois, o rapaz retorna sob a identidade enigmática de Raimundo Flamel (Edson Celulari), afirmando ser capaz de transformar ossos em ouro, atraindo a cobiça e a curiosidade dos habitantes enquanto trama vingança contra os poderosos que instigaram a tragédia, como o corrupto prefeito Demóstenes Massaranduba (José Wilker) e o autoritário Major Emiliano Bentes (Lima Duarte). Em meio a esse plano silencioso, a cidade ferve com intrigas políticas e paixões tumultuadas, incluindo o triângulo entre Demóstenes, a ambiciosa Rubra Rosa (Susana Vieira) e a sedutora atriz Perla Menescau (Cláudia Alencar), além de segredos familiares que ligam Raimundo ao passado de Tubiacanga. Misturando realismo mágico, sátira política e melodrama, a trama constrói uma fábula sobre ambição, memória e o poder destrutivo da ganância coletiva.
 
Dois anos depois, Ricardo Linhares assinou sozinho “Meu Bem Querer” (2003), ambientada na pequena São Tomás de Trás, onde a reclusa e temida Custódia Alves Serrão (Marília Pêra) domina a cidade a partir de sua mansão, interferindo na política local e desafiando figuras como o prefeito Barnabé de Barros (Osmar Prado) e o delegado Néris (Ary Fontoura). Sua principal antagonista é Tonha da Pamonha (Arlete Salles), mulher simples, mas destemida, que se recusa a se curvar aos abusos da poderosa rival. A trama se intensifica com a morte de Inácio (Nuno Leal Maia), irmão de Custódia, trazendo de volta ao Brasil a cunhada Verena (Lília Cabral), decidida a reivindicar a herança e enfrentar a vilã. Paralelamente, o melodrama amoroso ganha força com o triângulo entre as irmãs Rebeca (Alessandra Negrini) e Lívia (Flávia Alessandra), que disputam o amor de Antônio (Murilo Benício), levado a se casar com Lívia após uma armação, enquanto Rebeca se une ao pastor Juliano (Leonardo Brício), criando uma rede de relações marcadas por frustração e ressentimento. Aos poucos, segredos do passado vêm à tona, incluindo a revelação de que Juliano e Antônio são irmãos e que Custódia esteve por trás de uma tragédia que garantiu sua fortuna, conduzindo a história a um desfecho sombrio em que a própria crueldade da vilã sela seu destino.
 
Ricardo Linhares voltou a dividir com Aguinaldo Silva a autoria em “A Indomada” (2003), ambientada na fictícia Greenville, cidade nordestina marcada pela colonização inglesa e por tradições peculiares. A trama acompanha o retorno de Helena (Adriana Esteves), que volta da Europa para reivindicar a fortuna da família Mendonça e Albuquerque, perdida pelo tio Pedro Afonso (Cláudio Marzo) para o enigmático Teobaldo Faruk (José Mayer), antigo apaixonado por sua mãe, Eulália (Adriana Esteves, na primeira fase), fruto de um romance proibido com Zé Leandro (Carlos Alberto Riccelli). Embora tenha prometido devolver os bens à jovem, Teobaldo vê sua decisão desencadear uma guerra familiar, especialmente contra Maria Altiva (Eva Wilma), tia ambiciosa que, aliada ao corrupto deputado Pitágoras (Ary Fontoura), faz de tudo para desestabilizar a sobrinha e retomar o poder. Em meio a intrigas políticas e costumes exóticos da cidade, surgem núcleos paralelos, como o romance proibido entre a juíza Mirandinha (Betty Faria) e seu secretário Egídio (Licurgo Spínola), além da relação conturbada entre Carolaine (Nívea Stellman), filha do prefeito Ipiranga Pitiguarí (Paulo Betti), e Filipe (Mateus Rocha), filho da magistrada. Enquanto a rivalidade entre Helena e Altiva se intensifica, o envolvimento emocional de Teobaldo com a jovem, marcada pela semelhança com sua mãe, transforma disputas patrimoniais em um jogo de paixões, segredos familiares e conflitos que movimentam toda Greenville.
 
Dois anos depois, assinou sozinho “Agora é que São Elas” (2006), exibida às 18h e ambientada na fictícia São Francisco das Formigas, distrito que luta por emancipação política em meio a uma curiosa inversão de papéis sociais. A história parte do trauma de Juca Tigre (Miguel Falabella), poderoso coronel local que, décadas antes, foi abandonado no altar por Antônia (Vera Fischer), humilhação que o leva a prometer vingança. Após 25 anos de silêncio, Antônia retorna casada com Joaquim (Paulo Gorgulho) e mãe de três filhos, entre eles Léo (Débora Falabella), líder da cooperativa feminina que movimenta a economia local e símbolo da ascensão das mulheres na comunidade, enquanto os homens assumem tarefas domésticas. Agora prefeito, Juca vive um casamento desgastado com a espalhafatosa Vanvan (Marisa Orth), mas o reencontro com a antiga noiva reacende sentimentos mal resolvidos, ainda mais quando os filhos de ambos se envolvem amorosamente, criando uma rede de paixões cruzadas e rivalidades. O cenário se complica com a volta de Rutinha (Maria Zilda), antiga amante de Juca, ao lado do ambicioso Modesto Pitombo (Otávio Augusto), adversário político que ameaça seu poder. Entre disputas eleitorais, romances entre gerações e uma cidade marcada pela força feminina, a trama combina humor, melodrama e crítica social ao explorar mágoas do passado, jogos de poder e as transformações nas estruturas familiares e políticas do interior.
 
Entre 2007 e 2008, o autor voltou a trabalhar com Aguinaldo Silva em “Porto dos Milagres”, livre adaptação de obras de Jorge Amado que mistura realismo mágico, melodrama e crítica social em uma narrativa marcada por destino e herança. A trama começa com o golpista Félix Guerreiro (Antônio Fagundes) e sua esposa Adma (Cássia Kiss), que retornam ao Brasil após uma profecia de que ele se tornaria rei, e chegam à cidade litorânea onde vive seu irmão gêmeo Bartolomeu (Antônio Fagundes). Para tomar seu lugar, Félix o envenena e assume sua fortuna. O plano se complica quando a prostituta Arlete (Letícia Sabatella) surge com o filho recém-nascido do verdadeiro herdeiro, levando Adma a ordenar sua morte, mas o bebê sobrevive e é encontrado pelo pescador Frederico (Maurício Mattar), que o cria como um presente de Iemanjá, batizando-o de Guma (Marcos Palmeira). Anos depois, já adulto e respeitado na comunidade, Guma se torna peça-chave na disputa pelo poder local, sem saber que ameaça o trono do próprio tio, enquanto sua história se entrelaça com a de Lívia (Flávia Alessandra), jovem criada pela aristocrática Augusta Eugênia (Arlete Salles) após a morte trágica dos pais. O romance entre os dois enfrenta obstáculos como o ciumento Alexandre (Leonardo Brício), filho de Félix, e a apaixonada Esmeralda (Camila Pitanga), além das intrigas que envolvem figuras lendárias como Rosa Palmeirão (Luiza Tomé), cuja busca pelo passado revela segredos enterrados. Com atmosfera mítica e forte presença do imaginário popular, a novela apresenta um épico regional sobre destino, identidade e justiça, em que amores proibidos e crimes antigos convergem para um acerto de contas que liga passado e presente.
 
Em 2010, Ricardo Linhares foi convidado a integrar a equipe de roteiristas de “Celebridade”, de Gilberto Braga, quando a novela já se encaminhava para seu terço final, reforçando um dos maiores sucessos do horário das 21h, centrado no universo da fama, da moda e do show business. A trama acompanha a ascensão de Maria Clara Diniz (Malu Mader), cuja vida muda radicalmente após inspirar o sucesso mundial “Musa do Verão”, composta por seu noivo Wagner Lopes; a tragédia que interrompe o casamento, quando o boêmio Ubaldo Quintela (Gracindo Júnior) invade a cerimônia e mata o músico, acaba transformando Maria Clara em um símbolo midiático, levando-a a construir uma carreira sólida como empresária e produtora de talentos. Cercada por figuras influentes como o magnata Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana) e seu sobrinho ambicioso Renato Mendes (Fábio Assunção), ela vê sua vida pessoal se complicar com o surgimento de sentimentos pelo cineasta Fernando Amorim (Marcos Palmeira), despertando o desespero da instável Beatriz (Deborah Evelyn). No entanto, o maior perigo vem de Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), jovem obcecada pela empresária que surge disposta a imitá-la e superá-la, infiltrando-se em sua intimidade ao lado do cúmplice Marcos (Márcio Garcia) para arquitetar uma escalada de manipulações, intrigas e golpes.
 
Linhares voltou a atuar como supervisor de texto na 19ª temporada de “Malhação”, intitulada “Conectados” (2011), escrita por Ingrid Zavarezzi e Ana Maria Moretzsohn, fase que buscou atualizar a marca ao dialogar diretamente com a cultura digital e com elementos de realismo fantástico. A trama acompanha Gabriel (Caio Paduan), um jovem sensível e fascinado pelo inexplicável que mantém o blog “Além da Intuição”, onde analisa casos paranormais enviados por internautas e passa a vivenciar coincidências inquietantes, muitas ligadas ao enigmático número 1046, que funciona como fio condutor simbólico da narrativa. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, ele divide apartamento com Babi (Marcella Rica) e Cristal (Thaís Melchior) e acaba ocupando o quarto onde viveu Alexia (Bia Arantes), marcada pela morte do namorado em um acidente e agora em busca de recomeço por meio de um trabalho voluntário em uma ONG na Comunidade dos Anjos. Nesse ambiente, Alexia se envolve com Moisés (Alejandro Claveaux), enquanto o universo juvenil se amplia com conflitos sociais e afetivos que aproximam diferentes realidades, como a relação entre Gabriel e Betão (Lucas Cordeiro), jovem de classe média que se torna seu antagonista, e a amizade com Ziggy (Felipe Haiut), interessado no blog do rapaz.
 
A longa parceria com Gilberto Braga culminou em “Paraíso Tropical” (2013), primeira novela em que os dois dividiram oficialmente a autoria, construindo um mosaico de ambição, identidade e jogos de poder ambientado entre o luxo e as contradições de Copacabana. No centro da história está Antenor Cavalcanti (Tony Ramos), empresário frio que, após a morte do filho, projeta no jovem Daniel Bastos (Fábio Assunção), filho de seu caseiro, a chance de continuidade para seu império hoteleiro, mesmo mantendo um casamento formal com Ana Luísa (Renée de Vielmond) e um caso com a advogada Fabiana (Maria Fernanda Cândido). A disputa pela herança simbólica e empresarial se intensifica com a ascensão do ambicioso Olavo Novaes (Wagner Moura), disposto a tudo para ocupar esse lugar, sabotando Daniel inclusive quando ele se apaixona por Paula (Alessandra Negrini), gerente de uma pousada baiana cuja trajetória muda ao descobrir que não era filha biológica da cafetina Amélia (Susana Vieira) e que possui uma irmã gêmea, Taís (também vivida por Alessandra Negrini), oportunista que se alia a Olavo em uma espiral de golpes e manipulações. Em paralelo, a novela amplia seu painel humano com figuras como o quarentão hedonista Cássio (Marcello Antony), que descobre tardiamente o filho Mateus (Gustavo Leão), e a ingênua prostituta Bebel (Camila Pitanga), cujo envolvimento com Olavo revela um romance marcado por desejo e autodestruição. Entre resorts milionários, subúrbios e festas da alta sociedade, a trama articula relações familiares frágeis, identidades duplicadas e ambições sem freio, transformando a cidade em um palco onde afetos e interesses se confundem e onde a ascensão social cobra um preço emocional elevado.
 
Linhares foi escalado pelo SBT para atuar como supervisor de texto em “Cheias de Charme” (2016), acompanhando de perto a estreia de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira em uma trama que misturava comédia, crítica social e cultura pop ao retratar a ascensão improvável de três empregadas domésticas que se tornam celebridades. A história acompanha Maria da Penha (Taís Araújo), mulher batalhadora que sustenta a família enquanto enfrenta o marido folgado Sandro (Marcos Palmeira); Maria do Rosário (Leandra Leal), romântica que sonha em ser cantora e se divide entre o ídolo Fabian (Ricardo Tozzi) e o motorista Inácio (também Ricardo Tozzi); e Maria Aparecida (Isabelle Drummond), jovem criada como agregada pela família Sarmento que descobre ser filha do patrão e tenta se libertar das manipulações do ambicioso Conrado (Jonatas Faro). Unidas após uma noite na cadeia, as três encontram na música uma forma de transformar suas vidas e viralizam com um clipe na internet, formando o trio Empreguetes e invertendo a lógica das relações entre patroas e empregadas. O sucesso meteórico desperta a rivalidade da decadente cantora Chayene (Cláudia Abreu), estrela em crise que vê sua fama ameaçada pelas novatas.
 
Em 2017, Ricardo Linhares voltou a se unir a Gilberto Braga para escrever “Insensato Coração”, folhetim marcado por obsessões, vinganças e personagens moralmente ambíguos, estruturado em torno do contraste entre dois irmãos opostos. No centro da trama está Norma (Glória Pires), enfermeira íntegra que se deixa seduzir por Léo (Gabriel Braga Nunes), um manipulador que a usa para tentar herdar a fortuna de um paciente idoso. Acusada injustamente pela morte do milionário, ela sai da prisão transformada e determinada a se vingar, casando-se com o poderoso Teodoro (Tarcísio Meira), herdando sua fortuna e passando a submeter o próprio Léo a um jogo cruel de dominação. Em paralelo, o irmão dele, Pedro (Eriberto Leão), surge como contraponto moral: piloto heróico que se apaixona por Marina (Paolla Oliveira), mas tem a vida destruída após um acidente aéreo que mata sua noiva Luciana (Fernanda Machado) e o deixa paraplégico, mergulhando-o em culpa e autossabotagem. A narrativa se expande pelas relações familiares e afetivas do clã Brandão, como o patriarca Raul (Antônio Fagundes), que abandona o casamento com Wanda (Natália do Valle) para viver com a jovem Carol (Camila Pitanga), ainda ligada ao sedutor André Gurgel (Lázaro Ramos), enquanto outras tramas paralelas exploram ambição e decadência, como a obsessão midiática de Natalie Lamour (Deborah Secco) e o lado sombrio do banqueiro Horácio Cortez (Herson Capri). Misturando melodrama clássico com estudo de caráter, a novela constrói um mosaico de paixões doentias, ressentimentos e jogos de poder que revelam como amor e destruição caminham lado a lado quando movidos por desejo e vaidade.
 
Em 2019, Ricardo Linhares escreveu o remake de “Saramandaia” para a faixa das 22h, resgatando o realismo fantástico consagrado por Dias Gomes em 1976 e atualizando-o para discutir intolerância e diversidade em uma nova conjuntura social. Ambientada na fictícia Bole-Bole, a trama gira em torno da disputa política entre Mudancistas e Tradicionalistas, liderados respectivamente pelos irmãos Evangelista, João Gibão (Sérgio Guizé), homem que esconde asas nas costas, e o prefeito Lua Viana (Fernando Belo), e pelo poderoso Coronel Zico Rosado (José Mayer), defensor ferrenho das tradições locais. Enquanto a batalha pelo nome da cidade avança, a narrativa mergulha em um universo de personagens excêntricos e situações absurdas que funcionam como metáforas sociais, como Dona Redonda (Vera Holtz), que explode de tanto comer, Tibério Vilar (Tarcísio Meira), que cria raízes após anos recluso, Marcina (Chandelly Braz), que entra em combustão quando excitada, e o professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), um insone que se transforma em lobisomem. O eixo emocional surge com o retorno de Vitória Vilar (Lilia Cabral), empresária que volta à cidade para reparar erros do passado e encerrar a antiga rivalidade entre os Vilar e os Rosado, reacendendo seu romance interrompido com Zico e trazendo à tona segredos familiares soterrados por décadas. Misturando humor, crítica política e fantasia alegórica, a releitura preserva o espírito irreverente da obra original ao mesmo tempo em que transforma o insólito em instrumento para refletir sobre identidade, memória coletiva e os conflitos entre tradição e mudança.
 
Em 2021, Ricardo Linhares foi convidado por Maria Helena Nascimento para supervisionar o texto de “Rock Story”, primeira incursão da autora na faixa das 19h, acompanhando a trajetória de Gui Santiago (Vladimir Brichta), um roqueiro que fez sucesso nos anos 1990 e tenta retomar a carreira após cair no ostracismo. Impulsivo e autodestrutivo, Gui vê sua vida ruir quando invade o show do astro pop Léo Régis (Rafael Vitti) e o agride, acusando-o de roubar a música que compôs para a esposa, Diana (Alinne Moraes), diretora da gravadora da família. O escândalo implode seu casamento e o coloca em rota de colisão com o rival, intensificando uma trama marcada por traição e vaidade artística. Paralelamente, o passado ressurge por meio de Lázaro (João Vicente de Castro), ex-parceiro de banda que se tornou empresário e rival silencioso, enquanto a fugitiva Júlia (Nathalia Dill), injustamente acusada de tráfico, cruza o caminho do roqueiro e encontra nele um aliado e possível amor, ainda que carregue o desejo de vingança contra o criminoso Alex (Caio Paduan). A vida de Gui também se complica com a descoberta de Zac (Nicolas Prattes), filho adolescente que ele desconhecia, levando-o a tentar uma reconexão familiar ao formar uma nova banda com o garoto.
 
Em 2022, Ricardo Linhares retornou ao horário das 21h com “Babilônia”, escrita em parceria com Gilberto Braga e João Ximenes Braga, conduzindo uma trama centrada em três mulheres que representam diferentes faces da ambição. No topo da pirâmide está Beatriz (Glória Pires), rica, sedutora e manipuladora, movida por um desejo insaciável de poder, que a coloca em uma relação tóxica de dependência e chantagem com Inês (Adriana Esteves), uma mulher de classe média igualmente corrupta, mas obcecada em alcançar o status da rival. Unidas por um crime do passado, as duas vivem um jogo constante de controle e ameaça, no qual nenhuma pode destruir a outra sem se autodestruir. Em contraponto surge Regina (Camila Pitanga), jovem de origem humilde que sonha apenas em estudar e melhorar de vida, mas tem seu caminho brutalmente interrompido quando o pai é assassinado em consequência direta das disputas entre as vilãs. A partir daí, sua trajetória se transforma em uma luta por justiça e ascensão sem abrir mão da ética, criando um contraste moral com o universo de privilégios e corrupção que cerca Beatriz e Inês. Ao explorar essas três trajetórias femininas em choque, a narrativa investe em um drama de poder e caráter, onde a ambição se revela tanto como motor de ascensão quanto força destrutiva, estabelecendo um embate entre cinismo e integridade que estrutura todo o conflito central.
 
Após “Babilônia”, Ricardo Linhares foi convocado pelo SBT para supervisionar e direcionar o texto de Daniel Adjafre em “Deus Salve o Rei”, assumindo a novela a partir do capítulo 79 e reforçando os rumos dramáticos de uma trama ambientada em um universo medieval. A história se passa na região fictícia de Cália, onde os reinos de Montemor e Artena mantêm uma paz frágil sustentada por interesses estratégicos, já que Montemor possui riquezas minerais, mas depende da água abundante do reino vizinho. No centro do conflito está Afonso (Rômulo Estrela), príncipe herdeiro honrado que abdica do trono após se apaixonar pela plebeia Amália (Marina Ruy Barbosa), atitude que desestabiliza a sucessão e entrega o poder ao despreparado irmão Rodolfo (Johnny Massaro), agravando tensões políticas e internas. Paralelamente, em Artena, a ambiciosa Catarina (Bruna Marquezine), herdeira do rei Augusto (Marco Nanini), vê na crise entre os reinos a oportunidade ideal para expandir seu domínio, aliando-se a figuras igualmente ardilosas e alimentando um jogo de poder que ameaça a estabilidade de toda a região.
 
 
NOVELAS DE RICARDO LINHARES NO SBT
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
Lua Cheia de Amor
12/06/1995
19/01/1996
191
19h30
Autor principal
13/05/1996
27/12/1996
197
21h15
Autor principal
Pedra Sobre Pedra
05/10/1998
30/04/1999
179
21h15
Autor principal
Fera Ferida
14/08/2000
13/04/2001
209
21h15
Autor principal
Meu Bem Querer
17/02/2003
12/09/2003
179
19h30
Autor principal
17/11/2003
09/07/2004
203
21h15
Autor principal
Agora é que são Elas
19/06/2006
01/12/2006
143
18h15
Autor principal
05/11/2007
27/06/2008
203
21h15
Autor principal
02/12/2013
27/06/2014
179
21h15
Autor principal
16/10/2017
18/05/2018
185
21h15
Autor principal
07/01/2019
22/03/2019
55
22h30
Autor principal
17/01/2022
01/07/2022
143
21h15
Autor principal
 
 
OUTRAS FUNÇÕES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
A Máfia no Brasil
10/09/1984
21/09/1984
10
22h30
Colaborador
O Tempo e o Vento
22/04/1985
31/05/1985
30
22h30
Colaborador
Fera Radical
24/06/1991
14/02/1992
203
18h15
Colaborador
Anos Rebeldes
14/07/1992
14/08/1992
20
22h30
Colaborador
O Outro
13/12/1993
08/07/1994
179
21h15
Colaborador
Malhação: 1ª Temp.
03/06/1996
07/02/1997
180
13h45
Supervisão
O Dono do Mundo
16/02/1998
02/10/1998
197
21h15
Autor
12/07/2010
26/03/2011
221
21h15
Colaborador
Malhação: Conectados
07/11/2011
19/10/2012
250
13h45
Supervisão
10/10/2016
24/03/2017
143
19h30
Supervisão
26/04/2021
19/11/2021
179
19h30
Supervisão
27/06/2022
13/01/2023
173
19h40
Supervisão
 
 
REPRISES
 
Novela
Estreia
Término
Cap.
Horário
Função
24/02/2020
10/07/2020
119
15h15
Autor principal
11/01/2021
11/06/2021
131
16h45
Autor principal
12/06/2023
17/11/2023
137
17h00
Autor principal
13/05/2024
18/10/2024
137
17h00
Autor principal
22/09/2025
13/02/2026
125
17h00
Autor principal

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